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sábado, 26 de março de 2016

Manifesto dos Trabalhadores da Arte e da Cultura da Baixada Santista

#NãoVaiTerGolpe
A situação política brasileira passa por um momento de forte acirramento. Nós, trabalhadores da Arte e da Cultura da Baixada Santista, que sofremos das mazelas desta sociedade capitalista (desemprego, precarização do trabalho, marginalização da profissão e repressão policial), neste momento histórico, como em tantos outros, nos alinhamos aos demais explorados: o povo periférico, os trabalhadores do campo e operários, os professores e estudantes, e todos os militantes das causas indígena, racial e de gênero.
Não aceitamos, em nenhuma hipótese, qualquer tipo de retrocesso nos direitos dos trabalhadores e das liberdades democráticas conquistados na luta de classes.
Entendemos que este movimento golpista (organizado pela direita conservadora e pela grande mídia oficial patrocinado por banqueiros, latifundiários e industriais e que inflama parte da população em nome de um suposto combate à corrupção) quer destruir os direitos conquistados pelo povo trabalhador desde o fim da Ditadura Militar.
O processo de impeachment impulsionado por um movimento golpista, que no momento será decidido por um Congresso de picaretas, utiliza-se de um Sistema Judiciário partidarizado e viciado para criminalizar o PT, o Governo e também todos os movimentos sociais, o que já vem ocorrendo com inúmeras greves, ocupações e manifestações nos últimos anos. Usando de um discurso de ódio, justificam e incentivam agressões físicas e morais a quem simplesmente veste vermelho. Querem criminalizar esta cor, quando sabemos que foi portando bandeiras vermelhas que muitos de nós tombaram pelos direitos de que agora gozamos.
Reconhecemos o Brasil como um país predominantemente machista, onde as mulheres são diariamente exploradas em diferentes níveis, violentadas e mortas, e não temos dúvidas que muitos dos ataques à presidenta Dilma ocorrem pelo fato de ser mulher. Repudiamos veementemente esses ataques violentos de caráter sexista.
POR TUDO ISSO, SOMOS CONTRA O IMPEACHMENT!
Por outro lado, nosso combate ao movimento golpista não anula nossa discordância e nem o fato de termos duras críticas ao Governo.
Reconhecemos os avanços sociais, mas não compactuamos com medidas como a Lei Anti-Terrorismo, o ajuste fiscal e o veto à auditoria da dívida pública. Nós nos colocamos em defesa da Petrobras e seus trabalhadores.
Enquanto trabalhadores da Arte e da Cultura, exigimos: a revisão e ampliação das políticas públicas para a Cultura, o fim do financiamento estatal à grande mídia e a imediata abertura de um debate público sobre a democratização dos meios de comunicação.
Nunca faremos coro com corruptos e criminosos notórios como Eduardo Cunha, Aécio Neves, Beto Mansur, Michel Temer, Geraldo Alckmin, José Serra, Jair Bolsonaro e outros, que organizam ou apoiam o processo de impeachment e nos oferecem um futuro de barbárie.
Diante disso, reafirmamos nosso posicionamento junto aos movimentos sociais e populares nestas lutas por suas reivindicações e direitos, e nos colocamos na linha de frente de resistência a todos os atuais ataques da burguesia. Apenas a classe trabalhadora, em sua luta contra o sistema capitalista – que tenta transformar a arte e a cultura em mera mercadoria –, pode abrir um caminho para um futuro sem exploração e com verdadeira liberdade de criação e pensamento. Um futuro que nos garanta não só o pão, mas também a poesia.
Santos, no Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista, 24 de março de 2016

segunda-feira, 30 de março de 2015

Alkmin e mais um Golpe: Cultura vai acabar!

Manifestação da Cultura
(Dia 1º de Abril às 14h em frente à Sala São Paulo)
O Governo Alckmin promove um dos maiores retrocessos na Cultura por meio de um corte orçamentário que atinge ao ProAC com menos 13 milhões, determina o fechamento de Oficinas Culturais do Estado e a redução de funcionários e programação do MAC, Museu Afro brasileiro, MIS e Pìnacoteca entre outros.
Essa postura atinge diretamente a formação, produção e difusão cultural no Estado, interrompe e põe fim a um processo de democratização da cultura e promoção do acesso, queimando recursos públicos anteriormente investidos e destruindo a possibilidade de futuro para milhares de jovens.
NÃO ACEITAREMOS CALADOS TAMANHA ARBITRARIEDADE CONTRA A CULTURA!
Assim, a Cooperativa Paulista de Teatro, Fórum do Interior, Litoral e Grande São Paulo, Movimentos contra o fechamento das Oficinas Culturais e mais diversos movimentos da Cultura, realizaremos no dia 1º de abril às 14h em frente a Sala São Paulo, uma manifestação em defesa da Cultura no Estado de São Paulo, pela manutenção dos recursos do ProAC e pelo não fechamento das Oficinas Culturais.

quarta-feira, 18 de março de 2015

15 de Março de 2015 – um dia para se lembrar (embora fosse muito melhor esquecer...)

Texto de Matheus José Maria - repórter fotográfico.

Certos dias você já sabe como serão só pela forma que eles começam.
Saindo de Santos para ir realizar a cobertura do protesto contra a presidente Dilma, já no carro conheci um garoto que estava indo também, mas com o propósito de protestar. Não vou discordar do direito dele fazer isso – algo incontestável -, mas não perderei muito tempo nessa história já que em um dado momento da conversa ele diz “Vamos tirar a Dilma e, se o Maluff se candidatar eu voto nele, porque ele rouba, mas pelo menos faz”.
Acho que isso diz muito sobre o povo brasileiro e seus costumes... Enfim, que o Maluff não se candidate novamente.
Bom, eis que chego em São Paulo e a rodoviária do Jabaquara já está tomada por gritos, apitos e camisas da CBF (nem durante a copa vi tantos “torcedores” juntos) que se dirigiam aos gritos em direção ao metrô.
Entro, com dificuldade no vagão lotado e dentro dele, os gritos de Dilma filha da puta, vai tomar no cú se fazem ouvir em alto e bom som.
Desço na estação Praça da Árvore para encontrar outro amigo e também fotojornalista, o Gabriel Chaim. Do momento em que desci e ele chegou, passaram três outras composições até que entramos em outro vagão, mas com o mesmo recheio.
Crianças carregadas pelos pais, idosos com os rostos pintados e usando todo o vocabulário adquirido ao longo de suas vidas e garotas desfilando a última moda em questão de protestos (uma camiseta coberta de lantejoulas que formavam a bandeira do Brasil). Quando chegamos à estação Paraíso, onde descemos para trocar de metrô e seguir em direção a Av. Paulista, eis que escuto a frase de um senhor de cabelos brancos: “Hoje não deviam cobrar o metrô. Deveria ser catraca livre!” Isso me fez pensar de imediato nos protestos contra os 0,50 centavos onde os manifestantes foram recriminados exatamente por pedir a mesma coisa.
Trocamos de linha e seguimos até chegar à estação Trianon – Masp e já de dentro da estação era possível escutar o barulho da manifestação.
A Avenida Paulista estava completamente tomada, era gente chegando de todos os lados e ocupando toda sua extensão.
Se locomover era extremamente difícil e com um pouco de esforço consegui subir em um trio-elétrico para ter uma visão melhor da extensão do protesto. Era um mar nas cores verde e amarelo que me fez pensar em que tipo de associação fizeram essas pessoas, para destacar seu patriotismo, usar a camisa da seleção brasileira, ligada a CBF que também é um ícone da corrupção nacional.
Em cima do trio elétrico, encontro outro fotojornalista famoso que escreve para uma coluna em um grande jornal de São Paulo que sorria satisfeito e me disse “Que lindo isso”. Ao lado, duas pessoas vestidas com roupas de presidiário e máscaras do Lula e da Dilma montaram uma grade de madeira e simulavam a prisão dos dois.
Desci do trio e segui pelo meio da multidão.
Várias mãos carregando latas de cerveja. Corpos sarados desfilando sem camisa exibindo a última tatuagem feita. Rostos maquiados e cabelos bem cuidados. Abercombrie, La Coste, D&G, Apple e outras marcas. Selfies em todos os lugares, poodles e outras raças de pequeno porte no colo. Estou dizendo que todos eram assim? Não, não estou. Seria uma leviandade achar que posso generalizar um movimento com tantas pessoas, mas me atrevo a dizer que era uma grande parte, senão a maioria.
Ao caminhar escutava as coisas mais absurdas e aqui, reproduzo algumas frases que ouvi:
- “ O que falta para tomarmos uma atitude? Esperar que vaze um vídeo de sexo com crianças? Não, isso não vai aparecer então temos que agir ” – Um manifestante do alto do trio-elétrico falando sobre a necessidade de agir contra o PT.
- (som de aplausos conforme policiais da tropa de choque passavam e eram saudados com continências por alguns manifestantes) – “ Isso é um exemplo de protesto direito, feito de forma ordeira e pacífica “ – Resposta de um policial quando perguntei o que ele achava disso.
- “ Tira essa mochila vermelha, tá querendo apanhar comunista? – Manifestante nitidamente alcoolizado (e segurando uma lata de cerveja nas mãos) gritando para uma pessoa que passou por ele, sem camisa, mas com uma mochila nas cores vermelha e preta.
- “ Fiz uma aposta com um amigo e disse que não acreditava que fosse ter tanta gente assim no protesto. Perdi com prazer e agora devo a ele um jantar em Punta del Este. “ – Manifestante falando ao microfone, em cima de um trio-elétrico.
- “A Dilma com certeza cortou o 3G para não deixar falar dela “ – Fala de um manifestante irritado por não conseguir conectar seu celular.
Essas falas e demonstrações mostram o tom que predominava nessa manifestação.
Continuando a circular, me deparo com um grupo de adolescentes segurando um cartaz onde era feito um agradecimento ao exército pelo golpe de 1964 e por isso, ter livrado o Brasil da ameaça comunista. Eu tenho quase 36 anos e sei muito pouco a respeito da ditadura militar, mas o pouco que sei me faz temer e repudiar seu retorno e assim eu pergunto: O que garotos, cuja maior preocupação deve ser qual o novo modelo de celular vai ser lançado e não tem mais que 16 anos, sabem sobre isso?
Mais a frente, uma bagunça em uma esquina e me aproximando vejo Danilo Gentilli, fazendo a festa dos fãs com fotos, selfies, beijos e abraços.
Que fique claro, mais uma vez, que isso foi o que eu vi e não uma generalização impossível de se fazer dado o número de pessoas que lá estavam.
Encontramos com outro colega fotojornalista (Wesley Passos) que junto de nós, seguiu até a rua da Consolação.
Nela, ouviam-se as buzinas de diversos caminhões que aderiram ao protesto e manifestavam sua opinião e apoio aos manifestantes.
Descendo pela rua, vi o que, para mim, foi a cena mais bizarra, triste e revoltante de todo o ato.
Em uma ocupação localizada na Consolação, um grupo de moradores fixaram uma faixa com os dizeres: Que os ricos paguem pela crise. Total apoio à greve dos (as) professores (as). Nenhuma menção ao PT, à presidente Dilma, à Petrobrás, enfim, nenhuma declaração de apoio aos monstros que estavam sendo caçados pela população ali presente.
Isso bastou para que ofensas tais como vagabundos, petistas, miseráveis, bandidos, pobres, filhos do bolsa miséria, filhos da puta e outros fossem dirigidas a eles. No grupo que ali parou havia idosos, jovens, mulheres e skin heads. Uma das manifestantes gritando que eles gostavam de mamar nas tetas do governo tirou seu seio e gritou para que então, mamasse ali. Um dos skin heads socou a porta de aço da casa e desafiou os fotógrafos a fotografá-lo. Enquanto isso, eu, o Chaim e o Wesley, junto de mais outro fotógrafo e dois jovens que ali estavam, nos posicionamos na porta da casa de modo a evitar uma possível tentativa de invasão. Alguns manifestantes chegavam perto e gritavam outras ofensas e os desafiavam a sair lá de dentro e encará-los.
Porque? A luta pela moradia e o apoio aos professores é um crime tão grande que justifica essa ação tão cheia de ódio? Talvez seja o corporativismo já que ali, provavelmente, várias pessoas eram donas de seus próprios imóveis e, como um jovem gritou “aí não é casa de vocês, não invadam o que é dos outros”.
Continuando pela rua, parecia que o grupo de pessoas havia se tornado um touro furioso, que investia contra qualquer pessoa que tivesse a ousadia de colocar uma bandeira vermelha na janela de seu apartamento. De imediato pensei em um touro correndo atrás da bandeira, pronto a atacar sem sequer saber por que fazia isso exatamente.
“Pula, pula, pula!!!!” era o que eles gritavam. Uma divergência política foi o suficiente para desejar a morte a um completo desconhecido.
Essa parte do protesto seguiu e se encerrou na Praça da República, onde pessoas estenderam faixas azuis, verdes e amarelas pela avenida. Dizem que outros grupos se espalharam por outros pontos de São Paulo e pouco a pouco foram indo embora até que a cidade voltou a ter sua respectiva coloração cinza concreto.
Gostaria de deixar claro que esse é um relato completamente pessoal, baseado no que eu vi e destacando as coisas que mais me chocaram no ato deste domingo 15 de março. Foi um protesto pacífico? Sim, até onde eu sei não houve incidentes envolvendo violência física ou depredação. Mesmo sendo nitidamente um protesto composto por uma parcela mais abastada da sociedade, não questiono em momento algum o direito deles irem às ruas e defendo a liberdade deles se manifestarem, mas é preciso que se preste atenção na ausência de uma consciência política embasada, do ódio cego e seletivo – afinal, o cartel do metrô tá aí. Ops não tá mais, foi arquivado – dirigido à apenas uma pessoa, partido, cor ou extrato social.
Se eu concordo com as reinvidicações? Não com as que eu vi ali, mas concordo com a necessidade de ser feita justiça ou, pelo menos, se fazer valer a justiça no país, de forma igualitária.

E se não ficou claro o que eu penso sobre esse protesto eu digo: Não penso nada, vou tentar esquecer...

domingo, 10 de outubro de 2010

Mentiras de Lula....


Tenho recebido algumas mensagens golpistas, insanas e mentirosas sobre o PT, Lula e Dilma. Como é prática recorrente do PIG, agora seus eleitores amestrados tomam a mesma conduta, agressiva e rancorosa. Sobre um em especial, publico a resposta com a postagem do site Conversa Afiada, que ao contrário de acusações sem provas contra Lula e PT, demonstra as fontes de pesquisa e investigação contra o Serra. Falta ainda, nessa postagem, citar as seguintes mentiras:

- "As classes de 1º ano do ensino público tem duas professoras"
Nunca vi isso na escola que trabalho. Uma vez (por seis meses) teve uma estagiária, ainda estudante, que acompanhava a professora e ganhava uma bolsa. É óbvio que estágio já existe há muito tempo antes da gestão do Serra, sendo mentira que ele instituiu isso em seu governo, além do que estagiário está preocupado em aprender, não em ensinar, como um professor profissional.

- "O PCC foi instinto"
Como dou aula em periferia, muitos dos "manos", sabem que o PCC continua forte e atuante. Vemos há dois meses, em São Paulo, ataques de tiros a Departamentos de Polícia, fazendo com que tomassem próvidências de isolamento de ruas como na época do terrorismo anterior. Se não foi o PCC, certamente foi de outra organização criminosa de São Paulo.

- "Realizamos e realizaremos concursos para completar o quadro de docentes nas escolas estaduais."
Outra mentira deslavada, já que o concurso, com milhares de inscritos qualificados (que passaram nos testes), que poderiam completar o quadro desfalcado de professores, tiveram cerca de apenas 200 docentes por disciplina convocados, quase 10 mil, restando ainda quase metade dos cargos a preencher. Temos 100.000 temporários de 217.000 que trabalham nas escolas estaduais. (Ver dados da apeoesp.)

- "milhões de reais em investimentos nas escolas"
Mentira: em minha escola tinha uma placa com investimentos de 173.000 reais. Foram feitos serviços de pintura e troca das traves da quadra. Isso custa tudo isso? Em cada escola tem uma placa dessa, com valores semelhantes. Pra onde foi a grana? Pra escola pública não foi.

- Ainda falta dizer sobre a privatização do maior hospital do Estado de São Paulo, um andar inteiro do Hospital das Clínicas foi passado para os convênios e planos de saúde privados usar "a vontade".

Continuando com o Paulo Henrique Amorim:


O programa do Serra no horário eleitoral deste sábado terminou com uma senhora paulistíssima, com jeitão de “amiga” da D. Ruth, a folhear um jornal e insinuar que a Dilma é responsável por tudo o que se atribui à Erenice.

A “amiga” da D. Ruth, portanto, substituiu a denúncia do aborto do programa da manhã.

Das duas, uma.

Ou as pesquisas de qualidade mostraram que o aborto era um tiro no pé.

Ou ele considera que o mal à Dilma já está feito.

Ele fixou a imagem de santarrão e, ela, de criminosa, cúmplice das aborteiras mais inescrupulosas.

O PiG (*) desta manhã de domingo – tanto a Folha (**) quanto o Estadão – anunciam que, nos debates, ele será o “Serrinha é do bem”.

Será o Serrinha santarrão, Tartufo, nas entradas ao vivo no horário eleitoral.

Mas, na hora de o trator passar por cima da cabeça da mãe, o Serra estará em off: virá no fim do horário eleitoral, colado ao programa da Dilma, ou, rotineiramente, o PiG (*) usará o trator por ele.

O PiG (*) se dedica, por ele mesmo, a desconstruir a Dilma.

E a Veja a procurar companheiras de cela da Dilma.

O Conversa Afiada diz isso porque recebeu a informação de que a Veja procurou uma companheira da Dilma de cela.

Só que ela mandou a Veja procurar a Dilma.

Na Veja que está nas bancas, vê-se que ela foi atrás de uma companheira da Dilma, a Tupamara.

Mas deu com os burros n’água, porque o desmentido à reportagem saiu antes de a Veja chegar às bancas.

Mas, a Veja ainda achará o torturador da Dilma, como a Folha (**) achou que o homem trabalhava para os órgãos de repressão e fazia a campana da Dilma.

É uma divisão de trabalho.

O PiG (*) faz o trabalho sujo e o Serra faz o trabalho limpo.

Essa estratégia é a de quem está numa situação de vida ou morte.

Serra dá as últimas braçadas de um afogado.

Ele fará QUALQUER COISA !

Ele não tem escrúpulos !

No dia 1º. de novembro ele vai ser líder de um partido minoritário, que definha a cada eleição: a UDN de São Paulo.

Ele tem que passar o trator agora.

E a Dilma tem que tirar as luvas.

Tem que responder aos ataques.

A campanha “economicista” já colou.

O Lula pendurou o FHC no pescoço do Serra.

Só que a guerra mudou de trincheira.

Foi para o aborto e a Erenice.

Para a destruição de caráter.

E o Serra, aí, é impune.

Ele pode fazer qualquer coisa, porque o PiG (*) lhe dá refugio, o protege.

Uma primeira providência da Dilma seria, por exemplo, afastar as vozes do Bom Senso, os Moderados e Bem-Pensantes.

O Palocci, por exemplo, que quer ganhar a eleição e continuar a escrever para o Globo.

Ganhar sem sujar as mãos.

O Cardozo, por exemplo.

Ele quer ganhar a eleição sem brigar com ninguém, ir para o Supremo com o apoio do PiG (*), e ser convidado para jantar com o Daniel Dantas.

Esse é o pessoal “bonzinho” da Dilma.

Que faz qualquer negócio para sair nas paginas amarelas da Veja, dar uma entrevista à urubóloga Miriam Leitão na GloboNews.

Tem que fazer como a Marilena Chauí: não falar mais com o PiG (*).

Não fosse o precedente do Golpe do Ali Kamel em 2006, seria até uma boa ideia não ir ao debate da Globo.

Clique aqui para ler “O primeiro Golpe já houve, falta o segundo”.

O único púlpito da Dilma é o horário eleitoral.

E, nele, a Dilma tem que desmascarar o Serra, como recomendam o Mino e o Mauricio Dias na Carta Capital que está nas bancas.

Sobre Valores, e Ética, por exemplo.

Basta pedir à Monica Bérgamo para contar a história do filho que o Fernando Henrique – que bom pai ! – levou quinze anos para reconhecer.

Sobre o aborto.

Ir ao site “Amigos do Presidente Lula” e mostrar que o Serra foi o único Ministro da Saúde que assinou portaria para realizar a aborto no âmbito do SUS.

Sobre “eu não mudo de idéia”, sou “coerente”.

Ir ao Conversa Afiada e exibir no horário eleitoral o vídeo em que ele diz ao Boris Casoy que cumprirá o mandato de prefeito e, se não cumprir, que ninguém nunca mais vote nele.

Pegar no Conversa Afiada o documento com o timbre da Folha (**) em que ele diz que vai cumprir o mandato de prefeito até o fim.

A Dilma quebrou o sigilo da filha do Serra, coitadinha.

É só mostrar a reportagem do Leandro Fortes na Carta Capital: a filha do Serra e a irmã do Dantas quebraram 30 milhões de sigilos, numa empresinha que elas tinham.

Por falar nisso, Dilma.

Sem que o Cardozo e o Palocci saibam, detona a filha do Serra e a irmã do Dantas.

Exiba o documento do Governo da Florida que registra a empresa delas em Miami (em Miami !, Dilma, onde se localiza a maior lavanderia do mundo, depois do Banestado).

Quem trouxe a família para a campanha foi ele.

A mulher dele, tão simpática, especialmente de óculos de moldura vermelha.

Foi ela quem disse na Baixada Fluminense que você matava criancinhas.

Sobre a “democracia” e a defesa intransigente da “liberdade de imprensa”, mostre como ele agride jornalistas, especialmente jornalistas mulheres.

Como o Serra agasalhou um terreno que a Globo invadia há onze anos e transformou numa escola técnica para formar quadros para a Globo.

(O Palocci vai ficar nervosíssimo se você fizer isso !)

Reproduza o diálogo dele com o Heródoto Barbero, no Roda Morta, da TV Cultura, sobre pedágio.

E conte que, por causa disso, o Heródoto foi devidamente defenestrado.

Mostre os documentos que a Namaria publicou sobre as assinaturas da Veja, da Folha (**) e do Estadão que ele comprou com o dinheiro do povo de São Paulo para distribuir às escolas.

Essa é a “imprensa livre” dele.

Serra vendeu o Brasil.

Contratar alguém com a voz grave do Celso Freitas e ler, um por um, o nome das empresas que ele vendeu com o FHC.

Ao lado, o logo da empresa.

Uma por uma.

E a frase do Delfim: eles venderam tudo e aumentaram a divida.

Qualquer dona de casa entende isso.

Sobre o “me formei” economista, que ele diz no programa dele.

Cadê o diploma dele, Dilma ?

Faça o que a Dra. Cureau não fez: exija o diploma dele.

No Brasil, ele não pode dizer à Justiça Eleitoral – mostre a foto – que é economista, porque ele não tem diploma válido em território nacional.

Ele mente, Dilma.

Mostre o decreto dos genéricos.

Foi o Ministro da Saúde Jamil Haddad quem assinou e, não ele, que se atribui o titulo de “melhor Ministro da Saúde”.

(Quem disse isso foi o amigão dele, o Ministro serrista Nelson Jobim, o da babá eletrônica para agradar o Gilmar Dantas (**).)

Melhor Ministro da Saúde, quem ?

Não foi na gestão dele que compraram ambulâncias super-faturadas ?

Cadê o Barjas Negri, Dilma ?

O Abel, coitado, morreu, mas o Negri poderia dar um depoimento sobre as ambulâncias …

Peça àquele mesmo locutor para ler os votos do Serra contra o trabalhador na Constituinte.

Só votou contra o trabalhador.

O Conversa Afiada já publicou isso e o Artur Henrique da CUT sabe onde achar.

Vá atrás do passado dele.

Que história é essa de aparecer numa foto ao lado do Jango ?

Ele fugiu, Dilma.

E diz em off: eu enfrentei os militares e a Dilma, cadê a Dilma ?

Diga que enquanto ele fugia você era torturada.

Dilma, como é que um presidente da UNE – que comia criancinhas – vai ao comício do grande comedor de criancinhas – o Jango -, foge para o Chile do comededor de criancinhas, o Salvador Allende, casa com uma Allende, e depois, aparece nos Estados Unidos para “dar aula” ?

Que história é essa ?

Pergunta ao Gabeira se ele pode entrar nos Estados Unidos.

Por que o Serra entrou e ficou lá numa nice ?

Vamos falar da Erenice, Dilma.

Fala do Engavetador Geral da Republica.

Do projeto Sivam.

Da pasta rosa.

Da compra da re-eleição.

Da privataria, como diz o Elio Gaspari.

Mostra aquele exemplar da Carta Capital que transcreve os diálogos do Fernando Henrique com o André Lara Resende: “vamos usar a bomba atômica”.

Do Mendonção com o Ricardo Sérgio de Oliveira: “isso vai dar m …”.

Aquele momento Péricles de Atenas do Governo FHC.

Mostra aquelas fotos do Serra com o martelo dos leilões da privatização, a beijar a Helena de Tróia.

Pede ao Nassif para resumir o livro dele “Cabeças de Planilha”.

Ele conta como o FHC fixou o Real na entrada do Plano, e beneficiou o André e os clientes dele.

(O André jamais processou o Nassif.)

Pede ao Malan para contar que o Serra boicotou o Plano Real e tentou derrubar o Malan.

Dilma, você já percebeu – está no Estadão de hoje, na página 2 – que o Malan defende o FHC, mas não apóia o Serra ?

Por que será, hein ?

Vamos falar do Ricardo Sergio, Dilma ?

Ele foi o chefe da campanha do FHC e do Serra.

Pergunta ao Benjamin Steinbruch quem é o Ricardo Sergio.

Pergunta à família do Antonio Ermírio de Moraes.

E o Preciado ?

Lembra do Preciado ?

Aquele da privatização do Banespa e da Ilha do Urubu, que o Emiliano José e o Leandro Fortes descreveram tão bem.

Quem entende muito de Preciado é o Fernando Rodrigues, da Folha (**).

É só mandar buscar as reportagens dele, quando o rabo da Folha (**) ainda não estava preso.

O Amaury Ribeiro preferiu esperar as eleições para lançar o livro dele.

Mas, o Conversa Afiada já divulgou o prefacio do livro do Amaury, o que provocou um “alopramento” generalizado na campanha do Serra.

Clique aqui para ler esse prefacio, que o Conversa Afiada re-publicou, a pedidos.

Ali há informações preciosas (sem trocadilho).

Dilma como é que um homem público, que passou a vida toda com salário de parlamentar, governador e “professor” comprou aquela casinha em que vive ?

A casa é dele, Dilma ?

Está no Imposto de Renda ? Por quanto ?

Se ele vier de “mensalão”, devolva com “mensalão tucano de Minas”, Eduardo Azeredo e o “valerioduto” cheio de dinheiro do Dantas (o Palocci e o Cardozo não podem ouvir falar nisso).

Dilma, você já ouviu falar no Flavio Bierrembach ?

O Flavio é um homem honrado.

Ele era candidato a deputado com o Serra e acusou o Serra de ladrão.

O Serra foi para cima dele.

Por azar, a ação caiu na mão do Juiz Walter Maierovitch.

Maierovitch chamou o Bierrembach às falas: que historia é essa de chamar alguém de ladrão, sem provas ?

O Bierrembach pediu “exceção da verdade” – ou seja, quero provar o que digo.

Maierovitch imediatamente deu ao Bierrembach o direito de provar o que dizia.

Dilma, sabe o que o Serra fez ?

Engavetou a ação.

Chama o Bierrembach para contar essa história.

Chama o Maierovitch – e só ligar para a Mara, secretária do Mino, na Carta Capital, que a Mara acha o Maierovitch rapidinho.

E põe uma claquete assim: “O Serra não deixou a Justiça provar que ele não é ladrão”.

Querer ganhar eleição do Serra com o IBGE não basta.

Ele faz e diz QUALQUER COISA !

Dilma, e o telefonema do Serra para o Gilmar Dantas (***) ?

Mostra aquela foto dele no auditório e o voto do Gilmar no dia seguinte.

Esses dois, Dilma, fazem qualquer coisa.

E trate de ganhar a eleição com bastante folga.

Porque essa urna eletrônica sem o papelzinho do Brizola é um convite à fraude.

E se for para o tapetão, o Marco Aurélio de Mello está lá e o Gilmar fica na reserva.

Um perigo !

Sobre o massacre do PiG (*) contra a Petrobrás, para impedir que você use a Petrobrás na campanha.

Dilma, você conhece a história do John Kerry ?

O John Kerry combateu no Vietnã e foi condecorado TRÊS VÊZES.

Ele tem a “Purple Heart”, a medalha de que os americanos mais se orgulham.

Ele dirigia missões de destreza e rapidez, nuns barquinhos, os Swifts, com poucos companheiros a bordo.

Uma espécie de SWAT.

Em diferentes ações, Kerry foi ferido, matou um vietcong que o tinha atacado e salvou a vida de subordinados.

Ele foi candidato à Presidência contra o Bush, na segunda vez.

Bush fazia nos debates o “Bushinho paz e amor”.

Bush era “do bem”.

Como “Serra é do bem”.

Mas, por trás, veio o trator – cheio de grana.

Criou-se um grupo auto-intitulado de “Veteranos dos Swift em Busca da Verdade”.

Eles produziram um documentário – com dinheiro de quem, Dilma ? – para demonstrar que Kerry não podia ser presidente.

Porque ele mentiu sobre o seu papel no Vietnã.

Que ele não merecia nenhuma daquelas medalhas.

Era um líder inepto.

E, no fundo, no fundo, um covarde.

Os “amigos do presidente Serra” compraram horário nas televisões do interior para exibir o documentário.

(Lá não tem horário eleitoral gratuito.)

Como Kerry tinha dito, ao sentar praça, que era contra a Guerra do Vietnã, ele foi estigmatizado pelos “Veteranos dos Swift”: um Traidor da Pátria, um Vendilhão da Pátria.

Veja bem, Dilma, TRÊS medalhas por bravura !

E passou a campanha sem poder invocar seu passado heróico.

O Serra é assim também: capaz de tudo.

O bye-bye Serra forever não se dará mais com a Economia.

Não basta pendurar o FHC no pescoço do Serra.

O Serra levou o jogo para o campo dele – a vala negra.

O da calhordice, como diz o Ciro, um especialista na alma do Serra.

Neste momento, essa história de não “baixar o nível” só funcionaria em eleição para Madre Superiora.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Artistas de sp contra o Golpe em Honduras!

ARTISTAS CONTRA O GOLPE EM HONDURAS ASSISTA O VÍDEO CHAMADO:

http://www.youtube.com/watch?v=EZj3EL_DyRM&feature=sub

03/10 - Sábado - das 14h às 22h Apresentações musicais, rodas de poesia, vídeos, esquetes teatrais, exposições. Onde: Casa Socialista Karl Marx
R. Américo Jacomino, 49 Metrô Vila Madalena


Fora Golpistas! Ato em sp nessa sexta, no MASP

Ato em São Paulo nesta Sexta-Feira, às 17h. Nos somamos a todos em solidariedade à luta do povo hondurenho contra os golpistas, pela volta de Zelaya e pela realização de uma Assembléia Constituinte que expresse os interesses do povo trabalhador do país.


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Golpistas prendem e torturam opositores em campos de concentração

Fonte: somoshonduras.wodpress.com

Militares também sabotam mídia que não transmite a versão oficial dos acontecimentos

Por Lúcia Rodrigues

A repressão militar em Honduras está cada vez mais intensa contra os opositores do regime. Há informações de que existe em Tegucigalpa, capital do país, pelo menos três campos de concentração para onde são levados os manifestantes presos. No local são praticadas torturas físicas e psicológicas. Os militares apagam cigarros nos corpos dos detidos, além de aplicarem surras com pedaços de pau para quebrar seus ossos.

O número de mortos, feridos e desaparecidos ainda é incerto. A reportagem da Caros Amigos conversou por telefone com Ramon Navarro, ativista da Via Campesina. Ele conta que apesar da repressão violenta, as pessoas saem às ruas para se manifestarem contra os golpistas. Ontem, 23, realizaram uma passeata com mais de 300 mil pessoas pelas ruas da capital hondurenha.

Apenas dois canais televisivos e a Rádio Globo de Honduras não transmitem a versão oficial dos militares. Por isso mesmo, sofrem a sabotagem dos golpistas, que lançam fortes descargas elétricas para danificar os equipamentos desses veículos de comunicação, que agora operam em condições precárias, com várias interrupções em suas programações.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista com Ramon Navarro.

Caros Amigos – Como está a situação em Honduras?

Ramon Navarro – Há uma grande tensão. Reprimem as passeatas contra o golpe de Estado. O Exército e a polícia estão matando nossos companheiros. A polícia reprime, inclusive, nos bairros. Buscam as pessoas que estão reunidas. Estamos debaixo de um estado de sítio. As pessoas são levadas para campos de concentração.

Caros Amigos – Quantos campos de concentração há em Honduras?

Ramon Navarro – Em Tegucigalpa há três campos de concentração, além dos centros de repressão oficial.

Caros Amigos – Os presos estão sendo torturados nesses campos de concentração?

Ramon Navarro – Sim, psicológica e fisicamente.

Caros Amigos – Que tipo de torturas?

Ramon Navarro – Apagam cigarros no corpo das pessoas, golpeiam com garrotes. Há muitas pessoas com ossos fraturados. Estamos tentando obterhabeas corpus para essas pessoas.

Caros Amigos – Mas a justiça não está ao lado dos golpistas?

Ramon Navarro – Infelizmente está. A corte suprema de justiça do meu país é golpista.

Caros Amigos – Quantas pessoas foram assassinadas até o momento?

Ramon Navarro – Não temos o número exato de mortos, sabemos que são trabalhadores e camponeses. Há muitos feridos nos hospitais, muitas pessoas estão desaparecidas. Os números são incertos. A empresa de telefonia também é golpista.

Caros Amigos – As manifestações acontecem em todo o país ou estão concentradas em Tegucigalpa?

Ramon Navarro – Acontecem em todo o país. Eu estou em Tegucigalpa, mas ocorrem em nível nacional.

Caros Amigos – Os protestos reúnem quantas pessoas?

Ramon Navarro – Em Tegucigalpa realizamos manifestações com mais de 300 mil manifestantes. Mas há muito temor. Ninguém está armado, as pessoas têm medo de ser reprimidas pelos golpistas.

Caros Amigos – E o toque de recolher?

Ramon Navarro – O país está paralisado. Agora o toque de recolher é das 18h às 06h. Por volta das nove da noite entram em cadeia nacional para anunciar a versão oficial e dizer que o toque de recolher continua.

Caros Amigos – Quem fala em nome dos golpistas?

Ramon Navarro – Micheletti e ultimamente o chanceler Lopes Contreras. Falam em inglês. Não respeitam os hondurenhos.

Caros Amigos – E por que falam em inglês?

Ramon Navarro – Falam para os norte americanos

Caros Amigos – Como a mídia está se comportando?

Ramon Navarro – A televisão de uma maneira geral é de ultra direita. Só temos dois canais de televisão que passam as informações como realmente ocorreram. O canal 36 e o canal 11. E uma rádio, a Rádio Globo de Honduras.

Caros Amigos – Os golpistas censuram esses meios de comunicação?

Ramon Navarro – Cortam os meios de comunicação que nos informam. Enviam fortes correntes elétricas para queimar os transformadores. Isso tira esses canais do ar por algum tempo. As transmissões acontecem com interrupções, com dificuldades. A polícia também reprime esses jornalistas.

Caros Amigos – Como os hondurenhos vêem as eleições que o governo golpista diz que vai realizar?

Ramon Navarro – Não acreditamos nessas eleições se não se reconhece o governo do presidente Zelaya, se não se devolve o status de presidente que ele tem.

Caros Amigos – E em relação à atitude do governo brasileiro de receber Zelaya em sua embaixada?

Ramon Navarro – Agradecemos ao Brasil por ter aberto as portas de sua embaixada para proteger o nosso presidente.

Caros Amigos – O senhor acredita que os golpistas podem invadir a embaixada brasileira?

Ramon Navarro – Eles tiveram a intenção, têm a intenção, mas também têm temor. Zelaya está sem água e sem comida dentro da embaixada.

Caros Amigos – Como o senhor acha que esse impasse será resolvido?

Ramon Navarro – Esperamos que haja participação das organizações internacionais, da ONU e que aconteça de forma pacífica. Exigimos o retorno de Zelaya ao cargo e a convocação de uma assembléia constituinte.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

E a repressão continua... A resistência também

MENSAJES DE FEMINISTAS EN RESISTENCIA AL GOLPE
Urgente desde Honduras
Nos acaban de avisar que van a realizar un corte de energía por 48 horas a partir de las siete de la noche en el territorio nacional, así que no podremos salir a comprar comida, ni nada, van a sitiarnos.

COMUNICADO
¡Abajo el golpe en Honduras!

(Pan y Rosas, 22/09/09) En el día de ayer, ante la sorpresiva llegada de Zelaya a Tegucigalpa, miles de personas volvieron a manifestarse y se agolparon ante la embajada de Brasil, obligando al ejército a replegarse.


PRONUNCIAMIENTO
Contra el toque de queda y la represión impuesta por los golpistas

(Tegucigalpa, 21/09/09) Por este medio las Feministas en resistencia y organizaciones de mujeres de todo el país, preocupadas y alertas sobre la represión que el gobierno de facto ha impuesto al pueblo hondureño con motivo de la movilización masiva en respuesta a la llegada del Presidente constitucional de la República a este país, nos pronunciamos de la siguiente manera


En Honduras NO PASARAN

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Aprenda Apeoesp, há sindicatos que direcionam para a luta!

“A saída armada é possível”
blog do cappacete

O líder sindical dos professores afirma que uns dois mil hondurenhos estão treinando na Nicarágua para uma resistência armada

Brasil de Fato

Mercedes López San Miguel
de Tegucigalpa (Honduras)

Sua corpulência e a jaqueta de couro fazem jus à imagem estereotipada de líder sindical. Bertín Alfaro é professor e presidente do Sindicato Profissional de Docentes de Honduras, o maior e mais organizado grêmio da resistência contra o golpe de Estado. Ele eleva o tom quando adverte que os EUA são os autores do levantamento militar. E o baixa ao assinalar que uns dois mil hondurenhos estão treinando na Nicarágua para uma defesa armada. Alfaro teme essa opção. Na entrevista a seguir, insiste que o povo deve resistir de forma pacífica até conquistar a restituição do presidente Manuel “Mel” Zelaya.




As forças repressivas mataram dois docentes desde que o governo de fato se instalou em Honduras. Qual é a situação dos professores?
Bertín Alfaro – O golpe marcou uma grande crise na vida democrática de Honduras, seguida de uma flagrante violação aos direitos humanos. Os trabalhadores da educação assumimos um papel protagonista, nos somamos à resistência. Entre os operários, os professores e os camponeses existe uma palavra de ordem que se grita permanentemente: “aqui, ninguém se rende”, até que se restabeleça a ordem democrática. O golpe de Estado foi perpetrado pela Igreja, a Corte Suprema, as Forças Armadas, os meios de comunicação influentes e os políticos tradicionais. Mas os autores intelectuais se encontram no norte do continente. Depois da resolução da OEA [Organização dos Estados Americanos], todos os países respaldaram Zelaya. Os EUA fizeram pouco ou nada; é o único país que tem uma relação permanente com os golpistas.


O que a administração Barack Obama deveria fazer?
Congelar as contas dos golpistas, restringir o ingresso de remessas dos hondurenhos que vivem nos EUA e cancelar os vistos dos golpistas.


Os EUA cancelaram quatro vistos...
Sim, mas consideramos isso uma jogada política, porque cancelaram os vistos de quem não teve um papel importante no golpe. Os cérebros da ditadura estão tranquilos e aparecem sorridentes na televisão.


Voltando à pergunta anterior: a repressão aos professores aumentou? Eles estão sendo perseguidos?
A senhora viu cair um professor com um balaço na cabeça [Roger Vallejos morreu em 30 de julho, devido a um tiro no crânio]. Quando se pede informações às forças da ordem, dizem que é preciso investigar. Mas a promotoria atua imediatamente quando é contra a resistência popular: qualquer um vai preso por perturbação da ordem pública ou qualquer outra coisa. Repare que o povo marcha de maneira pacífica e sem armas. A ditadura criou um ambiente de tensão, com toque de recolher a cada instante e detenções arbitrárias. Não há direitos individuais. Os hondurenhos vamos nos mobilizar durante os cinco meses que faltam para que o mandato de Mel termine.


A resistência encontra os professores unidos? O sindicato dos docentes é o que mais participa das mobilizações?
Em Honduras, existe o que se chama de Coordenadora Nacional da Resistência. Tem o Bloco Popular, que aglutina as centrais operárias, como a CGT [Central Geral dos Trabalhadores], e o [sindicato] do magistério. Somos 60 mil educadores, a maior força. Decidimos que haja aula às segundas, terças e quartas; os demais dias são de luta. Os trabalhadores estão tendo medo de participar porque são ameaçados em suas empresas, mas, tanto os camponeses quanto os professores marchamos mais.


Vocês levaram alguma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que esteve em Honduras há poucos dias?
Sim. Sempre tiramos fotos e gravamos vídeos. Uma das situações que denunciamos foi que, na zona noroeste, a polícia prendeu muitas pessoas que se manifestavam. Liberaram os homens, mas quatro policiais levaram e violaram uma mulher operária e muito bonita. Ela deu os nomes. Quebraram a mão de um candidato presidencial pelo movimento operário, Carlos Reyes. Também quebraram um deputado do partido Unificação Democrática, e agora ele está internado. Os golpistas têm mercenários. Não respeitam ninguém. Mas se não respeitaram o presidente quando o tiraram da cama! Os direitos não existem.


Se vislumbrava um golpe de Estado?
Pela primeira vez desde 1981, um presidente assumia a defesa dos mais despossuídos. Mel assinou a incorporação de Honduras à Alba [proposta pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para se contrapor à Alca], quis converter a base militar de Palmerola, dos EUA, em aeroporto comercial, e contemplou os trabalhadores ao aumentar o salário mínimo. Também aumento o piso salarial dos professores [hoje, recebem o equivalente a 600 dóolares]. Por todas essas medidas, os empresários ficaram contra ele. Os EUA também. A instalação da quarta urna em 28 de junho passado, para saber se o povo queria reformar a Constituição foi a última coisa que Mel quis mudar.


A sociedade se polarizou entre os que apóiam Zelaya e os que estão com o presidente de fato, Roberto Micheletti?
Os operários, os camponeses, os professores... definitivamente, o povo, está com o presidente Zelaya. A empresa privada, o Congresso, a Igreja e os meios influentes estão com o “goriletti”. O Congresso é um ninho de malandros. Os deputados se aproveitam do sistema para levar uma vida mais cômoda em detrimento do povo. Percebemos que se esta situação não se resolve, grupos guerrilheiros serão organizados em Honduras. Há pessoas treinando na Nicarágua. No dia que o Mel chegar, o povo se concentrará para recebê-lo... nesse dia pode ser que haja uma grande quantidade de mortes.


Quantas pessoas estão se armando?
Ao redor de dois mil hondurenhos estão treinando na Nicarágua.


Quem os treina?
Não podemos dizer. Nós não queremos chegar ao ponto de uma resistência armada. Isso provocaria a morte de muitos inocentes, e o controle escaparia das mãos dos dirigentes sindicais. Queremos continuar pela via pacífica.


Quando aconteceria essa resistência em armas?
Logo. Temos conhecimento de que existem armas doadas. Não sabemos quem as doaram. Já existem sinais de que haverá uma crise muito difícil em nosso país. Começou-se a sentir as medidas de isolamento. No mais tardar em outubro Honduras atravessará uma grave crise alimentar e de abastecimento.


O senhor confia em uma saída medida para o conflito?
O plano Arias [do presidente da Costa Rica, Óscar Arias] propõe um governo de integração. É irônico que seja dada anistia aos golpistas para que formem parte do gabinete. Zelaya já o rechaçou. Chama a atenção o fato de que o país que recebeu Mel em pijamas tenha sido a Costa Rica, não é?


Por quê?
Porque Arias serviu ao Império. Interessa a ele ganhar um novo Prêmio Nobel [Arias foi premiado em 1987, por ter mediado o fim dos conflitos na América Central].


Se Zelaya não conseguir ser restituído ao cargo, haverá eleições?
Aí está o problema. A Constituição diz que o governo constitucional é o que garante os pleitos. Mas Mel está no exílio. Que eleições se darão se o povo não quer ver os candidatos dos partidos tradicionais? Elvin Santos, do Partido Liberal [o mesmo de Zelaya], é um golpista, um representante da oligarquia. Uma parte dos liberais não o querem. Jogaram ovos nele! (Página 12 - www.pagina12.com.ar)


Tradução: Igor Ojeda

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

E onde está o reconhecimento, o pedido de desculpas públicas, além da abertura dos arquivos?

Fonte: Fazendo Media
Verdades já conhecidas se confirmam oficialmente
Por Mário Augusto Jakobskind, 18.08.2009

Os arquivos implacáveis liberados pelo Departamento de Estado norte-americano confirmam o que se sabia a boca pequena: 38 anos depois, confirma-se a participação da ditadura brasileira no golpe que derrubou o Presidente constitucional chileno, Salvador Allende. Dois anos antes da ocorrência, o presidente de fato do Brasil, Emílio Garrastazu Médici se reuniu com o seu colega estadunidense Richard Nixon e afirmou que “estava trabalhando” para derrubar o governo do chileno Salvador Allende.

O encontro, segundo revelam os documentos compilados pelo instituto de pesquisa não-governamental Arquivo Nacional de Segurança, divulgados agora pela Folha de S. Paulo, aconteceu no Salão Oval da Casa Branca, às 10h do dia 9 de dezembro de 1971. O gorila Médici estava acompanhado de um intérprete de triste memória para o Brasil, o general Vernon Walters, adido militar dos EUA que teve participação ativa no golpe que derrubou o presidente constitucional João Goulart. Na reunião esteve presente também o famigerado assessor de Segurança Nacional e futuro secretário de Estado Henry Kissinger.

Nenhum diplomata brasileiro esteve na reunião, pois, segundo o pesquisador Matias Spektor, citado pela Folha, o general presidente de fato e a Casa Branca não confiavam no Itamaraty e até acreditavam que o órgão estava tentando frustrar a visita de Médici.

Esta mancha na história brasileira não fica mais oculta. Em várias ocasiões se falava da participação ativa de representantes da ditadura brasileira no golpe contra o povo chileno, mas os direitistas de sempre nunca tiveram a coragem de assumir esse posicionamento.

Mas os leitores que imaginam que não falta mais nada em matéria de arquivos implacáveis estão enganados. Figuras que continuam circulando por aí e até ocupando cargos de importância seguem ocultos. Um deles é um tal de Aristóteles Drumond, jornalista, hoje âncora de um programa de entrevistas num canal a cabo da Igreja Católica. À época era introdutor de armamentos no Chile, distribuídos para grupos de extrema direita conspiradores contra o governo constitucional de Allende, como afirma o saudoso René Dreifuss em um de seus importantes livros sobre o tenebroso período da história brasileira (A Internacional Capitalista – Estratégias e táticas do empresariado transnacional – 1918-1986), leitura obrigatória para quem estuda história brasileira contemporânea.

Documentos da mesma natureza que os agora tornados púbicos e que se encontram nas gavetas de alguns Ministérios brasileiros, sobretudo o da Defesa, poderiam confirmar muitos fatos ocorridos. Não se trata de revanchismo, como afirmam representantes dos setores conservadores envolvidos em ocorrências tenebrosas, mas apenas esclarecimento das verdades, fundamental para inclusive evitar a repetição da história.

É isso aí, no meio de tudo isso, a mídia hegemônica conservadora, que até hoje não fez autocrítica pelo posicionamento exercido naquele período da história brasileira, segue defendendo os mesmos interesses econômicos apoiadores do golpe, mas atualmente com uma outra estratégia. Não que tais grupos tenham mudado, mas simplesmente, tal qual camaleões, adaptam-se ao sopro dos ventos, que hoje tomaram novos rumos. Em outras palavras: seria desgastante para esses setores midiáticos repetirem a mesma estratégia da época.

A melhor forma de virar em definitivo a página da história de triste memória é escancarar os documentos sobre o período. É a melhor forma também de se conhecer personagens que hoje se apresentam como democratas desde criancinha.

Na Argentina, no Uruguai, no Chile e no Paraguai, a história de personagens escabrosos que torturaram e mataram opositores não só está sendo contada, como também os responsáveis por crimes contra a humanidade estão sendo julgados.

Como diria o jornalista David Nasser, em termos de Brasil “falta alguém em Nuremberg”. E para melhor entendimento do período é necessário colocar o alguém no plural. Enquanto isso não for feito, o Brasil continuará com o título comprometedor de paraíso da impunidade para quem cometeu crimes imprescritíveis.