Segue abaixo a moção:
Poucos homens atingem seu tempo!
Pode um homem contemporâneo perceber o que está acontecendo de realmente importante em sua época? Às vezes, o que tem de importante não aparece no momento em que ocorre. É preciso que muitos outros também reconheçam aquilo como importante e, para isso, precisam saber, ter acesso àquilo que se diz importante.
A II Conferência Municipal de Cultura da cidade de São Paulo foi pensada e construída pela Prefeitura Municipal de São Paulo sem o tempo e os cuidados necessários. Isso tem conseqüências!
Sob pena de ficar fora do Sistema Nacional de Cultura, dos benefícios da PEC 150 e das parcerias propostas pelo governo federal, através de leis que hoje tramitam no Congresso Nacional, assumiu a realização da Conferência e convidou para a empreitada algumas entidades representativas dos trabalhadores da cultura da cidade.
Triste resultado!
A política da fome a que somos submetidos escancara suas fraquezas.
Qual é a história da Conferência Municipal de Cultura?
A I Conferência aconteceu em maio de 2004, foi precedida por duas pré-conferências em que participaram instituições que atuam no campo da cultura e nove pré-conferências territoriais, ocorridas nas mais diversas regiões da cidade. Milhares de pessoas se envolveram num debate democrático que levava o sonho de orientar, dar rumos à política cultural do município, a partir de necessidades reais. Foi nessa conferência que se consolidou o Conselho Municipal de Cultura, antiga reivindicação dos movimentos sociais. Este Conselho foi desativado desde que o atual secretário de cultural está no cargo. Naquele momento, conseguíamos perceber a importância do nosso gesto no sentido de construir uma cidade mais justa. Pensávamos que havíamos construído uma estrutura sólida que garantiria a continuidade do processo, mas não foi isso que aconteceu.
A II Conferência Municipal de Cultura desconsiderou toda esta rica história! Desrespeitou todas as discussões anteriores e os avanços porque pensa o mundo a partir de uma lógica míope e pragmática de mercado.
A Comissão Organizadora estabeleceu o limite de 650 participantes que poderiam se inscrever pela internet. Encerrou as inscrições antes do prazo definido por ela mesmo, e o resultado foi participação reduzida que tivemos.
As sugestões dos grupos de trabalho (que se formaram de maneira improvisada), foram repetidamente recusadas pelo secretário. Para corresponder às rígidas estruturas propostas pelo governo federal foram convidados debatedores “sob medida”, desrespeitando uma saudável e necessária pluralidade de opiniões. A coordenação dos trabalhos, em parte feita pelo próprio secretário, foi, em muitos momentos, autoritária, resultado do seu descontentamento com a obrigação de realizar esta tarefa democrática.
A escolha do local da Conferência, o Parque de Convenções do Anhembi, também parece ter sido “sob medida”. O acesso é difícil para aqueles que precisam ou optam pelo transporte coletivo. Os preços, da lanchonete ao estacionamento, são fora da realidade dos trabalhadores da cultura. A divulgação da Conferência, dada a importância e o tamanho da cidade de São Paulo, foi largamente insuficiente.
Esta Conferência foi um triste caldeirão com caldo amargo, onde o tempero principal foi a frustração. Os desejos de coletivos culturais, reprimidos durante cinco anos, foram condenados ao silêncio.
Recusamos a chantagem a que estamos sendo submetidos: aceitar ou... aceitar este estado de coisas. Repudiamos com veemência a organização e a condução dos trabalhos desta conferência!
Dois dias de trabalho simplesmente para votar o regimento. E o tempo para as dicussões diminuído drasticamente.
Pela investigação e pela análise do mundo objetivo, nossa arte pode contribuir para a mudança de consciência no nosso país, mas o poder público não pensa assim.
É preciso mostrar a necessidade de transformar a sociedade atual, é necessário mostrar a possibilidade dessa mudança e os meios para mudá-la.
Esta é uma Moção de Repúdio a todos os atos inconseqüentes promovidos na preparação e na execução da II Conferência Municipal de Cultura. Repúdio a todas as manobras, repúdio às palavras ríspidas, ao desrespeito aos movimentos organizados.
Trabalhadoras e trabalhadores em cultura da cidade de São Paulo
M27M
25 de outubro de 2009
Assinam também essa moção:
Fórum H2O Municipal SP
Associação de Arte artesanato e Cultura Karl
Roda do Fomento
APOESP (Aposentados Sub-Sede Norte) Movimento MMC
Mobilização Dança
Movimento Negro Gilson Negão
Arte pela Barbárie
Congresso Cultural de República do Brasil África Sustentável
Instituto CECAP Centro de Cultura Artística Popular
CNAB – Congresso Nacional Afro Brasileiro
Primado do Brasil Umbanda e Candomblé
Instituto Oromilade
CENARAB
Flo-Friendes Of Life Organization
AMEJAEB – Entidade Social (Dirce Lua)
GRCES – Academia Saída Frente (Dirce Lua)
Goteira Esporte Clube (Butantã)
"Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma." Augusto Boal
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
Resistência dos atores na II Conferência de Cultura de São Paulo: Kassab não esperava
II Conferência Municipal de Cultura
Ontem foi um dia muito importante para o teatro e para a cultura na cidade de São Paulo.
Graças à organização de dezenas de trabalhadoras e trabalhadores de teatro em conjunto com os companheir@s de outras áreas artísticas, o resultado da II Conferência Municipal de Cultura, que terminou ontem, não foi o desastre que se anunciava.
A Prefeitura, através da Secretaria de Cultura, organizou às pressas e de forma antidemocrática esta Conferência (a primeira ocorreu em 2004). Mas o movimento teatral de São Paulo se organizou e participou ativamente do encontro cujas cartas estavam mais ou menos marcadas. A Prefeitura só não contava com a nossa mobilização!
Resultados
Dos dozes delegados eleitos, cinco fazem parte do Movimento 27 de março (mais de 40% dos eleitos!), e outros dois são artistas e militantes muito próximos das reivindicações históricas do movimento teatral (que tem suas origens no "Arte contra a barbárie").
Mas os resultados não se expressam apenas nos números. Cerca de trinta propostas sobre políticas públicas de cultura foram debatidas e votadas. O movimento de teatro, com a participação de companheir@s de várias outras áreas, conseguiu aprovar a quase totalidade das suas propostas, incluindo a reativação do Conselho Municipal de Cultura, a criação do Fundo Municipal de Cultura, a ampliação das verbas públicas para programas de fomento nos moldes do Fomento ao Teatro de São Paulo e o fim da Lei Rouanet. Nós não fomos tímidos, nem estamos fazendo concessões de espécie alguma. Defendemos na Conferência e no cotidiano da nossa prática artística e política, a supressão integral de políticas baseadas na renúncia fiscal. E não estamos falando sozinhos, a prova disto foi a aceitação destas propostas e outras semelhantes durante a Conferência.
Moção
Outro resultado importante desta Conferência foi a aprovação, por ampla margem de votos (a quase totalidade dos votos contrários foram dados por membros do poder público), de uma Moção que faz a análise crítica da organização e do funcionamento da Conferência (em anexo). Embora o Ministério da Cultura tenha apoiado ostensivamente a Secretaria de Cultura de São Paulo, a plenária demonstrou sua insatisfação com a Conferência e vários movimentos artísticos assinaram a Moção escrita pelo M27M.
Ilusão
O M27M não tem qualquer ilusão sobre o interesse dos poderes públicos em implementar estas propostas, mas elas reforçam a ação política coerente de parte do movimento teatral e constituem um poderoso capital simbólico para a continuidade da luta. Além disso, estas propostas serão publicadas e servirão como base para as Conferências Estadual e Nacional de Cultura.
Os próximos passos
Apesar das divisões, fomentadas por interesses táticos, o M27M tem se esforçado em discutir com maturidade alternativas para as políticas públicas de cultura. E os resultados têm aparecido.
Nós agradecemos, e convidamos para a continuidade dos debates, todas as pessoas que participaram conosco desta experiência política difícil. Não é fácil constatar o apego aos cargos, a tibieza ética ou a venalidade.
"Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma."
Augusto Boal
Movimento 27 de março
26 de outubro de 2009
Moção está na próxima postagem!
Ontem foi um dia muito importante para o teatro e para a cultura na cidade de São Paulo.
Graças à organização de dezenas de trabalhadoras e trabalhadores de teatro em conjunto com os companheir@s de outras áreas artísticas, o resultado da II Conferência Municipal de Cultura, que terminou ontem, não foi o desastre que se anunciava.
A Prefeitura, através da Secretaria de Cultura, organizou às pressas e de forma antidemocrática esta Conferência (a primeira ocorreu em 2004). Mas o movimento teatral de São Paulo se organizou e participou ativamente do encontro cujas cartas estavam mais ou menos marcadas. A Prefeitura só não contava com a nossa mobilização!
Resultados
Dos dozes delegados eleitos, cinco fazem parte do Movimento 27 de março (mais de 40% dos eleitos!), e outros dois são artistas e militantes muito próximos das reivindicações históricas do movimento teatral (que tem suas origens no "Arte contra a barbárie").
Mas os resultados não se expressam apenas nos números. Cerca de trinta propostas sobre políticas públicas de cultura foram debatidas e votadas. O movimento de teatro, com a participação de companheir@s de várias outras áreas, conseguiu aprovar a quase totalidade das suas propostas, incluindo a reativação do Conselho Municipal de Cultura, a criação do Fundo Municipal de Cultura, a ampliação das verbas públicas para programas de fomento nos moldes do Fomento ao Teatro de São Paulo e o fim da Lei Rouanet. Nós não fomos tímidos, nem estamos fazendo concessões de espécie alguma. Defendemos na Conferência e no cotidiano da nossa prática artística e política, a supressão integral de políticas baseadas na renúncia fiscal. E não estamos falando sozinhos, a prova disto foi a aceitação destas propostas e outras semelhantes durante a Conferência.
Moção
Outro resultado importante desta Conferência foi a aprovação, por ampla margem de votos (a quase totalidade dos votos contrários foram dados por membros do poder público), de uma Moção que faz a análise crítica da organização e do funcionamento da Conferência (em anexo). Embora o Ministério da Cultura tenha apoiado ostensivamente a Secretaria de Cultura de São Paulo, a plenária demonstrou sua insatisfação com a Conferência e vários movimentos artísticos assinaram a Moção escrita pelo M27M.
Ilusão
O M27M não tem qualquer ilusão sobre o interesse dos poderes públicos em implementar estas propostas, mas elas reforçam a ação política coerente de parte do movimento teatral e constituem um poderoso capital simbólico para a continuidade da luta. Além disso, estas propostas serão publicadas e servirão como base para as Conferências Estadual e Nacional de Cultura.
Os próximos passos
Apesar das divisões, fomentadas por interesses táticos, o M27M tem se esforçado em discutir com maturidade alternativas para as políticas públicas de cultura. E os resultados têm aparecido.
Nós agradecemos, e convidamos para a continuidade dos debates, todas as pessoas que participaram conosco desta experiência política difícil. Não é fácil constatar o apego aos cargos, a tibieza ética ou a venalidade.
"Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma."
Augusto Boal
Movimento 27 de março
26 de outubro de 2009
Moção está na próxima postagem!
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