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sábado, 18 de outubro de 2014

PIG: Mostra tua cara! Crimes de Aécio que a imprensa e o eleitor não viu...

Colado de
http://www.viomundo.com.br/denuncias/rogerio-correia-se-o-gurgel-nao-abrir-inquerito-contra-o-aecio-estara-prevaricando.html 

Lemes: O balanço das denúncias contra Aécio que a mídia ignorou

publicado em 17 de fevereiro de 2013 às 18:26
aécio neves
por Conceição Lemes
Nos últimos dias, a Folha de São Paulo descobriu as três rádios – entre elas, a Arco-Íris –  e o jornal de Aécio Neves, candidato à presidência pelo PSDB, e  de sua família.
O jornal tentou, mas não conseguiu obter informações sobre quanto o governo de Minas gastou em publicidade nesses veículos.
Isso, no entanto, não é nenhuma novidade.
Desde 2011, o Viomundo denuncia a aplicação, via publicidade, de dinheiro de estatais mineiras e da administração direta estadual na rádio Arco-Íris e demais veículos de comunicação de Aécio Neves e família.
– Por que 2011?
Em 17 de abril de 2011, Aécio foi parado pela polícia numa blitz de trânsito no Leblon, cidade do Rio de Janeiro. Convidado a fazer o teste do bafômetro, ele se recusou. A carteira de habilitação, vencida, foi apreendida. Levou duas multas.
O carro em que o senador dirigia na hora da blitz — Land Rover TDV8 Vogue, ano 2010, placa HMA 1003, valor mercado R$ 255 mil, comprado após as eleições de 2010 — pertencia à rádio Arco-Íris, de Belo Horizonte (MG), cujos sócios são Aécio, a irmã Andrea e sua mãe, Inês Maria Neves Faria.
Durante todo o período em que Aécio governou Minas ( janeiro de 2003 a abril de 2010), sua irmã, Andrea Neves, comandou o Núcleo Gestor de Comunicação Social da Secretaria de Governo. Uma de suas funções era decidir sobre a alocação de recursos de toda a publicidade do Estado de Minas Gerais.
Ontem, no debate do SBT, Dilma questionou Aécio sobre o assunto duas vezes:
– Sua irmã era responsável por toda a verba destinada à publicidade, que foi para as rádios e os jornais que vocês têm em Minas.
– Quando a gente pergunta sobre os recursos passados às rádios e a um jornal mineiro que você tem em MG, não há transparência.  
Aécio não respondeu. Fez de conta que não era com ele.
Assim como mídia corporativa menosprezou essa e outras denúncias feitas e reiteradas desde  2011 em relação ao governo de Aécio Neves  (confira aqui, aqui e aqui).
Por isso, nós resgatamos agora – 17 de outubro, às 21h30 – a reportagem abaixo, que foi publicada em 17 de fevereiro de 2013. Nela, tratamos da Rádio Arco-Íris, Banjet, Oswaldinho, aplicação de verbas públicas em empresas da família, voos em jatinho do presidente da Codemig, suspeitas de ocultação de patrimônio e sonegação fiscal, blindagem.
***
 “Se o Gurgel não abrir inquérito contra o Aécio, estará prevaricando”

Em Minas, o ex-procurador Alceu Marques Torres arquivou duas representações  contra Aécio e Andrea Neves. Em 31 de maio de 2011, os deputados Rogério Correia, Sávio Souza Cruz e Antonio Júlio entregaram a Roberto Gurgel outra denúncia. Ela está na gaveta do procurador-geral da República há 22 meses e 17 dias

por Conceição Lemes
17 de abril de 2011. Madrugada de domingo, Leblon, Zona Sul carioca. O senador Aécio Neves (PSDB-MG), dirigindo uma Land Rover, é parado pela polícia numa blitz de trânsito. Convidado a fazer o teste do bafômetro, ele se recusa. A carteira de habilitação, vencida, é apreendida. Leva duas multas.


A partir daí, o poderoso bunker montado para protegê-lo foi sofrendo alguns abalos.
O Movimento Minas Sem Censura (MSC), bloco de oposição que reúne parlamentares do PT, PMDB, PCdoB e movimentos sociais, descobriu fatos até então desconhecidos. Além de denunciá-los publicamente, fez representações a várias instâncias, pedindo que fossem investigados.
Essas ações não deram em nada até agora.
Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), as tentativas para instalar CPIs não prosperaram. Lá, como em São Paulo, vige a lei da mordaça tucana.
Alceu José Marques Torres, procurador-geral da Justiça de Minas até início de dezembro de 2012, arquivou as duas representações feitas contra o senador, a irmã Andrea Neves e a rádio Arco-Íris.

“Como o procurador nada apurou, nós entramos com a segunda representação”, diz o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG), líder do MSC.
“O promotor João Medeiros Silva Neto, do Ministério Público do Estado de Minas, abriu inquérito para investigá-la. Porém, o doutor Alceu avocou para si o processo e arquivou. O então procurador-geral prevaricou.”
Em 31 de maio de 2011, Rogério e os colegas Luiz Sávio de Souza Cruz e Antônio Júlio, ambos do PMDB, foram a Brasília.
Entregaram pessoalmente a Roberto Gurgel representação denunciando Aécio e a irmã dele, Andrea Neves, por ocultação de patrimônio e sonegação fiscal. A representação está na gaveta do procurador-geral da República há 22 meses e 17 dias.
“Como em 2010 Aécio se tornou oficialmente sócio da rádio Arco-Íris, cujo valor de mercado é de R$ 15 milhões, se tinha patrimônio total declarado de R$ 617.938,42?”, questiona Sávio Souza Cruz, vice-líder do MSC.
“Como Aécio viajava para cima e para baixo em jatinho da Banjet, cujo dono preside a Codemig e é dono de empresas que prestam serviços ao governo de Minas? Por que Aécio indicou Oswaldinho para presidir a Codemig?”
Rogério Correia denuncia: “Há fortes indícios de ocultação de patrimônio e sonegação fiscal. Aécio se recusa a prestar esclarecimentos sobre o seu patrimônio. Andrea destinou dinheiro público para empresas da família. Isso é improbidade administrativa!”
“Em Minas, o Aécio tudo pode”, continua Souza Cruz. “Nós poderíamos ter copiado tantas coisas aprazíveis da Bahia, acabamos por reproduzir uma das menos positivas, o Aecinho Malvadeza.”
“Está tudo dominado”, ele sentencia. “A Assembleia Legislativa homologa tudo o que é do interesse do Aécio. O ex-procurador geral de Justiça de Minas virou o zagueiro do Aécio, nós passamos a chamá-lo de ‘Aéceu’.”
AS DENÚNCIAS MENOSPREZADAS PELA MÍDIA CORPORATIVA
Rádio Arco-Íris, Banjet, Oswaldinho, aplicação de verbas públicas em empresas da família, voos em jatinho do presidente da Codemig, suspeitas de ocultação de patrimônio e sonegação fiscal, blindagem.
Nenhuma dessas denúncias, praticamente desprezadas pela mídia corporativa, é novidade. Todas, desde 2011, têm sido feitas e reiteradas (confira aqui, aqui e aqui).
O ponto de partida, relembramos, foi o flagrante do teste do bafômetro, em 17 de abril de 2011, na cidade do Rio de Janeiro.
O carro que o senador dirigia na hora da blitz — Land Rover TDV8 Vogue, ano 2010, placa HMA 1003, valor mercado R$ 255 mil, comprado após as eleições de 2010 — pertencia à rádio Arco-Íris, de Belo Horizonte (MG), cujos sócios são Aécio, a irmã Andrea e sua mãe, Inês Maria Neves Faria.
Há anos é propriedade da família Neves. Em 1987, o então deputado federal Aécio Neves ganhou a concessão para explorá-la do à época presidente da República José Sarney, atualmente senador.
Por coincidência, Aécio votou a favor da ampliação do mandato de Sarney para cinco anos, o que lhe valeu entre adversários a alcunha de “Aecinco”.
Antonio Carlos Magalhães, ministro das Comunicações naquele momento, assinou a outorga. Inicialmente a sede da emissora ficava em Betim, depois foi transferida para BH.

A matéria abaixo de Veja, publicada na seção Radar, em 1987, circulou muito após o teste do bafômetro. Ela diz que Aécio já seria proprietário de outras três rádios, em Cláudio, Formiga e São João Del-Rei. Investigação feita em 2011 revelou que oficialmente ele era sócio apenas da Arco-Íris. Estavam em nome de Andrea outra emissora e um jornal em São João Del-Rei.

Aécio, aliás, só passou a integrar legalmente a sociedade da rádio Arco-Íris dois meses após ser eleito senador.  Mais precisamente a partir de 28 de dezembro de 2010 com valor declarado à Junta Comercial de Minas Gerais de R$ 88 mil, o equivalente a 88 mil cotas. A mãe, dona Inês Maria Neves Faria, repassou-lhe a maior parte das suas.
Em consequência, as 200 mil cotas da empresa ficaram assim distribuídas:  Andrea, 102 mil (51%); Aécio, 88 mil (44%); e dona Inês Maria, 10 mil (5%).
Foi a sétima alteração contratual da empresa, que iniciou atividades em 1986. Abaixo a última página do contrato.

A rádio Arco-Íris, além da Land Rover, era proprietária em 2011 de outros 11 veículos registrados no Departamento de Trânsito de Minas (Detran-MG).
Dos 12 veículos, seis são carros de passeio de luxo, em geral não utilizados para fins empresariais.
Mais surpreendentes foram as frequentes autuações dos veículos da Arco-Íris no Estado do Rio de Janeiro.
Afinal, ela é retransmissora da rádio Jovem Pan FM, tem sede em BH, não possui departamento de Jornalismo e se atém a transmitir músicas para jovens.
As multas aplicadas em 2011 no Toyota Fielder (HEZ1502) e na Land Rover TDV8 Vogue (HMA 1003) decorreram de excesso de velocidade nas cidades de Búzios, Rio Bonito e Rio de Janeiro e em rodovias fluminenses.
A informação é do Detran-MG. Abaixo uma do Toyota Fielder (HEZ1502) .

MILAGRE DOS PEIXES 
Aécio governou Minas de janeiro de 2003 a abril de 2010. Durante os dois mandatos, a irmã Andrea comandou o Núcleo Gestor de Comunicação Social da Secretaria de Governo, criado por decreto em 3 de abril de 2003, pelo próprio governador.
O setor tinha as funções de:
1) coordenar, articular e acompanhar a execução de toda a política de comunicação social do Estado, inclusive a das secretarias, autarquias, empresas públicas e fundações estaduais;
2) decidir a alocação de recursos financeiros de toda a publicidade do Estado de Minas Gerais, sua administração direta e indireta, até mesmo das empresas controladas pelo poder público mineiro, bem como o patrocínio de eventos e ações culturais e esportivas.
De 2003 a 2010, as despesas com “divulgação governamental” somaram R$ 489 milhões. No primeiro mandato, foram R$ 157 milhões; no segundo, R$ 325 milhões, de acordo com o Sistema Integrado de Administração Financeira do Tesouro (Siafi).
Nesses valores não estão incluídos os gastos com publicidade de empresas públicas ou de economia mista controladas pelo Estado, como as companhias  Mineradora (Codemig), Energética (Cemig), Saneamento (Copasa) e Gás (Gasmig), assim como as do Banco de Desenvolvimento de Minas (BMDG) e Loteria estadual (LEMG). Eles totalizaram mais de R$ 325 milhões de 2003 a 2009, conforme o Tribunal de Contas do Estado.
Pois era Andrea quem orientava, determinava e supervisionava quanto, quando, como e onde aplicar todos esses recursos do Estado e suas empresas, diretamente ou via agências de publicidade.
No decorrer das gestões do irmão-governador, o seu núcleo aplicou, a título de publicidade, dinheiro de estatais mineiras e da administração direta estadual na rádio Arco-Íris e em outras empresas de comunicação dos Neves.
Exatamente quanto não se sabe, pois o ex-procurador-geral Alceu José Marques Torres nem ao menos  investigou quanto de dinheiro público a rádio Arco-Íris recebeu.
Por falar em patrimônio, em fins de 2010, quando Aécio passou a ser oficialmente sócio da rádio Arco-Íris, o capital social registrado não representava o valor real. Somente os 12 veículos em nome da empresa valiam aproximadamente R$ 714 mil em maio de 2011. Já o valor comercial da emissora, de acordo com fontes do mercado, era de aproximadamente R$ 15 milhões.
Contudo, no início de 2010, ao registrar a candidatura ao Senado, Aécio declarou à Justiça Eleitoral patrimônio total de R$ 617.938,42. Um decréscimo de cerca de 20% em relação ao de 2006. Apenas a parte dele no valor dos automóveis da rádio Arco-Íris seria de R$ 314 mil!  Um milagre dos peixes às avessas.
BANJET, CODEMIG, BANDEIRANTES, IM: RELAÇÕES FAMILIARES E COMERCIAIS
Em 2011, o Minas Sem Censura fez outra denúncia contra o senador tucano: Aécio usava gratuitamente os jatinhos da Banjet Taxi Aéreo Ltda, para deslocamentos no Brasil e exterior. “Uma cortesia da empresa”, justificou-se na época.
A Banjet fazia parte do grupo do extinto Banco Bandeirantes, sendo seus donos os empresários Clemente Faria e Oswaldo Borges da Costa Filho.
Oswaldinho (como Oswaldo Borges da Costa Filho é conhecido em Minas) é casado com Beatriz Faria Borges da Costa, filha do banqueiro Gilberto de Andrade Faria, que foi padrasto de Aécio. Gilberto, falecido em 2008, casou-se em segundas núpcias com dona Inês Maria, com quem viveu durante 30 anos.
Clemente, morto em acidente aéreo em julho de 2012, é o outro filho do primeiro casamento do banqueiro Gilberto Faria. Clemente, portanto, era cunhado do Oswaldinho, seu sócio na Banjet.
Pois Oswaldinho e Clemente eram sócios em outras empresas, entre elas a Star Diamante Ltda (nome fantasia Starminas), criada em setembro de 2003. Em 4 de fevereiro de 2004, Clemente transferiu todas as suas cotas para Oswaldo Borges da Costa Neto, que já era sócio, e Oswaldinho, a quase totalidade. Costa Neto é  filho de Oswaldinho e ficou com 259.999 cotas das 260 mil cotas da empresa. Abaixo fragmento da última página do contrato social de constituição dela.

A essa altura, Oswaldo Borges da Costa Filho  já presidia a Companhia Mineradora de Minas (Comig), como mostra nota publicada pelo jornal O Estado de Minas em 24 de setembro de 2003, página 17.

No final de 2003, a Comig teve nome e objeto social alterados para Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig).
Codemig é uma empresa pública e como tal o diretor-presidente deve ser eleito pelo seu conselho. Mas, na prática, é quem o governador indicar. Em 2003, com Aécio no poder, Oswaldinho  – genro do padrasto de Aécio – passou a presidir a Comig, depois a Codemig, cargo que ocupa até hoje.
Não haveria aí conflito de interesses?
Explico. A mineração é uma das áreas de atuação da Codemig. Além disso, Oswaldo Borges da Costa Filho era sócio ou integrava a diretoria de várias empresas, segundo levantamento feito na Junta Comercial de Minas Gerais em 16 de maio de 2011. Entre elas, a Minasmáquinas S/A e a Bamaq S/A – Bandeirantes Máquinas e Equipamentos, que também pertenceram ao grupo do extinto Banco Bandeirantes e mantêm relações comerciais com o Estado de Minas Gerais, segundo o bloco de oposição Minas Sem Censura.
Curiosamente, um dos endereços do liquidado Banco Bandeirantes — Avenida Rio de Janeiro, 600,  Belo Horizonte – era o mesmo da IM Participações e Administração Ltda.
Gilberto Faria, relembramos, era dono do extinto Banco Bandeirantes e foi padrasto de Aécio.
A IM, por sua vez, tem como sócios os irmãos Neves da Cunha — Aécio, Andrea e Ângela, a mais nova do clã.  A mãe é a administradora. Dona Inês Maria atuou também na gestão do Bandeirantes e foi sócia do marido, o banqueiro Gilberto Faria, em algumas empresas, como a Trevo Seguradora.
A investigação pedida pela oposição mineira poderia esclarecer, por exemplo, se houve alguma triangulação entre o Banco Bandeirantes e a IM.
ASSESSORIA DE AÉCIO: ”MOTIVAÇÃO MERAMENTE POLÍTICA”
Esta repórter buscou falar com o senador e a irmã, para saber o que teriam a dizer sobre as representações feitas contra ambos pelo Minas Sem Censura.
Foram muitos e-mails e telefonemas para o gabinete de Aécio, em Brasília, com a secretária driblando: “os assessores de imprensa estão em Minas”, “estou tentando contatá-los, mas não consigo”.
Até que, depois de muita insistência, veio esta resposta:
A assessoria do senador Aécio Neves informa que se trata de antigas iniciativas de dois deputados de oposição ao PSDB de Minas Gerais, amplamente noticiadas à época e sobre as quais foram prestados todos os esclarecimentos. É nítida a motivação meramente política das mesmas. Registre-se que uma delas chegou a ser apresentada por duas vezes, tendo sido, nas duas ocasiões, investigada e arquivada por falta de fundamento.
De Andrea, nenhum retorno. Em 2003, o então governador Aécio Neves nomeou-a para a presidência doServas (Serviço Voluntário de Assistência Social), cargo que ocupa até hoje. Está na terceira gestão. O site da entidade informa:
O Serviço Voluntário de Assistência Social – Servas é uma associação civil, de direito privado, sem fins econômicos, que tem como objetivo promover e executar ações sociais em Minas Gerais, dotado de autonomia administrativa, financeira e operacional. É reconhecido como entidade de utilidade pública nos níveis municipal, estadual e federal. Existe desde 1951.
Andrea Neves da Cunha permanece na presidência do Servas, de janeiro de 2011 até a presente data, dando continuidade aos programas já existentes, em parceria com o Governo de Minas, empresas e entidades de classe.
Após vários e-mails e telefonemas ao setor de Comunicação do Servas nos últimos 25 dias, a chefe do setor alegou: “Andrea está de férias, não posso encaminhar para ela”.
Em resposta a mais um e-mail enviado por esta repórter, ela respondeu nessa quinta-feira 14: “A senhora Andrea já retornou de férias, mas ainda não pude tratar com ela sobre seu pedido. Havendo um retorno, informo”.
DENÚNCIA CONTRA AÉCIO E ANDREA NA GAVETA DE GURGEL HÁ QUASE 23 MESES
Em 31 de maio de 2011, os deputados Sávio de Souza Cruz, Antonio Júlio e Rogério Correia entregaram nas mãos do procurador-geral da República, em Brasília, a representação contra Aécio e Andrea.
Gurgel fez questão de ir com os parlamentares até o setor de protocolo da Procuradoria Geral da República (PGR). Aí, a representação recebeu o número 1.00.000.006651/2011-19.
“Ligávamos de vez em para o setor de protocolo e a informação era de que não havia novidade”, diz  Correia. “Sabíamos apenas que a representação não havia sido arquivada nem inquérito aberto.”
“No dia 29 de janeiro, ligamos e nos disseram que no dia 18 de dezembro de 2012, a Coordenadoria de Comunicações Administrativas (CCA) remeteu a representação e um relatório para o doutor Gurgel”, acrescenta Correia. “Nos disseram que estão na mesa dele.”
Ao Viomundo, a Secretaria de Comunicação da PGR limitou-se a dizer antes do Carnaval: “O documento protocolado pelos deputados encontra-se em análise no gabinete do procurador-geral”.
Nesta sexta-feira 15, voltamos a contatar a Secretaria de Comunicação da PGR para saber se havia tido alguma mudança nesse período. A resposta foi “não“.
Fontes da própria PGR nos disseram que até 28 de janeiro de 2013 — portanto, um dia após Correia ligar para lá — não havia sido dado qualquer despacho na representação protocolada em 31 de maio de 2011, que continua na gaveta do procurador.
Oficialmente não é da alçada da CCA dar parecer jurídico sobre qualquer representação. É um setor grande da PGR. Aí, ficam expediente, protocolo, arquivo, publicação.
Além disso, mesmo não existindo arquivamento, o status da representação dos deputados mineiros contra Aécio e Andrea estava gravado como “arquivado” no sistema. Isso sempre acontece quando o processo está parado há mais três meses.
“Diante de todas essas denúncias, não há outra saída para doutor o Roberto Gurgel a não ser abrir inquérito junto ao STF contra Aécio Neves”, espera Rogério Correia. “Do contrário, ele estará prevaricando.” Sávio Souza Cruz afirma: “Espero que o procurador-geral da República cumpra a Constituição”.
A propósito. Enquanto a representação contra Aécio e Andrea Neves dorme há quase 23 meses na gaveta de Gurgel, ele decidiu, em cinco meses, o destino das acusações feitas em setembro de 2012 pelo publicitário Marcos Valério de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria recebido vantagens financeiras do esquema do mensalão.
No dia 6 de fevereiro, o procurador-geral resolveu mandar para Minas o processo. Nessa quinta 14, o Ministério Público Federal (MPF), em Belo Horizonte, recebeu o depoimento de Valério contra Lula.
“A denúncia de Marcos Valério, réu já condenado, querendo benefício para reduzir pena, foi rapidamente remetida ao MPF  para investigação”, compara Correia. ” Já a de duas bancadas, representando 19 deputados estaduais, contra Aécio e Andrea está sem nenhuma providência desde maio de 2011.”
“Parece que o Marcos Valério, como fonte de denúncia, tem mais credibilidade para o procurador-geral do que as bancadas estaduais de Minas dos dois maiores partidos do Brasil”, diz Sávio Souza Cruz. Correia finaliza: “É o cúmulo do partidarismo”.

domingo, 24 de outubro de 2010

Brasil sobe 13 posições em liberdade de imprensa, diz ONG. Europa cai do pedestal.

Fonte: www.nazen.tk

Alguém falou sobre liberdade de imprensa no Brasil nestas eleições. Alguém falou que o governo quer ‘controlar’ a imprensa. Digo que a concentração de poder na imprensa está com os dias contados. Vide Confecom!
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da EFE, em São Paulo | 19 de Outubro de 2010
O Brasil subiu 13 posições no ranking anual de liberdade de imprensa da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) –passando de 71º para 58º. O estudo sobre a situação em 200 países foi divulgado nesta terça-feira. Finlândia, Islândia, Holanda, Suécia e Suíça lideram o ranking.
O relatório destaca também que, pela primeira vez desde a criação da classificação anual, em 2002, Cuba não faz parte dos dez últimos, embora ocupe o 166º lugar.
“Esta progressão se deve principalmente à libertação de 14 jornalistas e 22 militantes durante o verão de 2010. No entanto, a situação no país não evoluiu muito, a censura e a opressão são ainda cotidianas para os dissidentes políticos e os profissionais da informação”, afirma a RSF.
A ONG alertou ainda que vários países membros da União Europeia continuam perdendo posições –e prejudicando a imagem de exemplo para outras nações.
Também preocupa a linha-dura sendo adotada pelos governos no pé da lista: Ruanda, Iêmen e Síria se juntaram a Mianmar e Coreia do Norte no grupo dos países mais repressivos aos jornalistas no mundo.
“Mais do que nunca antes, vemos que desenvolvimento econômico, reforma institucional e respeito aos direitos fundamentais não necessariamente caminham juntos“, disse o secretário-geral da ONG, Jean-François Julliard. “A defesa da liberdade de imprensa continua sendo uma batalha, uma batalha de vigilância nas democracias da velha Europa e uma batalha contra a opressão e a injustiça nos regimes totalitários ainda espalhados ao redor do mundo.”
A ONG prestou homenagem aos ativistas de direitos humanos, jornalistas e blogueiros que defendem o direito de expressão no mundo e reiterou ao governo chinês o pedido para libertar o dissidente Liu Xiaobo, vencedor do prêmio Nobel da Paz deste ano.
UNIÃO EUROPEIA
A ONG alerta para a situação deteriorante da liberdade de expressão na União Europeia, tendência confirmada pela última pesquisa. Dos 27 Estados membros da UE, 13 estão entre os 20 primeiros da lista da RSF.
Porém, a distância entre os países que têm desempenho bom e os que têm desempenho ruim está aumentando. Dos outros 14 países da UE, alguns estão em posições bem baixas. A Itália aparece em 49º., a Romênia em 52º., e Grécia e Bulgária estão empatados em 70º..
Em alguns países não foi registrado nenhum avanço: França e Itália não conseguiram reverter a tendência de redução da liberdade de imprensa. No ano passado, houve casos de violação do sigilo das fontes dos jornalistas, além da contínua concentração das empresas de mídia, mostras de desacato e impaciência da parte de autoridades do governo em relação a jornalistas e seu trabalho, e intimações judiciais.
PAÍSES NÓRDICOS
Vários países dividem o título de melhor nação para atuação jornalística, e o norte da Europa se mantêm no topo. Neste ano, Finlândia, Islândia, Holanda, Noruega, Suécia e Suíça ficaram em primeiro lugar no ranking da Repórteres Sem Fronteiras.
Todos eles já estiveram nesta posição antes, e Noruega e Islândia sempre apareceram em primeiro lugar –exceto em 2006 (Noruega) e 2009 (Islândia).
Esses países constituem exemplos de liberdade de imprensa, e continuam melhorando. A Islândia, por exemplo, estuda um projeto de lei para conceder um nível único de proteção à mídia.
PIORES LUGARES
Nos últimos anos, a ONG chamou atenção especial aos três países que sempre estão nas três últimas posições: Eritreia, Coreia do Norte e Turcomenistão.
Este ano, um grupo maior de dez países –marcado pela perseguição da imprensa e por uma falta total de informação e notícias– estão juntos no final da lista.
“A situação de liberdade de imprensa continua se deteriorando nesses países e está ficando cada vez mais difícil dizer qual é o pior”, informa a ONG.
Afeganistão, Paquistão, Somália e México –países que estão em guerra aberta, guerra civil ou que enfrentam algum tipo de conflito interno– mostram uma situação de caos permanente e uma cultura de violência e impunidade se enraizando, tendo a mídia como um dos principais alvos.
Eles estão entre os países mais perigosos do mundo, e combatentes miram diretamente em jornalistas –caso, por exemplo, dos jornalistas da TV francesa, Stéphane Taponier e Hervé Ghesquière, mantidos reféns no Afeganistão nos últimos 300 dias.
AMÉRICA
Na América Latina, após Cuba, o país mais atrasado é a Colômbia (no 145º lugar), seguido de México (136º), Venezuela (134º), Peru (109º), Bolívia (104º) e Equador (102º).
A República Dominicana ocupa o posto 97, seguido da Nicarágua (83º), Guatemala (77º), Brasil (58º), Argentina (55º), Paraguai (54º), El Salvador (51º), Uruguai (38º), Chile (33º) e Costa Rica (29º).
Os Estados Unidos ocupam a 20ª posição, seguidos pelo Canadá, o que os transformam nos países da América mais bem colocados.
COM EFE
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Desabafo de psicanalista doutora da PUC- SP

*Desabafo
por Suely Rolnik*

Vale a pena ler o excelente e corajoso texto que Maria Rita Khel publicou em
sua coluna no Estadão na véspera do primeiro turno (Nota do blogueiro: texto publicado nesse blog). Para os que não sabem, a publicação deste texto causou sua demissão do jornal. A censura (do tipo velhos métodos, não tão longínquos quanto gostaríamos), teve como objeto o simples fato de uma jornalista (diga-se de passagem, de alta respeitabilidade, também como intelectual e psicanalista) ter ousado expressar uma mínima parcela do que todos nós temos obrigação de pensar, face à situação perigosamente perversa que vem se apresentando nestas
eleições.

Ao que ela escreve, eu acrescentaria que não podemos bobear de agora até o
segundo turno (pelo menos). Estejamos alertas aos estragos provocados pelo
monopólio da informação em nosso país (o tal PIG: política de informação
golpista), que expressa os interesses de apenas uma parcela mínima da
população, profundamente bichada por
subjetividades tacanhas. Um monopólio que convoca o que temos de
mais reativo: a memória colonial e escravocrata inscrita em nossos corpos de
classe média e elite brasileiras, amputada de sua dimensão de vida pública,
intoxicada de preconceitos de classe e de raça, etc., etc. Sintomas de um
narcisismo ancestral, que se aterroriza face à
desestabilização de nossos contornos, causada pela pulsação da alteridade em
nossos corpos; um terror que projetamos sobre nossos (não tão) outros com
nojo, ódio e desprezo (mesmo quando, no melhor dos casos, este sentimento se
transveste da inofensiva e estéril bondade politicamente correta). São estes
microfascismos que estão
subindo à superfície midiática sem disfarce, sem o menor pudor e cada vez
mais violentamente. O buraco de onde emergem estas forças reativas está bem
mais embaixo do que o simples ódio ao PT ou à Dilma. Este é apenas sua
atualização mais explícita no momento. E é isto o que nos deixa indignados
e, sobretudo, nos assusta.

Ativemos nosso senso de responsabilidade na construção da realidade (que
nada mais é que nossa responsabilidade perante a vida), senso tão debilitado
na história que nos constitui. Não podemos responsabilizar um candidato ou
um partido pela corrupção que certos “elementos” do mesmo possam ter
cometido, senão teríamos que responsabilizar todos aqueles que participam ou
participaram do Estado brasileiro, desde a fundação da República (o que
aliás funda o triste argumento, bastante comum em nosso país, de que todos
os políticos são igualmente corruptos e oportunistas, e que a política não
tem outro sentido, senão o de servir os interesses desta corja). É ridículo
cairmos neste argumento da mídia, que explora a despolitização doentia de
nosso país. Tampouco podemos decidir nosso voto em função de nossa
simpatia ou antipatia por este ou aquele candidato, mas sim em função de
nossa maior ou menor identificação com um projeto político e de nosso
desejo de que este projeto se imponha na condução de nosso destino, a
cada momento que nos é dada a possibilidade de escolha.

Não estou me referindo a projeto político no sentido de um puro blábláblá
retórico e/ou ideológico, mas daquilo que, de fato, se traduz na ação de um
partido. Votarei na Dilma baseada naquilo que o governo regido pelo PT sob a
presidência de Lula realizou neste 8 anos (segue, em anexo, uma lista mínima
destas realizações, comparadas às do governo FHC, que circulou na internet
antes do primeiro turno). Sabemos dos grandes avanços conquistados, seja por
nossa própria participação direta ou indireta nas diferentes ações levadas
nas áreas da educação, saúde, cultura, economia, etc., seja pela
participação de
amigos ou amigos de amigos (já que não temos quaisquer outros meios
de informação). Foram muitas, mas muitas mesmo, as pessoas que
vararam noites e mais noites, anos a fio, para fazer mover o mais que
pudessem o estado de inércia patológica do pensamento em nosso
país pós-ditadura, de modo a abrir espaços inéditos de
exercício democrático, na reinvenção permanente de nossas existências
individual e coletiva, em função do que a vida nos indica e nos exige.
Infelizmente, a grande maioria não tem acesso a estas
informações, exatamente em razão do poder absoluto do tal PIG no Brasil
(aliás, nesse aspecto, nosso país se distingue de quase todo o resto
do planeta, a começar por nosso próprio continente). Muitos de nós
nos angustiamos com esse monopólio descarado da informação que
tem emporcalhado de microfascismos as páginas dos jornais e revistas e
a tela das TVs, mas na hora H as forças reativas tendem a vencer em
nós mesmos, talvez por nossa incapacidade de lidar com o que nos
causa tamanho desconforto com a situação atual, um desconforto que,
inclusive, traz à tona a memória do trauma da ditadura, que até hoje não
conseguimos sequer começar a elaborar. É patético, por exemplo, deixarmos
passar a operação sinistra do pior de nossas elites, via mídia, que
transforma a resistência à ditadura em coisa de vagabundo e assassino (o que
é mais espantoso ainda, quando esse tipo de argumento é usado para a
campanha eleitoral de um candidato que tem um “passado de esquerda” e o
reivindica como parte de seu show) . Morro
de vergonha!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Bem é um desabafo. Espero contar com muitos outros ousando pensar e agir
contra esta situação, como vem ocorrendo pelo menos via internet, esta zona
franca que escapa por todos os lados ao confinamento imposto pelo PIG.

Abs, Suely.

*Suely Rolnik é psicanalista, Professora Titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e ensaísta.
Viveu em Paris de 1970 a 1979, onde fez grande parte dos estudos universitários e iniciou a carreira de psicóloga, analista institucional e professora de Psicologia.


*Governo Lula:*

1) reduziu a inflação de 12,5% (2002) para 5,9% (2008) ao ano; a taxa média
anual de inflação no governo Lula (6% ao ano) é menos da metade da que
tivemos no governo FHC (12,5% ao ano);

2) aumentou o salário mínimo para o seu maior patamar em 40 anos, com um
aumento real de 46%;

3) reduziu a relação dívida/PIB de 55,5% para 37% do PIB;

4) acumulou um superávit comercial de US$ 229 Bilhões;

5) pagou toda a dívida com o FMI e com o Clube de Paris e o Brasil se tornou
credor do FMI, algo inédito na história do país, para quem emprestou US$ 10
Bilhões;

6) reduziu o déficit público nominal de 4% do PIB (2002) para 1,5% do PIB
(2008);

7) ampliou a capacidade de investimentos do Estado; Os investimentos do
governo federal e das estatais par a 2009 estão previstos em R$ 90 Bilhões;

8) aumentou as exportações de US$ 60 Bilhões/ano (2002) para US$
198 bilhões/ano (2008) acumulando um crescimento de 230% em 6 anos;

9) aumentou as reservas internacionais líquidas de US$ 16 Bilhões (2002)
para US$ 209 Bilhões (2009);

10) ampliou o Pronaf de R$ 2,5 Bilhões/ano (2002) para R$ 12,5 Bilhões/ano
(2008);

11) a concentração de renda e as desigualdades sociais
diminuíram sensivelmente; o índice de Gini atingiu o menor patamar da
História;

12) gerou 7,7 milhões de empregos formais entre 2003/2008;

13) reduziu o percentual da população brasileira que vive abaixo da linha de
pobreza de 28% (2002) para 19% (2006), segundo o IPEA;

14) elevou os gastos sociais públicos para 18% do PIB;

15) o BNDES emprestou R$ 92 Bilhões em 2008 para o setor produtivo, contra
cerca de R$ 20 Bilhões em 2002;

16) fez o Brasil se tornar credor externo, com um saldo positivo de US$ 23
Bilhões, algo inédito na História do país;

17) criou programas sociais inclusivos, como o Bolsa-Família, ProUni, Brasil
Sorridente, Farmácia Popular, Luz Para Todos, entre outros, que beneficiaram
aos pobres e miseráveis;

18) iniciou novas grandes obras de infra-estrutura (rodovias, ferrovias,
usinas hidrelétricas, etc) financiadas tanto com recursos públicos como
privados. Exemplos: Usinas do Rio Madeira, Transnordestina, Ferrovia
Norte-Sul, recuperação das rodovias federais, duplicação de milhares de
quilometros de rodovias;

19) anulou portaria do governo FHC que proibia a construção de
escolas técnicas federais e iniciou a construção de dezenas de novas
unidades e que foram transformadas em Institutos Superiores de
Educação Tecnológica;

20) criou o Reuni, que iniciou um novo processo de expansão
das universidades públicas, a umentando consideravelmente o número
de universidades, de campus e de vagas nas mesmas;

21) os lucros do setor produtivo cresceram quase 200% no primeiro mandato em
relação ao governo FHC;

22) fez o Estado voltar a atuar como importante investidor da economia.
Exemplos disso: a criação da BrOI, que têm 49% do seu capital nas mãos do
Estado; a compra e incorporação de bancos estaduais pelo Banco do Brasil (da
Nossa Caixa, do Piauí, Santa
Catarina e Espírito Santo) evitando que fossem privatizados; a participação
da Petrobras em 2 grandes petroquímicas nacionais (a Braskem, com 30% do
capital nas mãos da Petrobras; a Ultra, com 40% do capital nas mãos da
Petrobras); o aumento da participação dos bancos públicos (BNDES, CEF, BB,
BNB) no fornecimento de crédito para a economia do país;

23) elevou o volume de crédito na economia brasileira de cerca de 23% do
PIB, em 2002, para 43% do PIB, em 2009;

24) cr iação do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que
prevê investimentos públicos e privados de R$ 646 Bilhões entre
2007/2010; até 2013 os investimentos previstos chegam a R$ 1,14 Trilhão;

25) reduziu a taxa de desemprego de 10,5% (Dezembro de 2002) para
6,8% (Dezembro de 2008);

26) reduziu os gastos públicos com pagamento de juros da dívida pública para
5,9% do PIB (em 2008),representando uma queda de cerca de 36% quando
comparado com o segundo mandato de FHC.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

PSDB compra, literalmente, a imprensa de São Paulo!

Educação assina convênio com jornais da APJ
Da APJ



Fonte: esquerdopata
A Secretaria de Educação do Estado anunciou convênio para a assinatura de contratos com os 14 jornais da APJ (Associação Paulista de Jornais), entre eles o Diário do Grande ABC, visando a aquisição de assinaturas e utilização pedagógica (?!) de exemplares em salas de aula na rede estadual de ensino.

O secretário Paulo Renato Souza afirmou durante o evento, realizado na sede da APJ em São Paulo, que a presença de jornais em sala de aula é fundamental. "O aluno que lê e entende o que lê, desenvolve o raciocínio e esse é o principal objetivo da educação", disse ele. O uso de jornais em sala de aula, segundo Paulo Renato, se justifica como instrumento de leitura e desenvolvimento do pensamento crítico. "O jornal é muito valioso e talvez seja o instrumento mais importante nessa direção", analisou. Outra razão para incentivar a leitura de jornais nas escolas é que o processo de ensino passa a ser mais "atraente" à medida que alunos e professores debatem os temas da atualidade.

NÚMEROS - Os contratos foram assinados com os 14 jornais da APJ. A área de cobertura do Diário do Grande ABC envolve 167 escolas, que serão beneficiadas (?!) com um exemplar diário cada uma para utilização em sala de aula. Segundo a Secretaria de Educação, o projeto abrange 2.581 escolas do Estado e o investimento anual previsto no projeto é de R$ 771.145,00.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Vídeo sobre as corporações do PIG - Divulguem!

Fonte: Geografia e Luta

Contra o monopólio dos meios de comunicação, documentário incita: “Levante sua voz”
Por Patrícia Benvenuti

Incentivar o debate sobre o direito à comunicação no país, partindo da denúncia sobre a concentração da mídia. Esse é o objetivo do vídeo "Levante Sua Voz" , realizado pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung.
De forma didática, o vídeo desmistifica o conceito de liberdade de expressão no Brasil, revelando que apenas 11 famílias controlam praticamente todas as concessões públicas para emissoras de rádio e televisão. Ao mesmo tempo, revela-se a perseguição às tentativas de furar esse bloqueio midiático, como é o caso das rádios comunitárias que, nos últimos anos, foram fechadas em número recorde.
Para o militante do Intervozes e responsável pelo roteiro, direção e edição de "Levante Sua Voz", Pedro Ekman, "o vídeo é uma tentativa de levar um tema com toda a sua profundidade e importância por meio de uma linguagem mais acessível a um público não acostumado aos textos geralmente complexos".
Em entrevista ao Brasil de Fato, Ekman comenta a produção do vídeo, os desafios para construir uma comunicação mais democrática e as expectativas para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que acontecerá entre os dias 14 e 17 de dezembro, em Brasília.
Brasil de Fato: Como surgiu a iniciativa de realizar esse vídeo?
Pedro Ekman: O Intervozes, estudando novas formas de se travar o debate sobre o direito à comunicação, entendeu que uma produção áudio visual cumpriria o papel de ampliar esse tema para um público menos especializado do que o que é atingido pelos textos, livros e estudos disponibilizados pela entidade. O vídeo é uma tentativa de levar um tema com toda a sua profundidade e importância por meio de uma linguagem mais acessível a um público não acostumado aos textos geralmente complexos.
Brasil de Fato: Como se deu a produção?
Pedro Ekman: Inicialmente é importante lembar que tivemos o suporte de muitos parceiros do movimento social que ajudaram com infraestrutura técnica sem os quais essa produção seria impossível. Como contávamos com pouco dinheiro, tínhamos que pensar um roteiro capaz de descrever a dramática situação da comunicação no Brasil em sua complexidade sem que fosse preciso uma produção dispendiosa. Optamos por um formato inspirado no curta "Ilha das Flores", de Jorge Furtado. Esse formato conta de uma forma bem humorada a dura situação da desigualdade social brasileira. A estrutura se resume a uma narrativa em off e uma sucessão de imagens que se repetem. A locução em off facilita tecnicamente as gravações nas locações e acaba barateando o processo; por outro lado, a televisão brasileira nos fornece um rico material dos contraexemplos de uma comunicação razoável. Assim, entendemos que o formato do "Ilha das Flores" resolvia a equação "baixo orçamento x conteúdo extenso".
Brasil de Fato: Como está sendo a divulgação e a recepção desse material?
Pedro Ekman: O vídeo foi lançado na internet pelo portal do Observatório do Direito à Comunicação e pode ser visto no YouTube também. Em breve o Intervozes disponibilizará o arquivo para ser baixado em sua página institucional. Importante lembrar que os direitos sobre a obra estão em Criative Commons, possibilitando sua livre reprodução, manipulação e distribuição em atividades não comerciais. Estamos tentando viabilizar cópias em DVD para distribuir para os movimentos sociais parceiros na luta pela democratização dos meios de comunicação. A recepção do vídeo tem sido muito boa, em menos de uma semana mais de 1000 internautas assistiram ao vídeo e os comentários registrados no site do Observatório têm sido muito positivos.
Brasil de Fato: Na sua avaliação, quais os desafios para conscientizar a população sobre a existência desses oligopólios de mídia?
Pedro Ekman: O maior desafio talvez seja justamente encontrar meios para furar a muralha de informação que o próprio oligopólio levantou ao seu redor para impedir qualquer crítica ao seu funcionamento. Para isso, acredito que temos que multiplicar os instrumentos de fala contra-hegemônica e encontrar linguagens que dialoguem com o maior número de pessoas possível. Não vamos conseguir vencer um oligopólio que tem inúmeros veículos e que trabalha numa linguagem popular com poucos veículos que insistam em uma linguagem hermética. A multiplicação de meios de comunicação contra hegemônicos não é uma coisa simples por todos os motivos que o vídeo descreve, mas a opção por uma linguagem menos hermética é algo que podemos fazer e é algo que ainda encontra muita resistência, mesmo na esquerda brasileira. Eduardo Galeano escreve sobre isso de forma memorável. Ele diz: "A linguagem hermética nem sempre é o preço inevitável da profundidade". Em alguns casos pode estar simplesmente escondendo uma incapacidade de comunicação, elevando-a à categoria de virtude intelectual. Suspeito que o fastio serve, dessa forma, para bendizer a ordem estabelecida: confirma que o conhecimento é um privilégio das elites. Algo parecido costuma ocorrer, diga-se de passagem, com certa literatura militante dirigida a um público conivente. Parece-me conformista, apesar de toda a sua possível retórica revolucionária, uma linguagem que repete mecanicamente, para os mesmos ouvidos, as mesmas frases pré-fabricadas, os mesmos adjetivos, as mesmas fórmulas declamatórias. Talvez essa literatura de paróquia esteja tão longe da revolução como a pornografia está longe do erotismo."
Brasil de Fato: O vídeo fala muito sobre os meios tradicionais de comunicação e sua influência sobre o imaginário coletivo. Você acredita que as novas ferramentas de comunicação, possibilitadas sobretudo pela internet, podem reverter um pouco desse quadro?
Pedro Ekman: Optamos por nos ater aos veículos que ainda atingem as massas de forma mais concreta, como o rádio e a TV, pois eles, junto com os meios impressos, são o retrato da história de concentração da comunicação no Brasil. Mas sem dúvida a internet em um cenário de convergência tecnológica vai mexer com toda a estrutura do quadro. Principalmente no que diz respeito à oferta de canais para a veiculação de conteúdo, que são extremamente concentrados no rádio e na TV e na internet tendem ao infinito. Contudo, hoje o acesso à banda larga é muito restrito no Brasil. Sem a universalização do acesso de forma gratuita, a internet nunca se tornará a TV.
Brasil de Fato: Qual sua expectativa para a Conferência Nacional de Comunicação? De que forma ela pode ajudar a construir uma comunicação mais democrática?
Pedro Ekman: A Conferência possibilita, pela primeira vez, um debate público que nunca foi feito no Brasil. A comunicação é um tema historicamente inexistente para a sociedade brasileira, sendo percebida como algo natural e imutável. Mesmo os movimentos sociais mais combativos não têm a comunicação como uma de suas pautas centrais e a Conferência joga luz sobre esse assunto.
Por outro lado é uma pena que o processo esteja tão prejudicado pelas imposições feitas pelo oligopólio e incorporadas sem qualquer resistência pelo governo. A super representação do setor empresarial e a necessidade de quorum qualificado para a aprovação de qualquer proposta distorcem o sentido de uma conferência, que existe justamente para permitir que a sociedade civil tenha alguma voz, já que durante todo o ano ela permanece alijada da arena onde se travam os debates sobre a comunicação, da qual participam Poder Público e os proprietários dos grandes veículos. Além disso, a proibição de eleição de delegados e de votação de propostas nas etapas municipais as esvazia, remetendo toda a disputa para a etapa nacional, o que contraria importante princípio de uma conferência, que é justamente ampliar o debate na sociedade. Um reflexo disso pode ser visto na Conferência Municipal na cidade de São Paulo que aconteceu neste final de semana. Apesar do importante debate realizado, empresários e poder público estiveram ausentes e a conversa circulou apenas entre a sociedade civil sem que o confronto necessário das idéias e dos interesses se desse na prática. Em todo caso, se o processo entorno da Confecom servir para esquentar a pauta e mobilizar o povo em torno desse tema, ela já terá cumprido um grande papel.
Veja o vídeo:

Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O PIG quer dinheiro!! Educação não, obrigado.

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Fonte: Fazendo Media

ENSINANDO A "DESLER" O MUNDO

Por Marcos Daniel Santi (*)

Dois senadores de outros estados, em datas diferentes, vieram visitar o Mato Grosso do Sul. Uma é Kátia Abreu (DEM-TO), que veio no final de março para falar sobre o agronegócio e lançar o vice-governador Murilo Zauith, também do DEM, ao Senado Federal.

O outro congressista é o educador e senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que esteve no Estado no final de abril para falar sobre educação e lançar seu 23° livro, intitulado “O que é educacionismo”.

Sob os fatos citados temos: dois senadores, dois lançamentos e dois temas.

Agora, atente-se aos dados que se procedem quanto à cobertura jornalística dos dois veículos impressos mais lidos no sul do Estado: O Progresso e Diário MS.

Na visita da senadora, que também é presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), o jornal O Progresso - mais antigo do Estado - citou o nome de Kátia 27 vezes, entre três matérias, chamada de capa e legenda de foto, que saíram em uma única edição, no dia 30 de março, em que ela foi um dos destaques da capa.

Já o impresso Diário MS, também no dia 30, teve como um dos destaques de capa a senadora. Neste veículo, o nome da presidente do CNA foi citado entre três matérias, um abre página, duas colunas e legendas, por 16 vezes.

Vamos agora à repercussão dos dois veículos sobre a vinda do senador Cristovam Buarque - que em 2006 foi candidato à presidência da república. A edição dos dois jornais sobre a visita de Cristovam, refere-se ao material publicado no dia 27 de abril de 2009.

O jornal O Progresso, na sua capa, não fez qualquer menção ao senador e produziu uma única notícia sobre, que aparece na capa do caderno Dia-a-Dia, tendo o nome de Cristovam citado nove vezes.

Não muito diferente é o caso do Diário MS, que não citou a vinda do pedetista ao estado na capa, como feito com a senadora. Esse jornal produziu uma única notícia sobre, encontrada na penúltima página do caderno Região, com nove citações que levam o nome do educador.

Quando se fala sobre jornalismo, não se deve deixar esquecer seu papel social de levar informação à sociedade e, muito menos, de que a hierarquia do que se publica é o ponto de vista do jornalista sobre o que ele ou o veículo acredita ser de interesse público.

A abordagem dos dois veículos deixa claro uma posição. Ao dar mais importância sobre a visita da democrata, com tantas matérias, capa e fotos, fica explícito o partido tomado pelos mesmos: a favor da economia de mercado agrícola e de uma classe autodenominada “produtora”, que apóia piamente as medidas conservadoras da senadora, a favor do grande latifúndio e concentração de riquezas.

E, ao não dar a mesma importância quanto à visita do senador Cristovam, ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB) e ex-governador do Distrito Federal, os veículos comprovam mais uma vez o que voracidade capitalista prega em malfadados lençóis. A educação está sim em segundo plano e os jornais, ao tomarem este rumo, ajudam a consolidar esta ótica mercadológica de ensino. É quando me pergunto: É assim que estão ‘ensinando a ler o mundo’? Desta forma que se tornam ‘o jornal da integração regional’? Esse é o ‘pensamento e ação por uma vida melhor’?

Nota do autor: Para contextualizar o leitor, no último parágrafo, às questões que coloco, parafraseio os bordões utilizados pelos jornais: O Progresso – ensinando a ler o mundo, Diário MS – O jornal da integração regional e O Progresso – pensamento e ação por uma vida melhor.

(*) Marcos Daniel Santi é nova-andradinense, gosta de andar de bicicleta e tem um blog (www.marcosdanielsanti.blogspot.com). Seu texto foi enviado para a redação do Fazendo Media.

Comentário (1)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Argentina vai mais além do que imaginávamos! Que inveja dos hermanos!


Fonte: http://giseleteixeira.wordpress.com/
(Aqui me quedo)

Quem não deve não teme

O que tem a ver a nova lei de Serviços Audiovisuais, aprovada recentemente pelo Congresso da Argentina, com desaparecidos durante a ditadura militar? Aparentemente nada. Mas não é bem assim. E parece que vem novo round da briga entre o governo e o grupo Clarín.

É o seguinte: o governo que aprovar no Congresso uma lei que define a retirada obrigatória de mostras de DNA como tentativa de encontrar os que possam ter sido bebês roubados durante a ditadura (1976-83).

Segundo matéria divulgada pela France Press, alguns políticos da oposição dizem que o projeto é uma vingança pessoal do governo conta Ernestina Herrera de Noble, dona do Clarín. A justiça investiga se os dois filhos adotivos da empresária poderiam ter sido vítimas do terrorismo de Estado e serem filhos de desaparecidos, num processo penal que ainda depende dos testes de DNA. Parece que a família se nega a fazer os exames.

Coincidentemente, o grupo vem batendo forte no governo e a briga chegou ao auge com a recente aprovação da lei de Serviços Audiovisuais, rejeitada pelos grandes meios de comunicação.

De acordo com a nova norma, quando houver suspeita de que alguém seja filho de desaparecido, o Estado deve obter mostras de DNA para comprovação, seja de forma voluntária ou compulsória. Isto significa que se a pessoa não concordar em fornecer mostras de sangue, a Justiça estará autorizada a fazer procedimentos para obter material genético em escovas de dentes, cabelos ou roupa íntima.

Por este caminho, já ordenado por vários juízes, nove jovens recuperaram sua identidade, depois de terem resistido a fornecer mostras de sangue.

A iniciativa do governo responde a um acordo junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) entre as Avós da Praça de Maio e o Estado para garantir o direito dos jovens filhos de desaparecidos durante o regime ditatorial.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O quarto poder (os outros três também) odeia os professores!


Fonte: blog do Prof. Mazucheli
A mídia odeia professor politizado
Por Mauricio Caleiro*
O permanente estado de espanto-quase-choque em que tenho sido mantido, nos últimos 16 meses (desde que voltei ao Brasil e a São Paulo), pelos atos da dupla Serra-Kassab quase fez com que eu esquecesse das mazelas do Rio de Janeiro.Explico: vou ao Rio quase todas as semanas, para jornadas intensas de trabalho, pesquisa e estudo, mas que trazem em seu bojo o contato com a atmosfera acadêmica mais relax dos fluminenses, além de, eventualmente, alguns finais de noite deliciosos.Assim, e embora eu esteja ciente dos desmandos de Cabralzinho e Maia, criou-se, no meu íntimo, uma espécie de falsa dicotomia, em que São Paulo seria a terra do protofascismo serrista e o Rio o éden onde jorra o leite e o mel.Fui acordado desse transe hipnótico durante um almoço, enquanto degustava o delicioso medalhão ao molho madeira do Universidade do Chopp, em Niterói. Na TV, Márcio Gomes (que é a antítese do carioca e a figura-síntese do jornalismo yuppie) e outra apresentadora, simpática como um sabonete mas cujo nome não guardei, apresentavam o RJ TV.Primeiro veio uma reportagem, mais longa do que o habitual, sobre a greve dos professores estaduais. A manipulação é tão evidente que é preciso ser Eremildo, o Idiota, para não percebê-la: a locutora introduz, em palavras poucas e que nada de essencial explicam, a greve, enfatizando sua duração. Corte para o “sofrimento dos alunos”, que não têm aulas e, em seguida, para o Secretário Estadual de Educação, que, em seu gabinete e metido num terno cheio de firulas, fala por longos minutos, afirmando não estar aberto a negociações – um democrata inato, como se vê.Ouvir o outro lado? A apresentadora-sabonete, com cara de quem lambeu sabão, limita-se a ler uma brevíssima declaração do representante do sindicato dos professores – uns 3 segundos, se tanto. Não é preciso ser especialista em Análise do Discurso para perceber a assimetria no tratamento dos dois pólos em disputa.Até porque, hoje em dia, essa gramática televisiva parece estar evidente para muitos. Tão logo a matéria acabou, uma senhora vestida com simplicidade e sem apresentar nenhum cacoete acadêmico ou exibição de veleidades intelectuais, fez um discurso desvelando, para espanto dos comensais, tintin por tintin a situação dos professores que o “jornalismo” recém-praticado ocultara. (Era professora do depto. de Pedagogia da UFF, vim a saber depois).Mas a matéria omitia informações ainda mais graves. Ocorrera violência e acusação de emprego exagerado da força pelos policiais encarregados de reprimir a passeata que os professores promoveram no centro do Rio no dia anterior – e que acabou com uma prisão e bombas lançadas contra os que protestavam. Essas informações o RJ TV sonegou a seus telespectadores (mas você pode lê-las aqui), assim como também não informou o dado essencial de que os professores estaduais do Rio estão há 13 anos sem aumento salarial.Mas não para por aí. O almoço, saboroso ao paladar mas indigesto à mente, reservava ainda mais exemplos de bom jornalismo: uma longa reportagem mostrava o que o telejornal chamava de “os problemas” de Madureira - mais exatamente, de seu famoso mercadão popular, onde um repórter que faz a linha extrovertido/cara-de-pau, chato como um pernilongo, comanda o show de moralismo raso, digo, o jornalismo de utilidade pública da prestativa emissora.Ele entrevista – melhor seria dizer inquere - uma senhora que tira seu ganha-pão das cadeiras e lixeiras de plástico que vende. Seu crime? Sua mercadoria não se limita ao espaço da barraca, ocupando meio palmo de calçada. O repórter insiste tanto com a coitada por conta dessa grave violação do espaço urbano – ameaçando, como a típica pequena autoridade, que logo passearia com o administrador regional pelo mercado - que, confesso, me causou vergonha alheia. Pensei no simpático povo de Madureira, berço do samba e das feijoadas da Portela, tendo que aturar aquele pentelho.Como já posso ter escrito em algum lugar deste blog, acho o grande compositor e cantor Caetano Veloso uma zebra quando abre a boca para fazer outra coisa que não cantar. Mas reconheço que, ainda assim, ele tem seus momentos. Sobre jornalismo, ele cunhou uma frase definitiva: “devemos ler os jornais psicologicamente”. Note, caro(a) leitor(a), que ele não se referiu a terceiras intenções, subtextos ou interesses dissimulados – mas à necessidade de desvelamento dos mecanismos inconscientes de produção da notícia.Trata-se de um referencial essencial para chegarmos à razão de ser de minha crítica às matérias do RJ TV aqui citadas: elas são a expressão de um mecanismo de compensação. Impedida, por razões óbvias – que vão de suas alianças político-econômicas à violência urbana que já vitimou até mesmo seus jornalistas no passado – de retratar os problemas reais do Rio de Janeiro, a Globo vinga-se de sua própria incompetência e de seu rabo preso elegendo bodes expiatórios, como professores - uma das categorias profissionais mais sistematicamente aviltadas neste país - e a pobre coitada que se utiliza de alguns centímetros de calçada para ganhar a vida. Eis a essência do neoudenismo: desierarquizar problemas, enfatizando os falsos para que encubram os verdadeiros, em relação aos quais se omite.Ao final do almoço, enquanto saboreava o quindim que o simpático restaurante franqueia aos clientes, meditava: são duas faces de uma mesma moeda, o protofascismo paulista e o neoudenismo fluminense – ambos perpassados por uma mídia omissa e que os estimula. Até quando?
Texto Original publicado em: http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com/