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domingo, 4 de maio de 2014

Manifestação pela liberdade da ARTE na RUA!



Para entender, eis o Decreto que gerou toda esta mobilização.

"-= ATENÇÃO: reunião urgente de mobilização e discussão sobre o decreto. Segunda-feira 24/3 às 18hs no Ateliê Compartilhado Casa Amarela (altura da Rua da Consolação, 1075) https://www.facebook.com/events/609544142463090 =-

Como muita gente sabe, a Prefeitura de São Paulo publicou na sexta passada, sem avisar ninguém, um decreto (decreto 54.948, compartilhado nesse post, pode ser encontrado aqui http://bit.ly/1gpOpVf ) para iniciar a regulamentação da lei municipal de artistas de rua (lei 15.776, disponível aqui http://bit.ly/1lTSII6 ).

De cara, já rolou barulho, com matéria na Folha de São Paulo (http://bit.ly/1f2A77y ou http://bit.ly/1dn75Vs para quem não assina a Folha), que infelizmente esclarece pouco sobre as características do decreto (sugestão a jornalistas: forneçam sempre um link curto para a íntegra de leis, decretos e afins). A Veja São Paulo também noticiou: http://abr.ai/1rcv6lu.

Bom, passado todo o barulho e indignação resultantes de aflição com manchetes, que tal uma análise mais fria do decreto e do processo todo?

Para começar, precisamos lembrar do seguinte: nossa sociedade é formada por diversos setores. Tanto o Executivo quanto o Legislativo precisam ouvir TODOS para conseguir conciliar interesses. Obviamente, alguns setores detêm muito mais poder que outros. Quem você acha que tem mais força: o comércio, que rende rios de dinheiro em impostos, ou artistas de rua, que nem fazem coceira nos cofres públicos, mas têm um papel fundamental no ordenamento do espaço urbano e na criação de espaços de convivência? Tire suas próprias conclusões…

Enfim, é importante deixar claro o processo de criação da lei e de sua consequente regulamentação. O projeto de lei foi redigido com base em amplas discussões entre vereadores, artistas de rua e representantes de organizações ligadas ao comércio e à vizinhança de áreas com alta concentração de apresentações de rua (Centro e Paulista). A lei foi votada e sancionada em um prazo relativamente curto (um ano e meio) por conta da pressão de artistas de rua. Uma vez sancionada a lei, foi aberta uma discussão pública a respeito da regulamentação. Foi realizada uma audiência pública e em seguida diversas reuniões. Minutas foram compartilhadas e discutidas online e presencialmente. Foram removidos ou reescritos artigos e itens que pudessem incorrer em excesso de controle por parte do Estado. Mas, obviamente, tivemos de abrir mão de algumas exigências, para conseguir criar um equilíbrio com as demandas que vinham tanto do Executivo quanto das entidades de bairro e de comércio. Em uma última reunião entre artistas, legisladores, representantes da prefeitura e da região central, chegou-se a um consenso a respeito do texto, onde todo mundo abria mão de alguma coisa. Democracia às vezes tem disso: temos de abrir mão em respeito ao próximo. A minuta aprovada, que ainda está passando por algumas mudanças pequenas de redação, pode ser vista aqui http://bit.ly/1fRECkX.

Mas o que nos pegou de surpresa, afinal? Basicamente, dois fatos:

O primeiro foi a notícia de que a Prefeitura decidiu não publicar a minuta como um decreto, deixando para a Secretaria Municipal de Cultura publicá-la como portaria. Para isto, o Gabinete do Prefeito correu e publicou um "decreto-tampão", mais genérico, explicitando que o detalhamento virá por meio de portaria da SeCult, mas definindo de antemão algumas restrições. Que fique claro: ninguém foi avisado que isso ia acontecer. Só aí, já sentimos uma certa decepção com a prefeitura

O segundo foi a nossa interpretação de que este ato possivelmente aconteceu por conta de forte pressão dos setores comerciais presentes no Centro de São Paulo. ATENÇÃO: esta é uma análise nossa e pode não refletir a realidade por completo.

E o que diz o decreto? Bom, vocês podem ler o texto completo aí na imagem que compartilhei, mas eles diz mais ou menos o seguinte:

1. A Secretaria Municipal de Cultura vai publicar uma portaria detalhando melhor como a lei deve ser interpretada e fiscalizada. Esta portaria terá como base a minuta aprovada em consenso;

2. Foram criadas algumas restrições, a pedido da Secretaria de Coordenação de Subprefeituras, para procurar garantir o fluxo da cidade. Fomos contra estas imposições, pois acreditamos na auto-organização da categoria e consequente desenvolvimento de consensos internos a respeito de como artistas de rua devem ocupar o espaço urbano e conviver com o entorno. Eu, pessoalmente, acho que estes itens podem ser usados no futuro para coibir a atividade e fui voto vencido.
Para resumir, o texto fala mais ou menos o seguinte: apresentações não podem acontecer muito perto de locais com alto fluxo (faixas de pedestre, terminais de metrô ou trem, pontos de ônibus ou taxi, orelhões e monumentos), feiras de arte ou artesanato, repartições públicas, escolas ou hospitais.
Isso tudo seria muito bonitinho, não fosse o fato de que tanto Centro quanto Paulista são repletos de tudo isso. Sem falar nas faixas de pedestre, que são usadas por malabaristas com muita consciência da segurança dos pedestres e veículos à sua volta. De repente, me lembrei de um projeto de lei do vereador Marco Aurélio Cunha (PSD, ex-DEM), que queria proibir malabares de fogo e faca por simplesmente achar que era perigoso, sem sequer consultar as pessoas que trabalham com isso (e que treinam MUITO para diminuir o risco para próximo de zero). Ou seja: se a prefeitura quiser achar que a arte de rua tá dando muito trabalho, pode usar todos esses itens como desculpa pra varrer todo mundo pra fora da rua;

3. O decreto assinado por Kassab em 2011 oficialmente passa a deixar de valer;

4. Agora o ponto polêmico, pois depende de interpretação: "atividades previstas" na lei 15.776 precisam de autorização da subprefeitura para acontecer, sendo obrigados a preencherem um cadastro e enviar uma proposta da apresentação. A confusão aqui é que "atividade prevista" pode ser tanto o rol completo de possibilidades de arte de rua, quanto simplesmente as situações que a lei 15.776 prevê como imprescindíveis de autorização (que são as atividades que usam palcos ou estruturas, definido no Art. 1º, item VI da lei 15.776).
Neste quesito, é fundamental a ajuda de advogados para entender qual das duas situações é a que passa a valer com o decreto. Se valer a primeira opção, onde TODO MUNDO precisa pedir autorização e se cadastrar, aí precisamos gritar muito, pois vai totalmente contra a prerrogativa da nossa lei, contra a Constituição Federal e, principalmente, contradiz o posicionamento público que o prefeito Fernando Haddad tem exibido desde a campanha, quando se colocava sempre contra a repressão e controle da arte de rua.

Quais são os próximos passos?

Bom, primeiro, precisamos pressionar a Secretaria Municipal de Cultura a publicar logo a portaria baseada na minuta aprovada há um mês atrás.
Segundo, precisamos nos reunir para analisar e discutir os efeitos desta regulamentação. Ela nos contempla ou vai contra nossos ideais? Devemos aceitá-la ou nos mobilizarmos para chegar mais próximo do que consideramos o ideal?

Além disso tudo, precisamos nos mobilizar para resolver os diversos conflitos que têm surgido no espaço urbano, com disputas de espaço e exageros por parte de alguns artistas.

Não devemos nunca esquecer que nossos direitos são realmente válidos a partir do momento em que respeitamos os direitos dos outros. A arte de rua deve servir para melhorar a convivência no espaço público. Abusos e conflitos podem criar rachas nada saudáveis, além de queimar o filme de toda a categoria.

O momento agora é de união e reflexão. Tenhamos todos muita calma

PS: Quem quiser pode baixar um PDF do decreto, para impressão: http://bit.ly/1f6DmuP

Celso Reeks

sábado, 8 de junho de 2013

Edital de Residência Artística no Condomínio (São Paulo)

Residência no Condomínio
Rua Mundo Novo, 342 – Vila Anglo Brasileira
CEP 05028-030 Fone: 11 4303 4121
http://www.facebook.com/condominioculturalmundonovo
O CONDOMÍNIO CULTURAL abre inscrições, no período de 16 de maio a 14 de junho de
2013, para participação na Residência no Condomínio. Este programa irá selecionar até
06 (seis) artistas cuja prática esteja vinculada à pesquisa e à apropriação de espaços para
obras em site specific. Partindo da noção de apropriação do espaço como material poético,
a Residência no Condomínio quer incentivar a produção de obras em um ambiente específico:
o Condomínio Cultural e o bairro da Vila Anglo Brasileira. Ao longo da residência, o programa
combinará ações integrativas com provocadores especializados, artistas convidados,
workshops e debates, bem como promoverá dinâmicas de aproximação com os condôminos
do espaço e com o bairro.
O programa Residência no Condomínio ocorrerá por um período de 4 meses (de julho a
novembro de 2013), durante o qual os artistas participantes desenvolverão projetos artísticos
(conjuntos ou individuais), a serem apresentados ao público quando do término da residência
(em novembro de 2013).
Residência no Condomínio é um projeto realizado com o apoio do Governo do Estado de
São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura - Programa de Ação Cultural – 2012, que, através
do edital nº18/2012 – Concurso de Apoio a Projetos de Produção de Espaços Independentes
Vinculados às Artes Visuais no Estado de São Paulo.
Sobre o Condomínio
O Instituto Cultural Mundo Novo – CONDOMÍNIO CULTURAL – funciona desde 2010 como
centro cultural colaborativo no bairro da Vila Anglo Brasileira. Sediado no antigo hospital e
maternidade São Marcos, o projeto vem revertendo o uso depreciativo do espaço ao longo
de 15 anos de abandono, transformando-o em um ambiente para que artistas desenvolvam
projetos e troquem experiências entre si e também com os moradores de seu entorno. O
projeto não conta com nenhuma verba advinda de instâncias públicas, sendo mantido financeiramente
através de doações de seus frequentadores.
Inscrição
Podem se inscrever artistas brasileiros ou estrangeiros residentes no país, com idade acima
de 18 anos. As inscrições deverão ser enviadas exclusivamente via e-mail, através do endereço
inscricao@condominiocultural.org.br
Todos os itens solicitados deverão constar em um único e-mail sob o assunto: “Inscrição
Residência no Condomínio”, e os anexos não deverão ultrapassar no total 10MB e deverão
estar em formato PDF.

A data limite para envio das inscrições é dia 14 de junho de 2013. Para ser avaliada, a inscrição
deverá incluir os seguintes itens:
- ficha de inscrição preenchida em todos os campos (disponível para download no link
http://condominiocultural.org.br/download/ficha_de_inscricao.docx)
- currículo (no máximo 2 laudas, contendo nome artístico, principais exposições, residências,
prêmios, etc.)
- portfólio, contendo imagens com legendas dos trabalhos e descrições quando forem necessárias.
Trabalhos em vídeo deverão estar disponíveis online e os links para assisti-los
poderão constar no portfólio.
É vedada a inscrição de qualquer funcionário, colaborador ou condômino vinculado ao Condomínio
Cultural.
Seleção
Serão selecionados até 06 (seis) artistas para participação na residência. A seleção será realizada
por uma comissão julgadora, composta por 5 membros do Condomínio Cultural e 2
especialistas convidados. Esse processo se dará em 2 etapas:
Primeira etapa:
- recebimento de material da inscrição por e-mail;
- avaliação do material enviado;
- convocação dos pré-selecionados será divulgada por e-mail e na fanpage do Condomínio
Cultural (http://www.facebook.com/condominioculturalmundonovo)
Segunda etapa:
- entrevista presencial com os pré-selecionados
O resultado final será publicado na fanpage do Condomínio Cultural (http://www.facebook.
com/condominioculturalmundonovo) e informado a todos os inscritos via e-mail. Após a divulgação
da lista, os selecionados terão o prazo de 5 dias úteis para assinar o contrato pessoalmente
no Condomínio Cultural (de 2ª a 6ª feira - das 10h às 18h). Não haverá possibilidade
de recurso contra a decisão da comissão julgadora. A inscrição do candidato implica a concordância
com os termos deste edital.
Cabe ao residente:
- participar dos encontros promovidos pelo projeto; durante 4 meses, 2 vezes por semana;
- disponibilizar registros, documentações e conteúdo para inserção no site do Condomínio

Cultural, blogs vinculados ao projeto, redes sociais e demais ferramentas de divulgação;
- ministrar um workshop relacionado à sua prática e/ou pesquisa desenvolvida no Condomínio
Cultural, aberto ao público, proposto no ato da inscrição (campo a ser preenchido na
ficha de inscrição);
- apresentar um trabalho no final da residência, que ficará exposto em mostra conjunta com
os demais residentes, no periodo de três semanas;
- colaborar com as atividades de formação de professores e monitores para a exposição final;
- disponibilizar os direitos de uso de imagem da obra para fins de divulgação ou publicações
vinculadas ao projeto.
Cabe ao programa de Residência:
- pagamento de auxílio mensal de R$ 450,00, totalizando R$ 1.800,00 ao final da residência;
- disponibilidade de uma sala de trabalho compartilhada (ateliê), acesso a todas as áreas
de uso comum como sala de reunião, cozinha, pátio externo e salas de ensaio (esta última
dependendo de agendamento prévio);
- promover encontros com artistas e especialistas da área a fim de fomentar a reflexão e a
produção dos residentes;
- promover encontros com artistas condôminos;
- promover saídas de reconhecimento do bairro e outros espaços associados ao Condomínio;
- dar assistência técnica e estrutural na produção dos trabalhos selecionados para exposição;
- realizar a produção da mostra final dos trabalhos desenvolvidos, bem como sua divulgação.
O Condomínio Cultural não arcará com nenhum tipo de despesas que envolvam alimentação,
estadia, seguro de saúde, ou qualquer outro tipo de gasto, cabendo aos artistas selecionados
se responsabilizarem por tais custos.
Residência no Condomínio
Rua Mundo Novo, 342 – Vila Anglo Brasileira
CEP 05028-030 Fone: 11 4303 4121
http://www.facebook.com/condominioculturalmundonovo

sábado, 16 de julho de 2011

TRABALHADORES DA CULTURA, É HORA DE PERDER A PACIÊNCIA!

A BOMBA ESTÁ PARA EXPLODIR!



O MOVIMENTO DE TRABALHADORES DA CULTURA, REUNIDO NA ÚLTIMA SEGUNDA-FEIRA, NO STUDIO 184, EM SÃO PAULO, APROVOU A CARTA DOCUMENTO (abaixo).

A PRÓXIMA REUNIÃO-ASSEMBLEIA SERÁ NA TERÇA-FEIRA, NO STUDIO 184 (PÇA ROOSEVELT, 184), ÀS 19H. NA OCASIÃO, OCORRERÃO A ACLAMAÇÃO DESTE DOCUMENTO E A DEFINIÇÃO DAS ÚLTIMAS AÇÕES DE PREPARO PARA O ATO CONTUNDENTE QUE ACONTECERÁ EM BREVE.

TRABALHADORES DA CULTURA, É HORA DE PERDER A PACIÊNCIA!

É HORA DE PERDER A PACIÊNCIA!
O Movimento de trabalhadores da cultura quer tornar pública sua indignação e recusa ao tratamento que vem sendo dado à cultura deste país, aprofundando e reafirmando as posições defendidas desde 1999, no Movimento Arte Contra Bárbarie. A arte é um elemento insubstituível para um país por registrar, difundir e refletir o imaginário de seu povo. Cultura é prioridade de Estado, por fundamentar o exercício crítico do ser humano na construção de uma sociedade mais justa.
A produção artística vive uma situação de estrangulamento que é resultado da mercantilização imposta à cultura e à sociedade brasileiras. O estado prioriza o capital e os governos municipais, estaduais e federal teimam em privatizar a cultura, a saúde e a educação. É esse discurso que confunde uma política para a agricultura com dinheiro para o agronegócio; educação com transferência de recursos públicos para faculdades privadas; incentivo à cultura com Imposto de Renda usado para o marketing, servindo a propaganda de grandes corporações. Por meio da renúncia fiscal – em leis como a Lei Rouanet - os governos transferem a administração de dinheiro público destinado à produção cultural, para as mãos das empresas. Dinheiro público utilizado para interesses privados. Esta política não amplia o acesso aos bens culturais e principalmente não garante a produção continuada de projetos culturais.
Em 2011 a cultura sofreu mais um ataque: um corte de 2/3 de sua verba anual (de 0,2% foi para 0,06% do orçamento geral da União) em um momento de prosperidade da economia brasileira. Esta regressão implicou na suspensão de todos os editais federais de incentivo à Cultura no país, num processo claro de destruição das poucas conquistas da categoria. Enquanto isso, a renúncia fiscal da Lei Rouanet, não sofreu qualquer alteração apesar de inúmeras críticas de toda a sociedade.
Trabalhadores da Cultura, é HORA DE PERDER A PACIÊNCIA: Exigimos dinheiro público para arte pública!
Arte pública é aquela financiada por dinheiro público, oferecida gratuitamente, acessível a amplas camadas da população – arte feita para o povo. Arte pública é aquela que oferece condições para que qualquer cidadão possa escolhê-la como seu ofício e, escolhendo-a, possa viver dela – arte feita pelo povo. Por uma arte pública tanto nós, trabalhadores da cultura, como toda a população tem seu direito ao acesso irrestrito aos bens culturais, exigimos programas – e não um programa único – estabelecidos em leis com orçamentos próprios, que estruturem uma política cultural contínua e independente – como é o caso do Prêmio Teatro Brasileiro, um modelo de lei proposto pela categoria após mais de 10 anos de discussões. Por uma arte pública exigimos Fundos de Cultura, também estabelecidos em lei, com regras
e orçamentos próprios a serem obedecidos pelos governos e executados por meio de editais públicos, reelaborados constantemente com a participação da sociedade e não apenas nos gabinetes. Por uma arte pública, exigimos a imediata votação da PEC 236, que prevê a cultura como direito social, e também imediata votação da PEC 150, que garante que 2% do orçamento da União seja destinado à Cultura, nos padrões propostos pela ONU, para que assim tenhamos recursos que possibilitem o tratamento merecido à cultura brasileira.
Por uma arte pública, exigimos a imediata publicação dos editais de incentivo cultural que foram suspensos e o descontingenciamento imediato da já pequena verba destinada à Cultura. Por uma arte pública, exigimos o fim da política de privatizações e sucateamentos dos equipamentos culturais, o fim das leis de renúncia fiscal, o fim da burocratização dos espaços públicos e das contínuas repressões e proibições que os trabalhadores da cultura têm diariamente sofrido em sua luta pela sobrevivência. Por uma arte pública queremos ter representatividade dentro das comissões dos editais, ter representatividade nas decisões e deliberações sobre a cultura, que estão nas mãos dos interesses do mercado. Por uma arte pública, hoje nos dirigimos à Senhora Presidente da República, aos Senhores Ministros da Fazenda e às Senhoras Ministras do Planejamento e Casa Civil, já que o Ministério da Cultura, devido seu baixo orçamento encontra-se moribundo e impotente. Exigimos a criação de uma política pública e não mercantil de cultura, uma política de Estado, que não pode se restringir às ações e oscilações dos governos de plantão. O Movimento de Trabalhadores da Cultura chama toda a população a se unir a nós nesta luta.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Cuidado, podem estar no nosso encalço!

Artistas e pseudo-artistas, ativistas, militantes e até mesmo seres reacionários do meio, como Regina Duarte e Alexandre Frota, foram fichados e acompanhados de perto pela "pós" Ditadura. E hoje, quem vocês acham que são os seres mais "perigosos" para a direita? Se você é um blogueiro, cuidado, "O GRANDE IRMÃO ZELA POR TI"!
Educador que não se cala.

Fonte: Vermelho

Artistas estiveram na mira da polícia até 15 anos após ditadura

Em algum lugar no centro de São Paulo, mesmo após a abertura política e a extinção de órgãos de repressão no País, uma repartição misteriosa continuou atuando clandestinamente durante mais de 15 anos.

Por Jotabê Medeiros, em O Estado de S.Paulo
Batizada eufemisticamente de Departamento de Comunicação Social (DCS) da Polícia Civil, dedicou-se a produzir dossiês sobre os movimentos de indivíduos tidos como "subversivos e perigosos". Esses "arapongas" fotografavam, liam jornais, recortavam notícias, assistiam palestras e seguiam os passos de cidadãos de destaque, muitos da área artística.

Entre os "perigosos", gente do teatro como José Celso Martinez Correa, Fernanda Montenegro, Ruth Escobar, Plínio Marcos, César Vieira; das artes visuais, como Marcello Nitsche e Mauricio Segall; da música, como Geraldo Vandré e Walter Franco, entre dezenas de outros. "Eles me vigiaram dos 16 anos, quando estudava no Colégio Bandeirantes, até os 70 anos. Isso é dinheiro do contribuinte. É uma loucura!", espantou-se o advogado Idibal Pivetta, defensor de pessoas perseguidas pela ditadura e que usa o codinome artístico de César Vieira (ele é fundador do grupo Teatro Popular União e Olho Vivo).

Os relatórios do sombrios, misteriosos e anônimos arapongas do DCS - órfãos da polícia política - foram armazenados durante anos em armários de ferros e desde a semana passada estão disponíveis para consulta no Arquivo Público do Estado de São Paulo. A reportagem do Estado foi checar seu conteúdo.

Fernanda Montenegro foi vigiada de perto durante a grande manifestação pelas Diretas Já!, em 25 de janeiro de 1984. Ruth Escobar tem oito pastas de recortes e prontuários, e coleciona, entre outras acusações, a de "incitar a discórdia entre civis e militares" após a abertura política. Em 1983, Gianfrancesco Guarnieri voltou a ser objeto de atenção dos arapongas por ter ajudado a fundar o Alicerce Juventude Socialista.

Entre as atitudes "suspeitas" de Maurício Segall estava a participação em seminários pelo centenário de Karl Marx, em 1983. "Foi o orador principal, dizendo que estamos vivendo um momento crítico, sem democracia, etc...". Plínio Marcos estava sendo acompanhado de perto quando participou de um debate sobre política na Folha de S. Paulo, em 1984. Em 1984, o ministro da Justiça Ibrahim Abi-Ackel acusou artistas como Regina Duarte, Irene Ravache, Fernanda Montenegro e outros de terem recebido cachês do PMDB para lutar pelas Diretas. Os artistas processaram Abi-Ackel e, em troca, tiveram novas fichas abertas no DCS em seus nomes.

Mas o monitoramento mais patético é o que teve como objeto de atenção o ator de cinema pornô Alexandre Frota, que teve uma ficha aberta no DCS após um quebra-pau numa boate, em 1993. "Você não consegue entender a lógica. Não sabe se é um vício, uma rotina, ou se eles veem inimigos onde ninguém mais vê", disse Carlos Bacellar, coordenador do Arquivo Público de São Paulo.

José Celso Martinez Correa teve um araponga no seu encalço quando, em 1986, foi cobrar do então deputado Paulo Maluf cheque de R$ 20 milhões que o político tinha prometido para a reforma do Teatro Oficina. Logo após, Martinez foi investigado por ter pedido esclarecimentos sobre a morte do seu irmão, Luiz Antonio, em 1987. Zé Celso considerava que tinha sido crime político, cometido por grupo parapolicial.

Certa vez, o DCS atribuiu à atriz, diretora e produtora Ruth Escobar a autoria de um certo Manual de Direitos. A respeito, o araponga escreveu: "Arquitetado por figuras de reconhecida representatividade ideológica, entre os quais já se tornou comum encontrar a nominada (Ruth)". Raul Cortez foi debater democracia e foi considerado "perigoso" pela arapongagem, que destacou "61 personagens na reportagem, entre eles o nominado (Cortez)".

"Eu tinha noção de que tinha sido monitorado, digamos assim, até o final da década de 1970. Depois da anistia me despreocupei totalmente", disse Celso Frateschi, ator e ex-secretário de Cultura de São Paulo. "É ilegal, além de ser invasão de privacidade sem sentido." Frateschi considerou irônico saber dessa arapongagem justamente quando estava prestes a estrear O Grande Inquisidor, de Dostoiévski, na semana passada. "É o texto que antecede 1984 (George Orwell) e Fahrenheit 451 (Ray Bradbury), todas as obras sobre o Big Brother, o grande espião da vida alheia", diverte-se.

Após a eleição de Franco Montoro, pouco antes de sua posse, em 1983, os arquivos do DCS foram transferidos para a Polícia Federal. "Houve na cúpula do Dops um certo medo sobre o destino desse acervo", conta Carlos Bacellar. Ao mesmo tempo, a transferência era irregular, já que arquivos estaduais não podem passar ao controle federal. Ficaram ali até o governo Covas, que ao saber de sua existência mandou que lacrassem o material e o enviassem para o Arquivo do Estado. Mas o tratamento do material só foi iniciado em 2007 e concluído na semana passada.

Idibal Pivetta/César Vieira, que ficou três meses preso durante a ditadura, já tinha recorrido à Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para obter informações sobre suas fichas. "Eles são sumamente organizados, colocam até coisa que você nunca fez. Por exemplo: diziam que, em 1933, eu fundara a célula do Partido Comunista em Santo André. Mas eu tinha 2 anos na época, não sou tão precoce assim."

Entrevista

O coordenador do Arquivo Público de São Paulo, Carlos Bacellar, conta que houve preocupação em dar sumiço em "coisas sensíveis" nessas pastas do Departamento de Comunicação Social da polícia política, abertas na semana passada. Segundo ele, 60% dos textos nos arquivos são clipping de jornais.

O Estado de S.Paulo: Que tipo de gente trabalhava nesse DCS?

Carlos Bacellar: Funcionários de carreira. Se extinguiu o Dops, mas não os funcionários, que continuaram trabalhando normalmente. O DCS ficou ativo mais 15 anos, de 1983 a 1999, com esse nome vago. Isso aí que eles fizeram, de acompanhar as pessoas e a sociedade civil de uma maneira geral, é irregular. O Dops era um órgão oficial, formal, todo mundo sabia que existia e espionava quem eles achavam potencial inimigo do regime. Agora, quando vira o DCS, a coisa se inverte, porque quem vira clandestino são eles. E eles acompanham tudo que não é mais clandestino, porque vem a Anistia: homens públicos, governador, secretários, músicos, artistas. O Chico Buarque tem um histórico de perigoso ao regime, tudo bem: você entende. Mas você consegue imaginar o Alexandre Frota um perigo? Para quê a polícia fichou esse homem?

O Estado de S.Paulo: E era grande o DCS?

Carlos Bacellar: A gente não sabe. É possível no futuro investigar, quando começarem a vir para cá as informações burocráticas da secretaria. Os arquivos chegaram aqui em 1999. O Covas mandou lacrar e recolher para cá. Não houve preocupação em se mexer com isso. Quando assumi, em 2007, achei que tinha de dar um destino. A documentação, em termos de arquivística, não podia ser aberta porque é muito recente. Mas, por causa do seu caráter político, eventuais problemas de informação de caráter pessoal são sobrepostos pelo interesse coletivo.

domingo, 23 de agosto de 2009

MinC amplia orçamento da Funarte

Fonte: Cooperativa Paulista de Teatro

Ministro da Cultura participa de evento para divulgar os R$ 18, 4 milhões impulsionados nas artes, e concorda com o presidente da CPT Ney Piacentini quanto as medidas para aprovação da PEC 150.

Em evento realizado no dia 19 de agosto, às 15h, na Funarte, o Ministro da Cultura Juca Ferreira e o Presidente da Funarte Sérgio Mamberti anunciaram um repasse de R$ 18,4 milhões do Ministério da Cultura para suplementação orçamentária de editais da Funarte, ampliando assim o fomento ao teatro, dança, circo, entre outras artes. Com isso, somando o valor aos números inicialmente previstos para cada ação, os investimentos totalizam R$ 36,2 milhões.

Sérgio Mamberti comemorou esse avanço e acredita que o investimento trará fôlego e alento para as artes e para os editais de cultura, além de reafirmar a luta para tornar esse sonho possível. Ele divulgou os prêmios e bolsas que receberam uma injeção de investimento, sendo que em alguns casos, o valor chegou a dobrar, como foi o caso do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz, cujo novo orçamento é de R$ 14 milhões, representando uma ampliação de 100% (inscrições até dia 3 de setembro). Mamberti disse ainda que o novo orçamento do Prêmio Funarte Carequinha de Estímulo ao Circo de R$ 5,9 milhões, ampliando 103% a verba, resgata o prestígio do prêmio.

Além desses, o presidente da Funarte também informou a respeito dos seguintes editais: Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna - novo orçamento de R$ 6 milhões (inscrições até 3 de setembro), Prêmio Funarte Artes Cênicas na Rua: novo orçamento de R$ 3 milhões (inscrições encerradas), Prêmio Interações Estéticas - Residências Artísticas em Pontos de Cultura: novo orçamento de R$ 4,12 milhões (inscrições prorrogadas até 24 de agosto), Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais/Internet: novo orçamento de R$ 496 mil (inscrições prorrogadas até 24 de agosto), Bolsa Funarte de Criação Literária: novo orçamento de R$ 646 mil (inscrições prorrogadas até 24 de agosto) e Bolsa de Produção Crítica sobre as Interfaces dos Conteúdos Artísticos e Culturas Populares: novo orçamento de R$ 505 mil (inscrições até 14 de setembro).

Após a divulgação dos novos dados, o Ministro da Cultura Juca Ferreira demonstrou seu sentimento de alegria e disse que a ampliação do orçamento faz parte da ideia de revitalizar a Funarte, que havia recebido herança da crise desde a época do governo Collor. O ministro falou ainda que só ficará mais contente quando for na Funarte participar das discussões por políticas públicas específicas pelos diversos setores, como a dança, o teatro, o circo, a música, entre outros. Ele também falou da necessidade de fornecer uma infra-estrutura para apoiar a capacidade criativa das artes brasileiras: "corremos o perigo de que se repita com a cultura o que aconteceu com o futebol - aceitar a função menor de fornecer matéria-prima", explicou referindo-se ao fato de que grande parte dos talentosos jogadores brasileiros vão trabalhar no exterior. Ele completou "o papel das políticas públicas é construir um ambiente favorável, não só para a produção das artes, mas também para o acesso a elas".

Sobre a crise econômica que atingiu diversos setores, Ferreira explicou que o MinC está tentando minorar o impacto da crise e a compreensível retração dos empresários em relação a Lei Rouanet, e que a ampliação do orçamento já é uma vitória.

Luta pela aprovação do PEC 150
O presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, Ney Piacentini, foi aplaudido pelos presentes ao lembrar da luta pela aprovação da PEC 150 e sugeriu ao ministro Juca Ferreira uma união maior dos meios culturais, entre eles o MinC e a Funarte, para que todos se articulem pela aprovação da PEC 150.

Ferreira concordou com a ideia de Piacentini e sugeriu que todas as organizações enviem telegramas para o Presidente da República Lula, para garantir visibilidade e uma união de todos pela cultura.

Após o evento, o jornalista do Estado de S. Paulo, Jotabê Medeiros, comentou referente à proposta do presidente da CPT: “Esses recursos não podem ser esporádicos, é uma luta que não fechou”, e completou lembrando que a nova redação da Lei Rouanet pode melhorar essa falta de frequência de apoio.

Está disponível na internet um abaixo-assinado pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional – PEC 150/03. Ela determina a vinculação de 2% dos recursos do Orçamento da União, 1,5% dos estados e 1% dos municípios à preservação do patrimônio cultural brasileiro e à produção e difusão da cultura nacional. União terá ainda que dividir 50% de sua cota da Cultura com as outras unidades da Federação - 25% com os estados e 25% com os municípios. Para ter acesso a proposta, sua justificativa e ao abaixo assinado, acesse:
http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/3958