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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Poetas e artistas da periferia: "Manifesto pela Dilma - 13"

Fonte: http://colecionadordepedras1.blogspot.com/

MANIFESTO PRÓ DILMA

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Povo lindo, povo inteligente,
Não dá para assistir a tudo que está ocorrendo na política brasileira neste momento e fingir que nada está acontecendo. A Imprensa assumiu que é Serra, a direita também. Ora se eles tem o direito de manifestar, porque não manifestamos também?
Todo mundo sabe que se a Dilma perder, os maiores prejudicados serão as pessoas da periferia, das favelas, da região norte-nordeste, os negros e as pessoas esclarecidas da classe média.
Aliás, "nunca antes na história deste pais" um governo, como o do Lula, investiu tanto na cultura, e principalmente em projetos oriundos da periferia, e se este rocesso for interrompido, nós artistas e agentes da cultura perdemos também, todo mundo sabe disto. Então, por que o silêncio?
O Artista é a última linha da sociedade, quando ele desiste, ou se entrega, é porque já não resta mais nada.
"A periferia nos une pela dor, pela cor e pelo amor"
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Assinado:
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Sergio Vaz - poeta/Cooperifa
Alex Pereira
Paulinho VL
Janaína Monteiro
Tiago Paixão
Ronaldo Vaz
Luiz Flavio Lima
Euller Alves (UMOJA)
MH2 Revolucionário
Ed Trawtmam
Avelina Martinez Gallego
Dani Ciasca
Wilsom Cunha Junior
Leandro Machado
Filósofo do Caos
@ral Hip Hop Style
Cíntia Naomi
Arthur Dantas Rocha
Clara Sato
Renato Rovai (Revista Fórum)
Natasha Nunes de Moraes
Neia Oliveira
Fernanda RüntzelEdilene Borges
Marta Celestino
Nilson de Vix
Janaína Leite
Antonio Arles
Marisa Zanir
Lu Magalhães
Geovane Neves
Jessica Figueiró
Leandro Possadagua
Sylvia Tavares
Sacolinha - Escritor
Ricarda Goldoni - Cooperifa
Leiah Carillo
Rose Dorea - Cooperifa
Sonia GramachoVaz
Jairo Periafricania
Vicente D Figueiredo
Viviane - Cooperifa
Ricardinho
Paulo de Toledo
Thaynã Dias Neri
Jaqueline Silva
Luciana C. B. Silva
Cia. Daraus - Arte e Cultura - Zona Leste-SP
Monica
André Ebner
João Claudio de Sena
Paula Morgado
Rodrigo Ciríaco
Ester do Nascimento - NH
Edilene Santos
De Lourdes
Djalma Oliveira
Ali Sati
Raphael
Japão - Viela 17
Sales Azevedo - Cooperifa
Elvio Fernandes
Indiara
Tatiana Otrowski
Bruna Daniele Piacentini
Camila Borsari
Cleber Arruda
Nicole Quaresma
Rafael XT
Enkel
Rafael Gimenes
João Locke
Gil Mendes
Viviane Cardoso
Edson Baptista de Santana - Vice - UNE - RJ
Mats Oliveira
Rafael Ferreira
Werner Lucas
Maria Isabel
Gutto FS
Galdino - O Teatro Mágico
Fernando Gomes
Augusto Cesar
Daniel Michoni
Adriano Sinistro
Adriana Aquino
Bruna Mata Cavassani
Thaís Karam - Mc Curitiba
GOG - RAPPER
Juliana de Freitas Pinheiro
Will B P
Érica Zuzatti da Silva
Rodrigo Vidal Batista Celestino
Rafael Mendonça
Jaime Balbino Gonçakves Silva
Allan Silvério de Paula
Vivian Bárbara Camargo - Florianópolis
André Ruas de Aguiar - Pontão de Cultura UFSC
Jeferson Mariano Silva
Escadinha
Guilherme Varella
Lucas Farinela Pretti
Prof. Silvio Bonilha
Victor Rodrigues
Andrio Candido
Mariane Nascimento - DF
Danilo César
Gilberto Yoshinaga
Crônica Mendes
André Carvalho - jornalista ( couro de cabrito)
Marcelo Ribeiro
Eduardo Ribas - Blog Per Raps
Mara Farias - RN
Agatha Gomes Almeida
André Pinto Teixeira
Prof. Kuiz Antônio Andrade Raymundo
Camila de Jesus
Thaís Peixoto
Jandira Queiroz - Centro Cultural casa da mãe
Julio Dario
Antonio Neto - Jornalista
Leonardo Brito
Bia Peppe
Joceline Gomes
Mariana Brandão
Luiz Alberto ramirez
Felipe Lindoso
André Luiz Vasconcelos
Clara
Ricardo Soares
João Carlos
Meg Vaz
Rogerio Pixote
Livia Martins
Marco Aurélio Melo
Sonia T. Santana - SP
Taranto
Guiherme Rocha C. Parini
Fernando Negre
Gilson
Cito Rodrigues
Altamiza Melo - Olinda - PE
Marcos
Sergio
Vinicius Resende
Igor de Fato
Risomar Fasanaro - Escritora, poeta e professora
Marcelo Guimarães Lima
Joana Maria Pedro
Marco Antonio - Advogado - OAB-SP: 275739
Marisa Greeb
Mauro
Anja ou demônia
Luiz Case - Músico
Joao Wainer
Bene Pantera
Neuman Ribeiro
Monica Eustáqui Fonseca - MG
Ronaldo Nazário
Karina Guedes
Sato - Casa da Lapa
Diego "Noide D" Ellwanger Pereira
Evandro de Souza Gomes - Comerciante e poeta
Mari Kralco
Sabrina Moura
Alex da Força
Ronaldo Nunes
Jonas Pinheiro
Sergio Bueno
Guida
Arte da MultiplicaçaoLuciana RochaElizandra Souza MjibaDudu de Morro Agudo - RJ
Cristal
Amanda Ferreira
Marilene Negromonte
Ricardo Negromonte
Suzi
Marko Melo
Dora Nascimento
Eleilson Leite-( Ação Educativa)
Léo Mandi - São José Dos Campos
Rodrigo dos Santos Reis
Luiz Calvvo
Andressa Lima de Souza
Robinson Padial- Binho
Ana Cristina Neves Protasio
Ericson Anjos da Silva
Preto Michel - Hip Hop da Floresta (Pará)
Gil Marçal
Thales "Biddu" Alves
Guma
Fabio Boca
Emerson Santana (Poeta Embu das Artes)
Carlos Macedo (Delegado de Cultura do Oeste Paulista)
André Silva de Melo
Isabela
Eduardo Toledo - Jornalista
DJ Raffa Santoro
Ornella Rodrigues
Mariana Rodrigues politizando na Estrutural - DF
Vítor Castro - Jornalista
Luana PT
Ada Ísis
Marcia Luck
Ana Fabricia Tomaszewski
Ancelmo de Castro
Antonieta de Sant'Ana
Bruno Hoffmann - Jornalista
Carlos Alberto Kubitza
Carol Porfirio
Carolzinha Teixeira
Ceicinha F. disse...
Écio Sales - Secr. Cultura Nova Iguaçu
Eloí Bocheco
Ivonverine dj
Jornalismo Comunitário é nois
éo Veimrober
Luiz Claudio - Bloco do Beco
MANO SABOTAGE
Manoela Goldoni
Marcelo Victor - Recife Dando apoio a causa
Pedro
Priscila Corbo
Ramirez
Roberta Goldoni Guandalini
Sandra K
Simple Man
Vida na escola!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Maiakovski: 80 anos sem o poeta revolucionário!


Fonte: http://maiakovski80anos.blogspot.com/

A canoa do amor se quebrou no cotidiano. Eis um dos versos de um dos últimos poemas de Maiakovski, Fragmentos, escrito na miséria e confusão de uma Rússia em declínio, de uma Rússia que mal havia se libertado dos grilhões e já tornava a tatuá-los na pele, de uma amante que dormia frente à imensidão da madrugada. Inútil o apanhado
da mútua dor mútua quota de dano. E cá estamos nós, oitenta anos depois, diante dos estilhaços de papel da canoa.
O suicídio do poeta, ou o seu poema final, foi o atestado de óbito da arte independente russa. Maliévitch, Kandinsky, Eisenstein, Meyerhold, e tantos outros, mutilados, castrados, expulsos. Iêssienen morto em um quarto de hotel escoando seu último verso com a última gota de vida. O mar se vai. “A arte da época stalinista entrará na história como a expressão mais espetacular do profundo declínio da revolução proletária”, escreveu Leon Trotsky.
Maiakovski, o futurista, o bolchevique, o revolucionário permanente, o homem que era todo coração, nos diria: Camarada vida, vamos para diante, galopemos pelo qüinqüênio afora. E galopamos.
O movimento A Plenos Pulmões, em conjunto com a Revista Iskra, homenageiam o grande poeta revolucionário, sua força e ímpeto, sua paixão pela vida, pela arte e pela política, e acima de tudo, seu esforço incansável por construir uma forma de vida superior, limpa de todo o mal, de toda opressão e de toda violência. Saudemos Maiakovski!
Postado por Movimento A Plenos Pulmões

A SIERGUÉI IESSIÊNIN

Você partiu,
como se diz,
para o outro mundo.
Vácuo. . .
Você sobe,
entremeado às estrelas.
Nem álcool,
nem moedas.
Sóbrio.
Vôo sem fundo.
Não, lessiênin,
não posso
fazer troça, -
Na boca
uma lasca amarga
não a mofa.
Olho -
sangue nas mãos frouxas,
você sacode
o invólucro
dos ossos.
Sim,
se você tivesse
um patrono no "Posto" -
ganharia
um conteúdo
bem diverso:
todo dia
uma quota
de cem versos,
longos
e lerdos,
como Dorônin.
Remédio?
Para mim,
despautério:
mais cedo ainda
você estaria nessa corda.
Melhor
morrer de vodca
que de tédio !
Não revelam
as razões
desse impulso
nem o nó,
nem a navalha aberta.
Pare,
basta !
Você perdeu o senso? -
Deixar
que a cal
mortal
Ihe cubra o rosto?
Você,
com todo esse talento
para o impossível;
hábil
como poucos.
Por quê?
Para quê?
Perplexidade.
- É o vinho!
- a crítica esbraveja.
Tese:
refratário à sociedade.
Corolário:
muito vinho e cerveja.
Sim,
se você trocasse
a boêmia
pela classe;
A classe agiria em você,
e Ihe daria um norte.
E a classe
por acaso
mata a sede com xarope?
Ela sabe beber -
nada tem de abstêmia.
Talvez,
se houvesse tinta
no "Inglaterra";
você
não cortaria
os pulsos.
Os plagiários felizes
pedem: bis!
Já todo
um pelotão
em auto-execução.
Para que
aumentar
o rol de suicidas?
Antes
aumentar
a produção de tinta!
Agora
para sempre
tua boca
está cerrada.
Difícil
e inútil
excogitar enigmas.
O povo,
o inventa-línguas,
perdeu
o canoro
contramestre de noitadas.

E levam
versos velhos
ao velório,
sucata
de extintas exéquias.
Rimas gastas
empalam
os despojos, -
é assim
que se honra
um poeta?
-Não
te ergueram ainda um monumento -
onde
o som do bronze
ou o grave granito? -
E já vão
empilhando
no jazigo
dedicatórias e ex-votos:
excremento.
Teu nome
escorrido no muco,
teus versos,
Sóbinov os babuja,
voz quérula
sob bétulas murchas -
"Nem palavra, amigo,
nem so-o-luço".
Ah,
que eu saberia dar um fim
a esse
Leonid Loengrim!
Saltaria
- escândalo estridente:
- Chega
de tremores de voz!
Assobios
nos ouvidos
dessa gente,
ao diabo
com suas mães e avós!
Para que toda
essa corja explodisse
inflando
os escuros
redingotes,
e Kógan
atropelado
fugisse,
espetando
os transeuntes
nos bigodes.
Por enquanto
há escória
de sobra.
0 tempo é escasso -
mãos à obra.
Primeiro
é preciso
transformar a vida,
para cantá-la -
em seguida.
Os tempos estão duros
para o artista:
Mas,
dizei-me,
anêmicos e anões,
os grandes,
onde,
em que ocasião,
escolheram
uma estrada
batida?
General
da força humana
- Verbo -
marche!
Que o tempo
cuspa balas
para trás,
e o vento
no passado
só desfaça
um maço de cabelos.
Para o júbilo
o planeta
está imaturo.
É preciso
arrancar alegria
ao futuro.
Nesta vida
morrer não é difícil.
O difícil
é a vida e seu ofício.


A PLENOS PULMÕES
Primeira Introdução ao Poema
Caros
..........camaradas
......................futuros!
Revolvendo
.......a merda fóssil
......................de agora,
.................................perscrutando
estes dias escuros,
....talvez
..............perguntareis
...............................por mim.

Ora,
......começará
...............vosso homem de ciência,
afagando os porquês
.............num banho de sabença,
conta-se
.......que outrora
...................um férvido cantor
a água sem fervura
..........................combateu com fervor.
Professor,
.........jogue fora
...............as lentes-bicicleta!
A mim cabe falar
.................de mim
...........................de minha era.
Eu – incinerador,
...............eu – sanitarista,
a revolução
.................me convoca e me alista.
Troco pelo front
.........a horticultura airosa
.............................da poesia –
.....................................fêmea caprichosa.
Ela ajardina o jardim virgem
...............vargem
......................sombra
.............................alfombra.
"É assim o jardim de jasmim,
...................o jardim de jasmim do alfenim."
Este verte versos feito regador,
......................aquele os baba,
boca em babador, –
...........bonifrates encapelados,
........................descabelados vates –
entendê-los,
..............ao diabo!,
.............................quem há-de...
Quarentena é inútil contra eles
..................– mandolinam por detrás das paredes:
"Ta-ran-tin, ta-ran-tin,
.........................ta-ran-ten-n-n..."
Triste honra,
...............se de tais rosas
..........................minha estátua se erigisse:
na praça
...........escarra a tuberculose;
putas e rufiões
...............numa ronda de sífilis.
Também a mim
.........a propaganda
........................cansa,
é tão fácil
.......alinhavar
.................romanças, –
Mas eu
.........me dominava
.....................entretanto
e pisava
...........a garganta do meu canto.
Escutai,
..............camaradas futuros,
....................................o agitador,
o cáustico caudilho,
....................o extintor
.........................dos melífluos enxurros:
por cima
........dos opúsculos líricos,
...............................eu vos falo
...........como um vivo aos vivos.
Chego a vós,
......à Comuna distante,
..............não como Iessiênin,
...............................guitarriarcaico.
Mas através
.......dos séculos em arco
.....................sobre os poetas
............................e sobre os governantes.
Meu verso chegará,
.................não como a seta
..................................lírico-amável,
..............que persegue a caça.
Nem como
........ao numismata
...............a moeda gasta,
.......................nem como a luz
...............................das estrelas decrépitas.
Meu verso
.........com labor
.............rompe a mole dos anos,
..................................e assoma
.....a olho nu,
...............palpável,
........................bruto,
.......................como a nossos dias
chega o aqueduto
................levantado
..........................por escravos romanos.
No túmulo dos livros,
.............versos como ossos,
......................se estas estrofes de aço
acaso descobrirdes,
.............vós as respeitareis,
........................como quem vê destroços
....de um arsenal antigo,
.................mas terrível.
Ao ouvido
..........não diz
................blandícias
............................minha voz;
lóbulos de donzelas
........de cachos e bandós
....................não faço enrubescer
...............................com lascivos rondós.
Desdobro minhas páginas
.......– tropas em parada,
................e passo em revista
...........................o front das palavras.
Estrofes estacam
...........chumbo-severas,
.....................prontas para o triunfo
........ou para a morte.
Poemas-canhões, rígida coorte,
..........................apontando
................................as maiúsculas
...........abertas.
Ei-la,
.....a cavalaria do sarcasmo,
................minha arma favorita,
.............................alerta para a luta.
Rimas em riste,
......sofreando o entusiasmo,
.............................eriça
................................suas lanças agudas.
E todo
......este exército aguerrido,
.......................vinte anos de combates,
não batido,
...........eu vos dôo,
..................proletários do planeta,
cada folha
.............até a última letra.
O inimigo
......da colossal
...............classe obreira,
..................................é também
meu inimigo
.................figadal.
Anos
........de servidão e de miséria
...............................comandavam
...............................nossa bandeira vermelha.
Nós abríamos Marx
........volume após volume,
.............................janelas
.....................................de nossa casa
abertas amplamente,
..............mas ainda sem ler
............................saberíamos o rumo!
onde combater,
................de que lado,
..........................em que frente.
Dialética,
.........não aprendemos com Hegel.
Invadiu-nos os versos
........ao fragor das batalhas,
.................................quando,
sob o nosso projétil,
..........debandava o burguês
..........................que antes nos debandara.
Que essa viúva desolada,
......................– glória –
..............................se arraste
após os gênios,
.................merencória.
Morre,
.........meu verso,
....................como um soldado
.......................................anônimo
na lufada do assalto.
Cuspo
......sobre o bronze pesadíssimo,
........cuspo
..................sobre o mármore viscoso.
Partilhemos a glória, –
....................entre nós todos, –
..................................o comum monumento:
o socialismo,
.............forjado
......................na refrega
....................................e no fogo.
Vindouros,
......varejai vossos léxicos:
............................do Letes
..............................brotam letras como lixo –
"tuberculose",
........"bloqueio",
.............."meretrício".
Por vós,
......geração de saudáveis, –
.......................um poeta,
......................com a língua dos cartazes,
lambeu
..........os escarros da tísis.
A cauda dos anos
...........faz-me agora
..................um monstro,
..........................fossilcoleante.
Camarada vida,
..........vamos,
.............para diante,
galopemos
.......pelo qüinqüênio afora.
Os versos
......para mim
.............não deram rublos,
............................nem mobílias
..................de madeiras caras.
Uma camisa
......lavada e clara,
.......................e basta, –
.........................para mim é tudo.
Ao Comitê Central
................do futuro
......................ofuscante,
..........................sobre a malta
...................dos vates
velhacos e falsários,
......................apresento
.................................em lugar
do registro partidário
......todos
............os cem tomos
dos meus livros militantes.

O AMOR

Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
numa alameda do zoo,
sorridente,
tal como agora está
no retrato sobre a mesa,.
Ela é tão bela,
que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
ultrapassará o exame
de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos
em enumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja só porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo quotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
de casamentos,
concupiscência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
- Camaradas!
Atenta se volte a terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casa.
Para que
doravante
a família
seja
o pai,
pelo menos o Universo;
a mãe,
pelo menos a Terra.


GAROTO

Fui agraciado com o amor sem limites.
Mas, quando garoto,
a gente preocupada trabalhava
e eu escapava
para as margens do rio Rion
e vagava sem fazer nada.
Aborrecia-se minha mãe:
"Garoto danado!"
Meu pai me ameaçava com o cinturão.
Mas eu, com três rublos falsos,
jogava com os soldados sob os muros.
Sem o peso da camisa,
sem o peso das botas,
de costas ou de barriga no chão,
torrava-me ao sol de Kutaís
até sentir pontadas no coração.
O sol assombrava:
"Daquele tamaninho
e com um tal coração!
Vai partir-lhe a espinha!
Como, será que cabem
nesse tico de gente
o rio,
o coração,
eu
e cem quilômetros de montanhas?"


ADOLESCENTE

A juventude de mil ocupações.
Estudamos gramática até ficar zonzos.
A mim
me expulsaram do quinto ano
e fui entupir os cárceres de Moscou.
Em nosso pequeno mundo caseiro
brotam pelos divãs
poetas de melenas fartas.
Que esperar desses líricos bichanos?
Eu, no entanto,
aprendi a amar no cárcere.
Que vale comparado com isto
a tristeza dos bosques de Boulogne?
Que valem comparados com isto
suspirosante a paisagem do mar?
Eu, pois,
me enamorei da janelinha da cela 103
da "oficina de pompas fúnebres".
Há gente que vê o sol todos os dias
e se enche de presunção.
"Não valem muito esses raiozinhos"
dizem.
Eu, então,
por um raiozinho de sol amarelo
dançando em minha parede
teria dado todo um mundo


MINHA UNIVERSIDADE

Conheceis o francês
sabeis dividir,
multiplicar,
declinar com perfeição.
Pois, declinai!
Mas sabeis por acaso
cantar em dueto com os edifícios?
Entendeis por acaso
a linguagem dos bondes?
O pintainho humano
mal abandona a casca
atraca-se aos livros
e as resmas de cadernos.
Eu aprendi o alfabeto nos letreiros
folheando páginas de estanho e ferro.
Os professores tomam a terra
e a descarnam
e a descascam
para afinal ensinar:"Toda ela não passa dum globinho!"
Eu com os costados aprendi geografia.
Os historiadores levantam
a angustiante questão:
- Era ou não roxa a barba de Barba Roxa?
Que me importa!
Não costumo remexer o pó dessas velharias!
Mas das ruas de Moscou
conheço todas as histórias.
Uma vez instruídos,
há os que se propõem a agradar às damas,
fazendo soar no crânio suas poucas idéias,
como pobres moedas numa caixa de pau.
Eu, somente com os edifícios, conversava.
Somente os canos de água me respondiam.
Os tetos como orelhas espichando
suas lucarnas atentas
aguardavam as palavras
que eu lhes deitaria.
Depois
noite a dentro
uns com os outros
palravam
girando suas línguas de cata-vento.

ADULTOS

Os adultos fazem negócios.
Têm rublos nos bolsos.
Quer amor? Pois não!
Ei-lo por cem rublos!
E eu, sem casa e sem teto,
com as mãos metidas nos bolsos rasgados,
vagava assombrado.
À noite
vestis os melhores trajes
e ides descansar sobre viúvas ou casadas.
A mim
Moscou me sufocava de abraços
com seus infinitos anéis de praças.
Nos corações, nos relógios
bate o pêndulo dos amantes.
Como se exaltam as duplas no leito do amor!
Eu, que sou a Praça da Paixão, *
surpreendo o pulsar selvagem
do coração das capitais.
Desabotoado, o coração quase de fora,
abria-me ao sol e aos jatos de água.
Entrai com vossas paixões!
Galgai-me com vossos amores!
Doravante não sou mais dono de meu coração!
Nos demais - eu sei,
qualquer um o sabe -
O coração tem domicílio
no peito.
Comigo
a anatomia ficou louca.
Sou todo coração -
em todas as partes palpita.
Oh! Quantas são as primaveras
em vinte anos acesas nesta fornalha!
Uma tal carga
acumulada
torna-se simplesmente insuportável.
Insuportável
não para o verso
de veras.


DEDUÇÃO

Não acabarão com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente

terça-feira, 16 de março de 2010

Nova Tropicália/ Bossa Nova/ Primavera de Praga

Segue vídeo da entrevista do Ferréz com Sérgio Vaz, do Cooperifa

link (copie e cole): http://www.youtube.com/watch?gl=US&feature=player_embedded&v=9YkfVLZtg0g