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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Trabalhadores da Cultura: “Não mexe comigo, que eu não ando só!” Manifesto da RBTR


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MANIFESTO
Rede Brasileira de Teatro de Rua – Sorocaba/SP – 17 de Maio de 2015


SOMOS articuladores e articuladoras da Rede Brasileira de Teatro de Rua. Já há oito anos ouvimos, dialogamos, aguardamos, lutamos, rebatemos, sentamos, exigimos desse governo ações concretas e de fato efetivas pela arte pública e pela cultura do nosso país. Agora, o diálogo é única oferta já que o orçamento vergonhosamente vêm sumindo aos nossos olhos, ano a ano. Sentimos que o sim ao diálogo deixou de ser possibilidade de transformação para tornar-se um estado de legitimação de uma falsa democracia, de uma falsa participação, de um falso programa de cultura que nunca houve.
Cansamos! Não da luta, cansamos desse tipo de política da migalha. Não vemos sentido em sentar e dialogar com um ministro ou secretário, se as conversas sempre esbarram na falta de verba. Por quais ralos escoam nosso dinheiro? No pagamento dos juros? No setor de marketing das empresas? Nos gastos com militarização? Nas poucas famílias que controlam a mídia? Nos megaeventos? Nas empreiteiras e sua especulação imobiliária? Nos bancos? Nesse discurso que se diz popular, democrático e participativo, nunca antes na história desse país, as instituições privadas lucraram tanto.
“Não mexe comigo, que eu não ando só!” E por isso, fortalecemos a nossa luta, engrossando esse caldo com os professores, com os movimentos de moradia, com os movimentos pela saúde pública, com as pautas pela desmilitarização da polícia, com o movimento indígena, com as mães de maio, com o movimento contra o genocídio nas periferias, com as pautas de descriminalização da maconha, com os quilombolas, com os povos da floresta, com o movimento LGBT, com as culturas populares, com os movimentos feministas, com o movimento negro, com as periferias, com os trabalhadores e trabalhadoras de todo país.
Não há como produzir pensamentos, pautas, programas e leis mais elaboradas para a cultura do que as já construídas nesses últimos anos. Sabemos o que queremos. Já fizemos inúmeras cartas, documentos, reuniões. O que é necessário para o fomento efetivo dos trabalhadores e trabalhadoras de cultura desse país, já está documentado há muito tempo. Resta pôr em prática.
O dinheiro e energia das caravanas, das conferências e das reuniões, pra nós torna-se agora um desperdício, um falso processo, uma falácia. Estamos reunidos, estamos conversando, continuamos nos organizando, mas agora seremos claros e diretos.
Edital não é política pública. Exigimos:

‐ os editais transformados em leis com dotação orçamentária própria, com comissões eleitas pela sociedade civil.
‐ a criação da LEI PRÊMIO TEATRO BRASILEIRO, nessas condições.
‐ a criação da LEI PRÊMIO PARA AS ARTES PÚBLICAS, nessas condições.
‐ a mínima fatia do orçamento de 2% em nível federal, 1,5% em nível estadual e 1% em nível municipal (PEC 150)
‐ o fim da renúncia fiscal, da Lei Rouanet e de seu simulacro, o Pro-cultura.

No sentido de viabilizar essas pautas, estamos prontos. Unimo‐nos a diferentes frentes de luta porque entendemos que o projeto maior é de uma sociedade que seja de fato pública e igualitária nas condições de sobrevivência de todos os seres humanos. Não faremos figuração em eventos do governo, nem demonstraremos apoio a um governo que não cumpre suas promessas, tampouco aceitaremos nada menos que o mínimo produzido por nossa categoria em oito anos de muita militância e pensamento conjunto.
(...)
Sem mais.

E com os nossos, cada vez mais...

Rede Brasileira de Teatro de Rua – Sorocaba/SP – 17 de Maio de 2015

quarta-feira, 18 de março de 2015

15 de Março de 2015 – um dia para se lembrar (embora fosse muito melhor esquecer...)

Texto de Matheus José Maria - repórter fotográfico.

Certos dias você já sabe como serão só pela forma que eles começam.
Saindo de Santos para ir realizar a cobertura do protesto contra a presidente Dilma, já no carro conheci um garoto que estava indo também, mas com o propósito de protestar. Não vou discordar do direito dele fazer isso – algo incontestável -, mas não perderei muito tempo nessa história já que em um dado momento da conversa ele diz “Vamos tirar a Dilma e, se o Maluff se candidatar eu voto nele, porque ele rouba, mas pelo menos faz”.
Acho que isso diz muito sobre o povo brasileiro e seus costumes... Enfim, que o Maluff não se candidate novamente.
Bom, eis que chego em São Paulo e a rodoviária do Jabaquara já está tomada por gritos, apitos e camisas da CBF (nem durante a copa vi tantos “torcedores” juntos) que se dirigiam aos gritos em direção ao metrô.
Entro, com dificuldade no vagão lotado e dentro dele, os gritos de Dilma filha da puta, vai tomar no cú se fazem ouvir em alto e bom som.
Desço na estação Praça da Árvore para encontrar outro amigo e também fotojornalista, o Gabriel Chaim. Do momento em que desci e ele chegou, passaram três outras composições até que entramos em outro vagão, mas com o mesmo recheio.
Crianças carregadas pelos pais, idosos com os rostos pintados e usando todo o vocabulário adquirido ao longo de suas vidas e garotas desfilando a última moda em questão de protestos (uma camiseta coberta de lantejoulas que formavam a bandeira do Brasil). Quando chegamos à estação Paraíso, onde descemos para trocar de metrô e seguir em direção a Av. Paulista, eis que escuto a frase de um senhor de cabelos brancos: “Hoje não deviam cobrar o metrô. Deveria ser catraca livre!” Isso me fez pensar de imediato nos protestos contra os 0,50 centavos onde os manifestantes foram recriminados exatamente por pedir a mesma coisa.
Trocamos de linha e seguimos até chegar à estação Trianon – Masp e já de dentro da estação era possível escutar o barulho da manifestação.
A Avenida Paulista estava completamente tomada, era gente chegando de todos os lados e ocupando toda sua extensão.
Se locomover era extremamente difícil e com um pouco de esforço consegui subir em um trio-elétrico para ter uma visão melhor da extensão do protesto. Era um mar nas cores verde e amarelo que me fez pensar em que tipo de associação fizeram essas pessoas, para destacar seu patriotismo, usar a camisa da seleção brasileira, ligada a CBF que também é um ícone da corrupção nacional.
Em cima do trio elétrico, encontro outro fotojornalista famoso que escreve para uma coluna em um grande jornal de São Paulo que sorria satisfeito e me disse “Que lindo isso”. Ao lado, duas pessoas vestidas com roupas de presidiário e máscaras do Lula e da Dilma montaram uma grade de madeira e simulavam a prisão dos dois.
Desci do trio e segui pelo meio da multidão.
Várias mãos carregando latas de cerveja. Corpos sarados desfilando sem camisa exibindo a última tatuagem feita. Rostos maquiados e cabelos bem cuidados. Abercombrie, La Coste, D&G, Apple e outras marcas. Selfies em todos os lugares, poodles e outras raças de pequeno porte no colo. Estou dizendo que todos eram assim? Não, não estou. Seria uma leviandade achar que posso generalizar um movimento com tantas pessoas, mas me atrevo a dizer que era uma grande parte, senão a maioria.
Ao caminhar escutava as coisas mais absurdas e aqui, reproduzo algumas frases que ouvi:
- “ O que falta para tomarmos uma atitude? Esperar que vaze um vídeo de sexo com crianças? Não, isso não vai aparecer então temos que agir ” – Um manifestante do alto do trio-elétrico falando sobre a necessidade de agir contra o PT.
- (som de aplausos conforme policiais da tropa de choque passavam e eram saudados com continências por alguns manifestantes) – “ Isso é um exemplo de protesto direito, feito de forma ordeira e pacífica “ – Resposta de um policial quando perguntei o que ele achava disso.
- “ Tira essa mochila vermelha, tá querendo apanhar comunista? – Manifestante nitidamente alcoolizado (e segurando uma lata de cerveja nas mãos) gritando para uma pessoa que passou por ele, sem camisa, mas com uma mochila nas cores vermelha e preta.
- “ Fiz uma aposta com um amigo e disse que não acreditava que fosse ter tanta gente assim no protesto. Perdi com prazer e agora devo a ele um jantar em Punta del Este. “ – Manifestante falando ao microfone, em cima de um trio-elétrico.
- “A Dilma com certeza cortou o 3G para não deixar falar dela “ – Fala de um manifestante irritado por não conseguir conectar seu celular.
Essas falas e demonstrações mostram o tom que predominava nessa manifestação.
Continuando a circular, me deparo com um grupo de adolescentes segurando um cartaz onde era feito um agradecimento ao exército pelo golpe de 1964 e por isso, ter livrado o Brasil da ameaça comunista. Eu tenho quase 36 anos e sei muito pouco a respeito da ditadura militar, mas o pouco que sei me faz temer e repudiar seu retorno e assim eu pergunto: O que garotos, cuja maior preocupação deve ser qual o novo modelo de celular vai ser lançado e não tem mais que 16 anos, sabem sobre isso?
Mais a frente, uma bagunça em uma esquina e me aproximando vejo Danilo Gentilli, fazendo a festa dos fãs com fotos, selfies, beijos e abraços.
Que fique claro, mais uma vez, que isso foi o que eu vi e não uma generalização impossível de se fazer dado o número de pessoas que lá estavam.
Encontramos com outro colega fotojornalista (Wesley Passos) que junto de nós, seguiu até a rua da Consolação.
Nela, ouviam-se as buzinas de diversos caminhões que aderiram ao protesto e manifestavam sua opinião e apoio aos manifestantes.
Descendo pela rua, vi o que, para mim, foi a cena mais bizarra, triste e revoltante de todo o ato.
Em uma ocupação localizada na Consolação, um grupo de moradores fixaram uma faixa com os dizeres: Que os ricos paguem pela crise. Total apoio à greve dos (as) professores (as). Nenhuma menção ao PT, à presidente Dilma, à Petrobrás, enfim, nenhuma declaração de apoio aos monstros que estavam sendo caçados pela população ali presente.
Isso bastou para que ofensas tais como vagabundos, petistas, miseráveis, bandidos, pobres, filhos do bolsa miséria, filhos da puta e outros fossem dirigidas a eles. No grupo que ali parou havia idosos, jovens, mulheres e skin heads. Uma das manifestantes gritando que eles gostavam de mamar nas tetas do governo tirou seu seio e gritou para que então, mamasse ali. Um dos skin heads socou a porta de aço da casa e desafiou os fotógrafos a fotografá-lo. Enquanto isso, eu, o Chaim e o Wesley, junto de mais outro fotógrafo e dois jovens que ali estavam, nos posicionamos na porta da casa de modo a evitar uma possível tentativa de invasão. Alguns manifestantes chegavam perto e gritavam outras ofensas e os desafiavam a sair lá de dentro e encará-los.
Porque? A luta pela moradia e o apoio aos professores é um crime tão grande que justifica essa ação tão cheia de ódio? Talvez seja o corporativismo já que ali, provavelmente, várias pessoas eram donas de seus próprios imóveis e, como um jovem gritou “aí não é casa de vocês, não invadam o que é dos outros”.
Continuando pela rua, parecia que o grupo de pessoas havia se tornado um touro furioso, que investia contra qualquer pessoa que tivesse a ousadia de colocar uma bandeira vermelha na janela de seu apartamento. De imediato pensei em um touro correndo atrás da bandeira, pronto a atacar sem sequer saber por que fazia isso exatamente.
“Pula, pula, pula!!!!” era o que eles gritavam. Uma divergência política foi o suficiente para desejar a morte a um completo desconhecido.
Essa parte do protesto seguiu e se encerrou na Praça da República, onde pessoas estenderam faixas azuis, verdes e amarelas pela avenida. Dizem que outros grupos se espalharam por outros pontos de São Paulo e pouco a pouco foram indo embora até que a cidade voltou a ter sua respectiva coloração cinza concreto.
Gostaria de deixar claro que esse é um relato completamente pessoal, baseado no que eu vi e destacando as coisas que mais me chocaram no ato deste domingo 15 de março. Foi um protesto pacífico? Sim, até onde eu sei não houve incidentes envolvendo violência física ou depredação. Mesmo sendo nitidamente um protesto composto por uma parcela mais abastada da sociedade, não questiono em momento algum o direito deles irem às ruas e defendo a liberdade deles se manifestarem, mas é preciso que se preste atenção na ausência de uma consciência política embasada, do ódio cego e seletivo – afinal, o cartel do metrô tá aí. Ops não tá mais, foi arquivado – dirigido à apenas uma pessoa, partido, cor ou extrato social.
Se eu concordo com as reinvidicações? Não com as que eu vi ali, mas concordo com a necessidade de ser feita justiça ou, pelo menos, se fazer valer a justiça no país, de forma igualitária.

E se não ficou claro o que eu penso sobre esse protesto eu digo: Não penso nada, vou tentar esquecer...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

FOLHA/UOL: Jornalistas terceirizados não são considerados da equipe? Carta Aberta!

carta enviada por jornalistas do UOL à direção do portal:
Colado de:


À direção de Conteúdo,
Caros,
Manifestamos por meio desta o nosso descontentamento com a política praticada na festa de confraternização de fim de ano, da qual os prestadores de serviço (PJ’s) não serão convidados a participar, ao contrário do que ocorreu em anos anteriores.
Não nos está claro se a exclusão dos PJ’s está relacionada a um corte de custos, à fiscalização trabalhista ou a ambos. Independentemente da razão, no entanto, é lamentável que nossos colegas prestadores, que trabalharam conosco o ano todo não possam gozar da confraternização de fim de ano como o restante da empresa. Ao longo de 2014, eles atuaram sob a mesma cobrança e responsabilidade, mas sem benefícios como vale-alimentação, vale-transporte, 13º salário, seguro-saúde ou recolhimento de FGTS.
No jornalismo, infelizmente, eles não são simples prestadores de serviço, e sim frutos da precarização do trabalho que caracteriza a categoria.
A festa é simbólica. Assim como ela é um momento de descontração após um ano cheio de grandes eventos, metas, compromissos e dedicação, também representa a ponta do iceberg de um conjunto de condições de trabalho cada vez piores.
O ano de 2014 foi especialmente difícil para todos nós. As redações sofreram demissões, as equipes se enxugaram e o segundo semestre foi de trabalho redobrado. Para quem esteve envolvido nas duas grandes coberturas do ano, a Copa do Mundo e as Eleições, a carga foi ainda maior.
Para quem é PJ, por exemplo, houve a precarização do ambiente de trabalho; com muitos funcionários tendo de trabalhar de suas casas, com pouco espaço nas redações.
Tudo isso sem contar as condições questionáveis às quais já somos submetidos tradicionalmente. Ao contrário de outras empresas do meio e até de outros departamentos da nossa própria empresa, os jornalistas do UOL (sejam eles CLT ou PJ) não ganham hora extra ou adicional noturno.
Diante de tudo isso, decidimos repudiar a política adotada na festa de confraternização, que apenas expõe o tratamento desigual dado pela direção da empresa a empregados que desempenham as mesmas funções e têm as mesmas responsabilidades. Todos são trabalhadores, independentemente do regime sob o qual estão contratados. Com a segregação, a própria ideia de uma festa de confraternização perde sentido, diante da precarização do trabalho promovida.
A direção do UOL precisa estar atenta ao fato de que suas decisões estão aumentando a nossa insatisfação em relação a nossas condições de trabalho.
Nos colocamos à disposição dos diretores que queiram debater e discutir soluções.
Att,

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Carta Resposta da Cia. PlastikOnirica!

Segue Carta Resposta da Cia. Plastikonirica:

Apontamentos referentes aos últimos acontecimentos que envolvem o espetáculo O Rio e seus/suas criadores(as): Acompanhando a repercussão da carta do Prof. Wagner Cintra e do abaixo assinado referentes à ação judicial que devolveu os materiais do espetáculo O Rio aos seus autores e autoras para que, simplesmente, continuem a trabalhar, não pudemos deixar de destacar alguns fatos que convenientemente foram ignorados e suprimidos na descrição do próprio Wagner em suas manifestações públicas e tentativas de difamar a Cia. PlastikOnírica e seus/suas integrantes. Esperamos que estes apontamentos venham a esclarecer o posicionamento dos(as) estudantes e profissionais envolvidos(das), apresentando informações preciosas para o entendimento completo deste caso bastante complexo que vem se alongando desnecessariamente. Trata-se de um caso complexo pois durante a história do Teatro Didático da Unesp & Teatro de Brancaleone (este último sequer citado na carta do Prof. Wagner Cintra) misturaram-se duas instâncias: a acadêmica e a profissional. Vamos por partes: Desde que começamos a trabalhar no espetáculo, sempre houve o incentivo do próprio Wagner para que este trabalho pudesse se tornar nossa atividade profissional e fonte de renda . Assim que estreamos O Rio, este anseio foi crescendo e continuou a ser alimentado pelo professor que apoiava todas as investidas que fazíamos coletivamente. Assim, nos inscrevemos e apresentamos em diversas mostras e festivais mundo afora. Para que pudéssemos receber cachês pelo nosso trabalho, tiramos nossos DRTs e Wagner nos convidou a filiar-nos à Cooperativa Paulista de Teatro por meio de seu grupo Teatro de Brancaleone que a partir daquele momento estabeleceria uma parceria com o Teatro Didático da Unesp e responderia pelas atividades profissionais que exigiam um CNPJ que pudesse receber o dinheiro dos cachês. Tal dinheiro custeava a manutenção do material, as viagens do grupo e, às vezes, sobrava algum dinheiro para ser dividido entre nós estudantes (o Wagner nunca quis participar desta divisão por opção própria). Assim funcionamos até o dia em que o Prof. Wagner Cintra decidiu, sem apresentar qualquer justificativa, encerrar as atividades do espetáculo até "segunda ordem", como se nós não estivéssemos acostumados(as) a conversar, dividir problemas que nos desagradavam e a tomar decisões de forma conjunta como um grupo. Preocupados(as) com o que pudesse acontecer com o futuro do espetáculo e do grupo, tomamos a iniciativa de registrar a autoria do espetáculo na Biblioteca Nacional, direito reconhecido de qualquer autor e autora. O que foi registrado na Biblioteca Nacional foi apenas a autoria do espetáculo O Rio criado coletivamente por oito pessoas, inclusive o Wagner. O fato de termos considerado o nome dele no momento do registro não se tratou de um ato de benevolência ou misericórdia e sim de fazer o que era certo! No que se refere à pesquisa individual do Wagner como professor universitário nada foi registrado indevidamente. Por sinal, nos parece que o Prof. Wagner Cintra confunde sua pesquisa acadêmica intitulada Estudos propedêuticos acerca do Teatro Visual com o espetáculo que foi um desdobramento desta e de tantas outras pesquisas individuais de nós estudantes que resultaram em artigos publicados no Caderno de Resumos do III Seminário da Licenciatura em Teatro promovido em 2013 pela Universidade Federal de Santa Maria - UFSM e em Trabalhos de Conclusão de Curso que descrevem e investigam entre outras coisas o caráter coletivo da criação do espetáculo, T.C.C.s estes devidamente aprovados
São Paulo, 17 de novembro de 2014.
pelo Instituto de Artes da Unesp e dos quais o próprio Wagner compôs a banca examinadora em conjunto com demais professores e professoras da casa. Claramente o Prof. Wagner Cintra desconhece a Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98), insistindo em dizer que o espetáculo e o material produzido são bens públicos. Segundo a lei, autor é pessoa física e não jurídica o que não faz da Unesp detentora dos direitos da obra. Segundo a própria Norma Patrimonial da Unesp não é possível patrimoniar bens não duráveis como é o caso do material do espetáculo construído todo com material de consumo. Além destes fatos, Wagner não conta que desde 2010 o grupo de estudantes alimentava com investimentos pessoais um caixa que servia para compra de materiais para a realização do espetáculo. Após a estreia do espetáculo e começo de sua carreira profissional, parte significativa dos cachês que ganhávamos era destinada à manutenção e reconstrução dos elementos cênicos da obra. Tudo isto pode ser comprovado por meio de notas fiscais que guardamos desde 2010. Após apresentarmos o protocolo do registro do espetáculo na Biblioteca Nacional para o Wagner e nos surpreendermos com seu comportamento raivoso e ouvirmos acusações absurdas de imoralidade, o próprio Wagner disse que não conversaria mais conosco e que nós deveríamos nos reportar à Assessoria Jurídica da Unesp, em seguida nos expulsando do ateliê do Instituto de Artes da Unesp! Quando nos vimos privados do direito de acessar o material que elaboramos, construímos e financiamos, a primeira medida que tomamos, antes mesmo de irmos procurar apoio jurídico na Cooperativa Paulista de Teatro, foi conversar com a Direção e Vice-direção do Instituto de Artes da Unesp sobre o caso que, por sua vez, nos direcionou à Pró-reitoria de extensão universitária dizendo que o caso fugia do alcance do Instituto de Artes. Desta forma, considerando o muito importante apoio da Unesp no incentivo à construção do espetáculo, com o auxílio jurídico da cooperativa, por mais de três meses, cansamos de tentar diálogos, acordos e soluções amigáveis com o Prof. Wagner Cintra, que se recusou a reunir-se com o Conselho da Cooperativa, e com a Assessoria Jurídica da Unesp que, a princípio, se mostrou favorável a um acordo cuja proposta nunca veio. Um dos motivos para um acordo para o uso dos materiais não ter sido realizado e o rompimento com a Unesp ter sido inevitável foi o descaso do Prof. Wagner Cintra em colaborar, demorando para entregar documentos, atrasando prazos e, principalmente, mostrando-se terminantemente contra qualquer tipo de acordo. Destes fatos estão cientes o Dr. Geraldo Magela e o Dr. Leopoldo Zuaneti advogados da Assessoria Jurídica da Unesp e da AUIN (Agência Unesp de Inovação) como explicitado em conversas e e-mails trocados conosco e com nosso advogado. Em relação à dívida de seis mil reais com o Instituto de Artes da Unesp, o Prof. Wagner Cintra, sem comunicar-nos previamente, tomou a iniciativa de pagar sozinho. O grupo, não concordando com esta atitude que trouxe um prejuízo pessoal ao Wagner, se prontificou a pagar assim que foi comunicado. De qualquer maneira, hoje o Teatro de Brancaleone, grupo do qual o Wagner é representante oficial, tem pouco mais de seis mil reais em sua conta na cooperativa por apresentações e premiações do primeiro semestre deste ano. O que não justifica a afirmação do Wagner de que o grupo deixou uma dívida pendente. Não faz sentido o que Wagner afirma em relação aos "excessos do grupo" que ele cita em sua carta mas não explica e que, segundo ele, se intensificaram nas viagens internacionais e refletiam na qualidade do espetáculo. Ora, que excessos foram estes?
Como isto pode ser? Em todas as viagens internacionais que fizemos, recebemos os mais altos elogios e reconhecimento da qualidade de nossa participação e do espetáculo, fato comprovado por certificados, cartas e prêmios. Não entendemos como que tais "excessos" podem se converter em premiação e reconhecimentos da boa participação, compromisso e envolvimento do grupo! Permanecemos sem entender onde está a indignidade do trabalho ter extrapolado o âmbito universitário e claramente ter conquistado seu espaço no cenário profissional brasileiro e internacional. Da mesma maneira, não compreendemos onde está a inconsequência e prepotência da nossa ação que tenta garantir a continuidade de nosso trabalho. Além disto, sentimentos como afeto, apreço e carinho, no nosso entendimento, nada tem a ver com o que recebemos do Prof. Wagner Cintra nos últimos tempos: abandono acadêmico, expulsão de um grupo cuja reputação ajudamos a construir e prejuízo nas carreiras profissionais. A alegria que sempre nos nutriu (e que, aparentemente, deixou de nutrir o Wagner) será nosso combustível para continuar produzindo e investigando cenicamente a linguagem do Teatro Visual agora com a Cia. PlastikOnírica. Por todo o exposto, o debate a respeito da titularidade dos direitos e dos bonecos é bastante complexo e será tratado judicialmente. Reforçamos ainda que agimos sempre dentro da lei reunindo diversos documentos e evidências que provam a legitimidade de nossa causa. A princípio, a razão da titularidade dos direitos da obra e do material do espetáculo O Rio assiste somente à Cia. PlastikOnírica que tem uma ordem liminar vigorando. Lembramos também que reconhecemos a importância da Unesp como parceira e continuamos dispostos a dar os devidos créditos durante a vida artística do espetáculo O Rio. Concluindo, pensamos que se algum alerta tem de ser dado é que os professores e as professoras conheçam bem as instâncias e os trâmites de suas universidades, os compartilhem com os(as) estudantes e juntos(as) os reinventem se necessário para que não ocorram decepções e mal entendidos futuros. Existem maneiras e medidas para regulamentar o trabalho acadêmico, assim como existem para o trabalho profissional autônomo. É claro que isto deve ser sempre feito dentro da ética e honestidade sim, o que envolve também apresentar os fatos como ocorreram sem suprimir ou editar os acontecimentos convenientemente para angariar apoio, tentando prejudicar ou cercear o desenvolvimento da carreira profissional de quem quer que seja. Esta mesma ética e honestidade também pressupõe que os interessados e interessadas procurem conhecer o outro lado de uma história que é contada unilateralmente antes de tomar qualquer medida que possa ferir qualquer uma das partes envolvidas. Trata-se de generosidade, consideração e respeito com o outro e seu trabalho. Obrigado(a), Artistas integrantes da Cia. PlastikOnírica.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

: NOTA DE APOIO AO PROJETO TEATRO DIDÁTICO DA UNESP, EM DEFESA DA PESQUISA EM ARTES E DA UNIVERSIDADE PÚBLICA.

Abaixo-Assinado (#299

68): TEATRO DIDÁTICO DA UNESP:  Pesquisa não é mercadoria!

Abaixo-assinado:
http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/29968

Teatro Didático da Unesp: Pesquisa não é mercadoria!

Viemos aqui manifestar publicamente nosso apoio ao Projeto Teatro Didático da Unesp, coordenado pelo Prof. Dr. Wagner Cintra, que enfrenta junto ao Instituto de Artes da UNESP processo judicial no qual alunos da mesma instituição reivindicam a propriedade privada de um produto artístico, resultante de um trabalho público de pesquisa realizada durante mais de três anos pelo referido projeto de extensão universitária. (Espetáculo: O Rio. Pesquisa: Teatro Visual)

Entendemos que, o trabalho tendo sido subvencionado com dinheiro público, dentro da universidade, utilizando os recursos da mesma, estando seus participantes sendo remunerados com bolsas de estudo oriundas de verbas públicas, estando seu tutor sendo remunerado como professor e pesquisador, este produto artístico é um patrimônio da universidade pública. Nós, abaixo-assinados, repudiamos qualquer tipo de tentativa de apropriação do bem público.

Acreditamos ainda que, ao levar o problema para fora da universidade, registrando a obra na Biblioteca Nacional e recorrendo à assessoria jurídica da Cooperativa Paulista de Teatro, antes de qualquer tentativa de resolução dentro da comunidade acadêmica, esses alunos estão negando a autonomia da universidade pública, bandeira histórica do movimento em defesa da educação. Nós, abaixo-assinados repudiamos atitudes que ameaçam a autonomia da universidade pública.

A pesquisa em artes, principalmente em teatro, tem como especificidade a participação direta de pessoas que influenciam no resultado final, colaborando com ideias, criando cenas, elementos, etc. Entendemos, porém, que a participação direta no processo não dá o direito individual, ou mesmo coletivo, de reivindicar a propriedade do produto final para benefícios próprios e comerciais, ameaçando a continuidade da pesquisa. Nós, abaixo-assinados repudiamos atitudes que ignoram princípios éticos da pesquisa em artes.

Considerando que muitos abaixo-assinados são filiados à Cooperativa Paulista de Teatro, entendemos que embora a mesma tenha que defender seus associados quando solicitada, não pode desconsiderar a gravidade da questão e não deve ser conivente diante da apropriação indevida da propriedade pública. A universidade pública representa hoje um dos poucos espaços para a livre pesquisa em teatro subvencionada pelo estado. Por isso, acreditamos que a Cooperativa Paulista de Teatro deva tomar uma decisão política, que atenda aos interesses da arte pública e não a interesses individuais.
Por fim, prestamos nossa solidariedade a todos os envolvidos neste caso, que sofrem hoje o desgaste de um processo judicial.

Segue a Carta do Prof. Wagner Araújo Cintra esclarecendo os fatos:

“Direitos autorais e outras indignidades: esclarecimentos a comunidade Unesp e a Profissionais do Teatro sobre as questões estéticas e éticas que levaram ao declínio da encenação de O Rio realizada pelo Teatro Didático da Unesp.
Eu relutei por muito tempo em esclarecer o ocorrido com o Teatro Didático da Unesp, grupo de extensão universitária, no que se refere à encenação do espetáculo teatral O Rio, obra inspirada no poema homônimo de João Cabral de Melo Neto. Muito dessa relutância deveu-se ao fato de envolver alunos pelos quais eu nutri muita consideração pelos cinco anos de convivência e que produziu muitos frutos. Eu não quero que a admiração que eu sentia por essas pessoas, para as quais abri as portas da minha casa e os coloquei em contato com a minha família, se transforme em abjeção. Dessa forma, não irei comentar aqui questões de comportamentos, individuais e coletivos, principais motivadores da crise pela qual o Teatro Didático da Unesp está passando, pois o depoimento estaria, em face dos acontecimentos atuais, repleto de subjetividade, passionalidade e emoção. O importante do esclarecimento que pretendo, que é muito mais um desabado, é que sirva de alerta, não somente para pesquisadores que tem colaboradores em sua pesquisa, mas também para os artistas que agregam outras pessoas em seu processo criativo, especialmente o teatro.
Em 2010, convidei um grupo de alunos para que com o Teatro Didático da Unesp, colaborassem comigo em uma pesquisa que pretendia a experimentação cênica daquilo que eu considerava serem os pressupostos essenciais da linguagem do Teatro Visual; uma linguagem teatral surgida na Europa na década de 80 cujo conceito ainda está em desenvolvimento. O Teatro Visual é uma linguagem que atua na interface do teatro com as Artes Visuais e há poucas pessoas no mundo que a dominam satisfatoriamente. Em tal contexto, propus a encenação de um espetáculo que seria a materialização prática da minha pesquisa teórica. O processo levou três anos. Entretanto, a pesquisa acerca da linguagem já vinha sendo desenvolvida por mim através de experimentos feitos na graduação desde o ano de 2007 e tornou-se a base da pesquisa do meu ingresso no programa de pós-graduação do Instituto de Artes. A pesquisa que levaria à encenação do espetáculo O Rio, tornou-se também o meu projeto trienal intitulado Estudos propedêuticos acerca do Teatro Visual. O resultado teórico foi publicado em revistas da área, anais de seminários e congressos nacionais e internacionais, entre outros. Internacionalmente eu sou um dos poucos que está se arriscando a escrever sobre o assunto no momento. O espetáculo que estreou em dezembro de 2012, no ano seguinte deixa a universidade e se apresenta em diversos estados do Brasil participando de festivais e mostras diversas. Em 2014 realiza apresentações no México, Portugal e República Tcheca. O espetáculo foi visto por mais de 10 mil espectadores. Hoje o Teatro Didático da Unesp tornou-se referência nacional e internacional no que se refere à linguagem do Teatro Visual.
Todas essas conquistas só foram possíveis graças ao empenho do elenco, que é indiscutível. Ao apoio significativo da última e da atual Direção do Instituto de Artes que possibilitou a criação e a manutenção do Micro-Teatro (Laboratório de Formas Animadas e Visualidades),respectivamente. Aos investimentos feitos pela Proex, sobremodo a gestão atual, com a concessão de 5 bolsas que mantiveram o elenco desde 2010, além de verbas para a aquisição de materiais diversos para a criação do espetáculo e compra de equipamentos para o Micro-Teatro e ateliê. Isso sem contar os investimentos do Departamento e empenho do Conselho de Curso (DACEFC) por meio de verbas de melhoria do ensino. Há de se destacar também o apoio técnico de funcionários das diversas Seções do IA. É com muita segurança que afirmo que em se tratando do universo do ensino do Teatro de Formas Animadas, universo onde se encontra o Teatro Visual, o Instituto de Artes possui as melhores condições para o trabalho docente e para a pesquisa na área no país. Há muitos pedidos de estudantes e de profissionais do Brasil e do exterior para estagiarem conosco. Em 2015 receberemos quatro egressos da UNAM (Universidade Nacional Autônoma do México) para um estágio de dois meses.
Em tal contexto onde tudo parecia funcionar, o que deu errado?
Essa é uma pergunta que me faço constantemente. O elenco tinha total liberdade, não somente em relação ao trabalho que realizávamos, bem como em todas as instancias do Instituto de Artes. Sem contar o controle financeiro do grupo. Eu não medi esforços para possibilitar a eles as melhores condições de trabalho dentro e fora do IA. Eu nunca me coloquei em primeiro lugar. Após as apresentações que eram sucedidas por conversas com o
público, sempre deixei que o elenco se manifestasse. Eu só participava quando solicitado e para dar esclarecimentos acerca da linguagem. Todas as entrevistas para jornais, rádios e emissoras de televisão, por minha opção, foram realizadas pelos alunos. Eu nunca fiz imposições de comportamentos. Em 2014, um pouco mais atento, percebi que não havia por parte do elenco nenhuma consideração pelo peso da responsabilidade que estava sobre os meus ombros, principalmente nas viagens internacionais onde os excessos tornaram-se mais expressivos. Excessos que também se refletiam na qualidade do espetáculo. Foi nesse contexto que resolvi, após o retorno da República Tcheca em julho, tomar a atitude de não agendar apresentações até o mês de outubro. Isso para que o grupo fizesse uma reflexão crítica sobre o comportamento e as responsabilidades que incidem sobre um grupo universitário. Durante esse período de recesso todas as pendências deveriam ser resolvidas, incluindo finalizações de TCCs. Todas as questões referentes ao comportamento do elenco e as possibilidades de encaminhamentos foram compartilhadas com a Direção do Instituto de Artes.
Pois bem, alguns dias após o retorno do Festival de Praga, fui comunicado pelo elenco formado por Pedro Luiz Cobra, Caio Ceragioli Vieira, Guemera Ferreira Jorge, Luiz Guilherme Conradi Silva, Ingrid Marcela Taveira, Caroline Araujo do Nascimento, e também pelo compositor da trilha sonora, Felipe Zacchi Citero, aluno do curso de Composição e regência do Departamento de Música, de que eles haviam registrado na Biblioteca Nacional o espetáculo e todo o material produzido para o espetáculo. Em uma atitude de benevolência, me comunicaram que concederam a mim o direito de ser co-autor da obra. Ou seja, da minha própria pesquisa. Por mais que eu pudesse estar errado como professor e como coordenador de um projeto de extensão institucionalizado. Por mais que minhas atitudes fossem reprováveis. Que eu não zelasse pelo bem estar dos alunos; que o meu caráter fosse questionável, ou que eu estivesse interessado somente em autopromoção, dentre todas as leviandades possíveis; em se tratando de um projeto acadêmico, a maneira correta e honesta de agir seria procurar os colegiados do Instituto de Artes para que as coisas se resolvessem. Isso não foi feito. A opção foi pela indignidade sob a alegação de que o trabalho que o grupo realizava não era mais universitário e sim profissional.
Com o registro feito na Biblioteca Nacional, que é declaratório, ou seja; qualquer pessoa pode se declarar autora de qualquer produção intelectual, o elenco passou a requerer a posse de todo o material produzido pelo Teatro Didático da Unesp desde 2010. Como eu não posso responder pela universidade, já que o espetáculo e o material produzido é um bem público, comuniquei o fato à Direção do Instituto de Artes e foi feito o encaminhamento de um ofício descrevendo o ocorrido para a Assessoria Jurídica da Unesp que passa a cuidar do assunto considerando os direitos legais da universidade sobre a obra. A coisa se complica quando o elenco cria um grupo chamado Cia.Plastikoniricae se filia à Cooperativa Paulista de Teatro que passa, por meio de seu advogado, cobrar da Unesp a posse do material do espetáculo e outros matérias diversos. A Assessoria Jurídica da Unesp, por sua vez, tentou os caminhos da conciliação sem citações judiciais. Esse caminho foi logrado já que no dia 03 de novembro, mais uma vez em uma atitude inconsequente e prepotente, a Unesp foi citada judicialmente, sendo obrigada, por meio de artifícios jurídicos, mediante mandato de reintegração de posse, emitido por juiz, e na presença de advogado e Oficial de Justiça, devolver o material do espetáculo “ilegalmente retido” pela Unesp. Diante da situação bizarra, não pude deixar de pensar no comportamento de certos roedores que alucinados remexem todos os espaçosem busca de comida, com o que estava ocorrendo,onde salas, armários e gavetas eram vasculhadas vertiginosamente em busca de alimentos para a vaidade e arrogância dos requerentes. Indignados, eu, a Vice-diretora, funcionários e o advogado da AUIN (Agência Unesp de Inovação) que já vinha acompanhando o caso, e que deu apoio no momento, tivemos que nos resignar já que a lei deve ser cumprida. Entretanto, todos esperamos que a justiça seja feita.
Apesar da dívida de seis mil reais que ficou para eu pagar ao Instituto de Artes, das cartinhas a professores e funcionários, além de comunicações tardias nos Conselhos em uma tentativa inútil e desesperada de justificar a infâmia do ato cometido, eu não desgosto desses alunos. Eu sempre acreditei e acredito, mesmo que ingenuamente, que as pessoas podem melhorar, haja a vista que só retirei as bolsas de extensão no mês de outubro quando não havia mais nada a ser feito. Eu tenho certeza da minha dedicação e de ter dado a eles a melhor formação artística; haja a vista o grupo “profissional” que formaram para comercializar o produto poético da minha pesquisa.
Para mim o teatro é diversão, prazer e alegria. Quando isso não acontece é porque alguma coisa está errada e é hora de parar. O espetáculo me deu muito prazer como pesquisador e como artista. Mas diante da atual situação, mesmo que a Unesp saia vitoriosa no litígio, e mesmo que ainda exista muita coisa para ser escrita, hoje não encontro motivação para a continuidade de uma pesquisa prazerosa e de uma prática divertida com O Rio. Eu não acredito que uma obra artística que passa por tal situação possa sobreviver pelos meandros da desonestidade de um lado ou distante do prazer do outro.
Independentemente do resultado judicial, vou dar continuidade à minha pesquisa com o Teatro Visual que se converterá, em sua nova fase, em meu projeto trienal que iniciará em 2015. Para tanto, o novo elenco do Teatro Didático da Unesp, que já iniciou o processo de três anos, fará à encenação de Paulicéia Desvairada, espetáculo inspirado na obra homônima de Mário de Andrade. Apesar da decepção e da dor do punhal que ainda sangra as minhas costas, não deixarei que esse revés me impeça de continuar produzindo. Não é essa situação infame quem e impedirá de gostar de trabalhar com os alunos do Instituto de Artes. Sem abandonar a minha natureza afetiva, e de maneira prazerosa, continuarei compartilhando com os estudantes o conhecimento que venho adquirindo ao longo dos anos, evidentemente que de agora em diante com os devidos cuidados legais. No que depender de mim, os alunos do Instituto de Artes terão sempre a melhor formação que eu lhes possa oferecer; hoje, com um acento todo especial na orientação para os caminhos da ética e da honestidade.
São Paulo, 07 de novembro de 2014."

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Dilma 13 tem apoio da mulher do educador Paulo Freire!! "Ele votaria em Dilma"!

Colado de: http://www.brasildefato.com.br/node/30264

 

Em carta, viúva de Paulo Freire pede voto para Dilma Rousseff (PT)


Acervo Paulo Freire
Entre outros pontos, Nita destaca que o PT inseriu na sociedade as pessoas que antes eram marginalizadas; ela firma também que, se estivesse vivo, Paulo Freire votaria em Dilma

23/10/2014
Da Redação
A pedagoga Ana Maria Araújo Freire (Nita), viúva do educador Paulo Freire, escreveu uma carta em que pede apoio a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, do PT. Entre outros pontos, ela destaca que o PT inseriu na sociedade as pessoas que antes eram marginalizadas.
“Resgatar 40 milhões de homens, mulheres e crianças para a condição de sujeitos da história , que ganharam voz ao dizerem o que querem e precisam é um ato revolucionário de amor, de humanismo, de cidadania política e ética”, escreveu.
Nita ainda ressalta que, se estivesse vivo, seu marido Paulo Freire também declararia seu voto na candidata petista.
“Ouso falar em nome de meu marido Paulo Freire, que se vivo estivesse, estaria aqui, tenho certeza, com seus 93 anos, com sua lucidez, seriedade e firmeza, declarando seu voto para Dilma, ‘porque só ela, diria: pode fazer um governo eminentemente democrático por que só ela está favor da Nação e do povo brasileiro’.”
Paulo Freire foi o mais importante educador brasileiro. Seu trabalho, que revolucionou a alfabetização de adultos, é reconhecido como um dos mais significativos do mundo, rendendo 37 títulos traduzidos para dezenas de idiomas. Na política, Freire integrou o Partido dos Trabalhadores (PT), foi presidente da 1ª Diretoria Executiva da Fundação Wilson Pinheiro, fundação de apoio partidária instituída pelo PT em 1981 (antecessora da Fundação Perseu Abramo), além de Secretário de Educação da Prefeitura Municipal de São Paulo na gestão petista de Luiza Erundina (1989-1992).
Leia a carta na íntegra
Escrevi antes do pleito de 5 de outubro de 2014 os 13 motivos “Por que voto no 13”. Por que iria votar em Dilma Rousseff.
Hoje quero me dirigir ao povo de meu país conclamando que todos nós votemos na reeleição de nossa Presidenta Dilma Rousseff, no 2o. Turno das eleições de 2014.
Precisamos votar em Dilma não só por que ela é mulher, é íntegra, é honesta, é segura, é competente política e cientificamente falando para comandar nossa nação. Precisamos valorizar a sua história de vida: ela  lutou, com serenidade e galhardia, com riscos para sua própria vida, contra os militares no poder, a favor da vida, por um Brasil melhor e mais justo, desde sua adolescência.
Precisamos reconhecer que ela reúne as qualidades necessárias para ocupar o cargo máximo de nosso querido Brasil: ela já deu provas cabais disso nos quase 4 anos de governo.
Precisamos reconhecer que é ela quem representa o novo, o bonito e o que precisamos para consagrar o sonho de termos um Brasil justo, equânime, verdadeiramente democrático.
O novo não é o que se “acerta dizer” na calada da noite inventando fórmulas mirabolantes de discursos dribladores da verdade com repetições sem nexo e sem consistência apenas para efeitos eleitoreiros. O novo não é um milagre da vontade de alguns ou algumas iluminadas. Não basta dizer “eu sou o novo”, “eu incorporo o novo”. Para qual novo? Contra qual velho? A favor de quem  o novo? Contra quem o novo? O verdadeiro novo é o que se produz e se constrói em dias e anos de luta, de discernimento, de colaboração com o povo ao se ir substituindo o velho, o obsoleto, o vazio ou perverso por algo ainda não conhecido nas ações concretas, na realidade social. Ou, com outras palavras, o novo é decorrência da realização efetiva da objetividade crítica e necessária para transformar a realidade social, provocada e mobilizada pelos sonhos utópicos de uma sociedade melhor e mais justa, pelas necessidades que somente os que têm vontade política, crítica e séria de mudar o mundo, conseguem fazer.
O novo e o bonito são as instâncias antropológico-políticas que vêm se produzindo e se construindo no Brasil a partir da luta de Zumbi, de Antônio Conselheiro, de Euclides de Cunha, de Celso Furtado, de Josué de Castro, de João Cabral de Melo Neto, de Ariano Suassuna e, sobretudo de PAULO FREIRE, que estimulou o povo brasileiro a lutar para ter voz, ter saber e ter participação política, ao se conscientizarem para saírem da condição de Seres Menos para o de Seres Mais!
Precisamos reconhecer que foi o 13, o PT, que ouviu estas vozes e planejou um orçamento da nação no qual incluiu, pela  1a. vez na história, os que secularmente apenas eram objetos da sociedade, os “desprovidos da fortuna”, os oprimidos e miseráveis. O PT, com Lula, colocou os “marginais” dentro, como parte da sociedade que vivia na marginalidade determinada pelos que se dizem, hoje em dia, os donos do novo. O novo que conhecemos a partir de 2003 foi um ato revolucionário, nunca visto entre nós, inconcebível até no governo anterior. Resgatar 40 milhões de homens, mulheres e crianças para a condição de sujeitos da história , que ganharam voz ao dizerem o que querem e precisam é um ato revolucionário de amor, de humanismo, de cidadania política e ética.
Essa iniciativa do novo se completa no bonito -- que entendo ser a capacidade de grande parte da gente do país, de qualquer classe social, etnia, gênero ou orientação sexual – é poder estudar nas universidades e praticar em  intercâmbio de estudos no exterior, praticar esporte e fazer arte de todo nível e natureza. De poderem todos e todas viajar em férias, prantear seus mortos,  saberem-se cidadãos de seu país.
O que precisamos é que este novo, este bonito, que se traduz no cotidiano de respeito às diferenças quaisquer que sejam elas estejam atentas na vivência dos verdadeiros direitos humanos, isto significa sua presença: no respeito ao índio, às mulheres e às crianças; na comunicação de uma mídia séria, sem mistificações e sem as maledicências das doutrinas ideológicas fascistas tão em voga em nosso país que copia do mundo esta forma facínora de entendê-lo; na educação exigente de formação científico-filosófico-política do professorado para a criatividade, o saber e a invenção, que propicie termos as tecnologias a nosso serviço; na terra repartida, sem latifúndios, sem milhares de pessoas sobrevivendo à beira das estradas esperando pela Reforma Agrária; nos impostos menos exorbitantes e eticamente aplicados para o bem geral.
O que precisamos é este novo, este bonito, que se traduz numa economia para a primazia dos seres humanos e do Planeta Terra e não a do Capital, assim, sem desemprego e sem competições que desabonam os “mais fracos; na garantia de um Brasil mais empenhado nas políticas públicas que permitam: Mais Médicos; Mais hospitais. Mais Minha casa, minha vida; Mais cursos técnicos; Mais pesquisas científicas e tecnológicas; Mais escolas de qualidade; Mais formação técnica, moral e política para os educadores/as. Mais campus universitários espalhados pelos 4 cantos de nosso país; Mais creches. Nenhum analfabeto no país que tem o maior teórico e a prática da educação de adultos, do mundo, Paulo Freire.
O que precisamos é que este novo, este bonito encontre solução para Mais segurança nas ruas e dentro de nossas casas, de nossos maridos/esposas, filhos/as, netos/as ameaçados, abandonados à própria sorte; Mais policiais inteligentes e menos truculentos; Menos fome; Menos fila nos hospitais; Menos massacres e exploração de mulheres, idosos e crianças; e Nenhuma perseguição, tortura e extermínio dos pobres e negros.
O que precisamos, sobretudo é que este novo, este bonito encontre solução, urgente e eficaz contra a secular corrupção dos que “tomam” a coisa pública como se fossem sua propriedade, nos envergonhando e privando a nação de mais verbas nos empreendimentos sociais necessários.
O que precisamos, precisamos mesmo é que este novo, este bonito que Dilma prossegue, com autonomia, com seu jeito doce e enérgico de ser, ao mesmo tempo,  iniciado no governo Lula, quando o Partido dos Trabalhadores, do PT, chegou ao Poder, em  2003, fruto dos antecedentes mencionados, ouça, entenda e traduza a alma e o corpo inquieto e rebelde de nossa gente brasileira, que sonha, acima de tudo com um país no qual seus políticos tenham honradez e probidade!
Por fim, ouso falar em nome de meu marido Paulo Freire, que se vivo estivesse, estaria aqui, tenho certeza, com seus 93 anos, com sua lucidez, seriedade e firmeza, declarando seu voto para Dilma, “porque só ela, diria: pode fazer um governo eminentemente democrático por que só ela está favor da Nação e do povo brasileiro!”
VIVA O 13. VIVA O POVO BRASILEIRO. VIVA DILMA ROUSSEFF, NOVAMENTE, PRESIDENTA DO BRASIL. !!!
São Paulo, 16 de outubro de 2014.
Nita Freire
Ana Maria Araújo Freire

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Perseguição político-financeira a Festival de Teatro mais antigo do Brasil: FESTA 56

Os três textos que publicamos sobre o que está acontecendo em Santos ...
1
Manifesto do Festival Santista de Teatro 02/09/2014
Em resposta ao posicionamento da administração municipal veiculado nos meios de comunicação do dia 1º de setembro, nós do Movimento Teatral da Baixada Santista, realizadores do FESTA, tornamos publicas as contradições explícitas no processo de realização deste festival.
O FESTA (Festival Santista de Teatro) - festival de teatro mais antigo do país, criado em 1958 por Patricia Galvão e historicamente realizado pelo Movimento Teatral - enfrenta uma serie de dificuldades para realizar sua edição neste ano, por conta da administração municipal. No dia 25 de agosto, fomos informados pelo senhor Secretário de Cultura que a verba do orçamento da Secretaria destinada ao Festival foi direcionada ao pagamento de outros eventos, tais como Festa Inverno e tendas de verão, restando ao FESTA apenas 4 mil reais (acompanhado de um pedido para não se levar a público tal situação).
Somado a isso, tínhamos uma emenda parlamentar do deputado Estadual Luciano Batista encaminhado à realização do FESTA 56 (processo este todo documentado), cuja verba foi redirecionada - sem conhecimento do Movimento – para realização de um outro evento da própria Secretaria.
Após mobilização da classe artística, mediante tais fatos, nos foi oferecida, há 2 semanas da realização do Festival a quantia de 50 mil reais. No entanto, já não havia mais tempo hábil para prosseguir com o cronograma planejado (pela inviabilização logística da produção).
Nós, Movimento Teatral, nos vimos obrigados a redesenhar o formato do FESTA 56, sem deixar de levar à público o descaso com o qual esta administração vem tratando a cultura de um modo mais amplo.
Podemos citar:
- o atraso constante no pagamento dos professores da Escola de Artes Cênicas Wilson Geraldo e de grande parte dos funcionários da Secretaria de Cultura;
a não publicação do Edital FACULT em 2013;
a ausência de um Coordenador do segmento teatral no quadro da secretaria;
o Curta Santos, que enfrenta situação similar ao FESTA, com 50 mil reais subtraído de seu orçamento;
o processo obscuro dentro do Conselho Municipal de Cultura para a regulamentação das Oss;
a falta de uma política cultural concreta.
Não podemos admitir que a realização de um Festival de tantos anos seja negligenciada. Ficamos indignados com o pronunciamento mentiroso do senhor Secretário de Cultura, em rede social que, mesmo estando antecipadamente ciente da posição do Movimento apresentada nesta carta, declarou que o Festa seria realizado com aporte financeiro da Prefeitura e omitiu todo o contexto aqui apresentado.
O dinheiro não compra a legitimidade da arte pública!
Assumiremos o caráter de resistência cultural.
O FESTA não morrerá!
Movimento Teatral da Baixada Santista.
2
COMUNICADO DO MOVIMENTO TEATRAL DA BAIXADA SANTISTA 10/09/2014
Nós, do Movimento Teatral da Baixada Santista, vimos a público reafirmar as questões colocadas no Manifesto publicado em 2 de setembro, tratando da ausência de políticas culturais na cidade e os equívocos no processo da realização do FESTA 56 por parte da Secretaria Municipal de Cultura de Santos, e também esclarecer publicamente novas colocações inverídicas do jornalista e atual secretário de Cultura de Santos, Raul Christiano.
Em relação à questão da emenda parlamentar do Deputado Luciano Batista destinada ao FESTA 56, o Sr. Secretário de Cultura afirmou publicamente que a mesma nunca existiu e que tudo não passou de um “mal entendido” do Movimento Teatral, por considerar uma emenda do FESTES (Festival de Teatro de Estudantes de Santos) como se fosse do FESTA.Conforme comprova a documentação em anexo, o Secretário não só tinha ciência da existência de uma emenda para o FESTA como também da existência de outra, esta sim destinada ao FESTES. Portanto, verifica-se a existência de DUAS emendas diferentes, sendo uma para cada Festival, ambas destinadas à Secretaria de Cultura de Santos, conforme publicado no jornal informativo do deputado.
Em relação à emenda da deputada Telma de Souza, há 3 anos a mesma é destinada a Mostra Regional do FESTA chamada MOTIM, realizada em diversas cidades da região, com o conhecimento da Secretaria de Cultura.
O Secretário também falta com a verdade quando afirma que 50 mil reais era o valor planejado e informado à organização do Festival. Isto não corresponde com a realidade dos fatos: a partir de uma reunião no começo do ano com o Prefeito, contando com a presença do Secretário de Cultura, foi acordado que a Prefeitura faria um aumento progressivo da verba destinada ao Festival, sendo o valor de 70 mil reais o acertado para este ano. No entanto, em reunião efetuada no dia 25/08 o Secretário afirmou que não haveria aumento na verba como ainda o valor disponível para o FESTA 56 era de apenas 4 mil reais (já que todo o restante do valor destinado para o FESTA pela SECULT fora utilizado para o pagamento de gastos com eventos da Secretaria de Cultura). Diante das alegações por parte do Movimento de que os prazos para a realização do Festival estavam se esgotando, o Secretário se comprometeu a resolver a situação no mesmo dia, pedindo para que não se publicizasse este imbróglio com os recursos da Prefeitura destinados ao FESTA. Nos dias seguintes, não tivemos nenhum retorno do Secretário. Foi somente no dia 29/08, após movimentação da classe artística e a necessidade de cancelamento dos compromissos em torno do FESTA 56, que obtivemos alguma resposta do Secretário. Neste processo, identificamos que o problema vai além de questões orçamentárias. O problema não é dinheiro. É um problema de gestão. É um olhar limítrofe para com a cultura. É falta de respeito.
Estes pontos acima citados são apenas alguns aspectos do histórico de uma gestão mal conduzida, frágil e mal intencionada. Talvez o Secretário de Cultura desconheça as diretrizes de sua Pasta no plano de governo, onde consta o compromisso de “garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso democrático às fontes de cultura, assim como apoiar e incentivar a valorização e a difusão de suas manifestações, com prioridade para as diretamente ligadas à história de Santos, à sua comunidade e aos seus bens”.
Por fim, retomamos os pontos do Manifesto de 2 de setembro que continuam sem resposta:
- o atraso constante no pagamento dos professores da Escola de Artes Cênicas Wilson Geraldo e de grande parte dos funcionários da Secretaria de Cultura;
-a não publicação do Edital FACULT (Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes) em 2013;
-a ausência de um coordenador para o segmento teatral no quadro da Secretaria;
-o Curta Santos, que enfrentou situação similar ao FESTA;
-o processo obscuro dentro do Conselho Municipal de Cultura para a regulamentação das OSs (Organização Social);
-a falta de uma política cultural concreta.
Diante do silêncio do Secretário de Cultura Raul Christiano em relação a estas questões, seguimos no aguardo de um posicionamento por parte da Prefeitura.
O dinheiro não compra a legitimidade da arte pública!
Assumiremos o caráter de resistência cultural.
O FESTA não morrerá!
Movimento Teatral da Baixada Santista
3
INTENÇÃO POLÍTICA SIM, MAS NÃO PARTIDÁRIA.
Não somos filiados e nem fazemos campanha para partidos políticos. Somos sim, a favor de políticas públicas nas áreas da Cultura, Educação e tantas outras. Mas especificamente da Cultura porque é a área onde atuamos. Estaremos sempre dispostos a lutar por aquilo que acreditamos e apoiar quem realmente queira fazer um trabalho sério dentro da pasta. Queremos politicas públicas reais e não oba oba de turista que está de passagem pelo cargo de Secretário e que não possui o mínimo de conhecimento em gestão cultural. A Cultura de Santos rejeita esse tipo de político, que é jogado de um lado para outro dentro do próprio partido, sem a menor competência administrativa ou conhecimento da pasta que ocupa ou ocupará.
Somos profissionais e somos independentes! O FESTA – Festival Santista de Teatro é organizado por profissionais reconhecidos dentro da cidade, no estado e no país. Nos seus 56 anos de existência sempre foi e continuará sendo organizado e produzido pelo Movimento Teatral. Quem não é profissional da Cultura é você, Secretário Raul Christiano, que foi colocado na pasta sem o mínimo de conhecimento que um gestor deve ter. Você entende de política velha, arbitrária, de criação de factoides, de justificativas cínicas, de argumentos mentirosos e dissimulados.
A sua resposta em relação à emenda é digna de pena, não convenceu, ou melhor, convence apenas seus puxa-sacos que ocupam cargos dentro da secretaria e recebem por cachês. “Respondi que sabia. Talvez tenha me precipitado...” - Não! Você não se precipitou! Você já sabia desde o ano passado que havíamos feito o pedido de emenda. Você já sabia da emenda na reunião que fizemos em janeiro. Em abril apenas te informamos que tinha saído. “Quando falei com a Secretaria de Estado da Cultura, havia só a emenda do Festes, e comuniquei isso”. – Você só comunicou na segunda quinzena de agosto. De abril a agosto temos 3 meses de distância.
Mas, para o Movimento, a emenda é apenas um ponto, secretário! Vamos falar da gestão, da falta de política pública, das promessas não cumpridas, do Plano Municipal de Cultura que até hoje não foi feito e por isso estamos atrás de cidades menores que já estão dentro do PNC – Plano Nacional de Cultura. Do CMC – Conselho Municipal de Cultura, que possui a maioria de funcionários da Secult, o que vai contra as exigências do PNC. Vamos falar sobre o CEU das Artes que por causa de membros do Movimento não se perdeu 4 milhões do governo federal para a sua construção e você nem sabia da existência do projeto e que agora, paralela as obras, deveria ser feita a mobilização social e a equipe de gestão. Vamos falar sobre o Facult que não saiu ano passado e até agora a justificativa não convenceu. E agora, por pressão, resolveram soltar o resultado da edição deste primeiro semestre. Rosinha Mastrângelo que está com sua abertura sendo adiada a cada semestre. Dos projetos que começaram e não houve continuidade. O alto número de funcionários comissionados da pasta recebendo por cachê e onerando ainda mais a folha de pagamento, verdadeiros aspones. Funcionários de outras pastas sendo pagos pela Secult. A falta de pagamento de professores da EAC que também tem um plano pedagógico ineficiente e você nada faz. O cargo de coordenador de teatros vago há mais de ano. A imposição das OSs numa votação obscura no CMC. O FESTA que foi negligenciado e agora você quer dialogar, sendo que o Movimento durante todo esse tempo buscou exatamente o diálogo, mas foi tratado sem o menor respeito.
Assumiremos o caráter de resistência cultural.
O FESTA não morrerá! A Secretaria de Cultura de Santos vai ter um gestor digno da pasta!
FORA RAUL!!
Movimento Teatral da Baixada Santista.
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.496270890475516.1073741829.223397641096177&type=1

terça-feira, 24 de junho de 2014

Professor da UERJ faz caça às "bruxas" e persegue estudante com ideário socialista e feminista!

“Onde está a aluna marxista?” — a briga entre um professor e uma estudante na UERJ


Maria Clara Bubna, 20 anos, é estudante do 1° período de Direito na UERJ e integra o Coletivo de Mulheres da sua Universidade.
Ela era – até ele pedir exoneração – aluna do Professor Bernardo Santoro, autor de uma postagem de conteúdo debochado e pra lá de machista feita, publicamente, em seu facebook, e repudiado, recentemente, e com toda a razão, pelo Coletivos de Mulheres da UFRJ, outra Universidade na qual Bernardo leciona.
Depois disso, Bubna diz que passou a ser perseguida pelo professor. Ele afirma o contrário, mesmo estando hierarquicamente, acima da aluna, em sua relação dento da Universidade, e atribui a autoria do repúdio à Bubna e seu Coletivo, embora a Nota de Repúdio tenha sido publicada por outro Coletivo Feminista, de outra Universidade, a UFRJ.
A estudante ficou um tanto surpresa e assustada com o rumo que o assunto tomou e a repercussão que teve, mas resolveu quebrar seu silêncio e contar sua versão da história em seu depoimento intitulado “Sobre o Silêncio ou Manifesto pela Voz”, que reproduzo, na íntegra, logo abaixo.
“Parabéns” sqn, Professor Bernardo Santoro! O Senhor conseguiu ficar famoso como o machistinha mais comentado das redes sociais dos últimos dias! Melhor repensares o conteúdo das piadas que levas à público, uma vez que és pessoa pública e formador de opinião. Recomendo mais cautela.
E parabéns, de verdade, a ti, Maria Clara Bubna, que optou por não ficar calada, apesar de, como tu mesma disseste no teu manifesto, seres “o elo mais fraco desta relação”, por seres aluna, por seres mulher, por seres ainda muito jovem.
Segue o Manifesto de Maria Clara Bubna:
SOBRE O SILÊNCIO OU MANIFESTO PELA VOZ
Por muitos dias, eu optei por permanecer calada. Talvez numa tentativa de parecer madura (como se o silêncio fosse reflexo de maturidade) ou evitando que mais feridas fossem abertas, eu escolhi, nesse último mês, por vivenciar o inferno em que fui colocada com declarações breves e abstratas e conversas pessoais cautelosas. Mas se tem uma coisa que eu descobri nesse mês é que a maior dor que poderiam me causar era o meu silenciamento, o meu apagamento por ser mulher, jovem, “elo fraco” de toda relação de poder. Eu decidi portanto recuperar minha voz. Esse texto é um apelo a não só o meu direito de resposta, mas o meu direito a existir e me manter de pé enquanto mulher.
Eu nunca vi necessidade de esconder meus posicionamentos. Seja sobre o meu feminismo ou minhas preferências políticas, sempre fui muito firme e verdadeira com o que acredito. Mantive sempre a consciência de que minha voz era importante e que, junto com muitas outras vozes, seriamos fortes. Exatamente por isso, nunca vi necessidade de me esconder. Decidi fazer Direito baseada nessa minha ideia de que a união de vozes e forças poderia mudar a quantidade brutal de situações hediondas que o sistema apresenta.
Dentro da Faculdade de Direito da UERJ, acabei encontrando um professor que possui postura claramente liberal. Ele também nunca fez questão de esconder suas preferências políticas, mesmo no exercício de sua função. Apesar de ser meu primeiro ano na faculdade, passei alguns muitos anos no colégio durante os ensinos fundamental e médio e tive professores militares, conservadores, cristãos ferrenhos. Embates aconteciam, mas nunca ninguém se sentiu ofendido ou depreciado pelas suas preferências ideológicas. O debate, quando feito de maneira saudável, pode sim ser enriquecedor. Para minha surpresa, isso não aconteceu no ambiente universitário.
Ouvindo Bernardo Santoro se referir aos médicos cubanos como “escravos cubanos”, a Marx como “velho barbudo do mal”; explicar o conceito de demanda dizendo que ele era um “exímio ordenhador pois produzia muito leitinho” (sic) e que o “nazismo era um movimento de esquerda”, decidi por me afastar das aulas e tentar acompanhar o conteúdo por livros, gravações, grupos de estudo… Já ciente do meu posicionamento político e percebendo minha ausência, o professor chegou a indagar algumas vezes, durante suas aulas: “onde está a aluna marxista?”
No dia 15 de maio deste ano, Bernardo postou em sua página do Facebook, de maneira pública, um post sobre o feminismo. Usando o argumento de que se tratava de uma “brincadeira”, o docente escarneceu da luta feminista e das mulheres de maneira grosseira e agressiva. A publicação alcançou muitas visualizações, inclusive de grupos e coletivos feministas que a consideraram particularmente grave, em se tratando de um professor, como foi o caso do Coletivo de Mulheres da UFRJ, universidade em que Bernardo também leciona.
A partir do episódio, o Coletivo de Mulheres da UFRJ escreveu uma nota de repúdio à publicação do professor, publicada no dia 27 de maio na página do próprio Coletivo, chegando rapidamente ao seu conhecimento.
Foi o estopim. Fazendo suposições, o professor começou a me acusar pela redação da nota de repúdio e a justificou como fruto de sua “relação conflituosa” comigo, se mostrando incapaz de perceber quão problemático é escarnecer, de maneira pública, de um movimento de luta como o feminismo.
Fui então ameaçada de processo. Primeiro com indiretas por comentários, onde meu nome não era citado. Alguns dias se passaram com uma tensão se formando, tanto no meio virtual quanto nos corredores da minha faculdade. Já se tornava difícil andar sem ser questionada sobre o assunto.
Veio então, dias depois, uma mensagem privada do próprio Bernardo. A mensagem me surpreendeu por não só contar com o aviso sobre o “processo criminal por difamação” que o professor abriria contra mim, mas por um pedido do mesmo para que nos encontrássemos na secretaria da faculdade para que eu me desligasse da minha turma, pois o professor não tinha interesse em continuar dando aula para alguém que processaria.
Nesse ponto, meu emocional já não era dos melhores. Já não conseguia me concentrar nas aulas, chorava com uma certa frequência quando pensava em ir pra faculdade e essa mensagem do professor serviu para me desestabilizar mais ainda. Procurei o Centro Acadêmico da minha faculdade com muitas dúvidas sobre como agir. Foi decidido então levar o assunto até o Conselho Departamental que aconteceria dali alguns dias.
No Conselho, mesmo com os repetidos informes de que não se tratava de um tribunal de exceção, Bernardo agiu como se fosse um julgamento. Preparou uma verdadeira defesa que foi lida de maneira teatral por mais de quarenta minutos. Conversas e posts privados meus foram expostos numa tentativa de deslegitimar minha postura. Publicações minhas sobre a militância feminista e textos sobre minhas preferências políticas foram lidos pelo professor, manipulando o conteúdo e me expondo de maneira covarde e cruel. Dizendo-se perseguido por mim, uma aluna do primeiro período, Bernardo esqueceu-se que dentro do vínculo aluno/professor há uma clara relação de poder onde o aluno é obviamente o elo mais fraco.
Eu, enquanto aluna, mulher, jovem, não possuo instrumentos para perseguir um professor.
O Conselho, por fim, decidiu pela abertura de uma sindicância para apurar a postura antipedagógica de Bernardo. Não aceitando a abertura da sindicância, o professor, durante o próprio Conselho, comunicou que iria se exonerar e deixou a sala.
Foi repetido incansavelmente que a questão para a abertura da sindicância não era ideológica, mas sim sobre a postura dele como docente. Bernardo, ao que parece, não entendeu.
No dia seguinte, saiu uma reportagem no jornal O Globo sobre a questão. O professor declara que eu sempre fui uma “influência negativa para a turma”. Alguns dias depois, a cereja do bolo: seu amigo pessoal, Rodrigo Constantino, publicou, em seu blog na Revista Veja, uma reportagem onde eu era completamente difamada e exposta sem nenhum aviso prévio sobre a citação do meu nome. A reportagem por si só já era deprimente, mas o que ela gerou foi ainda mais violento.
Comecei a receber mensagens ameaçadoras que passavam desde xingamentos como “vadia caluniadora” até ameaças de “estupro corretivo”. Meu e-mail pessoal foi hackeado e meu perfil do facebook suspenso.
A situação atual parece estável, mas só parece. Ontem, no meu novo perfil do facebook, recebi mais uma mensagem de um homem desconhecido dizendo que eu deveria ser estuprada. Não, eu não deveria. Nem eu nem nenhuma outra mulher do planeta deveria ser estuprada, seja lá qual for o contexto. Nada nesse mundo justifica um estupro ou serve de motivação para tal.
Decidi quebrar o silêncio, romper com essa postura conformista e empoderar minha voz. É preciso que as pessoas tenham noção da tensão social que vivemos onde as relações de opressão estão cada vez mais escancaradas e violentas.
Em todo esse desenrolar, eu me vi em muitos momentos me odiando. Me odiando por ser mulher, me odiando por um dia ter dado valor à minha voz. Me vi procurando esconderijos, me arrependendo de ter entrado na faculdade de Direito, de ter acreditado na minha força. Me detestei, senti asco de mim. Mas eu não sou assim. Eu sou mulher. Já nasci sentindo sobre mim o peso da opressão, do machismo, do medo frequente de ser violada e violentada. Eu sou forte, está na minha essência ter força. E é com essa força que eu escrevo esse texto.
Estejamos fortes e unidos. A situação não tende a ficar mais mansa ou fácil. Nós precisamos estar juntos. É essa união que vai criar rede de amor e uma barreira contra essas investidas violentas dos fascistas que nos cercam. Foi essa rede de amor e apoio que me manteve sã durante esse mês e é essa rede que vai nos manter vivos quando o sistema ruir. Porque esse sistema está, definitivamente, fadado ao fracasso.
Abrace e empodere sua voz.
Maria Clara Bubna
Rio de Janeiro, junho de 2014.
Fonte:  Dcm

terça-feira, 4 de março de 2014

CARTA ABERTA SOBRE OS EDITAIS DE OCUPAÇÃO DA FUNARTE

Ajudem a divulgar.
O descaso do Governo Federal com a Cultura não é novidade e vem de longe. Prova disso são os orçamentos irrisórios do Minc, a falta de planejamento e capacitação, a definição de prioridades equivocadas e, sobretudo, uma visão de cultura que desconhece ou minimiza a dimensão potencialmente emancipadora da arte e da cultura.
Neste momento, cabe denunciar a política desastrosa de ocupação dos espaços públicos geridos pelo Minc. Este Ministério, sem qualquer interlocução consequente com a sociedade, com os artistas e suas organizações de representação, nos impõe de cima para baixo editais de ocupações de espaços cênicos em diversas cidades brasileiras. Em poucas palavras: modelo de ocupação, critérios de seleção, formas de gestão e avaliação, dotação orçamentária, nada é debatido com o conjunto dos interessados. Não bastasse isso, exigências burocráticas bizantinas, como a imensa quantidade de cartas de anuência, atestam o desconhecimento da dinâmica cultural.
Qual a razão da introdução dessas normas que não constavam de outros editais da Funarte?
No edital de ocupação lançado no final de 2013, TODOS os projetos inscritos para a sala Carlos Miranda e para o Teatro de Arena Eugênio Kusnet foram inabilitados. A argumentação técnica, para a quase totalidade desses projetos, menciona a ausência de cartas de anuência de envolvidos nas atividades. Com a desqualificação de TODOS os projetos, e por conseguinte dos coletivos envolvidos, sem justificativa plausível, a Funarte expõe em público o seu descompromisso com um movimento artístico e cultural que atravessa décadas de formação, história e luta social. Mas como o que é ruim sempre pode piorar, as coisas não param aí. Ao invés de reconhecer questionamentos legítimos das categorias teatral e de dança, a Funarte relançou o edital mantendo as mesmas exigências e, num lance autoritário, sugeriu aos novos proponentes “a leitura atenta do edital”, entre outras recomendações que, na hipótese remota de terem alguma utilidade, fariam mais sentido para os burocratas da Funarte.
Duas grandes e importantes ocupações da sede da Funarte em São Paulo, em 2009 e 2011, mostraram que artistas e ativistas culturais, de horizontes e preocupações diversas, estavam fartos das arbitrariedades do governo em relação à gestão pública da cultura no Brasil. Hoje, a indignação aumenta com as constantes investidas do governo em prol da burocratização e da privatização e sucateamento da cultura e de seus espaços.
Ou a Funarte se emenda, reconhecendo e corrigindo seus equívocos ou vai ser lembrada de que a crítica é um dos motores da arte e da cultura, e que estas saberão defender-se contra a burocracia esterilizante e a política neoliberal. Iremos nos mobilizar sem trégua contra o autoritarismo e a burocratização que esvaziam a entidade e atentam contra a cultura e a arte, desvinculando-as de sua construção histórica e social.

RECUSA
Rede Cultural de Solidariedade Autônoma

São Paulo, fevereiro de 2014