sábado, 18 de outubro de 2014

Artistas e intelectuais manifestam apoio à Dilma 13

Colado de : http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/09/artistas-intelectuais-manifesto-apoio-dilma.html
Artistas e intelectuais divulgam manifesto pró-Dilma







Artistas e intelectuais afirmam que o Brasil nunca viveu um processo “tão profundo de mudança e de justiça social, assegurando os direitos daqueles que sempre foram abandonados”. Confira a lista completa dos apoiadores

artistas intelectuais dilma
Em carta, artistas e intelectuais afirmam que é preciso aprofundar as mudanças em curso no País e que não é hora de retomar políticas que só desoneram o povo brasileiro (Imagem: Pragmatismo Político)
Dezenas de artistas, intelectuais e jornalistas lançaram um manifesto em apoio a reeleição de Dilma Rousseff. A lista reúne nomes como os dos cantores e compositores Chico Buarque, Chico César, Alcione, Beth Carvalho e Leci Brandão. Atores como Osmar Prado, Paulo Betti, Matheus Nachtergaele, Chico Diaz, Sergio Mamberti, Silvia Buarque, Tonico Pereira, Hugo Carvana e Ângela Vieira e os escritores Luis Fernando Veríssimo, Fernando Morais, Leonardo Boff e Silvano Santiago, entre outros, também assinam o texto intitulado “A primavera dos direitos de todos: ganhar para avançar”.
“Os brasileiros decidem agora se o caminho em que o país está desde 2003 é positivo e deve ser mantido, melhorado e aprofundado, ou se devemos voltar ao Brasil de antes – o do desemprego, da entrega, da pobreza e da humilhação”, diz trecho do texto publicado no site manifesto.dilma.com.br(veja aqui a relação completa dos apoiadores de Dilma).
O manifesto afirma que nunca o país viveu um processo “tão profundo e prolongado de mudança e de justiça social, reconhecendo e assegurando os direitos daqueles que sempre foram abandonados”. Abandonar esse caminho para retomar fórmulas econômicas que protegem os privilegiados de sempre, segundo os signatários, seria um “enorme retrocesso”.
Os três presidenciais que despontam nas pesquisas têm buscado reunir o apoio de intelectuais e artistas. Na semana passada, o candidato Aécio Neves (PSDB) lançou um site com uma centena de apoiadores. Entre eles, acadêmicos e gestores com passagem pelo governo Fernando Henrique Cardoso.
Nesta segunda-feira (15) vários dos signatários do manifesto em favor da reeleição de Dilma vão se reunir no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro.
Leia abaixo o manifesto de artistas e intelectuais a favor de Dilma:
A primavera dos direitos de todos: ganhar para avançar
Os brasileiros decidem agora se o caminho em que o país está desde 2003 é positivo e deve ser mantido, melhorado e aprofundado, ou se devemos voltar ao Brasil de antes – o do desemprego, da entrega, da pobreza e da humilhação.
Nós consideramos que nunca o Brasil havia vivido um processo tão profundo e prolongado de mudança e de justiça social, reconhecendo e assegurando os direitos daqueles que sempre foram abandonados. Consideramos que é essencial assegurar as transformações que ocorreram e ocorrem no país, e que devem ser consolidadas e aprofundadas. Só assim o Brasil será de verdade um país internacionalmente soberano, menos injusto, menos desigual, mais solidário.
Abandonar esse caminho para retomar fórmulas econômicas que protegem os privilegiados de sempre seria um enorme retrocesso. O brasileiro já pagou um preço demasiado para beneficiar os especuladores e os gananciosos. Não se pode admitir voltar atrás e eliminar os programas sociais, tirar do Estado sua responsabilidade básica e fundamental.
O Brasil precisa, sim, de mudanças, como as próprias manifestações de rua do ano passado revelaram. Precisa, sem dúvida, reformular as suas políticas de segurança pública e de mobilidade urbana. Precisa aprofundar as transformações na educação e na saúde públicas, na agricultura, consolidando com ousadia as políticas de cultura, meio ambiente, ciência e tecnologia, e combatendo, sem trégua, todas as discriminações.
O Brasil precisa urgentemente de uma reforma política. Mas precisa mudar avançando e não recuando. Necessita fortalecer e não enfraquecer o combate às desigualdades. O caminho iniciado por Lula e continuado por Dilma é o da primavera de todos os brasileiros. Por isso apoiamos Dilma Rousseff.

PIG: Mostra tua cara! Crimes de Aécio que a imprensa e o eleitor não viu...

Colado de
http://www.viomundo.com.br/denuncias/rogerio-correia-se-o-gurgel-nao-abrir-inquerito-contra-o-aecio-estara-prevaricando.html 

Lemes: O balanço das denúncias contra Aécio que a mídia ignorou

publicado em 17 de fevereiro de 2013 às 18:26
aécio neves
por Conceição Lemes
Nos últimos dias, a Folha de São Paulo descobriu as três rádios – entre elas, a Arco-Íris –  e o jornal de Aécio Neves, candidato à presidência pelo PSDB, e  de sua família.
O jornal tentou, mas não conseguiu obter informações sobre quanto o governo de Minas gastou em publicidade nesses veículos.
Isso, no entanto, não é nenhuma novidade.
Desde 2011, o Viomundo denuncia a aplicação, via publicidade, de dinheiro de estatais mineiras e da administração direta estadual na rádio Arco-Íris e demais veículos de comunicação de Aécio Neves e família.
– Por que 2011?
Em 17 de abril de 2011, Aécio foi parado pela polícia numa blitz de trânsito no Leblon, cidade do Rio de Janeiro. Convidado a fazer o teste do bafômetro, ele se recusou. A carteira de habilitação, vencida, foi apreendida. Levou duas multas.
O carro em que o senador dirigia na hora da blitz — Land Rover TDV8 Vogue, ano 2010, placa HMA 1003, valor mercado R$ 255 mil, comprado após as eleições de 2010 — pertencia à rádio Arco-Íris, de Belo Horizonte (MG), cujos sócios são Aécio, a irmã Andrea e sua mãe, Inês Maria Neves Faria.
Durante todo o período em que Aécio governou Minas ( janeiro de 2003 a abril de 2010), sua irmã, Andrea Neves, comandou o Núcleo Gestor de Comunicação Social da Secretaria de Governo. Uma de suas funções era decidir sobre a alocação de recursos de toda a publicidade do Estado de Minas Gerais.
Ontem, no debate do SBT, Dilma questionou Aécio sobre o assunto duas vezes:
– Sua irmã era responsável por toda a verba destinada à publicidade, que foi para as rádios e os jornais que vocês têm em Minas.
– Quando a gente pergunta sobre os recursos passados às rádios e a um jornal mineiro que você tem em MG, não há transparência.  
Aécio não respondeu. Fez de conta que não era com ele.
Assim como mídia corporativa menosprezou essa e outras denúncias feitas e reiteradas desde  2011 em relação ao governo de Aécio Neves  (confira aqui, aqui e aqui).
Por isso, nós resgatamos agora – 17 de outubro, às 21h30 – a reportagem abaixo, que foi publicada em 17 de fevereiro de 2013. Nela, tratamos da Rádio Arco-Íris, Banjet, Oswaldinho, aplicação de verbas públicas em empresas da família, voos em jatinho do presidente da Codemig, suspeitas de ocultação de patrimônio e sonegação fiscal, blindagem.
***
 “Se o Gurgel não abrir inquérito contra o Aécio, estará prevaricando”

Em Minas, o ex-procurador Alceu Marques Torres arquivou duas representações  contra Aécio e Andrea Neves. Em 31 de maio de 2011, os deputados Rogério Correia, Sávio Souza Cruz e Antonio Júlio entregaram a Roberto Gurgel outra denúncia. Ela está na gaveta do procurador-geral da República há 22 meses e 17 dias

por Conceição Lemes
17 de abril de 2011. Madrugada de domingo, Leblon, Zona Sul carioca. O senador Aécio Neves (PSDB-MG), dirigindo uma Land Rover, é parado pela polícia numa blitz de trânsito. Convidado a fazer o teste do bafômetro, ele se recusa. A carteira de habilitação, vencida, é apreendida. Leva duas multas.


A partir daí, o poderoso bunker montado para protegê-lo foi sofrendo alguns abalos.
O Movimento Minas Sem Censura (MSC), bloco de oposição que reúne parlamentares do PT, PMDB, PCdoB e movimentos sociais, descobriu fatos até então desconhecidos. Além de denunciá-los publicamente, fez representações a várias instâncias, pedindo que fossem investigados.
Essas ações não deram em nada até agora.
Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), as tentativas para instalar CPIs não prosperaram. Lá, como em São Paulo, vige a lei da mordaça tucana.
Alceu José Marques Torres, procurador-geral da Justiça de Minas até início de dezembro de 2012, arquivou as duas representações feitas contra o senador, a irmã Andrea Neves e a rádio Arco-Íris.

“Como o procurador nada apurou, nós entramos com a segunda representação”, diz o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG), líder do MSC.
“O promotor João Medeiros Silva Neto, do Ministério Público do Estado de Minas, abriu inquérito para investigá-la. Porém, o doutor Alceu avocou para si o processo e arquivou. O então procurador-geral prevaricou.”
Em 31 de maio de 2011, Rogério e os colegas Luiz Sávio de Souza Cruz e Antônio Júlio, ambos do PMDB, foram a Brasília.
Entregaram pessoalmente a Roberto Gurgel representação denunciando Aécio e a irmã dele, Andrea Neves, por ocultação de patrimônio e sonegação fiscal. A representação está na gaveta do procurador-geral da República há 22 meses e 17 dias.
“Como em 2010 Aécio se tornou oficialmente sócio da rádio Arco-Íris, cujo valor de mercado é de R$ 15 milhões, se tinha patrimônio total declarado de R$ 617.938,42?”, questiona Sávio Souza Cruz, vice-líder do MSC.
“Como Aécio viajava para cima e para baixo em jatinho da Banjet, cujo dono preside a Codemig e é dono de empresas que prestam serviços ao governo de Minas? Por que Aécio indicou Oswaldinho para presidir a Codemig?”
Rogério Correia denuncia: “Há fortes indícios de ocultação de patrimônio e sonegação fiscal. Aécio se recusa a prestar esclarecimentos sobre o seu patrimônio. Andrea destinou dinheiro público para empresas da família. Isso é improbidade administrativa!”
“Em Minas, o Aécio tudo pode”, continua Souza Cruz. “Nós poderíamos ter copiado tantas coisas aprazíveis da Bahia, acabamos por reproduzir uma das menos positivas, o Aecinho Malvadeza.”
“Está tudo dominado”, ele sentencia. “A Assembleia Legislativa homologa tudo o que é do interesse do Aécio. O ex-procurador geral de Justiça de Minas virou o zagueiro do Aécio, nós passamos a chamá-lo de ‘Aéceu’.”
AS DENÚNCIAS MENOSPREZADAS PELA MÍDIA CORPORATIVA
Rádio Arco-Íris, Banjet, Oswaldinho, aplicação de verbas públicas em empresas da família, voos em jatinho do presidente da Codemig, suspeitas de ocultação de patrimônio e sonegação fiscal, blindagem.
Nenhuma dessas denúncias, praticamente desprezadas pela mídia corporativa, é novidade. Todas, desde 2011, têm sido feitas e reiteradas (confira aquiaqui e aqui).
O ponto de partida, relembramos, foi o flagrante do teste do bafômetro, em 17 de abril de 2011, na cidade do Rio de Janeiro.
O carro que o senador dirigia na hora da blitz — Land Rover TDV8 Vogue, ano 2010, placa HMA 1003, valor mercado R$ 255 mil, comprado após as eleições de 2010 — pertencia à rádio Arco-Íris, de Belo Horizonte (MG), cujos sócios são Aécio, a irmã Andrea e sua mãe, Inês Maria Neves Faria.
Há anos é propriedade da família Neves. Em 1987, o então deputado federal Aécio Neves ganhou a concessão para explorá-la do à época presidente da República José Sarney, atualmente senador.
Por coincidência, Aécio votou a favor da ampliação do mandato de Sarney para cinco anos, o que lhe valeu entre adversários a alcunha de “Aecinco”.
Antonio Carlos Magalhães, ministro das Comunicações naquele momento, assinou a outorga. Inicialmente a sede da emissora ficava em Betim, depois foi transferida para BH.

A matéria abaixo de Veja, publicada na seção Radar, em 1987, circulou muito após o teste do bafômetro. Ela diz que Aécio já seria proprietário de outras três rádios, em Cláudio, Formiga e São João Del-Rei. Investigação feita em 2011 revelou que oficialmente ele era sócio apenas da Arco-Íris. Estavam em nome de Andrea outra emissora e um jornal em São João Del-Rei.

Aécio, aliás, só passou a integrar legalmente a sociedade da rádio Arco-Íris dois meses após ser eleito senador.  Mais precisamente a partir de 28 de dezembro de 2010 com valor declarado à Junta Comercial de Minas Gerais de R$ 88 mil, o equivalente a 88 mil cotas. A mãe, dona Inês Maria Neves Faria, repassou-lhe a maior parte das suas.
Em consequência, as 200 mil cotas da empresa ficaram assim distribuídas:  Andrea, 102 mil (51%); Aécio, 88 mil (44%); e dona Inês Maria, 10 mil (5%).
Foi a sétima alteração contratual da empresa, que iniciou atividades em 1986. Abaixo a última página do contrato.

A rádio Arco-Íris, além da Land Rover, era proprietária em 2011 de outros 11 veículos registrados no Departamento de Trânsito de Minas (Detran-MG).
Dos 12 veículos, seis são carros de passeio de luxo, em geral não utilizados para fins empresariais.
Mais surpreendentes foram as frequentes autuações dos veículos da Arco-Íris no Estado do Rio de Janeiro.
Afinal, ela é retransmissora da rádio Jovem Pan FM, tem sede em BH, não possui departamento de Jornalismo e se atém a transmitir músicas para jovens.
As multas aplicadas em 2011 no Toyota Fielder (HEZ1502) e na Land Rover TDV8 Vogue (HMA 1003) decorreram de excesso de velocidade nas cidades de Búzios, Rio Bonito e Rio de Janeiro e em rodovias fluminenses.
A informação é do Detran-MG. Abaixo uma do Toyota Fielder (HEZ1502) .

MILAGRE DOS PEIXES 
Aécio governou Minas de janeiro de 2003 a abril de 2010. Durante os dois mandatos, a irmã Andrea comandou o Núcleo Gestor de Comunicação Social da Secretaria de Governo, criado por decreto em 3 de abril de 2003, pelo próprio governador.
O setor tinha as funções de:
1) coordenar, articular e acompanhar a execução de toda a política de comunicação social do Estado, inclusive a das secretarias, autarquias, empresas públicas e fundações estaduais;
2) decidir a alocação de recursos financeiros de toda a publicidade do Estado de Minas Gerais, sua administração direta e indireta, até mesmo das empresas controladas pelo poder público mineiro, bem como o patrocínio de eventos e ações culturais e esportivas.
De 2003 a 2010, as despesas com “divulgação governamental” somaram R$ 489 milhões. No primeiro mandato, foram R$ 157 milhões; no segundo, R$ 325 milhões, de acordo com o Sistema Integrado de Administração Financeira do Tesouro (Siafi).
Nesses valores não estão incluídos os gastos com publicidade de empresas públicas ou de economia mista controladas pelo Estado, como as companhias  Mineradora (Codemig), Energética (Cemig), Saneamento (Copasa) e Gás (Gasmig), assim como as do Banco de Desenvolvimento de Minas (BMDG) e Loteria estadual (LEMG). Eles totalizaram mais de R$ 325 milhões de 2003 a 2009, conforme o Tribunal de Contas do Estado.
Pois era Andrea quem orientava, determinava e supervisionava quanto, quando, como e onde aplicar todos esses recursos do Estado e suas empresas, diretamente ou via agências de publicidade.
No decorrer das gestões do irmão-governador, o seu núcleo aplicou, a título de publicidade, dinheiro de estatais mineiras e da administração direta estadual na rádio Arco-Íris e em outras empresas de comunicação dos Neves.
Exatamente quanto não se sabe, pois o ex-procurador-geral Alceu José Marques Torres nem ao menos  investigou quanto de dinheiro público a rádio Arco-Íris recebeu.
Por falar em patrimônio, em fins de 2010, quando Aécio passou a ser oficialmente sócio da rádio Arco-Íris, o capital social registrado não representava o valor real. Somente os 12 veículos em nome da empresa valiam aproximadamente R$ 714 mil em maio de 2011. Já o valor comercial da emissora, de acordo com fontes do mercado, era de aproximadamente R$ 15 milhões.
Contudo, no início de 2010, ao registrar a candidatura ao Senado, Aécio declarou à Justiça Eleitoral patrimônio total de R$ 617.938,42. Um decréscimo de cerca de 20% em relação ao de 2006. Apenas a parte dele no valor dos automóveis da rádio Arco-Íris seria de R$ 314 mil!  Um milagre dos peixes às avessas.
BANJET, CODEMIG, BANDEIRANTES, IM: RELAÇÕES FAMILIARES E COMERCIAIS
Em 2011, o Minas Sem Censura fez outra denúncia contra o senador tucano: Aécio usava gratuitamente os jatinhos da Banjet Taxi Aéreo Ltda, para deslocamentos no Brasil e exterior. “Uma cortesia da empresa”, justificou-se na época.
A Banjet fazia parte do grupo do extinto Banco Bandeirantes, sendo seus donos os empresários Clemente Faria e Oswaldo Borges da Costa Filho.
Oswaldinho (como Oswaldo Borges da Costa Filho é conhecido em Minas) é casado com Beatriz Faria Borges da Costa, filha do banqueiro Gilberto de Andrade Faria, que foi padrasto de Aécio. Gilberto, falecido em 2008, casou-se em segundas núpcias com dona Inês Maria, com quem viveu durante 30 anos.
Clemente, morto em acidente aéreo em julho de 2012, é o outro filho do primeiro casamento do banqueiro Gilberto Faria. Clemente, portanto, era cunhado do Oswaldinho, seu sócio na Banjet.
Pois Oswaldinho e Clemente eram sócios em outras empresas, entre elas a Star Diamante Ltda (nome fantasia Starminas), criada em setembro de 2003. Em 4 de fevereiro de 2004, Clemente transferiu todas as suas cotas para Oswaldo Borges da Costa Neto, que já era sócio, e Oswaldinho, a quase totalidade. Costa Neto é  filho de Oswaldinho e ficou com 259.999 cotas das 260 mil cotas da empresa. Abaixo fragmento da última página do contrato social de constituição dela.

A essa altura, Oswaldo Borges da Costa Filho  já presidia a Companhia Mineradora de Minas (Comig), como mostra nota publicada pelo jornal O Estado de Minas em 24 de setembro de 2003, página 17.

No final de 2003, a Comig teve nome e objeto social alterados para Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig).
Codemig é uma empresa pública e como tal o diretor-presidente deve ser eleito pelo seu conselho. Mas, na prática, é quem o governador indicar. Em 2003, com Aécio no poder, Oswaldinho  – genro do padrasto de Aécio – passou a presidir a Comig, depois a Codemig, cargo que ocupa até hoje.
Não haveria aí conflito de interesses?
Explico. A mineração é uma das áreas de atuação da Codemig. Além disso, Oswaldo Borges da Costa Filho era sócio ou integrava a diretoria de várias empresas, segundo levantamento feito na Junta Comercial de Minas Gerais em 16 de maio de 2011. Entre elas, a Minasmáquinas S/A e a Bamaq S/A – Bandeirantes Máquinas e Equipamentos, que também pertenceram ao grupo do extinto Banco Bandeirantes e mantêm relações comerciais com o Estado de Minas Gerais, segundo o bloco de oposição Minas Sem Censura.
Curiosamente, um dos endereços do liquidado Banco Bandeirantes — Avenida Rio de Janeiro, 600,  Belo Horizonte – era o mesmo da IM Participações e Administração Ltda.
Gilberto Faria, relembramos, era dono do extinto Banco Bandeirantes e foi padrasto de Aécio.
A IM, por sua vez, tem como sócios os irmãos Neves da Cunha — Aécio, Andrea e Ângela, a mais nova do clã.  A mãe é a administradora. Dona Inês Maria atuou também na gestão do Bandeirantes e foi sócia do marido, o banqueiro Gilberto Faria, em algumas empresas, como a Trevo Seguradora.
A investigação pedida pela oposição mineira poderia esclarecer, por exemplo, se houve alguma triangulação entre o Banco Bandeirantes e a IM.
ASSESSORIA DE AÉCIO: ”MOTIVAÇÃO MERAMENTE POLÍTICA”
Esta repórter buscou falar com o senador e a irmã, para saber o que teriam a dizer sobre as representações feitas contra ambos pelo Minas Sem Censura.
Foram muitos e-mails e telefonemas para o gabinete de Aécio, em Brasília, com a secretária driblando: “os assessores de imprensa estão em Minas”, “estou tentando contatá-los, mas não consigo”.
Até que, depois de muita insistência, veio esta resposta:
A assessoria do senador Aécio Neves informa que se trata de antigas iniciativas de dois deputados de oposição ao PSDB de Minas Gerais, amplamente noticiadas à época e sobre as quais foram prestados todos os esclarecimentos. É nítida a motivação meramente política das mesmas. Registre-se que uma delas chegou a ser apresentada por duas vezes, tendo sido, nas duas ocasiões, investigada e arquivada por falta de fundamento.
De Andrea, nenhum retorno. Em 2003, o então governador Aécio Neves nomeou-a para a presidência doServas (Serviço Voluntário de Assistência Social), cargo que ocupa até hoje. Está na terceira gestão. O site da entidade informa:
O Serviço Voluntário de Assistência Social – Servas é uma associação civil, de direito privado, sem fins econômicos, que tem como objetivo promover e executar ações sociais em Minas Gerais, dotado de autonomia administrativa, financeira e operacional. É reconhecido como entidade de utilidade pública nos níveis municipal, estadual e federal. Existe desde 1951.
Andrea Neves da Cunha permanece na presidência do Servas, de janeiro de 2011 até a presente data, dando continuidade aos programas já existentes, em parceria com o Governo de Minas, empresas e entidades de classe.
Após vários e-mails e telefonemas ao setor de Comunicação do Servas nos últimos 25 dias, a chefe do setor alegou: “Andrea está de férias, não posso encaminhar para ela”.
Em resposta a mais um e-mail enviado por esta repórter, ela respondeu nessa quinta-feira 14: “A senhora Andrea já retornou de férias, mas ainda não pude tratar com ela sobre seu pedido. Havendo um retorno, informo”.
DENÚNCIA CONTRA AÉCIO E ANDREA NA GAVETA DE GURGEL HÁ QUASE 23 MESES
Em 31 de maio de 2011, os deputados Sávio de Souza Cruz, Antonio Júlio e Rogério Correia entregaram nas mãos do procurador-geral da República, em Brasília, a representação contra Aécio e Andrea.
Gurgel fez questão de ir com os parlamentares até o setor de protocolo da Procuradoria Geral da República (PGR). Aí, a representação recebeu o número 1.00.000.006651/2011-19.
“Ligávamos de vez em para o setor de protocolo e a informação era de que não havia novidade”, diz  Correia. “Sabíamos apenas que a representação não havia sido arquivada nem inquérito aberto.”
“No dia 29 de janeiro, ligamos e nos disseram que no dia 18 de dezembro de 2012, a Coordenadoria de Comunicações Administrativas (CCA) remeteu a representação e um relatório para o doutor Gurgel”, acrescenta Correia. “Nos disseram que estão na mesa dele.”
Ao Viomundo, a Secretaria de Comunicação da PGR limitou-se a dizer antes do Carnaval: “O documento protocolado pelos deputados encontra-se em análise no gabinete do procurador-geral”.
Nesta sexta-feira 15, voltamos a contatar a Secretaria de Comunicação da PGR para saber se havia tido alguma mudança nesse período. A resposta foi “não“.
Fontes da própria PGR nos disseram que até 28 de janeiro de 2013 — portanto, um dia após Correia ligar para lá — não havia sido dado qualquer despacho na representação protocolada em 31 de maio de 2011, que continua na gaveta do procurador.
Oficialmente não é da alçada da CCA dar parecer jurídico sobre qualquer representação. É um setor grande da PGR. Aí, ficam expediente, protocolo, arquivo, publicação.
Além disso, mesmo não existindo arquivamento, o status da representação dos deputados mineiros contra Aécio e Andrea estava gravado como “arquivado” no sistema. Isso sempre acontece quando o processo está parado há mais três meses.
“Diante de todas essas denúncias, não há outra saída para doutor o Roberto Gurgel a não ser abrir inquérito junto ao STF contra Aécio Neves”, espera Rogério Correia. “Do contrário, ele estará prevaricando.” Sávio Souza Cruz afirma: “Espero que o procurador-geral da República cumpra a Constituição”.
A propósito. Enquanto a representação contra Aécio e Andrea Neves dorme há quase 23 meses na gaveta de Gurgel, ele decidiu, em cinco meses, o destino das acusações feitas em setembro de 2012 pelo publicitário Marcos Valério de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria recebido vantagens financeiras do esquema do mensalão.
No dia 6 de fevereiro, o procurador-geral resolveu mandar para Minas o processo. Nessa quinta 14, o Ministério Público Federal (MPF), em Belo Horizonte, recebeu o depoimento de Valério contra Lula.
“A denúncia de Marcos Valério, réu já condenado, querendo benefício para reduzir pena, foi rapidamente remetida ao MPF  para investigação”, compara Correia. ” Já a de duas bancadas, representando 19 deputados estaduais, contra Aécio e Andrea está sem nenhuma providência desde maio de 2011.”
“Parece que o Marcos Valério, como fonte de denúncia, tem mais credibilidade para o procurador-geral do que as bancadas estaduais de Minas dos dois maiores partidos do Brasil”, diz Sávio Souza Cruz. Correia finaliza: “É o cúmulo do partidarismo”.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Montezuma: Aécioporto em terreno de irmã! Pode isso M.P.???

miontezuma
Colado do blog Tijolaço: http://tijolaco.com.br/blog/?p=19333
Montezuma é uma pequena cidade no pobre Norte de MInas.
Tem, como se dizia no meu tempo, menos de oito mil almas: 7.900, segundo o IBGE.
Mas tem, também, a Perfil Agropecuária e Florestal, empresa de Aécio Neves e de sua irmã, Andréa Neves, da qual já eram sócios e, agora, herdeiros de seu pai, o ex-deputado Aécio Cunha.
Uma “terrinha” de apenas 950 hectares – ou 9.500.000 metros quadrados, ou 950 campos oficiais de futebol, para nós, urbanos, pouco acostumados a essas grandezas.
Ganha em usucapião do próprio Estado de Minas Gerais, onde eram devolutas.
O ex-Governador Newton Cardoso, o “Newtão”, tem negócios na região.
E, no seu governo, nos anos 80, mandou construir um aeroporto, de cascalho, para pequenos aviões pousarem na “cidade” de Montezuma.
Municipio que está em 438° lugar em população entre todas as municipalidades mineiras.
Pois não é que no Governo de Aécio Neves, aquela pista foi asfaltada para receber até mesmo jatinhos?
Não consegui apurar o valor da obra.
Mas achei uma foto da cabeceira da pista, já asfaltada, no site Em tempo real, de Luís Cláudio Guedes.
E a matéria no Diário Oficial de Minas Gerais comprovando que as obras foram feitas no governo Aécio Neves, pelo governo estadual.
Porque o aeroporto é municipal.
E, segundo o testemunho dos moradores, passa meses a fio fechado, sem receber um único avião.
Pobre Montezuma, não merecia essa maldição.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Universidades, recursos, escolas técnicas e financiamentos: só com presidência do PT




Assim postou Gabriela Lotta:
Muito orgulho de trabalhar nessa Universidade! A UFABC é tão nova, mas já é um sucesso e estamos fazendo história! E, vale lembrar, a UFABC é uma das 18 universidades federais criadas no governo do PT. Quer saber quantas foram criadas no governo do psdb? Nenhuma.... 
"Em 2012, entre as 2 mil instituições avaliadas pelo MEC, (a UFABC) foi uma das 27 que tiraram nota máxima. O estudo holandês Leiden Ranking of Brazilian Research Institutions and Universities analisou 60 universidades brasileiras e conferiu à UFABC o primeiro lugar em colaboração internacional e o segundo em quantidade de publicações entre os 10% mais citados em cada área."
http://jornalggn.com.br/noticia/a-revolucao-da-federal-do-abc#.VDT-OFdwRgs.facebook
Com oito anos de existência, a Universidade Federal do ABC (UFABC) é o primeiro caso de sucesso das novas universidades federais.
Com seu reitor alemão Klausn Capelli, a UFABC deverá se transformar em um divisor de águas do ensino e da pesquisa universitária, na passagem para o século 21.
A primeira revolução foi na estrutura interna.
As universidades tradicionais são divididas em departamentos acadêmicos, caixinhas fechadas, compartimentalizadas.
A UFABC inverteu a lógica. Os grandes problemas contemporâneos da ciência e da tecnologia e as demandas das empresas não se encaixam em caixinhas, diz Capelle. A Universidade precisa formar pessoas capazes de resolver problemas, o que passa por uma formação interdisciplinar.
Para tanto, a UFABC foi organizada em três grandes centros:
1.      Centro de Ciências Naturais e Humanas, a etapa da descoberta.
2.      Centro de Engenharia e Ciências Sociais, a etapa da invenção.
3.      Centro de matemática, computação e cognição, a etapa da análise.
***
Durante três anos o aluno receberá sólida formação interdisciplinar, generalista, aprendendo a aprender e sendo empreendedor de sua própria formação, como define Capelle. Por “empreendedor da própria formação”, significa que o aluno tem liberdade para montar sua própria grade.
Os alunos podem sair pelas duas portas de entrada, ou se dedicar a carreiras mais tradicionais: no total de 47 portas de saída, entre graduação e pós. Optando por ela, em dois anos sairá com diploma convencional, já que parte do ensino anterior vale como crédito.
***
Na UFABC o aluno é estimulado para a pesquisa desde o primeiro dia.
Mal ingressa na Universidade, o aluno é envolvido em projeto de pesquisa. A maioria não dispõe de informação suficiente para definir seu projeto. Mas irá se beneficiar da experiência em ambiente de pesquisa.
Anualmente, são concedidas centenas de bolsas para iniciantes, com o orçamento da própria universidade.
***
O pós-graduação tem um doutorado inovador, acadêmico-industrial.
Antes de montar o projeto, o aluno recebe uma bolsa CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisas) para passar seis meses em empresas conveniadas, buscando desafios científicos e tecnológicos dignos do doutorado.
Se identificar o projeto, ingressa no doutorado e o desenvolve em colaboração com a universidade inteira. O financiamento será integralmente bancado pelo CNPQ, sem desembolso por parte da empresa.
***
Em 2006 a UFABC foi inaugurada com 50 professores e 500 alunos, sem campus próprio. Oito anos depois, tem 552 professores, todos com título de doutor, 10 mil alunos, 26 cursos de graduação, 21 de pós, 2 campi próprios, 100 mil m2 de área construída e primeiro colocada em vários rankings.
Em 2012, entre as 2 mil instituições avaliadas pelo MEC, foi uma das 27 que tiraram nota máxima. O estudo holandês  Leiden Ranking of Brazilian Research Institutions and Universities analisou 60 universidades brasileiras e conferiu à UFABC o primeiro lugar em colaboração internacional e o segundo em quantidade de publicações entre os 10% mais citados em cada área.
***
Sem a abertura das novas universidades, o país continuaria preso à estratificação das universidades tradicionais.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Perseguição político-financeira a Festival de Teatro mais antigo do Brasil: FESTA 56

Os três textos que publicamos sobre o que está acontecendo em Santos ...
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Manifesto do Festival Santista de Teatro 02/09/2014
Em resposta ao posicionamento da administração municipal veiculado nos meios de comunicação do dia 1º de setembro, nós do Movimento Teatral da Baixada Santista, realizadores do FESTA, tornamos publicas as contradições explícitas no processo de realização deste festival.
O FESTA (Festival Santista de Teatro) - festival de teatro mais antigo do país, criado em 1958 por Patricia Galvão e historicamente realizado pelo Movimento Teatral - enfrenta uma serie de dificuldades para realizar sua edição neste ano, por conta da administração municipal. No dia 25 de agosto, fomos informados pelo senhor Secretário de Cultura que a verba do orçamento da Secretaria destinada ao Festival foi direcionada ao pagamento de outros eventos, tais como Festa Inverno e tendas de verão, restando ao FESTA apenas 4 mil reais (acompanhado de um pedido para não se levar a público tal situação).
Somado a isso, tínhamos uma emenda parlamentar do deputado Estadual Luciano Batista encaminhado à realização do FESTA 56 (processo este todo documentado), cuja verba foi redirecionada - sem conhecimento do Movimento – para realização de um outro evento da própria Secretaria.
Após mobilização da classe artística, mediante tais fatos, nos foi oferecida, há 2 semanas da realização do Festival a quantia de 50 mil reais. No entanto, já não havia mais tempo hábil para prosseguir com o cronograma planejado (pela inviabilização logística da produção).
Nós, Movimento Teatral, nos vimos obrigados a redesenhar o formato do FESTA 56, sem deixar de levar à público o descaso com o qual esta administração vem tratando a cultura de um modo mais amplo.
Podemos citar:
- o atraso constante no pagamento dos professores da Escola de Artes Cênicas Wilson Geraldo e de grande parte dos funcionários da Secretaria de Cultura;
a não publicação do Edital FACULT em 2013;
a ausência de um Coordenador do segmento teatral no quadro da secretaria;
o Curta Santos, que enfrenta situação similar ao FESTA, com 50 mil reais subtraído de seu orçamento;
o processo obscuro dentro do Conselho Municipal de Cultura para a regulamentação das Oss;
a falta de uma política cultural concreta.
Não podemos admitir que a realização de um Festival de tantos anos seja negligenciada. Ficamos indignados com o pronunciamento mentiroso do senhor Secretário de Cultura, em rede social que, mesmo estando antecipadamente ciente da posição do Movimento apresentada nesta carta, declarou que o Festa seria realizado com aporte financeiro da Prefeitura e omitiu todo o contexto aqui apresentado.
O dinheiro não compra a legitimidade da arte pública!
Assumiremos o caráter de resistência cultural.
O FESTA não morrerá!
Movimento Teatral da Baixada Santista.
2
COMUNICADO DO MOVIMENTO TEATRAL DA BAIXADA SANTISTA 10/09/2014
Nós, do Movimento Teatral da Baixada Santista, vimos a público reafirmar as questões colocadas no Manifesto publicado em 2 de setembro, tratando da ausência de políticas culturais na cidade e os equívocos no processo da realização do FESTA 56 por parte da Secretaria Municipal de Cultura de Santos, e também esclarecer publicamente novas colocações inverídicas do jornalista e atual secretário de Cultura de Santos, Raul Christiano.
Em relação à questão da emenda parlamentar do Deputado Luciano Batista destinada ao FESTA 56, o Sr. Secretário de Cultura afirmou publicamente que a mesma nunca existiu e que tudo não passou de um “mal entendido” do Movimento Teatral, por considerar uma emenda do FESTES (Festival de Teatro de Estudantes de Santos) como se fosse do FESTA.Conforme comprova a documentação em anexo, o Secretário não só tinha ciência da existência de uma emenda para o FESTA como também da existência de outra, esta sim destinada ao FESTES. Portanto, verifica-se a existência de DUAS emendas diferentes, sendo uma para cada Festival, ambas destinadas à Secretaria de Cultura de Santos, conforme publicado no jornal informativo do deputado.
Em relação à emenda da deputada Telma de Souza, há 3 anos a mesma é destinada a Mostra Regional do FESTA chamada MOTIM, realizada em diversas cidades da região, com o conhecimento da Secretaria de Cultura.
O Secretário também falta com a verdade quando afirma que 50 mil reais era o valor planejado e informado à organização do Festival. Isto não corresponde com a realidade dos fatos: a partir de uma reunião no começo do ano com o Prefeito, contando com a presença do Secretário de Cultura, foi acordado que a Prefeitura faria um aumento progressivo da verba destinada ao Festival, sendo o valor de 70 mil reais o acertado para este ano. No entanto, em reunião efetuada no dia 25/08 o Secretário afirmou que não haveria aumento na verba como ainda o valor disponível para o FESTA 56 era de apenas 4 mil reais (já que todo o restante do valor destinado para o FESTA pela SECULT fora utilizado para o pagamento de gastos com eventos da Secretaria de Cultura). Diante das alegações por parte do Movimento de que os prazos para a realização do Festival estavam se esgotando, o Secretário se comprometeu a resolver a situação no mesmo dia, pedindo para que não se publicizasse este imbróglio com os recursos da Prefeitura destinados ao FESTA. Nos dias seguintes, não tivemos nenhum retorno do Secretário. Foi somente no dia 29/08, após movimentação da classe artística e a necessidade de cancelamento dos compromissos em torno do FESTA 56, que obtivemos alguma resposta do Secretário. Neste processo, identificamos que o problema vai além de questões orçamentárias. O problema não é dinheiro. É um problema de gestão. É um olhar limítrofe para com a cultura. É falta de respeito.
Estes pontos acima citados são apenas alguns aspectos do histórico de uma gestão mal conduzida, frágil e mal intencionada. Talvez o Secretário de Cultura desconheça as diretrizes de sua Pasta no plano de governo, onde consta o compromisso de “garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso democrático às fontes de cultura, assim como apoiar e incentivar a valorização e a difusão de suas manifestações, com prioridade para as diretamente ligadas à história de Santos, à sua comunidade e aos seus bens”.
Por fim, retomamos os pontos do Manifesto de 2 de setembro que continuam sem resposta:
- o atraso constante no pagamento dos professores da Escola de Artes Cênicas Wilson Geraldo e de grande parte dos funcionários da Secretaria de Cultura;
-a não publicação do Edital FACULT (Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes) em 2013;
-a ausência de um coordenador para o segmento teatral no quadro da Secretaria;
-o Curta Santos, que enfrentou situação similar ao FESTA;
-o processo obscuro dentro do Conselho Municipal de Cultura para a regulamentação das OSs (Organização Social);
-a falta de uma política cultural concreta.
Diante do silêncio do Secretário de Cultura Raul Christiano em relação a estas questões, seguimos no aguardo de um posicionamento por parte da Prefeitura.
O dinheiro não compra a legitimidade da arte pública!
Assumiremos o caráter de resistência cultural.
O FESTA não morrerá!
Movimento Teatral da Baixada Santista
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INTENÇÃO POLÍTICA SIM, MAS NÃO PARTIDÁRIA.
Não somos filiados e nem fazemos campanha para partidos políticos. Somos sim, a favor de políticas públicas nas áreas da Cultura, Educação e tantas outras. Mas especificamente da Cultura porque é a área onde atuamos. Estaremos sempre dispostos a lutar por aquilo que acreditamos e apoiar quem realmente queira fazer um trabalho sério dentro da pasta. Queremos politicas públicas reais e não oba oba de turista que está de passagem pelo cargo de Secretário e que não possui o mínimo de conhecimento em gestão cultural. A Cultura de Santos rejeita esse tipo de político, que é jogado de um lado para outro dentro do próprio partido, sem a menor competência administrativa ou conhecimento da pasta que ocupa ou ocupará.
Somos profissionais e somos independentes! O FESTA – Festival Santista de Teatro é organizado por profissionais reconhecidos dentro da cidade, no estado e no país. Nos seus 56 anos de existência sempre foi e continuará sendo organizado e produzido pelo Movimento Teatral. Quem não é profissional da Cultura é você, Secretário Raul Christiano, que foi colocado na pasta sem o mínimo de conhecimento que um gestor deve ter. Você entende de política velha, arbitrária, de criação de factoides, de justificativas cínicas, de argumentos mentirosos e dissimulados.
A sua resposta em relação à emenda é digna de pena, não convenceu, ou melhor, convence apenas seus puxa-sacos que ocupam cargos dentro da secretaria e recebem por cachês. “Respondi que sabia. Talvez tenha me precipitado...” - Não! Você não se precipitou! Você já sabia desde o ano passado que havíamos feito o pedido de emenda. Você já sabia da emenda na reunião que fizemos em janeiro. Em abril apenas te informamos que tinha saído. “Quando falei com a Secretaria de Estado da Cultura, havia só a emenda do Festes, e comuniquei isso”. – Você só comunicou na segunda quinzena de agosto. De abril a agosto temos 3 meses de distância.
Mas, para o Movimento, a emenda é apenas um ponto, secretário! Vamos falar da gestão, da falta de política pública, das promessas não cumpridas, do Plano Municipal de Cultura que até hoje não foi feito e por isso estamos atrás de cidades menores que já estão dentro do PNC – Plano Nacional de Cultura. Do CMC – Conselho Municipal de Cultura, que possui a maioria de funcionários da Secult, o que vai contra as exigências do PNC. Vamos falar sobre o CEU das Artes que por causa de membros do Movimento não se perdeu 4 milhões do governo federal para a sua construção e você nem sabia da existência do projeto e que agora, paralela as obras, deveria ser feita a mobilização social e a equipe de gestão. Vamos falar sobre o Facult que não saiu ano passado e até agora a justificativa não convenceu. E agora, por pressão, resolveram soltar o resultado da edição deste primeiro semestre. Rosinha Mastrângelo que está com sua abertura sendo adiada a cada semestre. Dos projetos que começaram e não houve continuidade. O alto número de funcionários comissionados da pasta recebendo por cachê e onerando ainda mais a folha de pagamento, verdadeiros aspones. Funcionários de outras pastas sendo pagos pela Secult. A falta de pagamento de professores da EAC que também tem um plano pedagógico ineficiente e você nada faz. O cargo de coordenador de teatros vago há mais de ano. A imposição das OSs numa votação obscura no CMC. O FESTA que foi negligenciado e agora você quer dialogar, sendo que o Movimento durante todo esse tempo buscou exatamente o diálogo, mas foi tratado sem o menor respeito.
Assumiremos o caráter de resistência cultural.
O FESTA não morrerá! A Secretaria de Cultura de Santos vai ter um gestor digno da pasta!
FORA RAUL!!
Movimento Teatral da Baixada Santista.
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.496270890475516.1073741829.223397641096177&type=1

sábado, 19 de julho de 2014

EMBARGO MILITAR A ISRAEL defendido por PRÊMIOS NOBEL, ARTISTAS E INTELECTUAIS PÚBLICOS

Colado de: http://juntos.org.br/

Israel, mais uma vez, desencadeou toda a força de seu exército contra a população palestina em cativeiro, particularmente na sitiada Faixa de Gaza, em um ato desumano e ilegal de agressão militar. O atual ataque israelense em Gaza já matou muitos civis inocentes, causou centenas de feridos e devastou infraestrutura civil, incluindo o setor de saúde, que foi severamente danificado.
A capacidade de Israel para lançar este tipo de ataque devastador com impunidade deriva, em grande parte, da vasta cooperação militar internacional e comércio de armas que Israel mantém com governos cúmplices em todo o mundo.
Durante o período de 2008 a 2019, os Estados Unidos pretendem fornecer ajuda militar a Israel no valor de 30 bilhões de dólares, enquanto vendas militares israelenses anuais mundiais chegam a bilhões de dólares. Nos últimos anos, os países europeus têm exportado armas para Israel no valor de bilhões de euros e a União Europeia financiou as empresas militares israelenses e universidades com bolsas de pesquisa militares no valor de bilhões euros.
As economias emergentes, como Índia, Brasil e Chile, aumentam rapidamente o seu comércio e cooperação militar com Israel, apesar de afirmarem que apoiam os direitos dos palestinos.
Importando e exportando armas para Israel e facilitando o desenvolvimento de tecnologia militar israelenses, governos estão de fato enviando uma mensagem clara de aprovação da agressão militar de Israel, incluindo os seus crimes de guerra e possíveis crimes contra a humanidade.
Israel é um dos principais produtores e exportadores de drones militares do mundo. A tecnologia militar de Israel, desenvolvida para manter décadas de opressão, é comercializado sob a classificação de “testada no campo” e é exportado em todo o mundo.
O comércio militar com Israel e as relações de pesquisa militar conjunta incentivam a impunidade de Israel enquanto comete violações graves do direito internacional e facilitam a consolidação de um sistema israelense de ocupação, colonização e negação sistemática dos direitos dos palestinos.
Apelamos às Nações Unidas e governos de todo o mundo a tomarem medidas imediatas para aplicar um abrangente e juridicamente vinculativo embargo militar contra Israel, semelhante ao embargo imposto à África do Sul durante o apartheid.
Governos que expressam sua solidariedade com a população palestina em Gaza, a mais atingida pelo militarismo, as atrocidades e a impunidade de Israel, devem começar a cortar todos os laços militares com Israel. Os palestinos hoje precisam da solidariedade efetiva não caridade.
Assinam:
Adolfo Peres Esquivel, Premio Nobel da Paz, Argentina
Ahdaf Soueif , Escritor, Egito/RU
Ahmed Abbas, Acadêmico, França
Aki Olavi Kaurismäki , cineasta, Finlândia
Alexi Sayle, Comedian, RU
Alice Walker, Writer, EUA
Alison Phipps, Acadêmico, Escócia
Andrew Ross, Acadêmico, EUA
Andrew Smith, Acadêmico, Escócia
Arch. Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz, África do Sul
Ascanio Celestini, ator e escritor, Itália
Betty Williams, Prêmio Nobel da Paz, Irlanda do Norte
Boots Riley, Rapper, poeta e produtor, EUA
Brian Eno, Compositor/músico, RU
Brigid Keenan, Escritor, RU
Caryl Churchill, dramaturgo, RU
China Mieville, Escritor, RU
Chris Hedges , Journalista, Prêmio Pulitzer 2002, RU
Christiane Hessel, , França
Cynthia McKinney, Política, ativista, EUA
David Graeber, Acadêmica, RU
David Palumbo-Liu, Acadêmica, US
Eleni Varikas, Acadêmica, França
Eliza Robertson, Escritora
Elwira Grossman, Acadêmica, Escócia
Etienne Balibar, filósofa, França
Federico Mayor Zaragoza,ex-diretor-geral da UNESCO , Espanha
Felim Egan, Pintor, Irlanda
Frei Betto, Teólogo da Libertação, Brasil
Gerard Toulouse, Acadêmico, França
Ghada Karmi , Acadêmica , Palestina
Gillian Slovo, Escritora, ex-presidente do PEN (UK), RU/África do Sul
Githa Hariharan, Escritora, Índia
Giulio Marcon, Acadêmico, Itália
Hilary Rose, Acadêmica, RU
Ian Shaw, Acadêmico, Escócia
Ilan Pappe, Historiador, escritor, Israel
Ismail Coovadia, ex-embaixador israelense na África do Sul
Ivar Ekeland, Acadêmico, França
James Kelman, Escritor, Escócia
Janne Teller, Escritor, Dinamarca
Jeremy Corbyn, Membro do Parlamento, RU
Joanna Rajkowska, Artista, Polônia
Joao Felicio, Presidente da União Internacional das Federações Sindicais, Brasil
Jody Williams, Nobel da Paz, EUA
John Berger, artista, RU
John Dugard, magistrado, África do Sul
John McDonnell, Membro do Parlamento (Trabalhistas), RU
John Pilger, jornalista e cineasta, Austrália
Judith Butler, Acadêmica, filósofa, EUA
Juliane House, Acadêmica, Alemanha
Karma Nabulsi, Oxford University, RU/Palestina
Keith Hammond, Acadêmica, Escócia
Ken Loach, cineasta, RU
Kool A.D. (Victor Vazquez), Músico, EUA
Liz Lochhead, poeta e dramaturga, RU
Liz Spalding, Escritor,
Luisa Morgantini, ex-vice-presidente do Parlamento Europeu, Itália
Mairead Maguire, Nobel da Paz, Irlanda
Marcia Lynx Qualey, Blogueira e crítica literária, EUA
Michael Lowy, Acadêmico, França
Michael Mansfield, Advogado, RU
Michael Ondaatje, Escritor, Canadá/Sri Lanka
Mike Leigh, escritor e diretor, RU
Mira Nair, cineasta, Índia
Monika Strzępka, diretora de teatro, Polônia
Naomi Wallace, Dramaturga, roteirista, poeta, US
Nathan Hamilton, Poeta ,
Noam Chomsky, Acadêmico, escritor, EUA
Nur Masalha, Acadêmico, RU/Palestina
Nurit Peled, Acadêmico, Israel
Paola Bacchetta, Acadêmico, RU
Phyllis Bennis, analista político, comentarista, EUA
Prabhat Patnaik, Economista, Índia
Przemyslaw Wielgosz, Editor-chefe do Le Monde Diplomatique, edição polonesa, Polônia
Rachel Holmes, Escritora, RU
Raja Shehadeh, Escritor e advogado, Palestina
Rashid Khalidi, Acadêmico, escritor, Palestina/EUA
Rebecca Kay, Acadêmico, Escócia
Richard Falk, Former UN Special Rapporteur on Occupied Palestinian Territories, EUA
Rigoberta Menchú, Nobel da Paz, Guatemala
Robin D.G. Kelley, Acadêmico, EUA
Roger Waters, Músico, RU
Robin Yassin-Kassab, Escritor, RU
Roman Kurkiewicz, jornalista, Polônia
Ronnie Kasrils, ex-ministra do governo Mandela, África do Sul
Rose Fenton, Diretor, diretor do Free Word Centre, RU
Sabrina Mahfouz, escritor, RU
Saleh Bakri, Ator, Palestina
Selma Dabbagh, Escritor, RU/Palestina
Sir Geoffrey Bindman, Advogado, RU
Slavoj Zizek, Filósofo, escritor, Eslovênia
Sonia Dayan-Herzbrun, Acadêmica, França
Steven Rose, Acadêmica, RU
Tom Leonard, escritor, Escócia
Tunde Adebimpe, Músico, EUA
Victoria Brittain, dramaturga e jornalista, RU
Willie van Peer, Acadêmico, Alemanha
Zwelinzima Vavi, Político, África do Sul
Carta publicada no The Guardian – http://www.theguardian.com/world/2014/jul/18/arms-trade-israel-attack-gaza – e tradução retirada da Folha.

sábado, 12 de julho de 2014

Sionismo = Nazismo: "Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?"


Colado de :
 
Redação Pragmatismo
 

O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças

Por Eduardo Galeano
Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.
eduardo galeano gaza israel
Eduardo Galeano: “Este artigo é dedicado a meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latinoamericanas que Israel assessorou”

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.

Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.
Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.
Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.
Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente ao País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?
O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.
E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada “comunidade internacional”, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?
Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.
Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinas, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antisemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.

terça-feira, 1 de julho de 2014

O ir e vir de uma palhaça assassinada e seu algoz P.M.


O assassino já está em liberdade...

http://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2014/06/justica-concede-liberdade-provisoria-pm-que-disparou-contra-motocicleta.html?utm_source=g1&utm_medium=email&utm_campaign=sharethis


ADVOGADO DA FAMÍLIA QUE ACOMPANHA O CASO, ESSA É A VERDADE (LINK ABAIXO):

''Não podemos entender como "tragédia". A palavra nos remete a casualidade. O policial fez a mira e atirou. Não foi casualidade. Não houve troca de tiros, não houve perseguição, houve uma mira e um tiro. Os fatos serão "esclarecidos".

http://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2014/06/advogado-nega-que-condutor-tenha-tentado-fugir-de-bloqueio-policial.html
 

Colando de: http://ponte.org/a-morte-da-palhacinha/

A morte da palhacinha


Presidente Prudente - Cerca de 200 pessoas, a maioria jovens com os narizes pintados de vermelho, como palhaços, compareceram ao cemitério de Rancharia, interior de São Paulo, no sábado (28 de junho), para se despedir da jovem atriz e produtora cultural Luana Carlana de Almeida Barbosa, a Lua, morta na véspera por tiro desferido por um policial militar.
Lua, que na vida de circo era conhecida como a palhaça Meia Lua Quebrada, tinha recém-completado 25 anos. No caixão, o corpo dela também estava com o nariz pintado de vermelho.lua4a
O jogo do Brasil contra a seleção do Chile ainda não tinha começado, quando o amigo Luis Valente puxou o “Ale Hop” , expressão usada pelos artistas circenses para indicar o início de um número. Repetido o grito por todos os que choravam no velório, o caixão já estava sendo fechado sob uma salva de palmas, quando a irmã de Lua, Nara, 21 anos e portadora de síndrome de Down, gritou: “Viva o Brasil”. Não era uma ironia.
A morte de Lua aconteceu na sexta-feira, por volta das 9h30, quando ela, na carona de uma moto, passava por bloqueio policial montado na avenida Joaquim Constantino, em Presidente Prudente. A motocicleta era pilotada pelo namorado de Lua, Felipe Barros, de 29 anos. Segundo a polícia, Felipe não teria obedecido à ordem de parada, avançando contra a barreira. No boletim de ocorrência, consta que a moto andou 300 metros antes de parar.
A versão do cabo Marcelo Coelho, que fez o disparo, é que foi tudo um acidente. Para ele, que trabalha há 23 anos na Polícia Militar, o capacete do piloto bateu em sua mão, provocando o tiro. O soldado foi detido no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. Por poucas horas.foto 3 copy
Autuado em flagrante, o cabo foi solto no domingo por um habeas corpus. Até a conclusão do inquérito, ficará encarregado de trabalhos administrativos no 18o. Batalhão da Polícia Militar de Presidente Prudente.
“Querem agora culpar o Felipe, mas está claro que a culpa é de quem puxou o gatilho Não quero culpar toda a instituição, mas cabe a ela dar uma resposta ao assassinato da minha filha”, disse Marcos de Almeida Barbosa, 56 anos, pai de Luana e secretário de Cultura de Rancharia.
Sorrisos
Olhos verdes, cabelo liso, magra, dentes bonitos, vegetariana, Lua não parava nunca. “Era alegre, artista, viva, pessoa do bem, positiva”, descreve o amigo e ator Tiago Munhoz. Estava sempre trabalhando. “Desde assessoria até lavar o banheiro, ela topava tudo –sempre com um sorriso no rosto”, lembra o amigo e ator Luis Valente.
Formada em Artes Cênicas pela Escola Técnica da Universidade Federal do Paraná, Lua fez curso técnico para produção de cinema e vídeo. Atualmente cursava Produção de Eventos na Fatec de Presidente Prudente.
Era atriz e produtora cultural na Federação Prudentina de Teatro e Artes Integradas. Na pele da palhaça Meia Lua Quebrada, atuava no grupo de Circo de Rua Os Mamatches, além de dar aulas no Circo-Escola, que rodava as cidades da região de Prudente. A atividade era voltada principalmente às crianças.
“Não consigo pensar nos Mamatches sem ela. Como continuar, não sei…”, lamenta Camila Peral, amiga e componente do coletivo de artistas. “Todos os trabalhos que tínhamos, todas as dúvidas, era a ela que nós consultávamos”, disse.
Família
Luana sempre gostou de ler. Fez balé quando criança e aos 12 anos entrou em um grupo de teatro de Rancharia chamado Pé na Estrada. Ali, descobriu sua paixão. Aos 17 anos, saiu de casa para estudar em Curitiba.
“Claro que tive medo. Mas era o sonho dela, então a deixamos ir. O maior prazer da vida dela era estar entre as crianças, por isso escolheu ser palhaça. O riso das crianças era o combustível da vida dela”, lembra o pai.
Luana e Nara eram muito apegadas. A família não sabe como Nara vai reagir ao desaparecimento da irmã. Quando Luana estava em Rancharia, elas ficavam grudadas. E, de vez em quando, Luana levava Nara pra casa dela em Prudente também, para passar o final de semana.
Quanto ao Felipe, eles estavam juntos há alguns meses. Estudavam e tinham projetos de trabalhar em um espetáculo de Mamulengo. Todos dizem que eles se completavam.
Na última quinta-feira, foi aniversário de 25 anos de Luana. Mas não houve festa. Durante todo o dia, ela e o namorado trabalharam na organização da festa junina da Federação Prudentina, que estava marcada para acontecer na sexta-feira à noite. Não deu tempo. A morte alcançou-a antes.
Sem punição
Os amigos não acreditam em punição severa ao policial que fez o disparo. Perguntado se acredita que será feita Justiça, Luis Valente responde logo: “Não. A Polícia Militar é muito corporativista. Não quero generalizar, mas a responsabilidade é da instituição”.
Para Camila Peral, amiga e componente dos Mamatches, o policial veio da calçada com a arma apontada para o casal, o dedo no gatilho. “Ele assumiu o risco de matar. Esse policial acabou com a vida da Luana, do Felipe, com a vida da família da Luana e acabou com a nossa vida também. E agora ela não vai voltar. O Estado dá a arma na mão de quem não sabe o que fazer com ela, de alguém que mata qualquer um.”
Segundo Tiago Munhoz, 36, ator, “não havia nenhuma denúncia, nem ocorrência que pudesse colocar a polícia em alerta e fazê-la reagir dessa forma truculenta. Isso demonstra um despreparo sem tamanho. Foi uma morte banal, um absurdo. Cabe a mim usar a arte para discutir o que aconteceu. Não sei o que posso fazer, mas eu vou fazer as pessoas refletirem.”
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que abriu inquérito e tem 40 dias, prorrogáveis por mais 20, para finalizá-lo. A arma foi apreendida e deve passar por perícia.
“Ale Hop”