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quarta-feira, 18 de março de 2015

15 de Março de 2015 – um dia para se lembrar (embora fosse muito melhor esquecer...)

Texto de Matheus José Maria - repórter fotográfico.

Certos dias você já sabe como serão só pela forma que eles começam.
Saindo de Santos para ir realizar a cobertura do protesto contra a presidente Dilma, já no carro conheci um garoto que estava indo também, mas com o propósito de protestar. Não vou discordar do direito dele fazer isso – algo incontestável -, mas não perderei muito tempo nessa história já que em um dado momento da conversa ele diz “Vamos tirar a Dilma e, se o Maluff se candidatar eu voto nele, porque ele rouba, mas pelo menos faz”.
Acho que isso diz muito sobre o povo brasileiro e seus costumes... Enfim, que o Maluff não se candidate novamente.
Bom, eis que chego em São Paulo e a rodoviária do Jabaquara já está tomada por gritos, apitos e camisas da CBF (nem durante a copa vi tantos “torcedores” juntos) que se dirigiam aos gritos em direção ao metrô.
Entro, com dificuldade no vagão lotado e dentro dele, os gritos de Dilma filha da puta, vai tomar no cú se fazem ouvir em alto e bom som.
Desço na estação Praça da Árvore para encontrar outro amigo e também fotojornalista, o Gabriel Chaim. Do momento em que desci e ele chegou, passaram três outras composições até que entramos em outro vagão, mas com o mesmo recheio.
Crianças carregadas pelos pais, idosos com os rostos pintados e usando todo o vocabulário adquirido ao longo de suas vidas e garotas desfilando a última moda em questão de protestos (uma camiseta coberta de lantejoulas que formavam a bandeira do Brasil). Quando chegamos à estação Paraíso, onde descemos para trocar de metrô e seguir em direção a Av. Paulista, eis que escuto a frase de um senhor de cabelos brancos: “Hoje não deviam cobrar o metrô. Deveria ser catraca livre!” Isso me fez pensar de imediato nos protestos contra os 0,50 centavos onde os manifestantes foram recriminados exatamente por pedir a mesma coisa.
Trocamos de linha e seguimos até chegar à estação Trianon – Masp e já de dentro da estação era possível escutar o barulho da manifestação.
A Avenida Paulista estava completamente tomada, era gente chegando de todos os lados e ocupando toda sua extensão.
Se locomover era extremamente difícil e com um pouco de esforço consegui subir em um trio-elétrico para ter uma visão melhor da extensão do protesto. Era um mar nas cores verde e amarelo que me fez pensar em que tipo de associação fizeram essas pessoas, para destacar seu patriotismo, usar a camisa da seleção brasileira, ligada a CBF que também é um ícone da corrupção nacional.
Em cima do trio elétrico, encontro outro fotojornalista famoso que escreve para uma coluna em um grande jornal de São Paulo que sorria satisfeito e me disse “Que lindo isso”. Ao lado, duas pessoas vestidas com roupas de presidiário e máscaras do Lula e da Dilma montaram uma grade de madeira e simulavam a prisão dos dois.
Desci do trio e segui pelo meio da multidão.
Várias mãos carregando latas de cerveja. Corpos sarados desfilando sem camisa exibindo a última tatuagem feita. Rostos maquiados e cabelos bem cuidados. Abercombrie, La Coste, D&G, Apple e outras marcas. Selfies em todos os lugares, poodles e outras raças de pequeno porte no colo. Estou dizendo que todos eram assim? Não, não estou. Seria uma leviandade achar que posso generalizar um movimento com tantas pessoas, mas me atrevo a dizer que era uma grande parte, senão a maioria.
Ao caminhar escutava as coisas mais absurdas e aqui, reproduzo algumas frases que ouvi:
- “ O que falta para tomarmos uma atitude? Esperar que vaze um vídeo de sexo com crianças? Não, isso não vai aparecer então temos que agir ” – Um manifestante do alto do trio-elétrico falando sobre a necessidade de agir contra o PT.
- (som de aplausos conforme policiais da tropa de choque passavam e eram saudados com continências por alguns manifestantes) – “ Isso é um exemplo de protesto direito, feito de forma ordeira e pacífica “ – Resposta de um policial quando perguntei o que ele achava disso.
- “ Tira essa mochila vermelha, tá querendo apanhar comunista? – Manifestante nitidamente alcoolizado (e segurando uma lata de cerveja nas mãos) gritando para uma pessoa que passou por ele, sem camisa, mas com uma mochila nas cores vermelha e preta.
- “ Fiz uma aposta com um amigo e disse que não acreditava que fosse ter tanta gente assim no protesto. Perdi com prazer e agora devo a ele um jantar em Punta del Este. “ – Manifestante falando ao microfone, em cima de um trio-elétrico.
- “A Dilma com certeza cortou o 3G para não deixar falar dela “ – Fala de um manifestante irritado por não conseguir conectar seu celular.
Essas falas e demonstrações mostram o tom que predominava nessa manifestação.
Continuando a circular, me deparo com um grupo de adolescentes segurando um cartaz onde era feito um agradecimento ao exército pelo golpe de 1964 e por isso, ter livrado o Brasil da ameaça comunista. Eu tenho quase 36 anos e sei muito pouco a respeito da ditadura militar, mas o pouco que sei me faz temer e repudiar seu retorno e assim eu pergunto: O que garotos, cuja maior preocupação deve ser qual o novo modelo de celular vai ser lançado e não tem mais que 16 anos, sabem sobre isso?
Mais a frente, uma bagunça em uma esquina e me aproximando vejo Danilo Gentilli, fazendo a festa dos fãs com fotos, selfies, beijos e abraços.
Que fique claro, mais uma vez, que isso foi o que eu vi e não uma generalização impossível de se fazer dado o número de pessoas que lá estavam.
Encontramos com outro colega fotojornalista (Wesley Passos) que junto de nós, seguiu até a rua da Consolação.
Nela, ouviam-se as buzinas de diversos caminhões que aderiram ao protesto e manifestavam sua opinião e apoio aos manifestantes.
Descendo pela rua, vi o que, para mim, foi a cena mais bizarra, triste e revoltante de todo o ato.
Em uma ocupação localizada na Consolação, um grupo de moradores fixaram uma faixa com os dizeres: Que os ricos paguem pela crise. Total apoio à greve dos (as) professores (as). Nenhuma menção ao PT, à presidente Dilma, à Petrobrás, enfim, nenhuma declaração de apoio aos monstros que estavam sendo caçados pela população ali presente.
Isso bastou para que ofensas tais como vagabundos, petistas, miseráveis, bandidos, pobres, filhos do bolsa miséria, filhos da puta e outros fossem dirigidas a eles. No grupo que ali parou havia idosos, jovens, mulheres e skin heads. Uma das manifestantes gritando que eles gostavam de mamar nas tetas do governo tirou seu seio e gritou para que então, mamasse ali. Um dos skin heads socou a porta de aço da casa e desafiou os fotógrafos a fotografá-lo. Enquanto isso, eu, o Chaim e o Wesley, junto de mais outro fotógrafo e dois jovens que ali estavam, nos posicionamos na porta da casa de modo a evitar uma possível tentativa de invasão. Alguns manifestantes chegavam perto e gritavam outras ofensas e os desafiavam a sair lá de dentro e encará-los.
Porque? A luta pela moradia e o apoio aos professores é um crime tão grande que justifica essa ação tão cheia de ódio? Talvez seja o corporativismo já que ali, provavelmente, várias pessoas eram donas de seus próprios imóveis e, como um jovem gritou “aí não é casa de vocês, não invadam o que é dos outros”.
Continuando pela rua, parecia que o grupo de pessoas havia se tornado um touro furioso, que investia contra qualquer pessoa que tivesse a ousadia de colocar uma bandeira vermelha na janela de seu apartamento. De imediato pensei em um touro correndo atrás da bandeira, pronto a atacar sem sequer saber por que fazia isso exatamente.
“Pula, pula, pula!!!!” era o que eles gritavam. Uma divergência política foi o suficiente para desejar a morte a um completo desconhecido.
Essa parte do protesto seguiu e se encerrou na Praça da República, onde pessoas estenderam faixas azuis, verdes e amarelas pela avenida. Dizem que outros grupos se espalharam por outros pontos de São Paulo e pouco a pouco foram indo embora até que a cidade voltou a ter sua respectiva coloração cinza concreto.
Gostaria de deixar claro que esse é um relato completamente pessoal, baseado no que eu vi e destacando as coisas que mais me chocaram no ato deste domingo 15 de março. Foi um protesto pacífico? Sim, até onde eu sei não houve incidentes envolvendo violência física ou depredação. Mesmo sendo nitidamente um protesto composto por uma parcela mais abastada da sociedade, não questiono em momento algum o direito deles irem às ruas e defendo a liberdade deles se manifestarem, mas é preciso que se preste atenção na ausência de uma consciência política embasada, do ódio cego e seletivo – afinal, o cartel do metrô tá aí. Ops não tá mais, foi arquivado – dirigido à apenas uma pessoa, partido, cor ou extrato social.
Se eu concordo com as reinvidicações? Não com as que eu vi ali, mas concordo com a necessidade de ser feita justiça ou, pelo menos, se fazer valer a justiça no país, de forma igualitária.

E se não ficou claro o que eu penso sobre esse protesto eu digo: Não penso nada, vou tentar esquecer...

sábado, 19 de julho de 2014

EMBARGO MILITAR A ISRAEL defendido por PRÊMIOS NOBEL, ARTISTAS E INTELECTUAIS PÚBLICOS

Colado de: http://juntos.org.br/

Israel, mais uma vez, desencadeou toda a força de seu exército contra a população palestina em cativeiro, particularmente na sitiada Faixa de Gaza, em um ato desumano e ilegal de agressão militar. O atual ataque israelense em Gaza já matou muitos civis inocentes, causou centenas de feridos e devastou infraestrutura civil, incluindo o setor de saúde, que foi severamente danificado.
A capacidade de Israel para lançar este tipo de ataque devastador com impunidade deriva, em grande parte, da vasta cooperação militar internacional e comércio de armas que Israel mantém com governos cúmplices em todo o mundo.
Durante o período de 2008 a 2019, os Estados Unidos pretendem fornecer ajuda militar a Israel no valor de 30 bilhões de dólares, enquanto vendas militares israelenses anuais mundiais chegam a bilhões de dólares. Nos últimos anos, os países europeus têm exportado armas para Israel no valor de bilhões de euros e a União Europeia financiou as empresas militares israelenses e universidades com bolsas de pesquisa militares no valor de bilhões euros.
As economias emergentes, como Índia, Brasil e Chile, aumentam rapidamente o seu comércio e cooperação militar com Israel, apesar de afirmarem que apoiam os direitos dos palestinos.
Importando e exportando armas para Israel e facilitando o desenvolvimento de tecnologia militar israelenses, governos estão de fato enviando uma mensagem clara de aprovação da agressão militar de Israel, incluindo os seus crimes de guerra e possíveis crimes contra a humanidade.
Israel é um dos principais produtores e exportadores de drones militares do mundo. A tecnologia militar de Israel, desenvolvida para manter décadas de opressão, é comercializado sob a classificação de “testada no campo” e é exportado em todo o mundo.
O comércio militar com Israel e as relações de pesquisa militar conjunta incentivam a impunidade de Israel enquanto comete violações graves do direito internacional e facilitam a consolidação de um sistema israelense de ocupação, colonização e negação sistemática dos direitos dos palestinos.
Apelamos às Nações Unidas e governos de todo o mundo a tomarem medidas imediatas para aplicar um abrangente e juridicamente vinculativo embargo militar contra Israel, semelhante ao embargo imposto à África do Sul durante o apartheid.
Governos que expressam sua solidariedade com a população palestina em Gaza, a mais atingida pelo militarismo, as atrocidades e a impunidade de Israel, devem começar a cortar todos os laços militares com Israel. Os palestinos hoje precisam da solidariedade efetiva não caridade.
Assinam:
Adolfo Peres Esquivel, Premio Nobel da Paz, Argentina
Ahdaf Soueif , Escritor, Egito/RU
Ahmed Abbas, Acadêmico, França
Aki Olavi Kaurismäki , cineasta, Finlândia
Alexi Sayle, Comedian, RU
Alice Walker, Writer, EUA
Alison Phipps, Acadêmico, Escócia
Andrew Ross, Acadêmico, EUA
Andrew Smith, Acadêmico, Escócia
Arch. Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz, África do Sul
Ascanio Celestini, ator e escritor, Itália
Betty Williams, Prêmio Nobel da Paz, Irlanda do Norte
Boots Riley, Rapper, poeta e produtor, EUA
Brian Eno, Compositor/músico, RU
Brigid Keenan, Escritor, RU
Caryl Churchill, dramaturgo, RU
China Mieville, Escritor, RU
Chris Hedges , Journalista, Prêmio Pulitzer 2002, RU
Christiane Hessel, , França
Cynthia McKinney, Política, ativista, EUA
David Graeber, Acadêmica, RU
David Palumbo-Liu, Acadêmica, US
Eleni Varikas, Acadêmica, França
Eliza Robertson, Escritora
Elwira Grossman, Acadêmica, Escócia
Etienne Balibar, filósofa, França
Federico Mayor Zaragoza,ex-diretor-geral da UNESCO , Espanha
Felim Egan, Pintor, Irlanda
Frei Betto, Teólogo da Libertação, Brasil
Gerard Toulouse, Acadêmico, França
Ghada Karmi , Acadêmica , Palestina
Gillian Slovo, Escritora, ex-presidente do PEN (UK), RU/África do Sul
Githa Hariharan, Escritora, Índia
Giulio Marcon, Acadêmico, Itália
Hilary Rose, Acadêmica, RU
Ian Shaw, Acadêmico, Escócia
Ilan Pappe, Historiador, escritor, Israel
Ismail Coovadia, ex-embaixador israelense na África do Sul
Ivar Ekeland, Acadêmico, França
James Kelman, Escritor, Escócia
Janne Teller, Escritor, Dinamarca
Jeremy Corbyn, Membro do Parlamento, RU
Joanna Rajkowska, Artista, Polônia
Joao Felicio, Presidente da União Internacional das Federações Sindicais, Brasil
Jody Williams, Nobel da Paz, EUA
John Berger, artista, RU
John Dugard, magistrado, África do Sul
John McDonnell, Membro do Parlamento (Trabalhistas), RU
John Pilger, jornalista e cineasta, Austrália
Judith Butler, Acadêmica, filósofa, EUA
Juliane House, Acadêmica, Alemanha
Karma Nabulsi, Oxford University, RU/Palestina
Keith Hammond, Acadêmica, Escócia
Ken Loach, cineasta, RU
Kool A.D. (Victor Vazquez), Músico, EUA
Liz Lochhead, poeta e dramaturga, RU
Liz Spalding, Escritor,
Luisa Morgantini, ex-vice-presidente do Parlamento Europeu, Itália
Mairead Maguire, Nobel da Paz, Irlanda
Marcia Lynx Qualey, Blogueira e crítica literária, EUA
Michael Lowy, Acadêmico, França
Michael Mansfield, Advogado, RU
Michael Ondaatje, Escritor, Canadá/Sri Lanka
Mike Leigh, escritor e diretor, RU
Mira Nair, cineasta, Índia
Monika Strzępka, diretora de teatro, Polônia
Naomi Wallace, Dramaturga, roteirista, poeta, US
Nathan Hamilton, Poeta ,
Noam Chomsky, Acadêmico, escritor, EUA
Nur Masalha, Acadêmico, RU/Palestina
Nurit Peled, Acadêmico, Israel
Paola Bacchetta, Acadêmico, RU
Phyllis Bennis, analista político, comentarista, EUA
Prabhat Patnaik, Economista, Índia
Przemyslaw Wielgosz, Editor-chefe do Le Monde Diplomatique, edição polonesa, Polônia
Rachel Holmes, Escritora, RU
Raja Shehadeh, Escritor e advogado, Palestina
Rashid Khalidi, Acadêmico, escritor, Palestina/EUA
Rebecca Kay, Acadêmico, Escócia
Richard Falk, Former UN Special Rapporteur on Occupied Palestinian Territories, EUA
Rigoberta Menchú, Nobel da Paz, Guatemala
Robin D.G. Kelley, Acadêmico, EUA
Roger Waters, Músico, RU
Robin Yassin-Kassab, Escritor, RU
Roman Kurkiewicz, jornalista, Polônia
Ronnie Kasrils, ex-ministra do governo Mandela, África do Sul
Rose Fenton, Diretor, diretor do Free Word Centre, RU
Sabrina Mahfouz, escritor, RU
Saleh Bakri, Ator, Palestina
Selma Dabbagh, Escritor, RU/Palestina
Sir Geoffrey Bindman, Advogado, RU
Slavoj Zizek, Filósofo, escritor, Eslovênia
Sonia Dayan-Herzbrun, Acadêmica, França
Steven Rose, Acadêmica, RU
Tom Leonard, escritor, Escócia
Tunde Adebimpe, Músico, EUA
Victoria Brittain, dramaturga e jornalista, RU
Willie van Peer, Acadêmico, Alemanha
Zwelinzima Vavi, Político, África do Sul
Carta publicada no The Guardian – http://www.theguardian.com/world/2014/jul/18/arms-trade-israel-attack-gaza – e tradução retirada da Folha.

sábado, 12 de julho de 2014

Sionismo = Nazismo: "Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?"


Colado de :
 
Redação Pragmatismo
 

O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças

Por Eduardo Galeano
Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.
eduardo galeano gaza israel
Eduardo Galeano: “Este artigo é dedicado a meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latinoamericanas que Israel assessorou”

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.

Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.
Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.
Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.
Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente ao País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?
O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.
E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada “comunidade internacional”, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?
Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.
Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinas, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antisemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.

terça-feira, 19 de julho de 2011

KASSAB confisca carroças de coletores de recicláveis!!!! Aí não dá...

De: Secretaria Estadual MNCR SP


Companheiros(as)
Recebemos uma ligação DENUNCIANDO que a CGM está com ordem da Prefeitura de São Paulo para confiscar Carroças de catadores em situação de rua. Já são vários casos de violação de direitos.
A queixa veio dos próprios funcionários da Prefeitura que trabalham atendendo população de rua e presenciam a violação de direitos humanos. A ordem é denominada 'Procedimento Padrão'.

Favor ajudar a circular essa denúncia.

--
Secretaria Estadual MNCR - SP
Movimento Nacional dos Catadores - MNCR
Tel.: (11) 3341-0964
www.mncr.org.br

MNCR
rua Vergueiro, 2.551
Vila Mariana, São Paulo - SP
CEP 04101-200

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Serra, por que tanto ódio aos pobres? É fascista?


Não tem limites o ódio de Serra aos pobres, universitários, policiais, funcionários públicos em geral e doentes. Isso em qualquer país seria crime de nazi-fascismo. É que depois de atacar a educação, o transporte e a segurança, Serra toma uma medida privatizante nos hospitais do SUS! Agora, pobres vão concorrer com pessoas que pagam convênios, que utilizarão a infra-estrutura pública, pelo privada. Vai vender os leitos, como se estivessem sobrando, faltando doentes, por pura intenção de lucro empresarial.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Nazismo: professores morrem para não elevar índices de decreto de Serra !


Absurdo!
A Secretaria de Educação divulga os índices mais enganosos possíveis! Serra decretou que o professor não pode ter mais que uma falta médica ao mês, e nem mais de seis ao ano. Os professores podem estar morrendo, mas têm seu salário (merreca) descontado se precisar retornar ao médico ou precisar de outra consulta no mesmo mês. Isso faz com que aumente as faltas comuns e diminua as faltas médicas, já que estão proibidas, as justificativas(eu mesmo tive duas, com atestado, negadas na escola) pelo ditador Serrote, mas claro, a propaganda só mostra o quanto deu certo as medidas autoritárias do Fürher.
Veja abaixo a enganação ou no em www.educacao.sp.gov.br

Quinta- feira, 06 de Agosto de 2009 15h30
Faltas médicas de professores caem 22% no 1º semestre

Redução é resultado da lei que limita em seis o número de ausências médicas anuais

No primeiro semestre de 2009, a Secretaria de Estado da Educação registrou queda de 22% no número de faltas médicas dos professores em relação ao mesmo período, no ano passado.

De acordo com um balanço que acaba de ser finalizado pela Pasta, entre janeiro e junho deste ano foram contabilizadas 133.356 faltas médicas. Nos seis primeiros meses de 2008, o número de ausências por atestados médicos foi de 169.405.

O estudo ainda aponta números anteriores a Lei Complementar 1041/2008, que limitou em seis faltas anuais. Antes de a legislação estadual entrar em vigor, a Secretaria registrava cerca de 30 mil faltas diárias de professores (12,8% dos cerca de 230 mil professores da rede), amparadas em 19 dispositivos legais que garantiam que não houvesse desconto em folha de pagamento.

Usando todos os dispositivos legais, era possível que um professor trabalhasse apenas 27 dos 200 dias letivos de um ano. "A presença diária do professor em sala de aula é ponto essencial para o bom desempenho dos alunos", afirma o secretário Paulo Renato Souza.

O número de faltas afeta diretamente no valor do bônus pago anualmente pela Secretaria de Estado da Educação aos profissionais.

Faltas por atestado médico

Ano/ 1º semestre
Faltas

2007
282.441

2008
169.405

2009
133.356