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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ironia, violência e desrespeito às leis: é a PM paulista em mais um ato. SOMOS CONTRA O AUMENTO DA TARIFA DE ÔNIBUS!

Fonte do Vídeo: Passa Palavra

Fonte do texto: Vermelho

 Truculência em SP: polícia atacou estudantes já na dispersão

Quinta-feira, às 17 horas, Praça dos Ciclistas (esquina das avenidas Consolação com Paulista): o segundo ato público contra o aumento da tarifa de ônibus na cidade de São Paulo, que passou R$ 2,70 para R$ 3.

Por Conceição Lemes, no blog Viomundo

O primeiro, na última quinta-feira, reuniu cerca de mil manifestantes e acabou reprimido pelo Polícia Militar. Trinta e uma pessoas foram detidas e, pelo menos, dez ficaram feridas.

“Os detidos já foram liberados”, informa ao Viomundo a estudante de Direito Nina Cappello, do Movimento Passe Livre. “Por enquanto nenhum foi indiciado, não teve nenhuma acusação específica, foi só para averiguação. Quanto aos feridos, dois fizeram boletim de ocorrência e um realizou exame de corpo de delito.”

Nina é estudante de Direito, pertence ao Movimento Passe Livre e foi a responsável pela negociação com a Polícia Militar durante a manifestação.

Viomundo: As imagens iniciais mostram um ambiente tranqüilo. O que aconteceu?
Nina Cappello: Inicialmente a manifestação estava indo bem, mesmo. Trocaram três vezes o comandante militar da operação. Na terceira, quando assumiu o tenente Siqueira, o diálogo diminuiu bastante. Os policiais queriam que a gente liberasse uma faixa de trânsito. Mas, como tinha muita gente, foi difícil conter o pessoal. Uma pessoa foi detida e o problema começou. Acho, no mínimo, irônico, que uma manifestação pela melhoria do transporte público deva priorizar respeitar o espaço dos carros.

Viomundo: O que você fez na hora em que houve a primeira prisão?
Nina Cappello: Tentei conversar com os policiais que estavam com o manifestante detido. Eles foram logo me dizendo: “Acabou o diálogo, olha o tipo de pessoa que vocês trazem pra manifestação”. Aí, um policial jogou spray de pimenta no rosto de um manifestante que estava questionando a detenção.

O que a gente viu em seguida foi uma ação quase que irracional — aliás, muito racional para dispersar a manifestação — de todos os policiais, que passaram a atirar bombas e balas de borracha no meio da manifestação. Engraçado que o discurso deles era de que a gente precisava liberar uma faixa de trânsito, porque eles estavam ali para nos proteger e não queriam que fôssemos agredidos pelos carros. Só que os próprios PMs nos agrediram.

Viomundo: O que te impressionou mais?
Nina Cappello: A perseguição aos manifestantes que começou no centro da cidade após a dispersão, ou seja, o ato público já havia acabado . Em alta velocidade, carros de polícia passaram a percorrer o trajeto da manifestação – Praça da República – Câmara Municipal – Teatro Municipal –, em busca de pessoas que viram no ato.

Viomundo: A manifestação já não havia acabado?
Nina Cappello: Tinha. Mas dois grandes enquadros absolutamente casuais foram feitos após o final da manifestação.

Viomundo: O que é um enquadro?
Nina Cappello: A polícia para a pessoa para revistar. A manifestação já tinha acabado e a PM parou, aleatoriamente, dois grupos de manifestantes para revistar. Aí, 30 foram detidos. Nós chegamos a nos concentrar novamente na Xavier de Toledo, para prosseguir até a Câmara dos Vereadores, que era o local definido como final do ato, mas voltamos para tentar impedir um enquadro.

Infelizmente o resultado foi outro. Mesmo com pontos de ônibus lotados, mais bombas e balas de borracha foram lançadas, além de agressão física direta àqueles aqueles que entravam nos locais próximos para se proteger. Todos os detidos foram levados para o 3º Distrito Policial para averiguação. O despreparo da Polícia Militar nas detenções e na recusa de diálogo ficou evidente.

Viomundo: Mas vocês derrubaram um “posto de observação” da PM e quebraram vidros da loja de uma galeria?
Nina Cappello: A repressão teve início antes desses incidentes. Eles ocorreram quando o pessoal estava fugindo das bombas. Evidentemente não defendemos tais atitudes, mas elas foram reflexo da revolta com a repressão após a manifestação. É bom ressaltar que as armas utilizadas pelos policiais são absolutamente inapropriadas. Por exemplo, o gás pimenta é proibido contra civis pela Convenção de Genebra. Mas, aqui no Brasil, é largamente utilizado em manifestações públicas. As bombas de efeito moral, que deveriam ser lançadas, no mínimo, a 30 metros das pessoas, foram jogadas no meio da manifestação.

Viomundo: Olhando as fotos, vi policiais sem identificação. Isso é normal?
Nina Cappello: Policiais não podem andar sem identificação. Pela nossa experiência, quando os vemos tirando a identificação ou sem ela, já sabemos que provavelmente haverá repressão. Ficar sem identificação é o primeiro passo. Isso dificulta as nossas denúncias, pois a Corregedoria da PM não toma nenhuma atitude se não identificarmos os policiais agressores. Aliás, a maioria dos policiais que agrediram estava sem identificação.

Isso sem falar que várias pessoas que estavam fotografando a manifestação foram obrigadas, pelos policiais, a apagar as imagens. Um dos detidos teve seu cartão de memória esvaziado. É uma pena tanta disposição para reprimir uma manifestação cuja causa diz respeito a todos nós.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Cadê o dinheiro do Metrô?? Alguém viu 1,3 bi??

Fonte: www.tarifazero.org

A urgência da notícia me obriga ir direto ao ponto, sem rodeios: o Jornal da Tarde de 26 de abril (segunda-feira) informa que o Governo do Estado de São Paulo deixou de investir R$ 1,3 bilhão na expansão da rede de metrô da capital paulista em 2009.

Segundo as informações obtidas no próprio site do Programa de Expansão SP, o montante previsto paras as obras metroviárias era de R$ 3,3 bilhões. No entanto, a prestação de contas divulgada no Diário Oficial do Estado pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) indica até o momento foram aplicados R$ 2 bilhões.

Levando em conta os dados aqui apresentados, restam algumas questões a serem respondidas.

Em primeiro lugar, quais foram as obras e trechos prejudicados devido a essa contenção de recursos? A Linha 5-Lilás foi a principal afetada pela redução dos investimentos. Os números destacam que o trecho deixou de receber R$ 1 bilhão – cerca de 80% da verba estimada. Isso mesmo: 80% não foi investido! Em decorrência disso, as Estações Adolfo Pinheiro e Brooklin-Campo Belo, que segundo as previsões da Companhia seriam inauguradas ainda este ano, são prometidas agora apenas para 2011.

E não foi só a Linha 5 que teve seus recursos contingenciadas. O atraso nas obras e a falta de investimento total previsto também ocorreu na Linha 4-Amarela – que, segundo as informações obtidas também no diário oficial, contou com um investimento de R$ 699 milhões, cerca de 20% a menos do que estava previsto pelo planejamento do Programa Expansão SP. É mole?! Assim, as já alardeadas estações Faria Lima e Paulista, que deveriam estar em operação e funcionamento integral desde março, ainda não foram abertas ao público.

Por fim, a prestação de contas do Metrô também relatou que a Linha 6-Laranja não recebeu o investimento de R$ 70 milhões que estavam no orçamento para a continuidade das obras. Quanto dinheiro parado, não é!?

Já a Linha 2-Verde recebeu integralmente os recursos que estavam previstos. Que bom...

Bem... Não é bem assim... Na verdade, mesmo com o repasse e utilização da verba prevista, o cronograma desse trecho também está atrasado! Segundo as informações obtidas do planejamento do próprio Programa Expansão SP, as Estações Tamanduateí e Vila Prudente deveriam ter sido inauguradas em março. No entanto, até aqui, sua abertura foi adiada para junho! Ainda pior é a situação da extensão da linha até o bairro de Cidade Tiradentes, via monotrilho, que recebeu apenas R$ 50 milhões dos R$ 228 milhões orçados.

Diante de tamanho atraso na inauguração dos trechos e na abertura de estações, somado aos investimentos contingenciados para a concretização das obras, qual a justificativa apresentada pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) para esses fatos?

Pois é, caros e caras amigas... O Metrô de SP não é muito de falar... – exceção seja feita e lembrada pelas centenas de propagandas nas TVs, Jornais e Estações (quanto dinheiro!) para propagandear suas iniciativas.

Com efeito, a Companhia do Metropolitano de São Paulo informou que não houve falta de recursos nas obras de expansão do sistema. Na verdade, segundo a empresa, a redução dos investimentos foi ocasionada pelo atraso nas obras da Linha-5 – previstas para serem iniciadas no começo do ano passado. Só no mês de Agosto de 2009 é que as obras tiveram seu ponta-pé inicial.

Daí fica a sugestão de charada implícita na fala da Companhia do Metrô: o atraso das obras atrasa os investimentos... e o atraso nos investimentos atrasa as obras...

Claro que não se pode ser injusto: as obras do metrô demandam fortes investimentos, planejamento e envolvem inúmeras questões para seu equacionamento e execução.

A referida ampliação da Linha 5-Lilás, por exemplo, vem passando por vários contratempos desde o início. Assim, a demora e dificuldade para realizar as desapropriações nas áreas correspondentes aos canteiros de obras, somado ao recente rompimento dos cabos de fibra ótica da Telefônica, em Santo Amaro (Zona Sul da cidade de São Paulo), certamente são fatores importantes a serem levados em conta. Agora o Metrô aposta todas as suas fichas na liberação de empréstimos de US$ 1,13 bilhão (US$ 650,4 milhões do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento/Bird e US$ 481 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento/BID) para a continuidade das obras.

O Metrô ainda afirmou, em nota oficial, que as obras previstas não podem ser consideradas de forma pontual. Assim, o cronograma pode variar “em aproximadamente cinco meses para mais e um para menos” – sem que isso caracterize, segundo a empresa, em atraso ou descumprimento da entrega.

O problema, cara (desde a tarifa) Companhia do Metrô, é que as obras estão atrasadas a décadas! Não somente essas, do Plano de Expansão. Mas sim todas as inciativas e planejamentos que previam, há mais de 30 anos, a ampliação e priorização do transporte coletivo sobre trilhos!

No entanto, ainda mais uma questão fica no ar: as obras atrasam... o Governo do Estado deixa de investir mais de um bilhão... mas, a tarifa dos trens e do metrô aumentou novamente – e rapidinho! Isso parece nunca atrasar! Nunca ninguém esquece de tratar o transporte como uma mercadoria!

Como já falei por aqui em outra postagem, o alardeado Programa de Expansão dos metrôs e trens pode estar significando, de fato, uma verdadeira expansão das tarifas, da exclusão do transporte coletivo e da desigualdade social em nossa cidade.

Nesse contexto, cada vez mais, os serviços públicos de transporte e mobilidade urbana acabam por ser pensados e encarados concretamente a partir da lógica de seu equilíbrio financeiro – e, ainda mais, do lucro que visam obter. Nesse caso, o transporte coletivo está longe de ser público de verdade.

Assim, é possível concluir que a notícia alardeada – R$ 1,3 bilhão que deixaram de ser investidos na expansão do metrô – se insere numa concepção atual de transporte coletivo vigente em nossas cidades. Uma concepção que, como já afirmei aqui em outra oportunidade, está claramente na contramão dos interesses e anseios da maioria da população que utiliza cotidianamente esse transporte. Na verdade, esse é um transporte que não garante nossos direitos (de estudar, trabalhar, ir ao cinema, ao teatro, ver a família e amigos, se movimentar por nossa cidade, enfim) – mas sim que causa todos os dias stress, atrasos, desconforto (vejam só essa foto do post!) e dificuldade para pagar seu alto preço.

Mas, precisa ser assim? Não tem outro jeito? Devido a extensão dessa postagem, prefiro deixar para falar mais sobre isso – um outro transporte possível – numa próxima oportunidade (assim, também, aproveito e falo mais – e contextualizo melhor – sobre a política atual do Governo do Estado de São Paulo para os trens e metrôs).

Com efeito, textos pensando e ações que apontam para uma outra concepção de transporte coletivo já existem. Fica a sugestão de vocês visitarem as seções do sítio www.tarifazero.org Aproveitem!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Todos contra Kassab??? Quantos atos haverão????

Cerca de mil manifestantes se concentraram nesta quinta-feira (14) em frente ao Teatro Municipal (centro) para protestar contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo (de R$ 2,30 para R$ 2,70).

A passagem de ônibus municipal em São Paulo passou a custar R$ 2,70 e a integração com o metrô, R$ 4. A mudança foi efetuada no dia 4 deste mês. O aumento de 17,4% foi anunciado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) no dia 20 de dezembro de 2009.

Este é o primeiro reajuste desde novembro de 2006 e está acima da inflação de 15,9%, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

A prefeitura informou que o reajuste segue a inflação acumulada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Outras justificativas para o aumento foram melhorias, como a ampliação do período de uso do bilhete de duas para três horas.

domingo, 10 de janeiro de 2010

TAXAB, além de transporte impagável, população leva cassetada na cabeça!

Fonte: Tarifa Zero

Protesto contra aumento da passagem de ônibus termina com três detidos e feridos em SP

Três manifestantes foram detidos e vários ficaram feridos após a Polícia Militar intervir em um protesto realizado nesta quinta-feira (7) contra o aumento da passagem de ônibus municipal em São Paulo. Entre os detidos, que foram encaminhados ao 1º DP (Sé), está uma menor de idade, segundo relato de uma manifestante que participou do protesto.

Cerca de 500 pessoas ligadas a diversos grupos, partidos políticos e movimentos sociais articulados na Rede Contra o Aumento da Tarifa iniciaram o protesto pelas ruas do centro por volta de 17h30. Eles são contrários ao reajuste de R$ 2,30 para R$ 2,70 na tarifa, o que representa uma variação de 17,39%, autorizado pelo prefeito Gilberto Kassab.

De acordo com a manifestante, o grupo queria levar o protesto para dentro do Terminal Parque Dom Pedro, um dos maiores e mais movimentados da cidade, mas a PM impediu. A multidão tentou dar a volta no terminal para entrar no local por outro acesso. Um grupo pequeno conseguiu acessar o terminal, mas a maior parte permaneceu do lado de fora.

Ainda segundo a manifestante, que preferiu não se identificar, nesse momento policiais militares começaram a agredir os manifestantes com cassetetes. Depois, de acordo com ela, chegaram os policiais da Tropa de Choque e da Força Tática da PM, que utilizaram bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar o protesto. O movimento não soube precisar a quantidade de feridos, mas há relatos de dezenas deles.

Por meio de sua assessoria, a PM diz que se utilizou da força para conter um princípio de tumulto, mas não soube precisar o que os manifestantes estavam fazendo no momento em que os policiais partiram para cima da multidão.

A PM diz que os três manifestantes foram detidos, “apenas para averiguação”, porque tentaram bloquear uma rua deitando no chão. Já segundo a testemunha, a menor foi presa porque questionou um policial que agredia outra garota e o jovem porque fez um gesto de rendição para protestar contra a repressão policial.

A assessoria da polícia afirma ainda que alguns manifestantes foram reprimidos porque tentavam ocupar ônibus dentro do terminal para, como forma de protesto contra o aumento da tarifa, “liberar” a passagem de usuários pelas catracas. Segundo a PM, algumas viaturas foram atingidas por pedras.

Aumento é maior do que a inflação
O último aumento na passagem de ônibus na capital paulista ocorreu em novembro de 2006. O valor reajustado pelo prefeito é superior à inflação do período, que, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), foi de 15,36% entre novembro de 2006 e dezembro de 2009.

A prefeitura afirmou que o reajuste da tarifa está de acordo com a inflação e disse ter utilizado como referência os valores do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). No entanto, o UOL Notícias apurou que a inflação medida pela IPC no período foi de 16,54%, ou seja, percentual também inferior ao utilizado no reajuste das passagens.

Com o aumento da tarifa de ônibus, o valor da integração ônibus-metrô subiu em São Paulo de R$ 3,65 para R$ 4. O morador da capital que utilizar, em média, duas integrações por dia, gastará R$ 240 em um mês, o que representa quase a metade do salário mínimo, que é de R$ 510 desde 1º de janeiro deste ano.

A despesa dos usuários de transporte público em São Paulo deverá subir ainda mais nos próximos meses, já que o Metrô, a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e empresas de ônibus intermunicipais anunciaram que também reajustarão o valor de suas tarifas.

“O aumento é um absurdo. Mais uma vez o poder público prejudica a população. Transporte público é um direito, e, portanto, não deveria haver tarifa. Sempre que houver tarifa, haverá aumentos desse tipo. Combatemos essa lógica”, diz Lucas Monteiro, 25, militante do Movimento Passe Livre (MPL), um dos coletivos que integram a manifestação.

Veja quanto o usuário gasta com transporte público em São Paulo por mês
Se fizer: Gasto mensal Comparação com o sal. mínimo (R$ 510)
Duas viagens diárias de ônibus = R$ 162 31,7%
Duas viagens diárias de ônibus/metrô = R$ 240 47%