segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Curso de teatro do oprimido e Marx, gratuitos em São Paulo

TEATRO COLETIVO PROMOVE

OFICINA DE TEATRO DO OPRIMIDO

E

MINI-CURSO SOBRE MARX

COM ENTRADA FRANCA

Em fevereiro e março o Teatro Coletivo promoverá dois cursos com entrada franca: um programa de formação em Teatro do Oprimido e um mini-curso sobre aspectos econômicos, políticos e estéticos da teoria marxista.


Curso de introdução ao Teatro do Oprimido: Teatro Fórum

De 08 de fevereiro a 17 de março

Segundas, terças, quartas e sextas feiras das 19:00 às 22:00 e sábados das 14:00 às 18:00

INSCRIÇÕES GRATUITAS

Seleção: Currículum e Carta de interesse

Clique aqui para mais informações...


Mini-curso "Aspectos do marxismo em debate: trabalho produtivo, emancipação humana e realismo artístico"

04,11,18,25 de fevereiro e 04 e 11 de março

quintas-feiras às 20:00

ENTRADA FRANCA





Realização: Teatro Coletivo e Instituto Nova Ágora de Cidadania

Projeto apoiado pela Secretaria de Estado da Cultura

Governo do Estado de São Paulo

Emenda Parlamentar do Deputado Simão Pedro

Teatro Coletivo.
Rua da Consolação, 1623.
Fone: 3255-5922.
teatrocoletivo.com.br
A bilheteria abre uma hora antes do espetáculo, pagamentos feitos em dinheiro ou cheque.
Acesso e banheiro para deficientes.
Estacionamento conveniado localizado à Rua da Consolação, 1681.

Kassab, a população não aguenta mais... são tantos atos... É hora de ceder ou pedir pra sair!

Fonte: www.barraroaumento.org
ou
www.tarifazero

Escracho na Prefeitura
25/01/2010

A Rede Contra o Aumento da Tarifa realiza nessa manhã de segunda-feira (25/01) um protesto em frente à Prefeitura. Dentro do prédio, o prefeito Gilberto Kassab entrega ao governador José Serra a medalha comemorativa do Aniversário de São Paulo.

Moradores do Jd. Pantanal, que são vítimas de enchentes, e militantes do movimento de moradores de rua também protestam no mesmo local, somando cerca de 80 manifestantes.

Enquanto a população sofre com as enchentes, com a vida em situação de rua e com a crescente exclusão no acesso aos transportes coletivos, devido ao aumento abusivo das tarifas, o prefeito e o governador acham que há o que comemorar!

Esse protesto marca o início de ações que terão como objetivo pressionar pessoalmente as duas figuras públicas responsáveis pelos aumentos.

A população pode e vai barrar esse aumento!


Confira também o novo vídeo da Rede, chamando para nossos próximos atos de rua, nos dias 04/02, 11/02 e 25/02
http://www.youtube.com/watch?v=Y3aVlSMipcY&feature=player_embedded

video

300 no ato pela Lei de Fomento ao teatro e à dança da cidade de São Paulo !


Fonte: Cooperativa Paulista de Teatro

Mobilização pela Lei de Fomento ao Teatro e à Dança

Passeata pela Lei de Fomento reúne cerca de 300 pessoas em frente à Prefeitura de São Paulo e à Secretaria de Cultura. Confira abaixo a galeria de fotos.


Dia 18 de janeiro, segunda-feira, às 10h30, os movimentos e grupos de teatro e dança, representados pela Cooperativa Paulista de Teatro, saíram em passeata até a Prefeitura da Cidade de S. Paulo, onde uma comissão foi recebida pelo Secretário de Negócios Jurídicos Cláudio Lembo. Entre eles, estava o presidente da Cooperativa Paulista de Teatro Ney Piacentini, a vice-presidente Cenne Gots, os vereadores Zé Américo e Donato, Pedro Pires da Cia do Feijão, o co-fundador do Teatro de Arena Zé Renato, a jurista Marília Kairuz Baracat, entre outros. Na ocasião, foi entregue um parecer jurídico assinado pela Dr. Marília e pelo também jurista e professor da PUC-SP Marcelo F. Mello que contesta o edital que será lançado no dia 30 de janeiro, já que a lei, como foi em suas 10 primeiras edições, é autoregulamentada, e com isso, não precisaria de edital. Também foi levantada a questão da relação de trabalho deixar de ser por prestação de serviço e passar a ser por convênio, conforme estabelecido no decreto de maio do Prefeito Kassab. Nesse ponto, ficou explicitado que o decreto não se aplicaria a área da cultura, e assim, a Cooperativa poderia continuar a representar os grupos teatrais. Também foi entregue e protocolada uma carta redigida pelos movimentos e entidades envolvidas (Movimentos de Teatro de Grupos de São Paulo, Movimento 27 de março, Roda do Fomento, Movimento de Teatro de Rua, Arte pela Barbárie, Movimento Mobilização Dança, Cooperativa Paulista de Teatro) com as reivindicações da classe.

Lembo e os demais membros da Secretaria ficaram sensíveis às questões levantadas e ficou definido que a Dr. Marília enviaria para a Secretaria de Negócios Jurídicos até amanhã, dia 19/01, um documento especificando resumidamente os pontos de discordância do edital, explicando os tópicos do parecer jurídico. A partir de então, a Secretaria iria analisar o documento para nova reunião.

Depois, a passeata seguiu para a Secretaria de Cultura e uma comissão também foi recebida pelo Secretário Carlos Augusto Calil, que pediu para ser mantido a par das negociações.

A Mobilização continuará em caráter permanente e sua próxima assembleia acontecerá dia 26 de janeiro, terça-feira, às 19h, no Teatro Coletivo. O movimento teve sua primeira vitória. Agora, a luta precisa continuar: não só juridicamente, mas também política, já que nem o Calil e nem o Lembo concordaram que a Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo deve voltar a ser que nem na 10ª edição, ou seja, autoregulamentada. Até a próxima assembleia, os artistas levarão as questões para dentro de seus grupos e precisam ficar atentos para se mobilizarem a qualquer momento.

Segue a carta entregue aos Secretários:


“O território é como o chão mais a população, o fato e o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence, a base do trabalho, da residência, das trocas materiais e espirituais e da vida sobre os quais ele influi...”...primeiro fazemos nossas casas, depois elas nos fazem...”.
Mílton Santos primeiro discorrendo sobre território, depois citando Churchill

As cidades são os espaços efetivos de participação e construção de cidadania. Justamente por isto são os legítimos laboratórios de políticas públicas efetivas e contundentes. A cidade é o centro democrático por excelência porque é o espaço mais nuclear de participação dos indivíduos na construção das necessidades coletivas. Estas necessidades, no espaço público e democrático, repercutem no Estado, que tem aí seu papel mais nobre, qual seja o de dar voz e concretude aos pleitos sociais. A cidade é o alfabeto e a gramática da nação.
Os próprios princípios republicanos consagram a necessidade de um estado ativo como resultado de uma sociedade forte, plural e politicamente ativa como a brasileira. Apesar da última crise do capital financeiro internacional ter novamente se ancorado fortemente no Estado, assim confirmando o axioma de que só interessa um estado fraco quando o mercado vai bem, assistimos agora a mais uma investida da velha e boa política privatista em uma singela tentativa de enfraquecimento do poder público. Trata-se aqui dos episódios municipais de São Paulo que tentam transformar a natureza do fomento da ação pública ao teatro, já clara e suficientemente definida em Lei. A iniciativa coaduna-se com outras tantas práticas que se multiplicam no país que promovem assessores jurídicos, auditores e outros tantos criadores de firulas jurídicas a verdadeiros oráculos dos mandatários públicos que em tudo a eles se reportam na busca de uma caução até para atos administrativos meramente cotidianos. Sob a égide da defesa da transparência, da luta contra a corrupção, o legalismo se sobrepõe à legalidade, a burocracia ao bom-senso, a covardia à esperança, a tecnocratice à política. E é a política, em sua grandeza que nos interessa discutir aqui. Portanto não dá mais para retrocedermos ou ignorarmos que há um enorme desperdício de energia humana nesta discussão.
Já que a capacidade de organização da sociedade, dos segmentos artísticos, não só cria condições para fertilizar o Estado com programas e ações como o Fomento ao Teatro, que clara e contundentemente trouxe enormes benefícios ao desenvolvimento social e humano da cidade, sendo hoje paradigma de lei para o país, por que perdermos aqui o nosso tempo? Os princípios que norteiam as políticas públicas de cultura que queremos construir através do Estado (que disputamos do ponto de vista das idéias), de que o Fomento ao Teatro, à Dança e ao Cinema são apenas o início, passam por critérios transparentes, prevêem prestação pública de todos os recursos empregados, asseguram acesso universal e absoluto, regras claras de avaliação e julgamento, apostando em estruturas coletivas, perenes e responsáveis.
A produção de uma identidade cultural onde a sociedade possa se reconhecer é uma necessidade inerente à sua própria constituição e por isso uma necessidade humana. É sabido que a produção cultural tem caracteristicas próprias e, pelas especificidades da nossa função, não queremos nos constituir em fundações, já que há muito tempo possuimos entidades com amplo histórico. No caso do teatro, a Cooperativa Paulista de Teatro existe há 30 anos e nos permite desenvolver nossas formas legítimas de organização, que atendem às necesidades coletivas e nos permitem trabalhar de forma colaborativa. Só conseguimos assegurar a nossa criação, sem nenhuma forma de dirigismo, segundo métodos e formações em permanente processo organizativo democrático e sem excessos de sistematização.
Sem processos organizativos democráticos, perdemos muito de nossa liberdade criativa e neste espírito criamos uma Lei de Fomento. Este contexto, que envolve grupos livremente organizados e representados pela Cooperativa, é inegociável; portanto não aceitamos sob nenhuma circunstância a revogação ou qualquer alteração da lei. Através da vivência e da prática, a categoria desenvolveu formas próprias de organização democrática em cooperativas e inúmeras instituições, como os grupos, onde autores são igualmente produtores. Estas proposições são resultado de anos de discussões e práticas de pessoas que passam a vida em processos criativos coletivos e dialógicos.
Queremos a ampliação das políticas que ao longo do tempo se provaram responsáveis e não o seu desmanche, seu saqueio, sua privatização disfarçada, como toda a sociedade tem acompanhado nas áreas mais diversas das administrações públicas de todo o país e que tantos transtornos e dores têm causado. Queremos um Estado atuante, é por isto que tão duramente lutamos quando o construímos, dia-a-dia, democraticamente. Queremos que os legisladores legislem, que os administradores administrem, que os recursos públicos sejam empregados em ações e atividades que justificam a existência do Estado, ou seja, justamente naqueles lugares em que o mercado não tem coragem para vender ou comprar, onde os legalistas não saberiam como trapacear com seus contratos, onde o risco e a real prestação de contas são uma aposta corajosa no valor das humanidades.
Confiamos na confluência de objetivos e na sensibilização a estes eloquentes argumentos. Assim, contamos com suas imediatas providências no sentido da abertura das inscrições do primeiro semestre de 2010 do Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, exclusivamente nos termos da Lei que tão detalhadamente o rege, manifestando assim, inclusive, o devido respeito aos legisladores da Câmara Municipal de São Paulo que unanimemente a editaram em 2002.

Movimentos de Teatro de Grupos de São Paulo
Movimento 27 de março
Roda do Fomento
Movimento de Teatro de Rua
Arte pela Barbárie
Movimento Mobilização Dança
Cooperativa Paulista de Teatro

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Todos contra Kassab??? Quantos atos haverão????

Cerca de mil manifestantes se concentraram nesta quinta-feira (14) em frente ao Teatro Municipal (centro) para protestar contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo (de R$ 2,30 para R$ 2,70).

A passagem de ônibus municipal em São Paulo passou a custar R$ 2,70 e a integração com o metrô, R$ 4. A mudança foi efetuada no dia 4 deste mês. O aumento de 17,4% foi anunciado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) no dia 20 de dezembro de 2009.

Este é o primeiro reajuste desde novembro de 2006 e está acima da inflação de 15,9%, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

A prefeitura informou que o reajuste segue a inflação acumulada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Outras justificativas para o aumento foram melhorias, como a ampliação do período de uso do bilhete de duas para três horas.

GRANDE MOBILIZAÇÃO PELA LEIS DE FOMENTO AO TEATRO E À DANÇA

Todos na prefeitura de São Paulo!!!



Todos os cidadãos e artistas estão convocados a participar da Mobilização em frente à Prefeitura da Cidade de São Paulo, segunda-feira, dia 18 de janeiro, às 10h. A concentração irá começar às 9h30, na escadaria do Teatro Municipal, para seguir à prefeitura. Às 11h uma comissão formada por representantes do movimento teatral e por vereadores irão se encontrar com o Secretário Municipal de Negócios Jurídicos de São Paulo, Cláudio Lembo, para discutir as questões jurídicas sobre a Lei de Fomento. É IMPORTANTÍSSIMO A PRESENÇA DE TODOS.

Entenda a questão:

Logo no primeiro dia útil do mês, dia 4 de janeiro, foi realizada no Teatro Coletivo uma assembleia que reuniu em torno de 150 pessoas para discutir as próximas medidas que serão tomadas em relação as mudanças nas regras do Fomento que a Secretaria Municipal de Cultura pretende impor, o que implicaria uma série de prejuízos à classe teatral, entre elas, a inviabilização da Cooperativa Paulista de Teatro como gestora dos grupos de teatro. Hoje, a CPT representa mais de 4 mil profissionais e mil grupos.

Estiveram presentes na assembleia: representantes dos principais grupos de São Paulo, diversos profissionais da área, Movimento 27 de Março, Movimento de Teatro de Grupo de São Paulo, Roda de Fomento, Movimento de Teatro de Rua, Arte pela Barbárie, Cooperativa Paulista de Teatro, e representantes dos movimentos de dança. Além deles, também compareceu o vereador do PT Zé Américo que, em entrevista ao presidente da CPT Ney Piacentini, explicou o porque da mudança nas regras ser uma improbidade administrativa: " um decreto, ou do Prefeito, ou de um Secretário, não pode se sobrepor a uma lei aprovada pela Câmara, e é isso que está acontecendo (...) Essa lei vem sendo aplicada há 7 anos de acordo com o modo operantes. De repente tem uma ilegalidade! Que ilegalidade é essa? (...) Trata-se de um argumento de natureza artificial, de querer mudar as regras do jogo durante o jogo."

O conflito:

No final de dezembro chegou a notícia de que seria publicado um edital da Secretaria Municipal de Cultura contrário aos termos da Lei nº 13.279/02 que institui e regulamenta o Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. Entre as mudanças, a nova forma de contratação impediria a Cooperativa de representar os grupos juridicamente e o modo de trabalho seria tratado como convênio, o que isentaria a Secretaria de pagar 15% de INSS patronal e os artistas passariam a pagar 20%, ao invés dos atuais 11%. Além disso, a comissão julgadora passaria a ter o poder de fazer cortes ilimitados nos orçamentos propostos pelos projetos (atualmente a comissão pode cortar até 50% da verba).

No dia 23 de dezembro, uma comissão foi recebida pelo Secretário Municipal de Cultura da Cidade de São Paulo Carlos Augusto Calil, que concordou em suspender temporariamente a publicação do edital da 16ª Edição do Programa de Fomento até a data limite de 30 de janeiro de 2010. Agora, é muito importante que mais pessoas se mobilizem e compareçam no ato para que essa mobilização permanente ganhe ainda mais força.

Local: Prefeitura da Cidade de São Paulo - Viaduto do Chá, 15, Centro
Data: 18 de janeiro, às 10h

O macaco não soube esconder o rabo


Fonte: Caros Amigos

Por Fábio Konder Comparato

Há algo surpreendente (para dizer o mínimo), com todo esse estardalhaço a respeito do III Programa Nacional de Direitos Humanos, que o Governo Lula acaba de apresentar. Quase todos os pontos acerbamente criticados por militares, latifundiários e donos de empresas de comunicação, já constavam dos dois Programas anteriores, elaborados e aprovados pelos sucessivos governos de Fernando Henrique Cardoso.

E mais: nos dois Programas precedentes, vários desses pontos polêmicos continham propostas mais fortes e abrangentes do que as constantes do atual Programa. Ora, os Programas de Direitos Humanos aprovados pelo então Presidente Fernando Henrique, em 1996 e 2002, passaram praticamente despercebidos na imprensa, no rádio e na televisão.

Como explicar, então, toda a bulha suscitada pelo Programa do Governo Lula, com conflitos públicos entre Ministros e acusações de desestabilização da ordem constitucional vigente, para desembocar no vergonhoso acordo negociado entre o presidente e a oposição?

Não é preciso ter o olfato aguçado, para sentir em tudo isso o fedor eleitoral. Afinal, já entramos, neste ano da graça de 2010, no único período ativo da classe política.

Mas façamos as comparações acima enunciadas.

Conflitos no campo e reforma agrária

O Programa Lula não contém nenhuma proposta de mudança legislativa e, menos ainda, constitucional, a esse respeito. Limita-se a falar em fortalecimento da reforma agrária, e em atualização dos índices de utilização da terra e de eficiência na exploração. Tais índices foram fixados em 1975, e até hoje, apesar dos sucessivos protestos dos movimentos de reforma agrária, continuam os mesmos. São eles que comprovam o fato de uma propriedade rural ser improdutiva, requisito constitucional para a sua expropriação. Ora, os grandes empresários rurais – perdão! os "agricultores", como diz o ministro Stephanes – não cessam de alardear o fato de que a agricultura capitalista aumentou brutalmente a produtividade das terras.

O primeiro Programa do Governo Fernando Henrique, em 1996, continha a proposta de um projeto de lei, que tornasse obrigatória a presença no local do juiz ou do representante do Ministério Público, quando do cumprimento de mandados judiciais de manutenção ou reintegração de posse de terras, que implicassem a expulsão coletiva dos seus ocupantes. Ninguém ignora que, no cumprimento desses mandados judiciais, a ação da Polícia Militar costuma provocar mortes e lesões corporais graves.

No mesmo Programa de 1996, lê-se a seguinte proposta: "apoiar proposições legislativas que objetivem dinamizar os processos de expropriação para fins de reforma agrária, assegurando-se, para prevenir violências, mais cautela na concessão de liminares".

Em 2002, sempre no Governo Fernando Henrique, o II Programa de Direitos Humanos sugere apoiar "a aprovação de projeto de lei que propõe que a concessão de medida liminar de reintegração de posse seja condicionada à comprovação da função social da propriedade, tornando obrigatória a intervenção do Ministério Público em todas as fases processuais de litígios envolvendo a posse da terra urbana e rural".

Pergunta-se: onde estava então a União Democrática Ruralista (não se perca pelo nome), que não foi às ruas denunciar a subversão comunista contida nessas proposições?

Meios de comunicação de massa

Nessa matéria, a "audaciosa" proposta do Programa Lula, que suscitou a indignação dos donos de jornais, rádios e televisões, foi a regulamentação do art. 221 da Constituição, o qual até hoje, transcorridos 21 anos de sua promulgação, permanece letra morta.

E o que propuseram os Programas de Fernando Henrique sobre o assunto? A mesma coisa, mas com um importante acréscimo: "garantir a imparcialidade, o contraditório e direito de resposta na veiculação de informações, de modo a assegurar a todos os cidadãos o direito de informar e ser informado".

Hoje, em razão de lamentável decisão do Supremo Tribunal Federal, não existe mais lei de imprensa no Brasil. Que eu saiba, somos o único país do mundo com esse vácuo legislativo.

Ora, sem regulamentação por lei do direito de resposta nos meios de comunicação de massa, o cidadão fica inteiramente submetido ao arbítrio deles.

Revogação da lei de anistia?

O ministro da Defesa, acolitado pelos chefes das três armas militares, rasgou as vestes e pôs cinza na cabeça, ao ler a seguinte proposta do atual Programa de Direitos Humanos: "Criar Grupo de Trabalho para acompanhar, discutir e articular, com o Congresso Nacional, iniciativas de legislação propondo: revogação de leis remanescentes do período 1964-1985, que sejam contrárias à garantia dos Direitos Humanos ou tenham dado sustentação a graves violações."

"Aí está", esbravejou o ministro, "querem revogar a lei de anistia!"

Pelo visto, os assessores do ministro imaginam que quem é suposto conhecedor de estratégia militar é também entendido em estratégia política. Erro funesto. Ao imaginar que a citada proposta do III Programa de Direitos Humanos tem em mira a lei de anistia de 1979, a corporação militar tirou a máscara. Ela reconheceu que esse diploma legal viola os direitos humanos, e que essa violação só pode consistir no fato de a indigitada lei haver anistiado os agentes públicos, militares e policiais, que mataram, estupraram e torturaram opositores ao nefasto regime político de 1964 a 1985.

Tranquilizem-se, porém, o ministro e os chefes militares. O que o Conselho Federal da OAB propôs no Supremo Tribunal, por meio da arguição de descumprimento de preceito fundamental nº 153, não foi a revogação da lei de anistia. Aliás, em um Estado de Direito o Poder Judiciário não tem poderes para revogar leis. Objeto daquela ação é a declaração judicial de que a Lei nº 6.683, de 1979, não anistiou os autores de crimes de sangue e de violência contra opositores políticos, durante o regime militar.

É só isso. Mas isso, uma vez admitido, será a condenação definitiva da "ditabranda", tão louvada por um jornal de São Paulo.

A Comissão de Verdade

É realmente inacreditável que essa proposta do III Programa de Direitos Humanos tenha provocado tanto escarcéu, pois nesse ponto pode-se dizer que a montanha pariu um camundongo.

A criação de uma comissão de alto nível, com a participação da sociedade civil, destinada a apurar as atrocidades cometidas durante duas décadas neste país, sob a responsabilidade final dos dirigentes militares, foi discutida durante anos em congressos, seminários e mesas redondas, em todo o território nacional. A Secretaria Nacional de Direitos Humanos, afinal, fixou-se na sugestão de criar tal comissão por decreto presidencial. Mas o presidente da República, como era esperado, voltou atrás na última hora e preferiu enviar o assunto às calendas gregas; isto é, ao Congresso Nacional.

Não se esqueça que estamos em ano eleitoral, e que um eventual projeto de lei, nesse sentido, jamais será votado até o encerramento da vigente legislatura, em dezembro de 2010.

Como se vê, não é preciso ter muita habilidade para capturar o ratinho, que saiu cambaleante do ventre da montanha.

Finalmente, voltando de férias, o presidente da República decidiu negociar um acordo com os críticos do III Programa de Direitos Humanos. O Programa já não é por ele aprovado, mas simplesmente "tornado público". Além disso, o presidente recomendou que os pontos polêmicos, notadamente a Comissão de Verdade, sejam abrandados.

Como se vê, de ambos os lados o macaco não soube esconder o rabo. As classes dominantes demonstraram que sua maior arma política é a dominação empresarial dos meios de comunicação de massa. Uma democracia autêntica só pode existir quando as diferentes camadas do povo têm liberdade de se comunicar entre si. Entre nós, porém, os canais públicos de comunicação foram apropriados pela classe empresarial, em seu próprio benefício, deixando o povo completamente à margem.

O presidente da República, por sua vez, seguindo seus hábitos consolidados, resolveu abafar as disputas e negociar um acordo. Esqueceu-se, porém, que nenhum acordo político decente pode ser feito à custa da dignidade da pessoa humana.

Fábio Konder Comparato é professor Emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ato dos professores nessa sexta, em São Paulo



Em minha opinião, a APEOESP deve manter como lutas principais, o direito do professor a ter faltas médicas, contra o plano de aumento para apenas 20%, excludente e impossível de se conseguir a curto prazo, pelo aumento real a todos os servidores da educação, fora o bônus pelo índice do SARESP.
Educador que não se cala.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Não te calas, Hildegard Angel!

Fonte: Conversa Afiada
...Texto da colunista do JB Hildegard Angel sobre a defesa dos torturadores.

Quem tem medo da verdade?

CHEGA UMA hora em que não aguento, tenho que falar. Já que quem deveria falar não fala, ou porque se cansou do combate ou porque acomodou-se em seus novos empregos… POIS BEM: é impressionante o tiroteio de emails de gente da direita truculenta, aqueles que se pensava haviam arquivado os coturnos, que despertam como se fossem zumbis ressuscitados e vêm assombrar nosso cotidiano com elogios à ação sanguinária dos ditadores, os quais torturaram e mataram nos mais sórdidos porões deste país, com instrumentos de tortura terríveis, barbaridades medievais, e trucidaram nossos jovens idealistas, na grande maioria universitários da classe média, que se viram impedidos, pelos algozes, de prosseguir seus estudos nas escolas, onde a liberdade de pensamento não era permitida, que dirá a de expressão!… E AGORA, com o fato distante, essas múmias do passado tentam distorcer os cenários e os personagens daquela época, repetindo a mesma ladainha de demonização dos jovens de esquerda, classificando-os de “terroristas”, quando na verdade eram eles que aterrorizavam, torturavam, detinham o canhão, o poder, e podiam nos calar, proibir, censurar, matar, esquartejar e jogar nossos corpos, de nossos filhos, pais, irmãos, no mar… E MENTIAM, mentiam, mentiam, não revelando às mães sofredoras o paradeiro de seus filhos ou ao menos de seus corpos. Que história triste! Eles podiam tudo, e quem quisesse reclamar que fosse se queixar ao bispo… ELES TINHAM para eles as melhores diretorias, nas empresas públicas e privadas, eram praticamente uma imposição ao empresariado — coitado de quem não contratasse um apadrinhado — e data daquela época esse comportamento distorcido e desonesto, de desvios e privilégios, que levou nosso país ao grau de corrupção que, só agora, com liberdade da imprensa, para denunciar, da Polícia Federal, para apurar, do MP, para agir, nos é revelado…

DE MODO cínico, querem comparar a luta democrática com a repressão, em que liberdade era nenhuma, e tentam impedir a instalação da Comissão da Verdade e Justiça, com a conivência dos aliados de sempre… QUEREM COMPARAR aqueles que perderam tudo — os entes que mais amavam, a saúde, os empregos, a liberdade e, alguns, até o país — com aqueles que massacraram e jamais responderam por isso.

Um país com impunidade gera impunidade. A história estará sempre fadada a se repetir, num país permissivo, que não exerce sua indignação, não separa o trigo do joio… TODOS OS países no mundo onde houve ditadura constituíram comissões da Verdade e Justiça. De Por tugal à Espanha, passando por Chile, Grécia, Ur uguai, Bolívia e Ar gentina, que agora abre seus arquivos daqueles tempos, o que a gente, aqui, até hoje não conseguiu fazer… QUE MEDO é esse de se revelar a Ver dade? Medo de não poderem mais olhar para seus próprios filhos? Ou medo de não poderem mais se olhar no espelho?…

domingo, 10 de janeiro de 2010

TAXAB, além de transporte impagável, população leva cassetada na cabeça!

Fonte: Tarifa Zero

Protesto contra aumento da passagem de ônibus termina com três detidos e feridos em SP

Três manifestantes foram detidos e vários ficaram feridos após a Polícia Militar intervir em um protesto realizado nesta quinta-feira (7) contra o aumento da passagem de ônibus municipal em São Paulo. Entre os detidos, que foram encaminhados ao 1º DP (Sé), está uma menor de idade, segundo relato de uma manifestante que participou do protesto.

Cerca de 500 pessoas ligadas a diversos grupos, partidos políticos e movimentos sociais articulados na Rede Contra o Aumento da Tarifa iniciaram o protesto pelas ruas do centro por volta de 17h30. Eles são contrários ao reajuste de R$ 2,30 para R$ 2,70 na tarifa, o que representa uma variação de 17,39%, autorizado pelo prefeito Gilberto Kassab.

De acordo com a manifestante, o grupo queria levar o protesto para dentro do Terminal Parque Dom Pedro, um dos maiores e mais movimentados da cidade, mas a PM impediu. A multidão tentou dar a volta no terminal para entrar no local por outro acesso. Um grupo pequeno conseguiu acessar o terminal, mas a maior parte permaneceu do lado de fora.

Ainda segundo a manifestante, que preferiu não se identificar, nesse momento policiais militares começaram a agredir os manifestantes com cassetetes. Depois, de acordo com ela, chegaram os policiais da Tropa de Choque e da Força Tática da PM, que utilizaram bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar o protesto. O movimento não soube precisar a quantidade de feridos, mas há relatos de dezenas deles.

Por meio de sua assessoria, a PM diz que se utilizou da força para conter um princípio de tumulto, mas não soube precisar o que os manifestantes estavam fazendo no momento em que os policiais partiram para cima da multidão.

A PM diz que os três manifestantes foram detidos, “apenas para averiguação”, porque tentaram bloquear uma rua deitando no chão. Já segundo a testemunha, a menor foi presa porque questionou um policial que agredia outra garota e o jovem porque fez um gesto de rendição para protestar contra a repressão policial.

A assessoria da polícia afirma ainda que alguns manifestantes foram reprimidos porque tentavam ocupar ônibus dentro do terminal para, como forma de protesto contra o aumento da tarifa, “liberar” a passagem de usuários pelas catracas. Segundo a PM, algumas viaturas foram atingidas por pedras.

Aumento é maior do que a inflação
O último aumento na passagem de ônibus na capital paulista ocorreu em novembro de 2006. O valor reajustado pelo prefeito é superior à inflação do período, que, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), foi de 15,36% entre novembro de 2006 e dezembro de 2009.

A prefeitura afirmou que o reajuste da tarifa está de acordo com a inflação e disse ter utilizado como referência os valores do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). No entanto, o UOL Notícias apurou que a inflação medida pela IPC no período foi de 16,54%, ou seja, percentual também inferior ao utilizado no reajuste das passagens.

Com o aumento da tarifa de ônibus, o valor da integração ônibus-metrô subiu em São Paulo de R$ 3,65 para R$ 4. O morador da capital que utilizar, em média, duas integrações por dia, gastará R$ 240 em um mês, o que representa quase a metade do salário mínimo, que é de R$ 510 desde 1º de janeiro deste ano.

A despesa dos usuários de transporte público em São Paulo deverá subir ainda mais nos próximos meses, já que o Metrô, a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e empresas de ônibus intermunicipais anunciaram que também reajustarão o valor de suas tarifas.

“O aumento é um absurdo. Mais uma vez o poder público prejudica a população. Transporte público é um direito, e, portanto, não deveria haver tarifa. Sempre que houver tarifa, haverá aumentos desse tipo. Combatemos essa lógica”, diz Lucas Monteiro, 25, militante do Movimento Passe Livre (MPL), um dos coletivos que integram a manifestação.

Veja quanto o usuário gasta com transporte público em São Paulo por mês
Se fizer: Gasto mensal Comparação com o sal. mínimo (R$ 510)
Duas viagens diárias de ônibus = R$ 162 31,7%
Duas viagens diárias de ônibus/metrô = R$ 240 47%

domingo, 3 de janeiro de 2010

ATAQUE À LEI DE FOMENTO


Fonte: Movimento 27 de MArço

ATAQUE À LEI DE FOMENTO
Três dias de intensa mobilização, com assembleias e ações das comissões política e jurídica, conquistaram o adiamento do edital da Lei de Fomento às artes do município de São Paulo. Agora precisamos avançar. Convocamos a todos os interessados (artistas de todas as linguagens, cidadãos, representantes de movimentos populares), para assembleia extraordinária, para o próximo dia 04 de janeiro de 2010, no teatro Coletivo.

O QUE QUEREMOS: A LEI DO FOMENTO COMO EM SUAS DEZ PRIMEIRAS EDIÇÕES. O FIM IMEDIATO DOS ATAQUES À LEI DO FOMENTO.

Assembleia Extraordinária
Teatro Coletivo
Rua da Consolação, nº 1623
04 de Janeiro de 2010, 19h
Compareça e contribua com a divulgação

sábado, 2 de janeiro de 2010

Repudio à Bandeiranes e Boris Casoy

Este educador que não se cala, não constuma publicar notícias amplamente divulgadas na blogosfera, mas preciso deixar minha indignação contra Boris Casoy, que sempre foi a voz dos latifundiários e do preconceito, dizendo com seu bordão ser vergonha o povo lutar e ocupar as terras que têm por direito, ser vergonha manter uma legislação ambiental mínima para a preservação da mata nativa e, agora, uma vergonha receber votos de felicidade de um trabalhador, que pra ele é um ser vil, por limpar a sujeira que ele deixa pra trás. Repúdio a Boris Casoy! Parabéns à produção do programa que, mesmo sem querer, prestaram um enorme serviço ao Brasil, deixando o áudio ligado. Espero que não paguem com o emprego a revelação que fizeram e continuem a mostrar as sacanagens dos bandidos. E que o "pau" continue descendo na cabeça de Boris.
Segue trecho do blog Onipresente:

...Só que a INTERNET (veja em http://www.youtube.com/watch?v=f_E4j7vi3js&feature=player_embedded) veio para ser o novo eldorado da informação, escancarando o que a MÍDIA ousa esconder. Tá tudo na INTERNET.

Os âncoras Boris Casoy e Joelmir Beting não percebem que o microfone ficou aberto e, pensando que ninguém mais os ouvia, fizeram comentários, no mínimo, preconceituoso e constrangedores acerca da dupla de garis que desejava a todos, inclusive aos dois, um feliz 2010. A colega dos dois âncoras da Band, Millena Machado, também não deixou de dar sua risadinha, que pode ser ouvida também. Lamentável! Transcrição: Casoy: "Que merda, dois lixeiros desejando felicidades do alto da sua vassoura." Millena: apenas ri (condescendente) Casoy: "O mais baixo da escala do trabalho..." Operador: "Deu pau, deu pau,..."