segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Perseguição político-financeira a Festival de Teatro mais antigo do Brasil: FESTA 56

Os três textos que publicamos sobre o que está acontecendo em Santos ...
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Manifesto do Festival Santista de Teatro 02/09/2014
Em resposta ao posicionamento da administração municipal veiculado nos meios de comunicação do dia 1º de setembro, nós do Movimento Teatral da Baixada Santista, realizadores do FESTA, tornamos publicas as contradições explícitas no processo de realização deste festival.
O FESTA (Festival Santista de Teatro) - festival de teatro mais antigo do país, criado em 1958 por Patricia Galvão e historicamente realizado pelo Movimento Teatral - enfrenta uma serie de dificuldades para realizar sua edição neste ano, por conta da administração municipal. No dia 25 de agosto, fomos informados pelo senhor Secretário de Cultura que a verba do orçamento da Secretaria destinada ao Festival foi direcionada ao pagamento de outros eventos, tais como Festa Inverno e tendas de verão, restando ao FESTA apenas 4 mil reais (acompanhado de um pedido para não se levar a público tal situação).
Somado a isso, tínhamos uma emenda parlamentar do deputado Estadual Luciano Batista encaminhado à realização do FESTA 56 (processo este todo documentado), cuja verba foi redirecionada - sem conhecimento do Movimento – para realização de um outro evento da própria Secretaria.
Após mobilização da classe artística, mediante tais fatos, nos foi oferecida, há 2 semanas da realização do Festival a quantia de 50 mil reais. No entanto, já não havia mais tempo hábil para prosseguir com o cronograma planejado (pela inviabilização logística da produção).
Nós, Movimento Teatral, nos vimos obrigados a redesenhar o formato do FESTA 56, sem deixar de levar à público o descaso com o qual esta administração vem tratando a cultura de um modo mais amplo.
Podemos citar:
- o atraso constante no pagamento dos professores da Escola de Artes Cênicas Wilson Geraldo e de grande parte dos funcionários da Secretaria de Cultura;
a não publicação do Edital FACULT em 2013;
a ausência de um Coordenador do segmento teatral no quadro da secretaria;
o Curta Santos, que enfrenta situação similar ao FESTA, com 50 mil reais subtraído de seu orçamento;
o processo obscuro dentro do Conselho Municipal de Cultura para a regulamentação das Oss;
a falta de uma política cultural concreta.
Não podemos admitir que a realização de um Festival de tantos anos seja negligenciada. Ficamos indignados com o pronunciamento mentiroso do senhor Secretário de Cultura, em rede social que, mesmo estando antecipadamente ciente da posição do Movimento apresentada nesta carta, declarou que o Festa seria realizado com aporte financeiro da Prefeitura e omitiu todo o contexto aqui apresentado.
O dinheiro não compra a legitimidade da arte pública!
Assumiremos o caráter de resistência cultural.
O FESTA não morrerá!
Movimento Teatral da Baixada Santista.
2
COMUNICADO DO MOVIMENTO TEATRAL DA BAIXADA SANTISTA 10/09/2014
Nós, do Movimento Teatral da Baixada Santista, vimos a público reafirmar as questões colocadas no Manifesto publicado em 2 de setembro, tratando da ausência de políticas culturais na cidade e os equívocos no processo da realização do FESTA 56 por parte da Secretaria Municipal de Cultura de Santos, e também esclarecer publicamente novas colocações inverídicas do jornalista e atual secretário de Cultura de Santos, Raul Christiano.
Em relação à questão da emenda parlamentar do Deputado Luciano Batista destinada ao FESTA 56, o Sr. Secretário de Cultura afirmou publicamente que a mesma nunca existiu e que tudo não passou de um “mal entendido” do Movimento Teatral, por considerar uma emenda do FESTES (Festival de Teatro de Estudantes de Santos) como se fosse do FESTA.Conforme comprova a documentação em anexo, o Secretário não só tinha ciência da existência de uma emenda para o FESTA como também da existência de outra, esta sim destinada ao FESTES. Portanto, verifica-se a existência de DUAS emendas diferentes, sendo uma para cada Festival, ambas destinadas à Secretaria de Cultura de Santos, conforme publicado no jornal informativo do deputado.
Em relação à emenda da deputada Telma de Souza, há 3 anos a mesma é destinada a Mostra Regional do FESTA chamada MOTIM, realizada em diversas cidades da região, com o conhecimento da Secretaria de Cultura.
O Secretário também falta com a verdade quando afirma que 50 mil reais era o valor planejado e informado à organização do Festival. Isto não corresponde com a realidade dos fatos: a partir de uma reunião no começo do ano com o Prefeito, contando com a presença do Secretário de Cultura, foi acordado que a Prefeitura faria um aumento progressivo da verba destinada ao Festival, sendo o valor de 70 mil reais o acertado para este ano. No entanto, em reunião efetuada no dia 25/08 o Secretário afirmou que não haveria aumento na verba como ainda o valor disponível para o FESTA 56 era de apenas 4 mil reais (já que todo o restante do valor destinado para o FESTA pela SECULT fora utilizado para o pagamento de gastos com eventos da Secretaria de Cultura). Diante das alegações por parte do Movimento de que os prazos para a realização do Festival estavam se esgotando, o Secretário se comprometeu a resolver a situação no mesmo dia, pedindo para que não se publicizasse este imbróglio com os recursos da Prefeitura destinados ao FESTA. Nos dias seguintes, não tivemos nenhum retorno do Secretário. Foi somente no dia 29/08, após movimentação da classe artística e a necessidade de cancelamento dos compromissos em torno do FESTA 56, que obtivemos alguma resposta do Secretário. Neste processo, identificamos que o problema vai além de questões orçamentárias. O problema não é dinheiro. É um problema de gestão. É um olhar limítrofe para com a cultura. É falta de respeito.
Estes pontos acima citados são apenas alguns aspectos do histórico de uma gestão mal conduzida, frágil e mal intencionada. Talvez o Secretário de Cultura desconheça as diretrizes de sua Pasta no plano de governo, onde consta o compromisso de “garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso democrático às fontes de cultura, assim como apoiar e incentivar a valorização e a difusão de suas manifestações, com prioridade para as diretamente ligadas à história de Santos, à sua comunidade e aos seus bens”.
Por fim, retomamos os pontos do Manifesto de 2 de setembro que continuam sem resposta:
- o atraso constante no pagamento dos professores da Escola de Artes Cênicas Wilson Geraldo e de grande parte dos funcionários da Secretaria de Cultura;
-a não publicação do Edital FACULT (Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes) em 2013;
-a ausência de um coordenador para o segmento teatral no quadro da Secretaria;
-o Curta Santos, que enfrentou situação similar ao FESTA;
-o processo obscuro dentro do Conselho Municipal de Cultura para a regulamentação das OSs (Organização Social);
-a falta de uma política cultural concreta.
Diante do silêncio do Secretário de Cultura Raul Christiano em relação a estas questões, seguimos no aguardo de um posicionamento por parte da Prefeitura.
O dinheiro não compra a legitimidade da arte pública!
Assumiremos o caráter de resistência cultural.
O FESTA não morrerá!
Movimento Teatral da Baixada Santista
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INTENÇÃO POLÍTICA SIM, MAS NÃO PARTIDÁRIA.
Não somos filiados e nem fazemos campanha para partidos políticos. Somos sim, a favor de políticas públicas nas áreas da Cultura, Educação e tantas outras. Mas especificamente da Cultura porque é a área onde atuamos. Estaremos sempre dispostos a lutar por aquilo que acreditamos e apoiar quem realmente queira fazer um trabalho sério dentro da pasta. Queremos politicas públicas reais e não oba oba de turista que está de passagem pelo cargo de Secretário e que não possui o mínimo de conhecimento em gestão cultural. A Cultura de Santos rejeita esse tipo de político, que é jogado de um lado para outro dentro do próprio partido, sem a menor competência administrativa ou conhecimento da pasta que ocupa ou ocupará.
Somos profissionais e somos independentes! O FESTA – Festival Santista de Teatro é organizado por profissionais reconhecidos dentro da cidade, no estado e no país. Nos seus 56 anos de existência sempre foi e continuará sendo organizado e produzido pelo Movimento Teatral. Quem não é profissional da Cultura é você, Secretário Raul Christiano, que foi colocado na pasta sem o mínimo de conhecimento que um gestor deve ter. Você entende de política velha, arbitrária, de criação de factoides, de justificativas cínicas, de argumentos mentirosos e dissimulados.
A sua resposta em relação à emenda é digna de pena, não convenceu, ou melhor, convence apenas seus puxa-sacos que ocupam cargos dentro da secretaria e recebem por cachês. “Respondi que sabia. Talvez tenha me precipitado...” - Não! Você não se precipitou! Você já sabia desde o ano passado que havíamos feito o pedido de emenda. Você já sabia da emenda na reunião que fizemos em janeiro. Em abril apenas te informamos que tinha saído. “Quando falei com a Secretaria de Estado da Cultura, havia só a emenda do Festes, e comuniquei isso”. – Você só comunicou na segunda quinzena de agosto. De abril a agosto temos 3 meses de distância.
Mas, para o Movimento, a emenda é apenas um ponto, secretário! Vamos falar da gestão, da falta de política pública, das promessas não cumpridas, do Plano Municipal de Cultura que até hoje não foi feito e por isso estamos atrás de cidades menores que já estão dentro do PNC – Plano Nacional de Cultura. Do CMC – Conselho Municipal de Cultura, que possui a maioria de funcionários da Secult, o que vai contra as exigências do PNC. Vamos falar sobre o CEU das Artes que por causa de membros do Movimento não se perdeu 4 milhões do governo federal para a sua construção e você nem sabia da existência do projeto e que agora, paralela as obras, deveria ser feita a mobilização social e a equipe de gestão. Vamos falar sobre o Facult que não saiu ano passado e até agora a justificativa não convenceu. E agora, por pressão, resolveram soltar o resultado da edição deste primeiro semestre. Rosinha Mastrângelo que está com sua abertura sendo adiada a cada semestre. Dos projetos que começaram e não houve continuidade. O alto número de funcionários comissionados da pasta recebendo por cachê e onerando ainda mais a folha de pagamento, verdadeiros aspones. Funcionários de outras pastas sendo pagos pela Secult. A falta de pagamento de professores da EAC que também tem um plano pedagógico ineficiente e você nada faz. O cargo de coordenador de teatros vago há mais de ano. A imposição das OSs numa votação obscura no CMC. O FESTA que foi negligenciado e agora você quer dialogar, sendo que o Movimento durante todo esse tempo buscou exatamente o diálogo, mas foi tratado sem o menor respeito.
Assumiremos o caráter de resistência cultural.
O FESTA não morrerá! A Secretaria de Cultura de Santos vai ter um gestor digno da pasta!
FORA RAUL!!
Movimento Teatral da Baixada Santista.
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.496270890475516.1073741829.223397641096177&type=1

sábado, 19 de julho de 2014

EMBARGO MILITAR A ISRAEL defendido por PRÊMIOS NOBEL, ARTISTAS E INTELECTUAIS PÚBLICOS

Colado de: http://juntos.org.br/

Israel, mais uma vez, desencadeou toda a força de seu exército contra a população palestina em cativeiro, particularmente na sitiada Faixa de Gaza, em um ato desumano e ilegal de agressão militar. O atual ataque israelense em Gaza já matou muitos civis inocentes, causou centenas de feridos e devastou infraestrutura civil, incluindo o setor de saúde, que foi severamente danificado.
A capacidade de Israel para lançar este tipo de ataque devastador com impunidade deriva, em grande parte, da vasta cooperação militar internacional e comércio de armas que Israel mantém com governos cúmplices em todo o mundo.
Durante o período de 2008 a 2019, os Estados Unidos pretendem fornecer ajuda militar a Israel no valor de 30 bilhões de dólares, enquanto vendas militares israelenses anuais mundiais chegam a bilhões de dólares. Nos últimos anos, os países europeus têm exportado armas para Israel no valor de bilhões de euros e a União Europeia financiou as empresas militares israelenses e universidades com bolsas de pesquisa militares no valor de bilhões euros.
As economias emergentes, como Índia, Brasil e Chile, aumentam rapidamente o seu comércio e cooperação militar com Israel, apesar de afirmarem que apoiam os direitos dos palestinos.
Importando e exportando armas para Israel e facilitando o desenvolvimento de tecnologia militar israelenses, governos estão de fato enviando uma mensagem clara de aprovação da agressão militar de Israel, incluindo os seus crimes de guerra e possíveis crimes contra a humanidade.
Israel é um dos principais produtores e exportadores de drones militares do mundo. A tecnologia militar de Israel, desenvolvida para manter décadas de opressão, é comercializado sob a classificação de “testada no campo” e é exportado em todo o mundo.
O comércio militar com Israel e as relações de pesquisa militar conjunta incentivam a impunidade de Israel enquanto comete violações graves do direito internacional e facilitam a consolidação de um sistema israelense de ocupação, colonização e negação sistemática dos direitos dos palestinos.
Apelamos às Nações Unidas e governos de todo o mundo a tomarem medidas imediatas para aplicar um abrangente e juridicamente vinculativo embargo militar contra Israel, semelhante ao embargo imposto à África do Sul durante o apartheid.
Governos que expressam sua solidariedade com a população palestina em Gaza, a mais atingida pelo militarismo, as atrocidades e a impunidade de Israel, devem começar a cortar todos os laços militares com Israel. Os palestinos hoje precisam da solidariedade efetiva não caridade.
Assinam:
Adolfo Peres Esquivel, Premio Nobel da Paz, Argentina
Ahdaf Soueif , Escritor, Egito/RU
Ahmed Abbas, Acadêmico, França
Aki Olavi Kaurismäki , cineasta, Finlândia
Alexi Sayle, Comedian, RU
Alice Walker, Writer, EUA
Alison Phipps, Acadêmico, Escócia
Andrew Ross, Acadêmico, EUA
Andrew Smith, Acadêmico, Escócia
Arch. Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz, África do Sul
Ascanio Celestini, ator e escritor, Itália
Betty Williams, Prêmio Nobel da Paz, Irlanda do Norte
Boots Riley, Rapper, poeta e produtor, EUA
Brian Eno, Compositor/músico, RU
Brigid Keenan, Escritor, RU
Caryl Churchill, dramaturgo, RU
China Mieville, Escritor, RU
Chris Hedges , Journalista, Prêmio Pulitzer 2002, RU
Christiane Hessel, , França
Cynthia McKinney, Política, ativista, EUA
David Graeber, Acadêmica, RU
David Palumbo-Liu, Acadêmica, US
Eleni Varikas, Acadêmica, França
Eliza Robertson, Escritora
Elwira Grossman, Acadêmica, Escócia
Etienne Balibar, filósofa, França
Federico Mayor Zaragoza,ex-diretor-geral da UNESCO , Espanha
Felim Egan, Pintor, Irlanda
Frei Betto, Teólogo da Libertação, Brasil
Gerard Toulouse, Acadêmico, França
Ghada Karmi , Acadêmica , Palestina
Gillian Slovo, Escritora, ex-presidente do PEN (UK), RU/África do Sul
Githa Hariharan, Escritora, Índia
Giulio Marcon, Acadêmico, Itália
Hilary Rose, Acadêmica, RU
Ian Shaw, Acadêmico, Escócia
Ilan Pappe, Historiador, escritor, Israel
Ismail Coovadia, ex-embaixador israelense na África do Sul
Ivar Ekeland, Acadêmico, França
James Kelman, Escritor, Escócia
Janne Teller, Escritor, Dinamarca
Jeremy Corbyn, Membro do Parlamento, RU
Joanna Rajkowska, Artista, Polônia
Joao Felicio, Presidente da União Internacional das Federações Sindicais, Brasil
Jody Williams, Nobel da Paz, EUA
John Berger, artista, RU
John Dugard, magistrado, África do Sul
John McDonnell, Membro do Parlamento (Trabalhistas), RU
John Pilger, jornalista e cineasta, Austrália
Judith Butler, Acadêmica, filósofa, EUA
Juliane House, Acadêmica, Alemanha
Karma Nabulsi, Oxford University, RU/Palestina
Keith Hammond, Acadêmica, Escócia
Ken Loach, cineasta, RU
Kool A.D. (Victor Vazquez), Músico, EUA
Liz Lochhead, poeta e dramaturga, RU
Liz Spalding, Escritor,
Luisa Morgantini, ex-vice-presidente do Parlamento Europeu, Itália
Mairead Maguire, Nobel da Paz, Irlanda
Marcia Lynx Qualey, Blogueira e crítica literária, EUA
Michael Lowy, Acadêmico, França
Michael Mansfield, Advogado, RU
Michael Ondaatje, Escritor, Canadá/Sri Lanka
Mike Leigh, escritor e diretor, RU
Mira Nair, cineasta, Índia
Monika Strzępka, diretora de teatro, Polônia
Naomi Wallace, Dramaturga, roteirista, poeta, US
Nathan Hamilton, Poeta ,
Noam Chomsky, Acadêmico, escritor, EUA
Nur Masalha, Acadêmico, RU/Palestina
Nurit Peled, Acadêmico, Israel
Paola Bacchetta, Acadêmico, RU
Phyllis Bennis, analista político, comentarista, EUA
Prabhat Patnaik, Economista, Índia
Przemyslaw Wielgosz, Editor-chefe do Le Monde Diplomatique, edição polonesa, Polônia
Rachel Holmes, Escritora, RU
Raja Shehadeh, Escritor e advogado, Palestina
Rashid Khalidi, Acadêmico, escritor, Palestina/EUA
Rebecca Kay, Acadêmico, Escócia
Richard Falk, Former UN Special Rapporteur on Occupied Palestinian Territories, EUA
Rigoberta Menchú, Nobel da Paz, Guatemala
Robin D.G. Kelley, Acadêmico, EUA
Roger Waters, Músico, RU
Robin Yassin-Kassab, Escritor, RU
Roman Kurkiewicz, jornalista, Polônia
Ronnie Kasrils, ex-ministra do governo Mandela, África do Sul
Rose Fenton, Diretor, diretor do Free Word Centre, RU
Sabrina Mahfouz, escritor, RU
Saleh Bakri, Ator, Palestina
Selma Dabbagh, Escritor, RU/Palestina
Sir Geoffrey Bindman, Advogado, RU
Slavoj Zizek, Filósofo, escritor, Eslovênia
Sonia Dayan-Herzbrun, Acadêmica, França
Steven Rose, Acadêmica, RU
Tom Leonard, escritor, Escócia
Tunde Adebimpe, Músico, EUA
Victoria Brittain, dramaturga e jornalista, RU
Willie van Peer, Acadêmico, Alemanha
Zwelinzima Vavi, Político, África do Sul
Carta publicada no The Guardian – http://www.theguardian.com/world/2014/jul/18/arms-trade-israel-attack-gaza – e tradução retirada da Folha.

sábado, 12 de julho de 2014

Sionismo = Nazismo: "Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?"


Colado de :
 
Redação Pragmatismo
 

O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças

Por Eduardo Galeano
Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.
eduardo galeano gaza israel
Eduardo Galeano: “Este artigo é dedicado a meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latinoamericanas que Israel assessorou”

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.

Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.
Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.
Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.
Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente ao País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?
O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.
E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada “comunidade internacional”, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?
Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.
Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinas, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antisemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.

terça-feira, 1 de julho de 2014

O ir e vir de uma palhaça assassinada e seu algoz P.M.


O assassino já está em liberdade...

http://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2014/06/justica-concede-liberdade-provisoria-pm-que-disparou-contra-motocicleta.html?utm_source=g1&utm_medium=email&utm_campaign=sharethis


ADVOGADO DA FAMÍLIA QUE ACOMPANHA O CASO, ESSA É A VERDADE (LINK ABAIXO):

''Não podemos entender como "tragédia". A palavra nos remete a casualidade. O policial fez a mira e atirou. Não foi casualidade. Não houve troca de tiros, não houve perseguição, houve uma mira e um tiro. Os fatos serão "esclarecidos".

http://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2014/06/advogado-nega-que-condutor-tenha-tentado-fugir-de-bloqueio-policial.html
 

Colando de: http://ponte.org/a-morte-da-palhacinha/

A morte da palhacinha


Presidente Prudente - Cerca de 200 pessoas, a maioria jovens com os narizes pintados de vermelho, como palhaços, compareceram ao cemitério de Rancharia, interior de São Paulo, no sábado (28 de junho), para se despedir da jovem atriz e produtora cultural Luana Carlana de Almeida Barbosa, a Lua, morta na véspera por tiro desferido por um policial militar.
Lua, que na vida de circo era conhecida como a palhaça Meia Lua Quebrada, tinha recém-completado 25 anos. No caixão, o corpo dela também estava com o nariz pintado de vermelho.lua4a
O jogo do Brasil contra a seleção do Chile ainda não tinha começado, quando o amigo Luis Valente puxou o “Ale Hop” , expressão usada pelos artistas circenses para indicar o início de um número. Repetido o grito por todos os que choravam no velório, o caixão já estava sendo fechado sob uma salva de palmas, quando a irmã de Lua, Nara, 21 anos e portadora de síndrome de Down, gritou: “Viva o Brasil”. Não era uma ironia.
A morte de Lua aconteceu na sexta-feira, por volta das 9h30, quando ela, na carona de uma moto, passava por bloqueio policial montado na avenida Joaquim Constantino, em Presidente Prudente. A motocicleta era pilotada pelo namorado de Lua, Felipe Barros, de 29 anos. Segundo a polícia, Felipe não teria obedecido à ordem de parada, avançando contra a barreira. No boletim de ocorrência, consta que a moto andou 300 metros antes de parar.
A versão do cabo Marcelo Coelho, que fez o disparo, é que foi tudo um acidente. Para ele, que trabalha há 23 anos na Polícia Militar, o capacete do piloto bateu em sua mão, provocando o tiro. O soldado foi detido no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. Por poucas horas.foto 3 copy
Autuado em flagrante, o cabo foi solto no domingo por um habeas corpus. Até a conclusão do inquérito, ficará encarregado de trabalhos administrativos no 18o. Batalhão da Polícia Militar de Presidente Prudente.
“Querem agora culpar o Felipe, mas está claro que a culpa é de quem puxou o gatilho Não quero culpar toda a instituição, mas cabe a ela dar uma resposta ao assassinato da minha filha”, disse Marcos de Almeida Barbosa, 56 anos, pai de Luana e secretário de Cultura de Rancharia.
Sorrisos
Olhos verdes, cabelo liso, magra, dentes bonitos, vegetariana, Lua não parava nunca. “Era alegre, artista, viva, pessoa do bem, positiva”, descreve o amigo e ator Tiago Munhoz. Estava sempre trabalhando. “Desde assessoria até lavar o banheiro, ela topava tudo –sempre com um sorriso no rosto”, lembra o amigo e ator Luis Valente.
Formada em Artes Cênicas pela Escola Técnica da Universidade Federal do Paraná, Lua fez curso técnico para produção de cinema e vídeo. Atualmente cursava Produção de Eventos na Fatec de Presidente Prudente.
Era atriz e produtora cultural na Federação Prudentina de Teatro e Artes Integradas. Na pele da palhaça Meia Lua Quebrada, atuava no grupo de Circo de Rua Os Mamatches, além de dar aulas no Circo-Escola, que rodava as cidades da região de Prudente. A atividade era voltada principalmente às crianças.
“Não consigo pensar nos Mamatches sem ela. Como continuar, não sei…”, lamenta Camila Peral, amiga e componente do coletivo de artistas. “Todos os trabalhos que tínhamos, todas as dúvidas, era a ela que nós consultávamos”, disse.
Família
Luana sempre gostou de ler. Fez balé quando criança e aos 12 anos entrou em um grupo de teatro de Rancharia chamado Pé na Estrada. Ali, descobriu sua paixão. Aos 17 anos, saiu de casa para estudar em Curitiba.
“Claro que tive medo. Mas era o sonho dela, então a deixamos ir. O maior prazer da vida dela era estar entre as crianças, por isso escolheu ser palhaça. O riso das crianças era o combustível da vida dela”, lembra o pai.
Luana e Nara eram muito apegadas. A família não sabe como Nara vai reagir ao desaparecimento da irmã. Quando Luana estava em Rancharia, elas ficavam grudadas. E, de vez em quando, Luana levava Nara pra casa dela em Prudente também, para passar o final de semana.
Quanto ao Felipe, eles estavam juntos há alguns meses. Estudavam e tinham projetos de trabalhar em um espetáculo de Mamulengo. Todos dizem que eles se completavam.
Na última quinta-feira, foi aniversário de 25 anos de Luana. Mas não houve festa. Durante todo o dia, ela e o namorado trabalharam na organização da festa junina da Federação Prudentina, que estava marcada para acontecer na sexta-feira à noite. Não deu tempo. A morte alcançou-a antes.
Sem punição
Os amigos não acreditam em punição severa ao policial que fez o disparo. Perguntado se acredita que será feita Justiça, Luis Valente responde logo: “Não. A Polícia Militar é muito corporativista. Não quero generalizar, mas a responsabilidade é da instituição”.
Para Camila Peral, amiga e componente dos Mamatches, o policial veio da calçada com a arma apontada para o casal, o dedo no gatilho. “Ele assumiu o risco de matar. Esse policial acabou com a vida da Luana, do Felipe, com a vida da família da Luana e acabou com a nossa vida também. E agora ela não vai voltar. O Estado dá a arma na mão de quem não sabe o que fazer com ela, de alguém que mata qualquer um.”
Segundo Tiago Munhoz, 36, ator, “não havia nenhuma denúncia, nem ocorrência que pudesse colocar a polícia em alerta e fazê-la reagir dessa forma truculenta. Isso demonstra um despreparo sem tamanho. Foi uma morte banal, um absurdo. Cabe a mim usar a arte para discutir o que aconteceu. Não sei o que posso fazer, mas eu vou fazer as pessoas refletirem.”
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que abriu inquérito e tem 40 dias, prorrogáveis por mais 20, para finalizá-lo. A arma foi apreendida e deve passar por perícia.
“Ale Hop”
 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Professor da UERJ faz caça às "bruxas" e persegue estudante com ideário socialista e feminista!

“Onde está a aluna marxista?” — a briga entre um professor e uma estudante na UERJ


Maria Clara Bubna, 20 anos, é estudante do 1° período de Direito na UERJ e integra o Coletivo de Mulheres da sua Universidade.
Ela era – até ele pedir exoneração – aluna do Professor Bernardo Santoro, autor de uma postagem de conteúdo debochado e pra lá de machista feita, publicamente, em seu facebook, e repudiado, recentemente, e com toda a razão, pelo Coletivos de Mulheres da UFRJ, outra Universidade na qual Bernardo leciona.
Depois disso, Bubna diz que passou a ser perseguida pelo professor. Ele afirma o contrário, mesmo estando hierarquicamente, acima da aluna, em sua relação dento da Universidade, e atribui a autoria do repúdio à Bubna e seu Coletivo, embora a Nota de Repúdio tenha sido publicada por outro Coletivo Feminista, de outra Universidade, a UFRJ.
A estudante ficou um tanto surpresa e assustada com o rumo que o assunto tomou e a repercussão que teve, mas resolveu quebrar seu silêncio e contar sua versão da história em seu depoimento intitulado “Sobre o Silêncio ou Manifesto pela Voz”, que reproduzo, na íntegra, logo abaixo.
“Parabéns” sqn, Professor Bernardo Santoro! O Senhor conseguiu ficar famoso como o machistinha mais comentado das redes sociais dos últimos dias! Melhor repensares o conteúdo das piadas que levas à público, uma vez que és pessoa pública e formador de opinião. Recomendo mais cautela.
E parabéns, de verdade, a ti, Maria Clara Bubna, que optou por não ficar calada, apesar de, como tu mesma disseste no teu manifesto, seres “o elo mais fraco desta relação”, por seres aluna, por seres mulher, por seres ainda muito jovem.
Segue o Manifesto de Maria Clara Bubna:
SOBRE O SILÊNCIO OU MANIFESTO PELA VOZ
Por muitos dias, eu optei por permanecer calada. Talvez numa tentativa de parecer madura (como se o silêncio fosse reflexo de maturidade) ou evitando que mais feridas fossem abertas, eu escolhi, nesse último mês, por vivenciar o inferno em que fui colocada com declarações breves e abstratas e conversas pessoais cautelosas. Mas se tem uma coisa que eu descobri nesse mês é que a maior dor que poderiam me causar era o meu silenciamento, o meu apagamento por ser mulher, jovem, “elo fraco” de toda relação de poder. Eu decidi portanto recuperar minha voz. Esse texto é um apelo a não só o meu direito de resposta, mas o meu direito a existir e me manter de pé enquanto mulher.
Eu nunca vi necessidade de esconder meus posicionamentos. Seja sobre o meu feminismo ou minhas preferências políticas, sempre fui muito firme e verdadeira com o que acredito. Mantive sempre a consciência de que minha voz era importante e que, junto com muitas outras vozes, seriamos fortes. Exatamente por isso, nunca vi necessidade de me esconder. Decidi fazer Direito baseada nessa minha ideia de que a união de vozes e forças poderia mudar a quantidade brutal de situações hediondas que o sistema apresenta.
Dentro da Faculdade de Direito da UERJ, acabei encontrando um professor que possui postura claramente liberal. Ele também nunca fez questão de esconder suas preferências políticas, mesmo no exercício de sua função. Apesar de ser meu primeiro ano na faculdade, passei alguns muitos anos no colégio durante os ensinos fundamental e médio e tive professores militares, conservadores, cristãos ferrenhos. Embates aconteciam, mas nunca ninguém se sentiu ofendido ou depreciado pelas suas preferências ideológicas. O debate, quando feito de maneira saudável, pode sim ser enriquecedor. Para minha surpresa, isso não aconteceu no ambiente universitário.
Ouvindo Bernardo Santoro se referir aos médicos cubanos como “escravos cubanos”, a Marx como “velho barbudo do mal”; explicar o conceito de demanda dizendo que ele era um “exímio ordenhador pois produzia muito leitinho” (sic) e que o “nazismo era um movimento de esquerda”, decidi por me afastar das aulas e tentar acompanhar o conteúdo por livros, gravações, grupos de estudo… Já ciente do meu posicionamento político e percebendo minha ausência, o professor chegou a indagar algumas vezes, durante suas aulas: “onde está a aluna marxista?”
No dia 15 de maio deste ano, Bernardo postou em sua página do Facebook, de maneira pública, um post sobre o feminismo. Usando o argumento de que se tratava de uma “brincadeira”, o docente escarneceu da luta feminista e das mulheres de maneira grosseira e agressiva. A publicação alcançou muitas visualizações, inclusive de grupos e coletivos feministas que a consideraram particularmente grave, em se tratando de um professor, como foi o caso do Coletivo de Mulheres da UFRJ, universidade em que Bernardo também leciona.
A partir do episódio, o Coletivo de Mulheres da UFRJ escreveu uma nota de repúdio à publicação do professor, publicada no dia 27 de maio na página do próprio Coletivo, chegando rapidamente ao seu conhecimento.
Foi o estopim. Fazendo suposições, o professor começou a me acusar pela redação da nota de repúdio e a justificou como fruto de sua “relação conflituosa” comigo, se mostrando incapaz de perceber quão problemático é escarnecer, de maneira pública, de um movimento de luta como o feminismo.
Fui então ameaçada de processo. Primeiro com indiretas por comentários, onde meu nome não era citado. Alguns dias se passaram com uma tensão se formando, tanto no meio virtual quanto nos corredores da minha faculdade. Já se tornava difícil andar sem ser questionada sobre o assunto.
Veio então, dias depois, uma mensagem privada do próprio Bernardo. A mensagem me surpreendeu por não só contar com o aviso sobre o “processo criminal por difamação” que o professor abriria contra mim, mas por um pedido do mesmo para que nos encontrássemos na secretaria da faculdade para que eu me desligasse da minha turma, pois o professor não tinha interesse em continuar dando aula para alguém que processaria.
Nesse ponto, meu emocional já não era dos melhores. Já não conseguia me concentrar nas aulas, chorava com uma certa frequência quando pensava em ir pra faculdade e essa mensagem do professor serviu para me desestabilizar mais ainda. Procurei o Centro Acadêmico da minha faculdade com muitas dúvidas sobre como agir. Foi decidido então levar o assunto até o Conselho Departamental que aconteceria dali alguns dias.
No Conselho, mesmo com os repetidos informes de que não se tratava de um tribunal de exceção, Bernardo agiu como se fosse um julgamento. Preparou uma verdadeira defesa que foi lida de maneira teatral por mais de quarenta minutos. Conversas e posts privados meus foram expostos numa tentativa de deslegitimar minha postura. Publicações minhas sobre a militância feminista e textos sobre minhas preferências políticas foram lidos pelo professor, manipulando o conteúdo e me expondo de maneira covarde e cruel. Dizendo-se perseguido por mim, uma aluna do primeiro período, Bernardo esqueceu-se que dentro do vínculo aluno/professor há uma clara relação de poder onde o aluno é obviamente o elo mais fraco.
Eu, enquanto aluna, mulher, jovem, não possuo instrumentos para perseguir um professor.
O Conselho, por fim, decidiu pela abertura de uma sindicância para apurar a postura antipedagógica de Bernardo. Não aceitando a abertura da sindicância, o professor, durante o próprio Conselho, comunicou que iria se exonerar e deixou a sala.
Foi repetido incansavelmente que a questão para a abertura da sindicância não era ideológica, mas sim sobre a postura dele como docente. Bernardo, ao que parece, não entendeu.
No dia seguinte, saiu uma reportagem no jornal O Globo sobre a questão. O professor declara que eu sempre fui uma “influência negativa para a turma”. Alguns dias depois, a cereja do bolo: seu amigo pessoal, Rodrigo Constantino, publicou, em seu blog na Revista Veja, uma reportagem onde eu era completamente difamada e exposta sem nenhum aviso prévio sobre a citação do meu nome. A reportagem por si só já era deprimente, mas o que ela gerou foi ainda mais violento.
Comecei a receber mensagens ameaçadoras que passavam desde xingamentos como “vadia caluniadora” até ameaças de “estupro corretivo”. Meu e-mail pessoal foi hackeado e meu perfil do facebook suspenso.
A situação atual parece estável, mas só parece. Ontem, no meu novo perfil do facebook, recebi mais uma mensagem de um homem desconhecido dizendo que eu deveria ser estuprada. Não, eu não deveria. Nem eu nem nenhuma outra mulher do planeta deveria ser estuprada, seja lá qual for o contexto. Nada nesse mundo justifica um estupro ou serve de motivação para tal.
Decidi quebrar o silêncio, romper com essa postura conformista e empoderar minha voz. É preciso que as pessoas tenham noção da tensão social que vivemos onde as relações de opressão estão cada vez mais escancaradas e violentas.
Em todo esse desenrolar, eu me vi em muitos momentos me odiando. Me odiando por ser mulher, me odiando por um dia ter dado valor à minha voz. Me vi procurando esconderijos, me arrependendo de ter entrado na faculdade de Direito, de ter acreditado na minha força. Me detestei, senti asco de mim. Mas eu não sou assim. Eu sou mulher. Já nasci sentindo sobre mim o peso da opressão, do machismo, do medo frequente de ser violada e violentada. Eu sou forte, está na minha essência ter força. E é com essa força que eu escrevo esse texto.
Estejamos fortes e unidos. A situação não tende a ficar mais mansa ou fácil. Nós precisamos estar juntos. É essa união que vai criar rede de amor e uma barreira contra essas investidas violentas dos fascistas que nos cercam. Foi essa rede de amor e apoio que me manteve sã durante esse mês e é essa rede que vai nos manter vivos quando o sistema ruir. Porque esse sistema está, definitivamente, fadado ao fracasso.
Abrace e empodere sua voz.
Maria Clara Bubna
Rio de Janeiro, junho de 2014.
Fonte:  Dcm

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Mauro Iasi: o atual governo NÃO É UM ALTERNATIVA POPULAR! Portanto, protestos da esquerda na Copa não é imbecil...

Fonte - http://blogdaboitempo.com.br/2014/06/16/o-escravo-da-casa-grande-e-o-desprezo-pela-esquerda/
 
O escravo da Casa Grande e o desprezo pela esquerda 

Por Mauro Iasi. 

Malcom X comparou, certa vez, os negros que defendiam a integração na sociedade norte americana com escravos da casa. Para defender suas pequenas posições de acomodação na ordem escravista, buscavam imitar seus senhores, copiar seus maneirismos, usar suas roupas, sua linguagem, adotando o nome da família de seus senhores. Daí o “X” no lugar do sobrenome do revolucionário norte americano.
Não é de se estranhar que os escravos da Casa Grande se incomodassem com as revoltas vindas da Senzala, pois poderiam atrapalhar sua instável acomodação, sua sobrevivência subserviente.
Dois textos recentes me chamam a atenção, não sei se produzidos pela mesma pena, mas certamente movidos pelo mesmo ódio e desprezo contra a esquerda em nosso país. Um deles é de autoria do sociólogo Emir Sader neste blog (“Não é a Copa, imbecil, são as eleições), que recentemente comparou os manifestantes a cachorros vira-lata, outro é o editorial do Brasil de Fato de 03/06/2014 (“Eleições presidenciais e o papel do esquerdismo“) que, não contente em se aliar ao campo de apoio a Dilma, abriu as baterias contra a esquerda – aquela mesma que em muitas situações apoiou esse jornal, não apenas nas campanhas para sua sustentação, mas participando de seu conselho editorial e apoiando nos momentos mais difíceis.
Tanto o sociólogo como o jornal têm o direito de apoiar quem quiserem, de emitirem suas opiniões, mas o que nos chama a atenção é a necessidade de atacar a esquerda e a forma deste ataque. Como em todo o debate que busca fugir do mérito da questão (talvez pela dificuldade em realizar o debate neste campo) lança-se mão de estigmas. É preciso caracterizar os oponentes como “esquerdistas”, “minorias”, “intelectuais vacilantes da academia”, ou mais diretamente de “imbecis”.
Por vezes devemos aceitar o debate não pela qualidade dos argumentos ou a seriedade dos adversários, mas em respeito àqueles que poderiam se beneficiar do bom debate. Para isso temos que supor que o debate é sério e que há uma questão de fundo, ainda que para isso tenhamos que separar uma grossa camada de retórica que visa desqualificar o debate para não enfrentá-lo.
O argumento central da posição expressa nos textos citados, mas explícita e de forma mais clara no editorial do Brasil de Fato, poderia ser assim resumida: os governistas teriam uma “visão ampla da luta de classes”, que articularia três dimensões – a luta social, a ideológica e a institucional – atuando com “firmeza ideológica e flexibilidade tática”; enquanto os supostos esquerdistas “ignoram a correlação de forças” no Brasil e na America Latina e concentram muito mais nas criticas do que nas realizações dos governos “populares”. Isso porque subordinam suas posições, como “vacilantes intelectuais da academia” ou partidos “sem o mínimo peso eleitoral”, não a uma análise concreta de uma situação concreta, mas a uma “fidelidade” ao marxismo ortodoxo.
O resultado desta premissa, segundo a posição expressa, é o seguinte:
“Por isso, para serem condizentes com uma análise concreta de uma situação concreta, os partidos de esquerda sem o mínimo de peso eleitoral, que não conseguem enraizar sua mensagem programática e nem contribuir para o avanço da consciência de classe das massas populares durante as eleições deveriam estar fortalecendo a candidatura de Dilma, mesmo sabendo que o neodesenvolvimentismo em curso não é uma alternativa popular.
Mesmo na posição de um “vacilante intelectual do mundo acadêmico, fiel ao marxismo e de um partido sem peso eleitoral”, gostaria de iniciar o debate afirmando que nossos colegas deveriam seguir, antes de mais nada seus conselhos. Se não vejamos. O erro do “esquerdismo”, que o impediria de realizar uma análise concreta de uma situação concreta, é que “não conseguem identificar frações de classes e seus diversos interesses em torno do governo Dilma”.
Então vamos lá. Quais são as classes e frações de classe que se somam aos governos do PT? O PT produziu-se como experiência histórica da classe trabalhadora que acabou por projetar-se numa organização política que, sem perder a referencia passiva desta classe, assumiu posturas políticas que se distanciam dos objetivos históricos dos trabalhadores. Não se trata de uma questão de origem de classe, mas do caráter de classe da proposta política apresentada em nome dos trabalhadores.
É preciso explicar aos leitores que nós (intelectuais vacilantes fieis ao marxismo) não concebemos a classe social como mera posição nas relações sociais de produção e formas de propriedade, mas como uma síntese de determinações que partindo da posição econômica, devem se somar a ação política, a consciência de classe e outros aspectos. Dessa forma, um setor da classe trabalhadora, ainda que partindo originalmente deste pertencimento, pode em sua ação política e na sua intencionalidade, afirmar outro projeto societário que não aquele que nossa experiência histórica constitui como meta – o socialismo –, sendo capturado pela hegemonia burguesa, naquilo que Gramsci chamou de “transformismo”.
No caso do PT acaba por se consolidar um projeto que tem por principal característica quebrar as reivindicações sociais do proletariado e dar a elas uma feição democrática; despir as formas puramente políticas das reivindicações da pequena burguesia e apresentá-las como socialistas, e tudo isso para exigir instituições democráticas republicanas “não como meio de suprimir dois extremos, o capital e o trabalho assalariado, mas como meio de atenuar a sua contradição e transformá-la em harmonia.” (Karl Marx, O 18 de brumário de Luís Bonaparte, p. 63).
Assim o PT em seu projeto (e prática) de governo apresenta em nome da classe trabalhadora um projeto pequeno-burguês. Mas o PT não governa sozinho, têm razão nossos colegas. É necessário seguir nossa análise para responder quais classes e setores de classe compõem o governo Dilma. Como o centro do projeto político foi deslocado para chegar ao governo federal e lá se manter, são necessárias alianças e até mesmo o programa de reformas democrático-populares é por demais amplo (seria o que André Singer chama de “reformismo forte”), então, rebaixa-se o programa (um “reformismo fraco”) e amplia-se as alianças. Para qual direção?
Não podemos confundir a sopa de letrinhas do leque de alternativas partidárias com segmentos de classe, mas eles são um indicador das personificações desses interesses. As alianças inicialmente pensadas como um leque entorno da classe trabalhadora, setores médios e pequenos empresários, se amplia bastante agora no quadro de um Pacto Social. Vejamos:
“Um novo contrato social, em defesa das mudanças estruturais para o país, exige o apoio de amplas forças sociais que dêem suporte ao Estado-nação. As mudanças estruturais estão todas dirigidas a promover uma ampla inclusão social – portanto distribuir renda, riqueza, poder e cultura. Os grandes rentistas e especuladores serão atingidos diretamente pelas políticas distributivistas e, nestas condições, não se beneficiarão do novo contrato social. Já os empresários produtivos de qualquer porte estarão contemplados com a ampliação do mercado de consumo de massas e com a desarticulação da lógica financeira e especulativa que caracteriza o atual modelo econômico. Crescer a partir do mercado interno significa dar previsibilidade para o capital produtivo.”
Resoluções do 12.º Encontro Nacional (2001). Diretório Nacional do PT (São Paulo, 2001, p. 38).
Este pacto social com “empresários produtivos de qualquer porte” não deixaria de fora nem mesmo os “rentistas”, como se comprovou. A chamada governabilidade exigiria que as personificações partidárias destes interesses estivessem na sustentação do governo, de forma que o governo de “centro” (pequeno-burguês) buscou e conseguiu se aliar com siglas da direita (PMDB, PTB, PP, PSC e outras). Na composição física do governo vemos setores de classes diretamente representados, como o caso dos interesses dos grandes monopólios no Ministérios da Indústria, dos bancos no Banco Central, do agronegógio no Ministério da Agricultura, assim como o controle das agências reguladores e outros espaços formais e informais de definição da política governamental.
Evidente que haverá participação dos “trabalhadores”, mas há aqui uma diferença essencial. Enquanto os setores do grande capital monopolista levam suas demandas à política de governo e as efetivam, as demandas dos trabalhadores são, por assim dizer, filtradas. Enquanto a CUT defendia suas resoluções em defesa da previdência pública, um ex-presidente da entidade assume o ministério para implementar a reforma da previdência, assim como a luta pela reforma agrária é tolerada, mas filtrada e peneirada em espaços intermediários para que os militantes comprometidos não cheguem aos espaços de decisão sobre a questão fundiária e agrária, estes reservados aos representantes do agronegócio.
Podemos ver militantes e personificações de segmentos importantes da classe trabalhadora em áreas como a saúde, a assistência social e outras, no entanto, o espaço efetivo de implementação de políticas ficaria constrangida pelas áreas de planejamento e a lógica da reforma do Estado para produzir a subserviência à lei de responsabilidade fiscal e a política de superávits primárias que tanto agrada aos banqueiros.
Recentemente a presidente Dilma, através da deputada Kátia Abreu (aquela mesmo!!!) da bancada ruralista, garimpava apoio entre os diferentes setores do agronegócio (gado, soja, milho, etc.), enquanto Paulo Maluf posava sorridente ao lado do candidato do PT ao governo de São Paulo em troca de alguns minutos no tempo de TV.
O governo de pacto social com os setores da grande burguesia monopolista e a pequena burguesia que sequestrou a representação da classe trabalhadora, implica nos limites da ação de governo, isto é, impedem o “reformismo forte” e impõe um “reformismo fraco”. Para atender as exigências da acumulação de capital dos diversos segmentos da burguesia monopolista, as demandas dos trabalhadores têm que ser contingenciadas, focalizadas, gotejadas, compensatórias.
Queria-se acabar com a fome e a miséria, mas devemos nos contentar em combater as manifestações mais agudas da miséria absoluta. Queríamos uma reforma agrária (e mais que isso, não é, uma nova política agrícola e de abastecimento, etc.), mas devemos nos contentar com crédito para assentamentos competirem com o agronegócio e assistência para os que não conseguem. Não se revertem as privatizações realizadas e cresce a lógica privatista com as fundações público privadas, as OSs e outras formas diretas ou indiretas de privatização.
O problema é que, mesmo assim, dando tanto à burguesia monopolista e tão pouco aos trabalhadores, a burguesia sempre vai jogar com várias alternativas, e, na época das eleições, vai ameaçar, chantagear e negociar melhores condições para dar sua sustentação. O leque de alianças da governabilidade petista não implica fidelidade dos setores do capital monopolista, adeptos do amor livre, entendem o apoio ao governo do PT como uma relação aberta. Por isso aparecem na época das eleições na forma de suas personificações como partidos de “oposição”.
Tal dinâmica produz um movimento interessante. Amor e união com a burguesia monopolista durante o governo e pau na classe trabalhadora (combinada com apassivamento via políticas focalizadas e inserção como consumidores); e briga com a burguesia e promessas de amor com os trabalhadores na época de eleição!
A abertura da Copa e a hostilização vinda da área VIP contra a presidente funciona aqui como uma metáfora perfeita: eles fazem a festa para os ricos, enchem o estádio com a elite branca e rica, esperando gratidão, mas a elite xinga a presidente.
A artimanha governista é circunscrever a propalada análise concreta de uma situação concreta à conjuntura da eleição e não do período histórico em que esta conjuntura se insere. Graças a esta mágica, desaparece o governo real entre no lugar um mito que resiste ao neoliberalismo contra as forças do mal igualmente mitificadas e descarnadas de sua corporalidade real. É o odioso “neoliberalismo”, que vai retroceder nos incríveis ganhos sociais alcançados e desestabilizar os governos progressistas na America Latina. Vejam, nos dizem, como são piores que nosso governo, precisamos derrotá-los para evitar o retrocesso e as privatizações. Mas uma vez derrotados eleitoralmente os adversários de direita… quem privatizou o Campo de Libra? Colocando exército para bater em manifestantes? Quem aprovou a lei das fundações público-privadas que abriu caminho para a privatização da saúde e outras? Quem aprovou a lei dos transgênicos, o código florestal e de mineração?
Não são iguais, é verdade. São duas versões distintas disputando a direção do projeto burguês no Brasil. Um o capitalismo com mais mercado e menos Estado, outro o capitalismo com mais Estado para garantir a economia de mercado.
Precisamos circunscrever a análise da correlação de forças ao momento eleitoral para evitar a derrota do governo Dilma, vejam, “mesmo sabendo que o neodesenvolvimentismo em curso não é uma alternativa popular”!
Então, comecemos por aí: o atual governo NÃO É UM ALTERNATIVA POPULAR! Já é um bom começo. Mas tenho uma péssima notícia… também não é neodesenvolvimentista, seja lá o que isso queira dizer. É um governo de pacto social que, partindo de um programa e uma concepção pequeno-burguesa, crê ser possível manter as condições para a acumulação de capitais o que leva a uma brutal concentração de renda e riqueza nas mãos de um pequeno grupo, ao mesmo tempo em que, pouco a pouco e muito lentamente, apresenta a limitada intenção de diminuir a pobreza absoluta e incluir os trabalhadores na sociedade via capacidade de consumo (bolsas, salários e crédito, etc.).
Ora, o que deve fazer a esquerda “sem o mínimo de peso eleitoral, que não consegue enraizar sua mensagem programática e nem contribuir para o avanço da consciência de classe das massas populares”? Dizem os governistas: votar na Dilma. No entanto, desculpe a insistência de quem faz análise concreta de situação concreta não só quando chegam as eleições e água bate na bunda; mas, e se for exatamente este processo de pacto social e de implementação de um social-liberalismo que está impedindo o “avanço da consciência de classe”? Depois de 12 anos de governos desta natureza a consciência de classe está mais avançada que estava nos anos 80 e 90? Nos parece que não.
Se somos tão insignificantes, irrelevantes e idiotas… por que é necessário bater desta forma na esquerda? Pelo simples fato que nossa existência, a existência de uma ESQUERDA (não a pecha de esquerdismo que tenta se impor contra nós como estigma), é a denuncia explícita dos limites e contradições que o governismo e seus lacaios querem jogar para debaixo do tapete.
Para manter a “imagem” do governo petista (Sader está preocupado com a imagem) é preciso uma operação perversa: atacar quem denuncia os limites desta experiência, não importando o quanto desqualificado e hipócrita seja o ataque, estigmatizando, despolitizando o debate. Primeiro foi necessário destruir a esquerda dentro do PT e sabemos os métodos que foram usados nesta guerra suja. Na verdade o que vemos agora contra a esquerda fora do PT é uma projeção do ataque vil e brutal que companheiros da esquerda petista sofreram e (aqueles que ainda resistem lá no PT) ainda sofrem (esquerdistas, isolados das massas, sem expressão eleitoral, irresponsáveis, etc.). E depois que conseguirem isolar, estigmatizar e satanizar a crítica de esquerda a essa experiência centrista e rebaixada de governo? Quando forem atacados pela direita que não guarda nada a não ser desprezo para com os escravos da casa grande?
As manifestações seriam, segundo os governistas, uma ofensiva da direita para sujar a imagem bela e idealizada do governo e o esquerdismo joga água neste moinho. Interessante que a necessidade de uma análise concreta de uma situação concreta, da correlação de forças e das classes não é necessária quando se trata das manifestações. MTST, garis, metroviários, professores, são todos imbecis marionetes da direita, manipulados por ela e quando pensam lutar por seus direitos e demandas estão fazendo o jogo da direita. Somos nós que fazemos o jogo da direita… tem certeza?
De nossa parte, não nos incomodamos, porque não esperamos nada mais que isso como consequência do progressivo, e triste, processo de descaracterização e rebaixamento político. Não será a primeira vez que a política pequeno-burguesa, que se diz representante de todo o povo, se alia ao trabalho sujo da direita para combater a esquerda.
Respondemos àqueles que acreditam que estamos isolados com as palavras de Lenin, com quem aprendemos a fazer análise concreta de uma situação concreta:
Pequeno grupo compacto, seguimos por uma estrada escarpada e difícil, segurando-nos fortemente pela mão. De todos os lados, estamos cercados de inimigos, e é preciso marchar quase constantemente debaixo de fogo. Estamos unidos por uma decisão livremente tomada, precisamente a fim de combater o inimigo e não cair no pântano ao lado, cujos habitantes desde o início nos culpam de termos formado um grupo à parte, e preferido o caminho da luta ao caminho da conciliação. Alguns dos nossos gritam: Vamos para o pântano! E quando lhes mostramos a vergonha de tal ato, replicam: Como vocês são atrasados! Não se envergonham de nos negar a liberdade de convidá-los a seguir um caminho melhor? Sim, senhores, são livres não somente para convidar, mas de ir para onde bem lhes aprouver, até para o pântano; achamos, inclusive, que seu lugar verdadeiro é precisamente no pântano, e, na medida de nossas forças, estamos prontos a ajudá-los a transportar para lá os seus lares. Porém, nesse caso, larguem-nos a mão, não nos agarrem e não manchem a grande palavra liberdade, porque também nós somos “livres” para ir aonde nos aprouver, livres para combater não só o pântano, como também aqueles que para lá se dirigem!
(Lenin, Que fazer?, São Paulo: Expressão Popular, 62).

domingo, 15 de junho de 2014

Mais uma revelação da Comissão da Verdade: Filho da Zuzu Angel pode ser encontrado!

Corpo de Stuart Angel pode estar enterrado na Base Aérea de Santa Cruz

Akemi Nitahara - Agência Brasil 09.06.2014 - 15h55 | Atualizado em 09.06.2014 - 19h01
O corpo do estudante de economia e professor Stuart Edgar Angel Jones pode ter sido enterrado na Base Aérea de Santa Cruz. Ele era militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro e foi preso irregularmente, torturado e morto em maio de 1971 em uma prisão clandestina na Base Aérea do Galeão, por agentes do Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa),  que buscavam informações sobre Carlos Lamarca. Não há versão oficial sobre o paradeiro do corpo.
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A informação sobre a localização corpo está no relatório preliminar sobre o caso, apresentado hoje (9) pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) em audiência pública no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro. O possível local do enterro foi apontado no depoimento do capitão reformado da Aeronáutica Álvaro Moreira de Oliveira Filho, que ouviu a história do colega José do Nascimento Cabral, já morto.
Cabral era controlador de voo e servia em Santa Cruz. Segundo Moreira, Cabral relatou ter visto da Torre de Controle uma movimentação noturna incomum, com a interdição da pista de pouso a pedido do brigadeiro João Paulo Moreira Burnier, comandante da base na época,  e um corpo sendo enterrado na cabeceira. Os militares que serviam no local disseram que se tratava de Stuart Angel.
De acordo com o secretário executivo da CNV, André Sabóia, a comissão pretende fazer investigações in loco, mas é precisa da colaboração da Aeronáutica para encontrar o corpo. “Tecnicamente é possível, mas nós precisamos da colaboração intensa da Aeronáutica para ter informações mais precisas sobre esse fato, porque há comandantes da base aérea do Galeão e de Santa Cruz à época vivos, nós temos esses nomes, a Aeronáutica nos informou. Essas pessoas, além de outros militares e civis que serviram nesses locais, poderão dar informações mais precisas para essas buscas, utilizando as tecnologias mais modernas de radar de solo e outras técnicas”.
A CNV vai fazer um pedido formal de informações técnicas sobre o caso. O coordenador da comissão, Pedro Dallari lembra que a versão oficial diz que Stuart é considerado desaparecido, mas dois documentos das Forças Armadas confirmam a morte do estudante.
“Temos comprovação de que Stuart foi morto. Em um documento de 14 de setembro de 1971 e outro de 1975 ele é dado como morto. Documentos das Forças Armadas dão conta de que a morte ocorreu na Base Aérea do Galeão. As informações anteriores falavam que o corpo teria sido jogado no mar ou enterrado em um cemitério clandestino, agora temos essa informação de Santa Cruz. Nós vemos que o padrão de ocultação de cadáver se mantém, como no caso de Rubens Paiva, que teria sido levado para o Alto da Boa Vista. Os corpos são levados para locais ermos”.
Muito emocionada na audiência, a jornalista Hildegard Angel, irmã de Stuart, considerou a informação um alento, depois de tantos anos de negação da verdade.
“Enfim tenho uma informação que me parece objetiva a respeito do paradeiro dos restos mortais do meu irmão. E espero que o ministro da Defesa, embaixador Celso Amorim, e o comandante da Aeronáutica tenham o mesmo espírito colaborativo com o país, porque um país sem história não é um país digno, não é uma pátria. A dignidade só vem através da verdade. Temos que dar aos nossos heróis, aos nossos mártires, a honra da sua verdadeira história”.
A mãe de Stuart, a estilista Zuzu Angel, morreu em um acidente de carro em abril de 1976, depois de fazer uma campanha internacional para encontrar o filho, que constrangeu o governo brasileiro. Em 1998, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos reconheceu que a morte dela foi um atentado político.
A viúva de Stuart, Sonia Maria Lopes de Moraes, se exilou na França em 1970, depois de ser presa e perseguida por atuar no movimento estudantil. Voltou ao Brasil após a prisão de Stuart e se mudou para o Chile. Retornou ao Brasil em 1973 e foi presa com o companheiro de organização Antonio Crlos Bicalo Lana em São Vicente, litoral de São Paulo. Os dois foram torturados, mortos e enterrados no Cemitério de Perus, em São Paulo, ela com nome falso.
Editor: Luana Lourenço

segunda-feira, 9 de junho de 2014

47 do 2º - Tabelinha com o Comitê Popular da Copa

Realizado em processo colaborativo com estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal de Educação Professor Vicente Bastos.
São Caetano do Sul
maio de 2014, por Milene VAlentir Ugliara

domingo, 4 de maio de 2014

Manifestação pela liberdade da ARTE na RUA!



Para entender, eis o Decreto que gerou toda esta mobilização.

"-= ATENÇÃO: reunião urgente de mobilização e discussão sobre o decreto. Segunda-feira 24/3 às 18hs no Ateliê Compartilhado Casa Amarela (altura da Rua da Consolação, 1075) https://www.facebook.com/events/609544142463090 =-

Como muita gente sabe, a Prefeitura de São Paulo publicou na sexta passada, sem avisar ninguém, um decreto (decreto 54.948, compartilhado nesse post, pode ser encontrado aqui http://bit.ly/1gpOpVf ) para iniciar a regulamentação da lei municipal de artistas de rua (lei 15.776, disponível aqui http://bit.ly/1lTSII6 ).

De cara, já rolou barulho, com matéria na Folha de São Paulo (http://bit.ly/1f2A77y ou http://bit.ly/1dn75Vs para quem não assina a Folha), que infelizmente esclarece pouco sobre as características do decreto (sugestão a jornalistas: forneçam sempre um link curto para a íntegra de leis, decretos e afins). A Veja São Paulo também noticiou: http://abr.ai/1rcv6lu.

Bom, passado todo o barulho e indignação resultantes de aflição com manchetes, que tal uma análise mais fria do decreto e do processo todo?

Para começar, precisamos lembrar do seguinte: nossa sociedade é formada por diversos setores. Tanto o Executivo quanto o Legislativo precisam ouvir TODOS para conseguir conciliar interesses. Obviamente, alguns setores detêm muito mais poder que outros. Quem você acha que tem mais força: o comércio, que rende rios de dinheiro em impostos, ou artistas de rua, que nem fazem coceira nos cofres públicos, mas têm um papel fundamental no ordenamento do espaço urbano e na criação de espaços de convivência? Tire suas próprias conclusões…

Enfim, é importante deixar claro o processo de criação da lei e de sua consequente regulamentação. O projeto de lei foi redigido com base em amplas discussões entre vereadores, artistas de rua e representantes de organizações ligadas ao comércio e à vizinhança de áreas com alta concentração de apresentações de rua (Centro e Paulista). A lei foi votada e sancionada em um prazo relativamente curto (um ano e meio) por conta da pressão de artistas de rua. Uma vez sancionada a lei, foi aberta uma discussão pública a respeito da regulamentação. Foi realizada uma audiência pública e em seguida diversas reuniões. Minutas foram compartilhadas e discutidas online e presencialmente. Foram removidos ou reescritos artigos e itens que pudessem incorrer em excesso de controle por parte do Estado. Mas, obviamente, tivemos de abrir mão de algumas exigências, para conseguir criar um equilíbrio com as demandas que vinham tanto do Executivo quanto das entidades de bairro e de comércio. Em uma última reunião entre artistas, legisladores, representantes da prefeitura e da região central, chegou-se a um consenso a respeito do texto, onde todo mundo abria mão de alguma coisa. Democracia às vezes tem disso: temos de abrir mão em respeito ao próximo. A minuta aprovada, que ainda está passando por algumas mudanças pequenas de redação, pode ser vista aqui http://bit.ly/1fRECkX.

Mas o que nos pegou de surpresa, afinal? Basicamente, dois fatos:

O primeiro foi a notícia de que a Prefeitura decidiu não publicar a minuta como um decreto, deixando para a Secretaria Municipal de Cultura publicá-la como portaria. Para isto, o Gabinete do Prefeito correu e publicou um "decreto-tampão", mais genérico, explicitando que o detalhamento virá por meio de portaria da SeCult, mas definindo de antemão algumas restrições. Que fique claro: ninguém foi avisado que isso ia acontecer. Só aí, já sentimos uma certa decepção com a prefeitura

O segundo foi a nossa interpretação de que este ato possivelmente aconteceu por conta de forte pressão dos setores comerciais presentes no Centro de São Paulo. ATENÇÃO: esta é uma análise nossa e pode não refletir a realidade por completo.

E o que diz o decreto? Bom, vocês podem ler o texto completo aí na imagem que compartilhei, mas eles diz mais ou menos o seguinte:

1. A Secretaria Municipal de Cultura vai publicar uma portaria detalhando melhor como a lei deve ser interpretada e fiscalizada. Esta portaria terá como base a minuta aprovada em consenso;

2. Foram criadas algumas restrições, a pedido da Secretaria de Coordenação de Subprefeituras, para procurar garantir o fluxo da cidade. Fomos contra estas imposições, pois acreditamos na auto-organização da categoria e consequente desenvolvimento de consensos internos a respeito de como artistas de rua devem ocupar o espaço urbano e conviver com o entorno. Eu, pessoalmente, acho que estes itens podem ser usados no futuro para coibir a atividade e fui voto vencido.
Para resumir, o texto fala mais ou menos o seguinte: apresentações não podem acontecer muito perto de locais com alto fluxo (faixas de pedestre, terminais de metrô ou trem, pontos de ônibus ou taxi, orelhões e monumentos), feiras de arte ou artesanato, repartições públicas, escolas ou hospitais.
Isso tudo seria muito bonitinho, não fosse o fato de que tanto Centro quanto Paulista são repletos de tudo isso. Sem falar nas faixas de pedestre, que são usadas por malabaristas com muita consciência da segurança dos pedestres e veículos à sua volta. De repente, me lembrei de um projeto de lei do vereador Marco Aurélio Cunha (PSD, ex-DEM), que queria proibir malabares de fogo e faca por simplesmente achar que era perigoso, sem sequer consultar as pessoas que trabalham com isso (e que treinam MUITO para diminuir o risco para próximo de zero). Ou seja: se a prefeitura quiser achar que a arte de rua tá dando muito trabalho, pode usar todos esses itens como desculpa pra varrer todo mundo pra fora da rua;

3. O decreto assinado por Kassab em 2011 oficialmente passa a deixar de valer;

4. Agora o ponto polêmico, pois depende de interpretação: "atividades previstas" na lei 15.776 precisam de autorização da subprefeitura para acontecer, sendo obrigados a preencherem um cadastro e enviar uma proposta da apresentação. A confusão aqui é que "atividade prevista" pode ser tanto o rol completo de possibilidades de arte de rua, quanto simplesmente as situações que a lei 15.776 prevê como imprescindíveis de autorização (que são as atividades que usam palcos ou estruturas, definido no Art. 1º, item VI da lei 15.776).
Neste quesito, é fundamental a ajuda de advogados para entender qual das duas situações é a que passa a valer com o decreto. Se valer a primeira opção, onde TODO MUNDO precisa pedir autorização e se cadastrar, aí precisamos gritar muito, pois vai totalmente contra a prerrogativa da nossa lei, contra a Constituição Federal e, principalmente, contradiz o posicionamento público que o prefeito Fernando Haddad tem exibido desde a campanha, quando se colocava sempre contra a repressão e controle da arte de rua.

Quais são os próximos passos?

Bom, primeiro, precisamos pressionar a Secretaria Municipal de Cultura a publicar logo a portaria baseada na minuta aprovada há um mês atrás.
Segundo, precisamos nos reunir para analisar e discutir os efeitos desta regulamentação. Ela nos contempla ou vai contra nossos ideais? Devemos aceitá-la ou nos mobilizarmos para chegar mais próximo do que consideramos o ideal?

Além disso tudo, precisamos nos mobilizar para resolver os diversos conflitos que têm surgido no espaço urbano, com disputas de espaço e exageros por parte de alguns artistas.

Não devemos nunca esquecer que nossos direitos são realmente válidos a partir do momento em que respeitamos os direitos dos outros. A arte de rua deve servir para melhorar a convivência no espaço público. Abusos e conflitos podem criar rachas nada saudáveis, além de queimar o filme de toda a categoria.

O momento agora é de união e reflexão. Tenhamos todos muita calma

PS: Quem quiser pode baixar um PDF do decreto, para impressão: http://bit.ly/1f6DmuP

Celso Reeks