quarta-feira, 3 de junho de 2009

O Ministro da Educação (*) de Serra e suas atividades extra-curriculares

Fonte: www.paulohenriqueamorim.com.br

2/junho/2009 11:13
O Ministro e o presidente eleito. O amigo já ouviu falar em “conflito de interesses” ?

O Ministro e o presidente eleito. O amigo já ouviu falar em “conflito de interesses” ?



O Conversa Afiada recebeu o seguinte e-mail de amigo navegante:
PH, dá uma olha no Cloaca News. O cara pegou uma superfalcatrua de Paulo Renato e Roger Ferreira, aquele assessor de imprensa do Nossa Caixa que mandava dinheiro para a revista Primeira Leitura, de Reinaldo Azevedo. São posts imperdíveis.

Terça-feira, 2 de Junho de 2009
A INCRÍVEL HISTÓRIA DO ASSESSOR TUCANO QUE SAIU DA PARADA PINTO PARA SER VIZINHO DO SECRETÁRIO LOBISTA

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Você já ouviu falar em Fator F? Para os biólogos, trata-se de um elemento genético extracromossomal identificado em Escherichia coli, um bacilo pertencente à família das Enterobacteriaceae, cujo habitat natural é o lúmen intestinal dos seres humanos e de outros animais de sangue quente. Segundo os cientistas, o bicho possui múltiplos flagelos dispostos em volta da célula.Fator F, a prodigiosa empresa de “inteligência em comunicação” criada pelo hiperativo Roger Ferreira, aquele mesmo que foi assessor-chefe de comunicação de Geraldo Alckmin, e também assessor da presidência do banco paulista Nossa Caixa. Lembra do escândalo da Nossa Caixa? Aquele que desviava o dinheiro do contribuinte para financiar a revista Primeira Leitura, de Reinaldo Azevedo, entre outras benfeitorias! Pois é. O Roger Ferreira, grande Roger Ferreira!confira aqui o curioso logradouro onde se meteu o Roger). O capital inicial era uma, digamos, merrequinha. Coisa simbólica. Mas, veja você como o trabalho bem feito dignifica: há menos de quatro meses a Fator F alterou seu capital para R$ 250 mil, como se vê aqui (na metade da segunda coluna, a partir da esquerda). E o endereço ganhou súbita nobreza, como se verá aqui (role a tela para baixo, para visualizar o mapa). Se você não está familizarizado com a planta da cidade, saiba que a pouquíssimos metros da Fator F está a sede da PRS Consultores, do lobista e secretário da Educação paulista Paulo Renato Souza. Ou vice-versa - a ordem dos fatores não altera coisa alguma.leia aqui), mas, sabe como são essas coisas. O fato é que o rapaz deve ser bom, muito bom, bom mesmo. Do contrário, o prefeito demo Gilberto Kassab, de quem Roger fez a campanha, não aceitaria pagar à Fator F a módica quantia de R$ 230 mil a título de “assessoria de imprensa” no mês de maio, como você poderá conferir aqui.
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No nosso caso, aqui, trataremos de outro flagelo, este de sangue frio, muito frio.

Eis o nosso

Hoje o Roger está à frente da Fator F, junto com seus sócios brilhantes. E adivinha só quem cuida da “inteligência da comunicação” da Secretaria da Educação paulista??? Pois é…: a firma do Roger Ferreira, que ele criou logo depois de ser afastado do governo estadual por causa da bandalheira na Nossa Caixa (cá entre nós, ele levou muito a sério esse pronome “nossa”…). Com toda a humildade que o caracteriza, inicialmente ele abriu seu negócio láááááá na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte da capital paulista, plena periferia da Paulicéia (

E não nos pergunte, por favor, como foi que o Sr. Ferreira conseguiu o contrato com a Secretaria da Educação. Bem que pediram explicações na Assembléia Legislativa (

(COM A COLABORAÇÃO DE NAMARIA)

GIGANTE DOS LIVROS DIDÁTICOS TEM SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO DE SERRA COMO CONSELHEIRO

O deputado federal licenciado e atual Secretário da Educação do governo de José Serra, Paulo Renato Souza, não é apenas um mero lobista das editoras de livros didáticos em nosso país (como você viu na postagem anterior, o escritório de lobby do tucano ocupa o mesmo corredor no prédio em que está a sede da Avalia, uma das empresas do Grupo Santillana, cliente da PRS Consultores).Fundação Santillana (a fundação/quem somos) basta para encontrarmos nosso personagem ocupando um assento no Conselho Consultivo da organização, ao lado de Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, Cristovam Buarque e Nélida Piñon.

Na verdade, as relações de Paulo Renato com o conglomerado espanhol da “indústria do conhecimento” são bem mais estreitas e transcendentais. Uma visitinha básica ao site da

(*) O presidente eleito não tem meros Secretários. Tem Ministros, como Paulo Renato, o ministro da privatização da Educação no Governo do Farol de Alexandria..

Lutas na UNESP

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Lutas na UNESP

27 de Maio de 2009
Categoria: Destaques


Todo o processo de lutas sociais dentro da UNESP não tem sido objeto de pesquisa, de discussão, em eventos acadêmicos. A memória sobre a luta estudantil dentro da universidade é feita pela própria luta. Por Ronan

unesp61A Universidade, diferentemente do que pretendem apresentar os grandes meios de comunicação, não é somente uma ilha de felicidade, sucesso e tranqüilidade. Tal como em todos os outros meios sociais, ela é perpassada pelas divisões e pelos conflitos sociais, possui o mesmo racismo abundante na sociedade e todas as demais divisões. Por isso, também é local de grande mobilização e de muitas lutas sociais.

A greve dos professores e funcionários da USP e a luta com ocupação dos estudantes, realizadas em 2007, trouxeram à tona a disparidade de condições dentro da universidade. No caso, mesmo no principal centro acadêmico do país, havia alunos vivendo em situação precária, morando em estádios improvisados como dormitórios. A grande mídia no Brasil tende a dar maior visibilidade ao que ocorre em São Paulo, no Rio de Janeiro e nas grandes capitais, por este fato muitas das lutas ocorridas em outras universidades acabam desconhecidas.

unesp2A Universidade Estadual Paulista, a UNESP, tem sido local onde se desenvolveram as mais profícuas lutas sociais estudantis no Estado de São Paulo nos últimos dez anos, ou mais. Trata-se de uma universidade toda ela dispersa por várias cidades do interior paulista e que, até então, é a menos elitizada das universidades do Estado. Por conjugar muitos cursos de licenciatura e por ter mais de 35% de seus estudantes provenientes do ensino público, a UNESP possui a menor renda per capita dentre as universidades paulistas e possui uma demanda por inclusão social que a singulariza.

unesp3Toda a rede de inclusão social universitária existente dentro da UNESP foi formada a partir da pressão constante dos estudantes precarizados que utilizavam as mais variadas formas de luta. Curiosamente, depois de ganhas as construções, as bolsas, as estruturas, as permissões, surgem nas paredes reluzentes placas douradas e/ou prateadas apresentando como benefício cedido por este ou aquele diretor, este ou aquele reitor, as benesses que especifica. No entanto, nada mais longe da verdade, pois apresentam como doações do poder o que surgiu do sacrifício dos estudantes em luta e da solidariedade de tantos outros.
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Estudantes são colocados em ônibus e conduzidos à delegacia, em Araraquara

Todos os acontecimentos recentes relacionados às lutas dentro desta instituição não podem ser desvinculados desta tradição construída, ano após ano, pelos estudantes precarizados. O surgimento de uma corrente de opinião e uma prática gestorial que criminaliza as lutas estudantis dentro de toda a UNESP - que incluiu a expulsão de alunos em Franca, a prisão coletiva de estudantes pela tropa de choque em Araraquara, processos variados contra alunos em Marília, Araraquara e outro mais - se desenvolve como reação a toda uma cultura de crítica e luta social existente. Além de mudanças arquitetônicas e reformas universitárias. Apesar de ter já findado o período de ditadura no país, sobretudo desde a gestão do antigo reitor José Carlos Souza Trindade (2001-2004), a tropa de choque foi incluída como elemento do diálogo com as lutas estudantis. Foi tal reitor que se preocupou em transferir as reuniões do Conselho Universitário, antes feitas na capital, para cidades mais afastadas do Estado, procurando, assim, evitar que lá chegassem os estudantes mais impertinentes, que ainda encontravam a tropa de choque posicionada nas portarias dos prédios onde se realizariam os encontros da cúpula dirigente da universidade.

Por se tratar de uma universidade, um fato é muito interessante e sugestivo: todo o processo de lutas sociais dentro da UNESP não tem sido objeto de pesquisa, de discussão, em eventos acadêmicos e muito menos de publicação nas variadas revistas, jornaizinhos e obras que a UNESP possui. A memória sobre a luta estudantil dentro da universidade é feita pela própria luta. Curiosamente, temos cursos de ciências humanas que se prestam a estudar as práticas de poder, exploração e as lutas sociais nas mais variadas esferas, mas a própria UNESP não surge como objeto de análise. O que torna mais lúcidas as reflexões de Maurício Tragtenberg, em Educação, Política e Sindicalismo, sobre a falta de reflexão dos professores e estudantes a respeito da realidade educacional que os atinge. Assemelhando-os, assim, ao trabalhador alienado que não pensa sobre o sistema produtivo que o inclui.

Uma luta, uma cultura:
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Unesp de Rio Claro

Os estudantes precarizados da UNESP conseguiram, no decorrer dos anos, obrigar as chefias da universidade a criarem políticas de inclusão universitária, possibilitando, minimamente, que os alunos carentes sócio-economicamente pudessem realizar seus cursos e não abandoná-los, como gostaria uma parcela ressentida. Muitos campi se inseriram num amplo espectro de mobilização e lutas estudantis, desde a década de 80. Num exemplo, a construção da moradia estudantil [lar de estudantes] da UNESP de Marília resultou de longos anos de luta, 1986-1990, quando os alunos moraram boa parte deles em ocupações dentro da faculdade. Surgiram posteriormente ocupações para ampliação dos blocos residenciais em 1996,1999, 2000 e 2002.

Para a realização dessa mobilização vários fatores contribuíam. Um, muito importante, era o acesso aberto que os alunos tinham com relação à infra-estrutura da universidade. Na gestão do antigo reitor Antônio Manoel (1997-2000), de 1999 em diante, desbravaram-se movimentos de ocupação por moradias estudantis em vários campi: Araraquara, Marília, Assis, Rio Preto, Bauru, São Paulo, Presidente Prudente. Essas ocupações vinham na continuidade das anteriores e eram reforçadas com encontros de moradia, também encontros mensais dos estudantes, os chamados Encontros de Entidades Estudantis da UNESP. Havia muitas viagens para protestos e ocupações na capital paulista, local onde se encontra a reitoria. Todas essas viagens eram facilitadas pelo fato de os alunos poderem utilizar os ônibus [autocarros] de cada unidade. Os estudantes se alimentavam (lanche de mortadela, queijo – o X-luta [sanduíche da luta]) com a ajuda de custo que eles angariavam das direções, dos sindicatos e de alguns professores. Além de usufruírem da solidariedade de outros setores, conseguiam obrigar as chefias das distintas faculdades a fornecerem os meios materiais para eles fazerem a sua luta. Assim como elas fornecem hoje a estrutura para as empresas, para os gestores do poder público, etc.
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Ocupação em Assis.

Não só os ônibus eram utilizados livremente pelos estudantes, mas também as salas e outros espaços físicos da Universidade eram livres e recorrentemente utilizados para alojarem os congressos, as reuniões, as festas que arrecadavam fundos, os eventos de discussão política e discussão pública, as salas de vídeo, os laboratórios de fotografia. Com auxílio das chefias e demais apoiadores, os alunos mais ativos faziam jornais, fanzines, eventos artísticos com poesia, música, ciclos de filmes e outras manifestações culturais. Os alunos da UNESP, por comparação com os da USP e Unicamp, têm a distância entre os campi a vencer, se quiserem se mobilizar de forma mais coletiva, e para isso a utilização da infra-estrutura da universidade era essencial. Tudo o que contribuía para ampliar os laços entre os estudantes era bem vindo: lugar para os alunos de outros campi dormirem, meios de transporte, esquemas de alimentação, etc. Naqueles anos, os alunos não necessitavam de autorização de professor para solicitar a utilização de ônibus, salas, vídeos, câmeras, e nem eram obrigados a ter um professor acompanhando as viagens. As festas não eram proibidas e a maior abertura dos campi possibilitava um trânsito mais livre de estudantes entre as várias unidades.

Num tempo em que o PT não estava ainda no poder, a UNE [União Nacional de Estudantes] não era um departamento governista como hoje, e os alunos, vez ou outra, podiam contar com alguma ajuda material numa excursão de protesto que servia para eles estreitarem os seus laços e construírem suas lutas.
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O governador do estado de São Paulo é escorraçado da cidade de Marília, em 2002.

A amplidão das lutas estudantis dentro da UNESP só pode ser compreendida tendo-se em conta que, embora tenha havido seus membros mais dedicados, pessoas mais destacadas, e níveis diferentes de instrução política, as lutas só conseguiram ser realmente efetivas e vitoriosas porque delas participavam os estudantes comuns, aqueles que não estavam lutando porque tinham lido textos ou por terem explicitamente idéias de mudar o mundo. Aqueles que lutavam simplesmente por estarem sendo atingidos por necessidades materiais e/ou por se indignarem com a sua própria condição ou a de seus colegas. As fortes lutas estudantis na UNESP foram feitas por gente que, até então, não havia participado de mobilizações, que eram despolitizadas, gente que hoje está espalhada por todo canto, que possui filhos, assiste a novelas, vai ao shopping, sonha com roupas de grife, torce para times de futebol, reza, enfim. Aliás, a efetiva repressão só começou a se abater sobre os estudantes quando essa camada maior de alunos foi se retirando das lutas. Eram eles a fazer recuar o poder, e não a sempre existente meia dúzia de pessoas com camisetas políticas.

Havia todo um consenso intra-universitário de apoio às lutas sociais, um clima moral interno de apoio aos estudantes mais precarizados, de anseio pela democratização interna. Podia haver cem alunos que dormissem na faculdade para fazer agitação pela manhã, mas tinham o apoio de outros 300, 400. Contava-se também com uma cultura de união entre os alunos mais pobres, como no seguinte exemplo: a saída conjunta de todos os estudantes da moradia estudantil da UNESP de Marília para participarem de uma reunião com a então vice-diretora da unidade, em 1999, que pretendia expulsar um aluno da moradia. Sem entrar em minúcias, basta citar que nesse dia - único na vida -, os estudantes chegaram a fazer a gestora chorar dado o teor do debate e do confronto verbal. No mesmo ano de 1999, dado a possibilidade de a tropa de choque ir desalojar os estudantes do campus de Rio Preto, que estavam ocupados na luta por moradia, alguns alunos da unidade de Marília juntaram suas moedas e foram a Rio Preto prestar solidariedade aos seus pares. Ou o caso da doação de colchões e mantimentos, também de ajuda financeira, que o movimento de ocupação de 1999 de Marília recebia de vários alunos, funcionários e alguns professores. Ou mesmo em 2003, quando, a partir de uma assembléia com cerca de 300 alunos na UNESP, saiu-se em marcha para as outras duas universidades privadas na cidade de Marília, conseguindo paralisar as aulas e realizar um ato, contando já com milhares de pessoas, contrários à guerra que os Estados Unidos declararam ao Iraque.

As moradias estudantis possuíam uma cultura de identidade, sentiam o orgulho de serem os alunos que, contra tudo e contra todos, conseguiram passar pelo filtro sócio-econômico que é o vestibular [exame de admissão] das universidades estatais. Havia camisetas que diziam: Sou da Moradia, Sim Senhor, e que, ao lado do desenho das casas existentes, tinha desenhado as futuras moradias, que a luta estudantil haveria que conseguir. E conseguiu! Não se dava tanta importância a roupas de grife, práticas culturais elitistas como rapel, tênis. Hoje, ao contrário, é comum se observar em diversas universidades as camisetas com o nome do curso a imitar os logotipos das empresas transnacionais.

Havia festas com o puro objetivo de sociabilidade e raras as com fins de ganhos monetários, onde a classe média pode se distinguir por poder pagar os ingressos cobrados. Os alunos pobres não se deixavam envergonhar por serem pobres, não abraçavam a perspectiva dos mais bem nascidos, não aceitavam, como ocorreu numa festa do curso de Relações Internacionais em Marília (2005), que seguranças a serviço de tais alunos abastados espancassem dois outros, pobres. A luta estudantil era uma vivência estudantil, toda uma cultura, norteando os estudos, os debates, as festas, atividades esportivas, grupos de teatro, de dança, festivais de música, grupos de arte, intervenções artísticas e tantas mais. Foi a partir deste caldo cultural de lutas e vivências que se erigiram grupos de estudos voltados às lutas sociais, concretizando eventos autônomos e libertários.

Também a partir deste fermento é que em 2002, com a greve da UNESP Marília, os estudantes dos então cinco cursos, além de optarem pela paralisação quando os professores insistiam em dar aulas, iniciaram a prática de ir ao trailler [roulotte que vende hot-dogs, etc], de forma a ampliar o debate e a sociabilidade criada pela mobilização. Tratava-se de uma sociabilidade extraclasse e extracurso, por cima da fragmentação em turmas e da fragmentação em cursos.

Em contraposição ao culto imperante das grandes empresas e das práticas gestoriais de criminalização da pobreza e das lutas estudantis dentro da universidade, buscava-se constantemente uma sociabilidade e uma cultura que não tivesse como critério o quantum de dinheiro que o estudante possui em seu bolso, mas as idéias que traz em sua mente e o sentido que carrega em seu peito. A busca por uma sociabilidade não mercantil que florescia no terreno fértil das lutas e mobilizações dos próprios estudantes.

USP: Comunicado urgente dos grevistas

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1 de Junho de 2009
Categoria: Destaques

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COMUNICADO URGENTE: REITORIA DA USP E GOVERNO SERRA MANDAM POLÍCIA CONTRA A GREVE DE TRABALHADORES

Desde a madrugada de hoje, 01 de junho, nós, trabalhadores da USP, estamos sofrendo mais um ato de repressão inadmissí­vel. A universidade amanheceu completamente sitiada pela polí­cia. Em cada unidade da universidade há pelo menos uma viatura, e em frente ao prédio da reitoria há uma concentração de dezenas de policiais. Os policiais estão com uma atitude provocativa frente aos trabalhadores, arrancando as faixas dos grevistas, buscando abertamente causar incidentes. Isso se dá justamente após a reitoria, apoiada pelo governo do estado, ter suspendido as negociações com os trabalhadores de maneira completamente arbitrária.

Nós, trabalhadores da USP, estamos em greve desde o dia 5 de maio por aumento de salário, em defesa de 5 mil trabalhadores que tem seus postos de trabalho ameaçados, pelas demandas do hospital universitário, e outras pautas específicas, e pela reintegração de Claudionor Brandão, diretor do SINTUSP demitido. A demissão de Claudionor Brandão é produto da perseguição política aos trabalhadores e ao sindicato, protagonizada pela reitoria e pelo governo Serra. Trata-se de uma política marcada pela prática anti-sindical e anti-democrática que abre um gravíssimo precedente para todos os trabalhadores brasileiros. Não podemos permitir que os trabalhadores da USP e sua legí­tima mobilização em defesa da democracia na universidade sofram esta coerção policial.

Chamamos todos os meios de comunicação, ativistas dos direitos humanos, sindicatos, organizações políticas, estudantes e integrantes dos movimentos sociais a se unirem a nós e impedirem esta ofensiva, que é parte da escandalosa criminalização dos movimentos sociais, prática que tem se generalizado pelo país. Chamamos todos a enviarem moções de repúdio para a reitoria da USP, exigindo a retirada imediata dos efetivos policiais, e a se concentrarem na frente da reitoria, e cercar de solidariedade os trabalhadores da USP em greve há 27 dias.

Comando de Greve da USP

• E-mail do SINTUSP para moções de apoio: sintusp@sintusp. org.br

• E-mail da reitoria da USP para envio de moções de repúdio: gr@usp.br

Educação: Tecnocracia de esquerda e tecnocracia de direita

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22 de Maio de 2009
Categoria: Brasil



Dentro das escolas se passa muito mais do que se costuma imaginar. Quem anda atrás de educação libertária deve olhar atentamente para dentro das rotineiras paredes, porque a liberdade se constrói justamente aí, onde não se a tem. Por Ronan

tecnoeducacao4É realmente impressionante o nível de alienação a que chegou a camada social dos professores e trabalhadores da educação. Nem sequer menciono a falta de um posicionamento da sociedade. Alienação aqui entendida como a falta de posicionamento do professorado sobre o que dever ser o processo educativo. Vivemos um momento de significativas mudanças no fazer pedagógico em que espanta a ausência de interlocutores e posicionamento provenientes de setores não comprometidos com o atual estado de coisas. Jornalistas, intelectuais, parlamentares, imprensa, empresários, igreja, movimentos e ONGs ligadas ao poder têm travado entre si o debate que pauta as ações governamentais. Quem desejar simplesmente se informar sobre educação na atualidade não terá lugares outros para recorrer além de publicações como Nova Escola, Pátio Pedagógico, Educação, Carta na Escola, sites como o da Ação Educativa, grandes jornais e sites governamentais e congêneres. Uma posição crítica mais embasada absolutamente sumiu do mapa.

Propostas alternativas de educação têm sido tocadas por alguns movimentos sociais, heróicas ONGs, e pela milharidade de cursinhos populares. Todos, mesmo em conjunto, de pequeno impacto diante das milhares escolas do país. As minorias ativas, embora obtenham alguns êxitos, jamais alcançaram, por exemplo, a latitude das lutas estudantis na universidade, responsáveis pela criação de um sistema de inclusão social e pelo abrandamento de arbitrariedades várias, que podem incluir até mesmo a exploração de trabalho não pago dos alunos.

A apatia do professorado se inscreve na divisão entre a imersão numa perspectiva mercadológica e individualista de vida e o apoio coletivo e passivo a burocracias sindicais que procuram usar a insatisfação e a luta dos professores para a ascensão social, mediante o controle da estrutura sindical - que faz parte do conjunto que arrecadou somente em impostos cobrados aos trabalhadores 1,5 bilhões em 2008 -, e/ou a carreira política. Assim, as críticas ao processo educativo foram, majoritariamente, reduzidas à denúncia do parco investimento, uma simples questão quantitativa, e esse mais praticamente identificado ao patamar salarial dos professores. Os departamentos de recursos humanos das secretarias tem sido hábeis em cooptar o prioritário anseio econômico dos docentes e, mediante as bonificações de fim de ano, têm conseguido esvaziar os desfiles sindicais. O sindicato tem diversificado as possibilidades de ganho material para o professorado e surge, prioritariamente, como origem de convênios, descontos comerciais, colônias de férias e empresa jurídica. Tudo ficou resumido às cifras salariais e questões previdenciárias. Numa linha politizadora restaram somente algumas poucas subsedes sindicais, geralmente votadas ao ostracismo.

Nesse contexto de ausência do professorado e de um movimento social por educação, em que os poucos grupos autônomos são votados ao ostracismo, a educação sobrou como terreno principal onde se têm digladiado projetos e grupos tecnocráticos. Não que haja diferenças fundamentais entre os projetos atualmente em disputa. Os dois grandes partidos brasileiros – PT e PSDB – não possuem controvérsias basilares quanto às políticas atuais em educação. Embasados na militância tecnocrática de grupos de especialistas e intelectuais dos órgãos dos respectivos partidos e, seguindo práticas correntes em países subdesenvolvidos, ao mesmo tempo em que mantêm um baixo investimento, procuram aumentar a produtividade do processo educativo mediante reformas administrativas. Uns apontam uns cruzeiros a mais e outros a menos, mas o embate tem sido gestorial.

Os grupos tecnocráticos dos dois partidos partilham a mesma base de gestão onde se aponta para o foco e auxílio na administração, tem-se a introdução de avaliações sobre o sistema – gestores, alunos e professores -, criação de currículos básicos, estipulação de metas de desempenho, cooptação de escolas e sistemas educacionais mediante incentivos financeiros, combate ao absenteísmo, bonificação por resultados, programas de requalificação docente, pretendida fixação dos trabalhadores numa mesma escola, produção centralizada de materiais didáticos, aprovação automática ou reprovação zero, centralidade em português, matemática e ciências, manutenção de um contingente enorme de professores não efetivos.

Dentro desse quadro comum, no entanto, a tecnocracia petista tem pautado suas ações na busca de uma centralização nacional da educação, federalização do ensino, somada a um avanço tímido nos investimentos educacionais que, no entanto, em nada revertem a condição de os R$1.700 anuais investidos por aluno da escola pública ser somente a metade do que investe um país subdesenvolvido e bem mais pobre como o Chile. Aliás, a marca da centralização petista é um fato não somente na educação mas em outras áreas também, como atesta a criação de uma TV estatal nacional, um sistema penitenciário nacional, uma guarda nacional, sistema federal de certidões de nascimento, sistema federal de financiamento de moradias, de bolsas de assistência social e etc.

É nesse contexto que se procurou expandir as universidades federais e os centros federais de educação tecnológica, se busca uma federalização do vestibular, tendo o ENEM – exame nacional do ensino médio- como processo seletivo de ingresso para milhares de universidades no país, se criou o PROUNI, programa federal que financia o estudo de alunos no ensino superior, se pretende a criação de uma prova federal para todos os professores do país, estipulando-se um êxito mínimo dos docentes na avaliação para futura contratação, se avança com os projetos de cotas para negros no ensino superior e inclusão, em todas escolas, do estudo da contribuição da cultura indígena e africana para a formação brasileira, se construiu um piso nacional salarial mínimo para todos os professores no valor de R$950 mensais por 40 horas de trabalho, se desenvolveu a UAB, Universidade Aberta do Brasil, que oferece formação educacional à distância, retornou-se com a filosofia e a sociologia e etc.

No outro lado do espectro tecnocrático, a inteligência peessedebista tem apescola-florestan2ostado na autonomia dos estados na gestão educacional. Daí o surgimento de um índice, o IDESP, que pontua o desempenho de cada unidade escolar do Estado de São Paulo no SARESP, Sistema de Avaliação da Rede de Ensino do Estado de São Paulo, a criação de uma Secretaria de Ensino Superior, que foi derrotada pela greve da USP de 2007, a implementação de uma padronização curricular estadual, determinando o que deve ser ensinado em todas as escolas públicas do Estado de São Paulo, a avaliação centralizada imposta aos quase 50% de professores temporários (precários) da rede estatal paulista de ensino, a política de bonificação para professores, funcionários e gestores, a evolução salarial mediante aprovação em avaliação para os professores do Estado de Minas Gerais, a criação da UNIVESP, Universidade Virtual do Estado de São Paulo.

Uma diferença substancial fica por conta de a administração tecnocrática da educação peessedebista indicar o professorado e sua má qualificação como o principal responsável pelo fracasso educacional brasileiro. Embora a tecnocracia petista não deixe de negar o baixo nível educacional do professorado, que não apresenta um universo cultural diferente do compartilhado pelo aluno – novelas, shopping-center, revistas de beleza, futebol – entende que tal desqualificação é fruto da má qualidade estrutural do ensino tanto básico quanto superior, apontando para as universidades a responsabilidade central na má formação. Dessa forma, enquanto o PSDB pretendia jogar à rua os quase 50% de professores precários que não conseguiram acertar a metade das questões na avaliação efetuada no final de 2008 no Estado de São Paulo, o Ministério da Educação foi responsável pelo inovador fechamento de cursos explicitamente de péssima qualidade, para não dizer estelionatários, e diminuição de vagas em faculdades incapazes de ofertar uma boa formação. O governo federal aposta num pequeno crescimento dos investimentos em educação e uma, mesmo que tímida, embora intimidativa, fiscalização sobre o ensino superior ao passo que o governo do Estado de São Paulo atua centrado na reforma do ensino pró responsabilização dos professores individualmente considerados. Ao criar a Escola de Formação dos Professores no Estado de São Paulo, onde os docentes concursados obrigatoriamente terão que fazer um treinamento de 4 meses se quiserem se efetivar no concurso em que foram aprovados, a tecnocracia peessedebista escamoteia a responsabilidade dos centros universitários em terem mal formado os professores e joga nas costas destes a carga de apresentar em 4 meses o que as faculdades não lhes garantiram e/ou exigiram em 4 anos.

Pegando-se o núcleo do processo, a tecnocracia petista tem atuado com uma leve entonação popular, no sentido de se ampliar o acesso a direitos sociais, ampliando um pouco os investimentos, criando um salário mínimo docente nacional, criando maiores oportunidades de os pobres chegarem ao ensino superior, como é bom exemplo o PROUNI e o projeto de se financiar totalmente cursos de medicina, que custam mais de R$3.000 mensais, e cursos de licenciatura para jovens carentes que, entretanto, deverão atuar, em troca, por 8 anos em áreas onde há falta de profissionais, principalmente região norte e nordeste. Já a tecnocracia peessedebista possui atuação com maior entonação meritocrática, forçando uma melhoria rápida do ensino mediante o reforço das exigências aos professores. As linhas divisórias ficam bem explicitadas com a atuação do PSDB do Rio Grande do Sul no fechamento das escolas do MST – Movimento Sem Terra – contra o qual se posicionou publicamente membros do Ministério da Educação.

conferencia-nacional-de-educacao-basicaUm dado importante nesse processo é saber que as importantes mudanças que estão sendo efetuadas na educação são gestadas, enquanto projetos, fora do debate público e da caloria midiática parlamentar, enquanto indicações de grupos e conselhos tecnocráticos que fundamentam tanto a ação do Ministério da Educação uns, quanto a ação das secretarias estaduais de educação outros. No plano federal temos o Conselho Nacional de Educação e o INEP, Instituto de Pesquisas e Avaliações Educacionais Anísio Teixeira, assim como, reuniões de Secretarias Estaduais de Educação que assessoram e fundamentam a atuação do MEC, Ministério de Educação e Cultura, conselhos de reitores e outros menos importantes. No plano estadual há os Conselhos Estaduais de Educação e, no caso de São Paulo, a Fundação Vanzolini, o Centro de Referência em Educação Mario Covas, o CRUESP – Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo, encontros de secretarias municipais de educação e outros mais.

Há uma importante diferença na busca de apoio social efetuada pelos tecnocratas petistas e os tecnocratas peessedebistas. O governo federal busca apoio em sindicatos como a APEOESP e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação - certamente muito felizes com a legalização das centrais sindicais e respectiva cota no imposto sindical, assim como, extensão aos funcionários públicos da cobrança do imposto sindical obrigatório. Tem o apoio da UNE, União Nacional dos Estudantes, para a qual doou 10 milhões em 2008 e cujo partido dirigente, o PC do B, possui participação no governo, apoio de ONGs como a Ação Educativa, de movimentos sociais apoiados e financiados pelo governo como o Movimento dos Sem Universidade, redes de cursinhos populares como a Educafro, de revistas como a Revista do Brasil, Sociologia Ciência e Vida, Educação, Carta Capital e Caros Amigos, que desfrutam de apoios publicitários, há ainda centenas de intelectuais espalhados por importantes universidades públicas, desfruta de espaço para publicação de textos na Folha de São Paulo e o apoio já dado dos membros ativos do partido, assim como, a importante contribuição internética que surge em blogs como o do Favre, de José Dirceu, do Paulo Henrique Amorin etc. Do outro lado, a tecnocracia peessedebista tem sua base de apoio em publicações como Veja – maior revista do país, com mais de 1,3 milhões de exemplares semanais -, jornal O Estado de São Paulo, onde escreve o Secretário de Educação do Estado de São Paulo, revistas Nova Escola, Pátio Pedagógico; apoio de movimentos como o Todos Pela Educação, Educar Para Crescer, que contam com o apoio logístico, intelectual e financeiro de empresas que apóiam o projeto peessedebista como a Editora Abril e sua Fundação Victor Civita, Gerdau e outras mais. Tal qual a relação petista, as publicações de apoio peessedebistas usufruem de verbas publicitárias e até mesmo compra de material sem licitação. Ainda, desfruta do apoio internético de blogueiros e escritores como Gustavo Ioschpe, Cláudio de Moura Castro, Gilberto Dimenstein, Reinaldo Azevedo, Daniel Piza, Diogo Mainard, e outros mais, assim como, de importantes intelectuais da rede pública e privada do ensino superior.

Um dado interessante é constatar que a tecnocracia petista faz um caminho inverso ao da tecnocracia peessedebista. Enquanto a posição petista em educação foi germinada num contexto de maior protagonismo popular, de base, tendendo à burocratização e ao reforço do poder dos tecnocratas que se uniram e/ou gestaram no partido, a posição peessedebista é totalmente germinada num campo tecnocrático, de cúpula, mas que vem buscando uma cada vez maior legitimação social, buscando fundar movimentos sociais no contexto do Todos Pela Educação.
Movimento Todos Pela Educação

Movimento Todos Pela Educação

A base de apoio peessedebista tem procurado mobilizar a sociedade para a questão educacional, inclusive com grandes campanhas publicitárias, tendo o empresariado como coluna central do movimento. A busca de apoio popular da tecnocracia peessedebista cria a interessante situação de estar muito mais aberta à participação da população civil. O site da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo abriga links para queixas resolução de problemas, questionários e opiniões. A vertente virtual da revista Veja têm publicado propostas educacionais de pessoas de várias partes do país e chegamos à situação instrutiva de ser mais fácil um professor publicar sua opinião num jornal como a Folha de São Paulo e/ou no site da revista Veja do que tê-la abrigada no site do próprio sindicato para o qual contribui com valores que vão de 10 a 25 reais por mês.

Este tem sido o cenário educacional brasileiro e o contexto de embates é mais rico ainda porque, dentro das duas vertentes tecnocráticas e mais especificamente em suas bases de sustentação, há linhagens racionalistas e criacionistas que travam uma guerra particular no solo educacional. A igreja católica e as evangélicas estão presentes nos dois campos sociais. Aliás, tão presentes que um líder de uma vertente carismática da igreja católica chegou a comandar toda a educação paulista. Mesmo que fora dos holofotes, a escola tem sido local de disputa entre vertentes religiosas e destas com o racionalismo: essa batalha não deixa de ser absorvida pelas tecnocracias em ação.

Delineado o terreno, parece não ter sobrado muito espaço para as experiências de base em educação. Embora de pequeno alcance social, as ações concretizadas deixam um norte construído. Os projetos alternativos têm passado pela criação de uma educação voltada para a luta social e esta vem acompanhada do comprometimento social e a qualificação técnica e política do professorado. Os casos conhecidos demonstraram uma concomitante instrução dos movimentos sociais e politização da escola. O salto de reclames meramente quantitativos para o surgimento de um professorado propositivo, capaz de apontar, da educação que temos a educação que queremos. Da mesma forma, um posicionamento crítico diante da educação tem significado um engajamento e uma tomada de responsabilidade, inclusive, discernindo o que é salutar naquilo que tem sido feito pelo governo e construindo alternativas para o que não é. Não se trata de idealismos e ação sem dados constrangimentos: o descontentamento diante da gestão governamental e a luta por outra educação não têm servido de apoio a professores que, num ideário elitista, tratam com desprezo o futuro educacional dos populares, muitas vezes porque podem ter seus filhos nos colégios privados. Do mesmo modo, a politização da escola não tem significado o abandono dos conteúdos, mas a sua problematização num outro contexto. Uma melhor instrução tem sido o alicerce para qualquer projeto educacional alternativo. A criação de canais de comunicação, discussão e participação nas escolas têm sido importante característica. Assim como, a utilização dos espaços externos às salas para as atividades e discussões coletivas e a abertura das escolas aos movimentos e/ou grupos organizados.

Posto isso, é evidente que dentro das escolas se passa muito mais do que se costuma imaginar. Quem atualmente anda atrás de educação libertária deve olhar atentamente para toda a disputa atual em torno da educação, olhar para as carteiras e cadeiras dentro das rotineiras paredes, ouvir as sirenes e o fechar e abrir dos portões, porque a liberdade se constrói justamente ai, onde não a se tem.

Verdades de um professor

Fonte:
http://diariodoprofessor.com/2008/11/30/carta-aberta-a-futura-secretaria-de-educacao-do-rio-de-janeiro-claudia-costin/

Veja o discurso dessa senhora, que está em consonância com os ideais dos políticos e corporações midiáticas do Brasil e especialmente em São Paulo, criminalizando o professor pelos erros do Estado.


A Sra. Claudia Costin foi Secretária de Estado da Cultura do Rio de Janeiro.
Não deixem de ler.



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Carta aberta à futura Secretária de Educação do Rio de Janeiro,Cláudia Costin

Por Declev Dib-Ferreira, em Brasil – país dos absurdos, Desabafo, Educação, Opinião, Política,

Reflexões
Prezada Cláudia,

Sou funcionário do município do Rio, professor de Ciências.Tenho este cargo por mérito próprio, por passar em um concurso, há quase 5 anos - não tenho cargo por indicação política. Li uma matéria com uma entrevista sua no O Globo, dia 08 de novembro de 2008, página 18. Na ocasião, algumas frases e propostas me chamaram a atenção. Tanto pela inocência quanto pela maldade das mesmas. Gostaria de, mui respeitosamente, discutir alguns pontos.

Vejamos: 1 - Você diz que pretende "investir na qualificação de professores, que poderão ganhar computadores portáteis".

Eu agradeço muito o computador, porque estou precisando, pois o meu pifou. Mas isso, sinceramente, não creio que seja investir na qualificação do professor. Já tive a oportunidade de escrever sobre isso por aqui, quando da mesma compra pelo Estado. Tenho um amigo que ficará com 5 computadores portáteis em casa e não sabe o que fazer com tantos. Ele e a esposa são professores, ambos do Estado e da prefeitura do Rio. Já tinham um, ambos ganharam do Estado e ambos ganharão da prefeitura.

Professores, cara futura secretária, querem salário decente. Com ele podem comprar seus próprios

computadores. E muitos já o fizeram, pois o preço baixou bastante. Eu mesmo ia comprar um - como eu disse, o meu pifou - mas não vou. Estou esperando ganhar. Mas preferia um bom aumento de salário para

comprar o que eu próprio escolhesse e ainda aumentar minha renda.

2 - Você faz uma pergunta: "Por que uma cidade que tem tantos mestres e doutores de qualidade não consegue fazer um Ideb compatível com os de países desenvolvidos? ".

O Demétrio Weber já respondeu, mas eu insisto em te responder esta pergunta também. E o principal motivo é simples: porque mesmo sendo mestres ou doutores de qualidade, temos que trabalhar em dois, três, quatro ou mesmo em cinco lugares diferentes para poder somar renda e ter um salário "compatível com os de países desenvolvidos" !!! Sem contar as condições em que trabalhamos, secretária, que nem de longe é "compatível com os de países desenvolvidos" . A pergunta deveria ser ao contrário: "por que não tratamos como os países desenvolvidos os nossos tantos mestres e doutores de qualidade?".

3 - Por fim, sua maior pérola, a frase "Quando um aluno é reprovado, é sinal que o professor falhou".

Fico muito, muito, muito apreensivo que uma pessoa que tenha este pensamento venha a coordenar a maior rede municipal da América Latina. Para facilitar o entendimento da minha lógica - que pode ser muito profunda para quem nunca entrou numa sala de aula do ensino fundamental de uma escola encravada numa favela - farei um paralelo com o médico. Imaginemos uma pessoa que desde que nasceu não tem cuidados médicos, não se cuida, não faz exercícios, não se alimenta direito, bebe, fuma, é sedentário, estressado etc. Essa pessoa passa mal e vai ao médico... O médico receita remédios e faz uma série de recomendações dizendo que, se não as seguir, ele pode morrer. O doutor marca uma nova consulta para daqui a alguns meses, para verificar o seu progresso. A pessoa não fez nada do que o médico receitou e ainda faltou à consulta. Passa mal de novo e vai ao médico. O doutor dá uma bronca, faz as mesmas recomendações, passa as receitas novamente, marca uma nova consulta. O paciente, mais uma vez não faz o que o médico manda e morre. O médico falhou? Pela sua lógica, "quando um paciente morre, é sinal que o médico falhou". Ou será que neste caso a senhora achará que o culpado é o paciente, já que o médico fez o possível para salvá-lo. Será que o professor também não o faz?

Mas vamos examinar o nosso caso, por partes e desde o início.

a) quando a criança foi concebida, quem falhou foram os pais, que souberam gozar, mas não evitar a gravidez;

b) quando a moça estava grávida falharam ela, o pai, a família e o Estado, que não deram a ela e ao feto um pré-natal decente - ou mesmo um pré-natal;

c) quando ele nasceu e era um bebê cheio de necessidades falharam os pais que colocaram no mundo uma criança sem ter condições mínimas de criá-lo e falhou o Estado em não dar a ele o que necessitava para seu pleno desenvolvimento;

d) quando ele era uma criança falhou o Estado mais uma vez por não oferecer a ele a pré-escola, tão importante no desenvolvimento intelectual e psicomotor nesta idade. Não obstante,este ser um direito garantido pela Constituição Federal: Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade;

e) nesta mesma idade e até tornar-se o adolescente ao qual a senhora se refere - aluno do fundamental - falham o Estado, as polícias, os bandidos, os filhinhos de papai, os atores da Globo, os artistas e todos aqueles que usam drogas, ao condená-lo a viver em um local extremamente violento, com disputas entre facções rivais, com invasões desumanas de policiais em suas casas e um cotidiano de estatísticas piores que de guerras;

f) quanto à sua moradia, falham os políticos filhos da puta, o Estado, o empresários, os> especuladores, por fazê-lo viver em submoradia, sem o mínimo de conforto, sem espaço para ele, com uma densidade demográfica japonesa dentro de sua casa;

g) falham os publicitários que mentem para que ele não seja ninguém se não tiver o que ele não pode ter;

h) falham as emissoras de televisão ao entrarem diariamente em contato> com ele com imbecilidades que não ajudam em nada seu intelecto;

i) falham os empresários de ônibus que o restringe de andar pela cidade por conta do preço da passagem e do péssimo serviço que oferecem;

j) falham os locais culturais que são inacessíveis a ele (inacessíveis financeiramente ou mesmo culturalmente) ;

k) falha a sociedade como um todo que o quer longe;

l) falha a estrutura da escola que só o tem em um pequeno período do dia, deixando-o nas ruas no resto das 24h;

m) falha o Corpo de Bombeiros que carrega bandidos carnavalescos desfilando em carro aberto pela cidade, ao mostrar que quem tem valor é quem tem dinheiro, não importa de onde vem;

n) falham os jornais de grande circulação que estampam nas primeiras páginas, praticamente todos os dias, as fotos e colunas de fofocas de traficantes e outros bandidos - inclusive tenho um O Dia que tem a primeira capa toda falando do casamento de um traficante - glorificando quem é bandido, mostrando a ele que esse é o caminho;

o) falha o Conselho Tutelar ao superproteger mesmo quando fazem merda, nada fazendo e não mostrando que além de direitos também tem obrigações;

p) falham as editoras de revistas que só colocam a preço de quase nada as revistas mais imbecis que existem, com fofocas e coisas do gênero; Enfim, apesar de a Constituição prever que "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade" (Art. 205), a senhora vem me dizer que "quando um aluno é reprovado, é sinal que o professor falhou"? Francamente. É justamente o professor que está lá dentro, cara futura secretária de educação, com o aluno, diariamente, tentando fazer com que ele estude, com que ele dê valor ao estudo, com que ele aprenda! O professor é praticamente o único que quer que ele seja alguém pela educação; o professor que luta contra toda a merda que a sociedade faz com ele desde antes dele nascer, para que ele se salve.

Veja, o que diz a Constituição Federal: CAPÍTULO II - DOS DIREITOS SOCIAIS Art.. 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. Quais destes direitos o Estado - do qual você tem íntima relação, a ver pelos cargos que já ocupou - oferece ao aluno - e com qualidade? Quase nenhum, né? E você vem me dizer que é o professor que falha, como se só o que fazemos em sala de aula é o que conta, é o que faz um aluno ter sucesso ou não??? Francamente.

Assinado: Um professor mestre, doutorando que tem diversos empregos e luta para que seus alunos possam superar toda a sujeira, que a sociedade faz com eles, para que possam ser alguém na vida e que, justamente por se sentir incapaz de fazer isso com o que o Estado lhe oferece, não acredita em reprovação.

Declev Reynier Dib-Ferreira

Caça às bruxas e livros

Amigos e amigas. Segue abaixo um textinho sobre os livros que estão sendo recolhidos nas escolas públicas de São Paulo e outras cositas de um professor.
Leiam e me digam o que acharam, por favor.


De repente minha aula é interrompida por dois pré-adolescentes empertigados em realizar a função a qual lhes incumbira o diretor, a mando da diretoria de ensino, que por sua vez cumpria ordem da Secretaria da Educação e por aí vai. A tarefa? Recolher os livros de poesia de Manoel de Barros, que fora distribuídos para as quintas e sextas do ensino fundamental, pois eles trazem palavrões.

Mas não era outro o livro e outra série? Não, descobriram que os estudantes das quintas e sextas também tinham sidos expostos a toda sorte de palavrões. Tentei me inteirar do fato todo, mas não teve acordo. Afinal, ordens são ordens. Foi o diretor que mandou. E lá se vai mais uma pilha de livros recolhidos, não se sabe pra onde...

O livro de Manoel de Barros é de uma beleza de machucar. Poemas seus ilustrados por iluminuras de sua filha Martha Barros. O que justificou o índex? A caça as bruxas? A menção ao ato sexual em um poema, usando o que eles determinam como palavra de baixo calão, o verbo foder. O que talvez não seja mesmo recomendado para um livro a ser adotado pela quinta e sexta série. Além disso, a expressão: cu da formiga (Que o cu de uma formiga é mais importante para o poeta do que uma Usina Nuclear) e passei a mão na bunda do vento.Essas duas últimas, no meu entendimento não justificariam a apreensão do livro. Tudo isso sei meio que de orelhada, fui descobrindo perguntando aqui e ali, visto que nada foi nos informado oficialmente. Mas é normalmente assim que funcionam as coisas nessa ilha de Lost que se tornou a Escola Pública no Estado de São Paulo. Usando uma outra expressão que não se enquadra nas normas de bom gosto, como maridos traídos os professores são sempre os últimos a saberem, apesar de serem os primeiros a serem cobrados.

Não pretendo com essa reflexão questionar se o conteúdo do livro serviria ou não para as referidas classes. No meu entendimento existe uma coisa que precede a isso, que é a forma como as coisas são feitas. Sempre de maneira superficial, espetaculosa e pelo viés moralista. A sensação de um constante meter ( ops) os pé pelas mãos.

E agora se instaura um clima de moralização com todos apontando os dedos em riste para o bode expiatório da vez. E vamos passar a peneira em toda a literatura presente na escola, quiçá no mundo que contenha expressões condenáveis. Em um texto regionalista que eu passei para os estudantes, a palavra Satanás fez soar o alarme, mas consegui defende-la alegando que na bíblia ela era citada várias e várias vezes. Na mesma bíblia, diga-se de passagem, que contém um dos mais belos poemas eróticos de todos os tempos que é “Os cânticos dos Cânticos de Salomão”.

Enquanto isso vamos sendo obrigados a conviver com coisas realmente imorais como o salário dos professores, a obrigação de aplicar os tais cadernos dos alunos ( o do segundo bimestre chegou agora nas escolas, decorrido um mês do mesmo) que jogam no lixo a autonomia do corpo docente, o clima de guerra civil instaurado nas escolas, muitas vezes tendo seus espaços divididos com a polícia ou/e com o tráfico, as salas super lotada, o descaso.

As imorais condições de trabalho que estão levando colegas nossos a simplesmente adoecerem e em muitos casos a enlouquecerem.

A imoral situação de estudantes semi alfabetizados, em séries avançadas, tratados como lixo por esse sistema educacional excludente que se finge humanitário.

A imoralidade desse mesmo sistema educacional que contando com amplos setores da imprensa como cúmplice ora tentam passar a fatura da falência que eles mesmo engendram dia a dia para os estudantes, ora para seus familiares, e na maioria das vezes para os professores, criando um clima de disputa cega no interior das escolas, uma guerra onde não se encontra vencedores, apenas feridos.

E frente a tudo isso, não podemos nem mandar os responsáveis por essa situação para o lugar que gostaríamos que eles fossem.

Pois além de imoral, seria caso de polícia!

Um professor



PS: Sobre a questão das palavras cabe um poema do Manoel de Barros, que se encontra no livro capturado, Memórias Inventadas As infâncias de Manoel de Barros.



Cabeludinho



Quando a avó me recebeu de férias, ela me apresentou aos amigos:

Esse é meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição deslocada me fantasiava de ateu.

Como quem dissesse no carnaval: aquele menino está fantasiado de palhaço. Minha avó entendia de regências verbais. Ela falava sério. Mas todo mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia fazer de uma informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir.De outra feita no meio da pelada um menino gritou: Disilimina esse, Cabeludinho. Eu não disiliminei ninguém. Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de poesia à nossa quadra. Aprendi nessas férias a brincar de palavras mais do que trabalhar com elas. Comecei a não gostar de palavra engavetada. Aquela que não pode mudar de lugar. Aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a cantar com saudade: Ai morena, não me escreve/ que eu não sei a ler. Aquele preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, ampliava a solidão do vaqueiro.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

CEI NÃO É CRECHE!

A FUNÇÃO DOS PROFISSIONAIS QUE ATUAM NOS CEIS NÃO É A DE SUBSTITUIR O PAPEL DAQUELES QUE RESPONDEM COMO PAIS E/OU RESPONSÁVEIS PELAS NOSSAS CRIANÇAS.
OS CEIS SÃO UNIDADES ESCOLARES, DIREITO DE TODAS AS CRIANÇAS, ONDE PROFISSONAIS DA EDUCAÇÃO INICIARAM, APÓS “MUDANÇA" DA SECRETARIA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL PARA A SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, A CONSTRUÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL, NA PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO PAULO, COM AS CONTRIBUIÇÕES DAS EX E DAS AINDA AUXILIARES DE DESENVOLVIMENTO INFANTIL (ADIs) E COM O INGRESSO DOS PROFESSORES DE DESENVOLVIMENTO INFANTIL (PDIs), HOJE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO INFANTIL (PEIs).LEIAM, NA ÍNTEGRA, O DOCUMENTO DAS COLEGAS DO CEI CEU BUTANTÃ.

Na 14.660/07, DIZ: "Art. 83. Os atuais titulares de cargos de Professor de Desenvolvimento Infantil poderão optar expressamente, uma única vez, pela transformação do cargo que titularizam em cargo de professor de educação infantil e ensino fundamental I, desde que existam cargos vagos nessa classe, hipótese em que os cargos vagos, em igual número, serão transformados em cargos de professor de educação infantil.
§ 1º. A opção de que trata este artigo precederá o primeiro concurso público que vier a se realizar, a partir da publicação desta lei.
§ 2º. A efetiva transformação dos cargos dos optantes ocorrerá no momento da posse dos candidatos nomeados para os cargos de professor de educação infantil.
§ 3º. A opção de que trata este artigo e a respectiva transformação serão regulamentadas por decreto.”

“TRANSFORMAÇÃO”? QUEM TRABALHARÁ EM NOSSOS LUGARES? NÃO TEMOS NENHUMA GARANTIA DE QUE SE OPTARMOS PELA “TRANSFORMAÇÃO” SEREMOS IMEDIATAMENTE SUBSTITUÍDOS POR PEIs DE UM NOVO CONCURSO OU DE UMA NOVA CHAMADA. VEJAM COMO ESTÁ O QUADRO DE APOIO! SEMPRE NA LUTA POR NENHUM EMPREGO A MENOS! PELA EDUCAÇÃO INFANTIL PÚBLICA!PELAS CONSTRUÇÕES DE NOVOS PRÉDIOS PÚBLICOS E A AMPLIAÇÃO DA REDE DIRETA!
AS FAMÍLIAS, COLEGAS, SINDICATOS E SOCIEDADE COMO UM TODO PRECISA COMPREENDER QUE TODOS ESSES ATAQUES AOS CEIS, E O ISOLAMENTO NA CARREIRA A PARTIR DA LEI 14.660/07 OCORREM PARA CUMPRIR O OBJETIVO DESSE ARTIGO 83. A TRANSFORMAÇÃO SEM VOLTA!A ENTREGA TOTAL PARA OS CONVÊNIOS! SABEMOS QUE ESSA MESMA LEI DIZ QUE NA FALTA DE 5% DO QUADRO DE APOIO, ABRIRIAM NOVO CONCURSO E ISSO NÃO TEM ACONTECIDO. NAS ESCOLAS TEMOS AS TERCEIRIZADAS. SE “TRANSFORMARMOS” OS NOSSOS CARGOS, AS CRIANÇAS E TODA A EDUCAÇÃO INFANTIL SERÃO ENTREGUES PARA AS CONVENIADAS, QUE SÓ QUEREM LUCRAR. SE FUTURAMENTE OPTARMOS PELA “TRANSFORMAÇÃO” MUITOS DE NÓS (PEIs) IREMOS TRABALHAR NAS EMEFS E ALGUNS NAS EMEIS QUE EXISTIREM AS VAGAS. MUITOS COLEGAS DAS EMEFS TENTAM “SALVAR” SEUS ACÚMULOS MIGRANDO PARA AS EMEIS NESSA REMOÇÃO DE 2008. LUTAMOS PELA EDUCAÇÃO INFANTIL PÚBLICA EM NOSSA CIDADE, PARA BENEFÍCIO DE TODAS AS CRIANÇAS E DE TODOS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO.

CEI NÃO É DEPÓSITO DE CRIANÇA.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Quem defende os nossos direitos?

Além de todos os ataques da mídia e do governo que sofremos nos responsabilizando por todos os problemas resultantes de políticas públicas mal implantadas na educação básica, agora, temos instrumentos que legitimam estes discursos: as avaliações externas. Dentro das escolas, somos pressionados por resultados positivos a qualquer custo, desconsiderando nossas condições de trabalho e o contexto em que estão inseridos os alunos, reduzindo todo um esforço de ambos os lados. Estas provas não são termômetros para medir o quanto se deve investir para melhorar a escola pública e a condição de trabalho de seus profissionais, mas um instrumento de controle e culpabilização do professor por problemas que têm a ver com a falta de compromisso público, há anos, com a educação.
Outro grave problema que enfrentamos na rede são as terceirizações e privatizações que diminuem postos de trabalho do funcionalismo público com estabilidade e entregam a escola nas mãos de empresas que visam lucratividade, pouco se importando com seus funcionários e com a qualidade do serviço oferecido à população. Um bom exemplo disto, é a flexibilização do cargo de Agente de Apoio (indicada na portaria n° 3681) que obriga o trabalhador a desempenhar inúmeras funções dentro da escola.
A campanha salarial da categoria, impulsionada pelo Sinpeem, se resume ao contentamento com a incorporação de parte das gratificações que foram conquistadas por meio de nossa mobilização na greve de 2006. O aumento real de salário não é apontado pelo governo e nem apresentado com urgência como bandeira de luta. Temos que exigir a aplicação do Piso Salarial Nacional que regulamenta e reconhece as jornadas e lutar pela fixação do piso, não inferior, ao estabelecido pelo Dieese. O reconhecimento do profissional da educação e do desenvolvimento do seu trabalho requer uma ampliação salarial imediata!
A mobilização da categoria é essencial para garantirmos/ampliarmos nossos direitos e assegurarmos uma educação pública de qualidade. Um exemplo recente disto, é o retorno da grade da EJA de 15h/a para 25h/a através da pressão dos grupos que se organizaram em comissões, reuniões e elaboraram documentos com o apoio da comunidade para exigir o recuo do governo nesta questão. A luta da EJA ainda continua, pois muitas salas e turnos foram fechados com a desculpa que não há demanda local e todos nós sabemos a quantidade de trabalhadores que necessitam voltar aos estudos, além da necessidade de reduzirmos a quantidade de alunos por turma para garantir a qualidade de trabalho para os educadores e de atendimento aos estudantes.
Frente a muitos ataques, a diretoria majoritária do Sinpeem não organiza a categoria para a manutenção e ampliação dos nossos direitos, pelo contrário, se resume a uma porta-voz do governo, levando a acomodacao dos profissionais que sofrem com as inúmeras medidas implantadas por este governo.
Nao podemos nos acomodar, a organização e a luta de nós trabalhadores é essencial na conquista por melhores condições de trabalho, remuneração, qualidade de vida e de atendimento digno e de direito a população através do serviço público. Defender estes direitos e entrar nesta luta é obrigação do Sinpeem enquanto nosso sindicato. E se ele não a cumpre, é nosso dever exigir que o faça.


Profª Clarissa Suzuki (CR Santo Amaro) – EMEF Carlos de Andrade Rizzini
Esquerda Marxista – Corrente Marxista do PT, seção brasileira da CMI - Corrente Marxista Internacional

Texto elaborado e distribuído durante o XIX Congresso do Sinpeem - 4 a 7 de novembro de 2008

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Carta da viúva de Paulo Freire sobre a Veja

Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem O que estão ensinando a ele? De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira,
ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:

"Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado".

Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigo publicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera. Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática de agredir sem assumir.
Na época Paulo, era secretário de Educação da prefeita Luiza Erundina.

Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:

"Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE --
e um dos maiores de toda a história da humanidade --, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar.
Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do "filósofo" e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu "Norte" e "Bíblia", esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.


Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram
a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia.
Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire".

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

DESCOLAndo Lucro

Há algum tempo, um empresário convidou-me para conhecer sua indústria e participar da reunião de diretoria, onde os responsáveis pela produção buscavam compreender como seria possível otimizar os resultados na linha de montagem.
Logo no inicio, o diretor geral leu em voz alta a missão da empresa e destacou a pauta central daquele encontro: qualidade, afinal, era tempo de competição e as peças deveriam ser produzidas dentro dos padrões internacionais de qualidade. Qualquer deformidade deveria ser notada e resolvida, caso contrário, o produto era excluído da moldagem e do processo de embalagem. Os aprovados deveriam ser etiquetados com um certificado que garantisse a procedência do produto, facilitando o seu ingresso em mercados extremamente concorridos. Entre ISOS para lá e cá, completou o diretor, que o selo deveria estar em inglês, respeitando o fenômeno da Globalização.
Um dos coordenadores dizia de modo enfático e disciplinado: "não podemos permitir qualquer desvio nos produtos, e o gradiente deve alcançar uma média maior que 70%". E concluiu afirmando que "as exigências do mercado estão cada vez mais rígidas, e a única forma de manter a rentabilidade é a aprovação nas avaliações desenvolvidas pelas instituições respeitadas pelo mercado". O coordenador de testes explanou em tom frio e técnico, sobre os métodos de avaliação dos produtos, explicando que todas as avaliações seguiam os padrões das melhores instituições, o que valorizava a marca da empresa.
Depois, apresentando o Boletim de ocorrência (B.O.) relatou os defeitos mais comuns apresentados pelos produtos, destacando a inadequação ao sistema internacional de rolamento, a falta de firmeza durante a execução dos testes e níveis de aproveitamento abaixo da média das peças saudáveis.
O analista de mercado, um exemplo de capital humano e apresentado como o guru do dono da empresa, buscou interpretar as novas tendências mercadológicas, alegando que o setor privado gere melhor que o público, e que as privatizações são inevitáveis, possibilitando em médio prazo a expansão dos negócios e o alcance de maiores receitas.
O representante dos investidores estava atento a tudo, com olhar de fiscal de preços tabelados e, em vários momentos, fez intervenções extremamente interessantes. Por exemplo, repetiu por diversas vezes que o investimento que fazia era de longo prazo, a um custo elevado e que suas vontades deveriam ser respeitadas, conforme um tal artigo do Regimento Interno. Concluia seu argumento afirmando que "pagava para ter resultados, e que estava cansado de discursos teóricos e pouca prática".
O ambiente ficou tenso, mas ao término da reunião, o Diretor geral falou durante alguns minutos e conseguiu seduzir todos com uma citação de algum livro de auto-ajuda (possivelmente fornecido pelo guru), algo parecido com "a união revela o caminho, se Deus quiser". Todos sorriram e sairam comentando sobre a inteligência daquele diretor. O mais empolgado era o representante dos investidores que dizia: "É um filósofo, é um pensador".
Ao sair daquela pálida construção, percebi que era uma escola. Dormi assustado com o pesadelo.
Acordei.